Ficarei Ao Seu Lado
14 Um Informante Inesperado
Notas iniciais
A capitã escutou três batidas à porta de casa e correu para atender, já sabendo quem chamava. Havia combinado com a amiga de saírem naquela manhã.
Era uma sexta-feira e Castle insistira para que ela o deixasse passear com Sofia no shopping, pois estava todo ornamento com tema de Natal e naquele dia haveria apresentações com o Papai Noel, duendes e todos os outros personagens natalinos. Mesmo sendo dia letivo, Kate decidiu abrir uma exceção, pois a filha a dissera que jamais tinha tido um Natal de verdade, como o das outras crianças.
Perder um dia ou outro de aula não iria prejudicá-la.
— Oi, amiga. – Lanie saudou já entrando no loft— Que silêncio todo é esse aqui?! Onde estão o menino escritor e minha princesa?
— Oi, Lanie. Rick levou Sofia ao shopping para que ela visse as apresentações natalinas. Acho que passarão o dia todo por lá. Então, teremos bastante tempo.
— Ótimo, porque iremos precisar mesmo.
A morena comentou, sentando-se no sofá e observando a amiga correr pelo loft catando alguns brinquedos que estavam espalhados pelo local.
Poucos minutos depois, Kate voltou, já pronta, e ambas saíram.
Devido à confusão que vinha se sucedendo desde o aparecimento de Sofia, Lanie deu uma pausa nos preparativos de seu casamento. Mas Kate insistira para que ela não adiasse essa data tão importante por causa dos acontecimentos, e a convenceu a voltarem com a preparação. Passariam o dia vendo alguns detalhes que ainda faltavam para a ornamentação da festa – que Kate e Rick dariam aos amigos de presente – e, também, para escolherem o vestido da noiva.
Ainda faltavam alguns meses, mas, devido ao curto tempo que as duas tinham, decidiram já preparar as coisas antecipadamente. Se prevenir era sempre melhor.
— Então, conseguiu falar com a babá? – Lanie questionou enquanto as duas andavam pelas lojas.
— Sim, ela disse que já tinha planos de passar essa época na cidade. E, quando eu mencionei que gostaria que ela me contasse tudo o que sabe a respeito de Igor Gaunt, ela deu ainda mais certeza de que viria.
— Quando ela chega?
— Amanhã... e Sofia já não cabe em si de tanta ansiedade. – Kate comentou com um sorriso brincando em seus lábios.
Era sempre assim quando mencionava a filha.
— Que informações você acha que ela pode ter a respeito desse advogado?
— Nem imagino, Lanie, mas parecem ser sérias. Ela ficou bastante nervosa quando eu o mencionei, até pensei que ela se recusaria a me dizer qualquer coisa. Mas, então, ela disse algo como “não sou mais aquela covarde de antes”, e garantiu que me ajudaria em tudo o que estivesse a seu alcance.
— Ela realmente não vai com a cara de Gaunt.
— Ela não é a única...
Lanie e Kate passaram o restante da manhã e boa parte da tarde envolvidas com os preparativos do casamento, e só pelo final da tarde – quando Castle anunciou que logo regressaria ao loft com a filha – foi que as duas finalizaram o “dia de garotas” e voltaram para suas respectivas casas.
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— Então, baixinha, gostou do passeio? – Rick perguntou à filha, e segurou as portas do elevador para que a garotinha entrasse.
Ela segurava um enorme embrulho de presente. Castle bem que tentou convence-la a deixá-lo carregar a caixa, mas a menina insistiu que ela era quem deveria levar, já que era o presente que havia escolhido para dar à mãe.
Depois de verei as apresentações e Sofia tirar fotos com o Papai Noel, os dois foram andar pelas lojas para comprarem os presentes de natal. E, assim que Sofia bateu os olhos em um vestido disposto na vitrine de uma loja, ela quis levá-lo para Beckett. A vestimenta era de um tom azul bem escuro, todo liso, e curto – na metade das coxas –, com um caimento perfeito. Simples e elegante, tal qual Kate Beckett.
— Sim, papai, foi incrível. – ela disse com empolgação.
— E qual foi a parte que você mais gostou?
— Eu gostei de conversar com o Papai Noel.
— E você pediu um presente a ele? – Rick questionou, ajudando-a a entrar no loft.
Sofia o olhou ao passar pela porta e ele indicou o caminho do escritório, onde deixariam os presentes juntamente com os outros que já haviam sido comprados.
— Não pedi.
— E por que não pediu? – Castle perguntou à filha, enquanto eles arrumavam os presentes ao canto do cômodo.
— Porque ele não é o Papai Noel. – ela respondeu simplesmente, e os dois voltaram para a sala.
— Ele é o Papai Noel, Sof. Ele estava no shopping para conhecer as crianças.
Sofia o olhou com um ar de graça e colocou as duas mãos na cintura, fazendo aquela típica pose de Kate Beckett, e disse para Rick, rindo: – Não existe Papai Noel, tio Rick.
Kate ouviu as vozes dos dois e foi de encontro a eles, já na sala. Assim que viu a mãe, a menina correu para os braços dela e a encheu de carinho. Rick ficou olhando para as duas sem se mover do lugar, com um misto de surpresa e decepção no rosto.
Somente após receber a enxurrada de carinho da filha, foi que Kate notou a expressão do marido. Ele olhava para Sofia como se ela fosse um adulto que acabara de destruir os seus sonhos de menino.
— Castle, você está bem? – Kate perguntou preocupada.
— Você ouviu o que ela disse?
— Quem?
A mulher o olhou com confusão e depois voltou seus olhos para a filha, que deu de ombros, sem entender o que estava acontecendo.
— Sofia... não acredita... no Papai Noel. – ele disse pausadamente, dramatizando sua fala.
Ao ouvir aquilo, a mulher não se aguentou e caiu na gargalhada. Não era possível que ele tivesse ficado naquele estado simplesmente por que Sofia não acreditava em uma figura mitológica. Rick Castle sempre seria Rick Castle.
Sofia permanecia sem entender a razão de o pai ter reagido daquela forma. O que tinha de mais em ela não acreditar em Santa Claus?
— Eu não acredito... – Kate dizia, sem fôlego, tentando cessar a risada – que você está assim por causa disso.
— Não ria. Isso é sério. – ele exclamou indignado, e cruzou os braços com um bico se formando em seus lábios.
— Eu fiz algo de errado? – Sofia questionou baixinho à mãe, vendo a reação que Rick tivera com o que ela havia lhe falado.
— Não, meu amor. – Kate falou, plantando um beijo na bochecha da menina e a colocando no chão – Seu pai que é temperamental demais.
— Isso é um absurdo, Kate. – ele disse ainda indignado.
O que acabou por arrancar outra gargalhada da capitã, que já havia cessado seu ataque de riso.
— Ôh, Cas, o que você esperava?! Ela é uma legítima Beckett. – Kate disse e saiu em direção à cozinha para preparar o jantar – Sof, vá tomar um banho enquanto eu faço nosso jantar. – ela disse à filha, que prontamente a obedeceu.
— Mas e a magia? – Castle seguiu atrás da esposa, ainda reclamando.
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Pela manhã, o casal foi acordado por uma Sofia super agitada. Hermione ligara na noite anterior informando que chegaria a Nova Iorque logo pela manhã e já iria correr para ver a garotinha.
Os três seguiram juntos para a cozinha a fim de fazerem o desjejum, quando batidas à porta anunciaram a chegada da moça.
— É ela? – Sofia perguntou a Kate com um enorme sorriso em sua face.
— Sim, o porteiro interfonou avisando que ela estava subindo. Vamos atender?
A garotinha sequer respondeu à mãe, saiu correndo pelo loft em direção à porta. Kate trocou um sorriso com o marido e foi atrás da filha.
— Mione! – a menina gritou ao abrir a porta e dar de cara com a babá, se jogando nos braços dela.
A moça deu um “abraço de urso” em Sofia e a encheu de beijos, que foram retribuídos com o mesmo amor.
Era uma cena adorável.
Após o festival de carinho das duas, Rick ajudou a moça com as malas e Kate a convidou para fazer o desjejum com eles. E ela o fez.
Depois de se alimentarem, Sofia saiu arrastando a babá por cada canto do loft, a fim de lhe mostrar sua nova casa.
— Sofia, você me deixa roubar a Hermione por uns minutinhos? Prometo que já a devolvo. – Kate questionou à filha, que havia levado a babá até seu quarto e estava lhe mostrando tudo o que ganhara dos pais.
— Tudo bem, Kate. Onde está o papai?
— Na sala.
A menina saiu correndo de encontro a Rick, deixando as duas a sós. Finalmente teriam a tão esperada conversa.
— Papai? – Hermione questionou ao notar que Sofia já estava longe o suficiente para não ouvi-las.
— Ela chama Castle assim agora.
— Fico aliviada por saber que ela, enfim, tem uma família de verdade. E que já está aceitando vocês. Logo ela passará a te chamar de mãe, você verá, capitã Beckett.
— Eu sei que sim. Só por ela me aceitar, eu já me sinto imensamente feliz. – Kate comentou e indicou com o braço para saírem do quarto – Vamos ao escritório de Castle? Lá teremos mais privacidade.
A babá a seguiu e, antes de fechar a porta do cômodo, Kate ouviu o marido gritando já de fora do loft que iria sair um pouco com Sofia.
— Sente-se, Hermione. Agora que os dois saíram, nós podemos conversar com mais calma. – a capitã sentou-se e indicou com o braço a outra cadeira para que a moça a ocupasse – Direi sem rodeios, preciso que me conte tudo o que sabe a respeito de Igor Gaunt.
A moça estremeceu minimamente ao ouvir o nome do advogado e respirou fundo, para acalmar a si mesma, antes de voltar a falar.
— É uma história meio longa... nem sei por onde começar.
— Comece do princípio: de quando o conheceu.
A moça respirou fundo, mais uma vez, e começou sua narrativa. Contou que sempre que o ex-patrão voltava de suas viagens, Igor ia até a casa dele e os dois ficavam conversando por horas, presos no escritório do médico.
— A princípio, eu não pensei que fosse algo de mais, já que o doutor Davidson sempre foi reservado e não costumava curtir a filha nos momentos em que estava na cidade. Então, um dia, eu os ouvi conversando a respeito de Sofia. Não entendi muito bem o que falavam, mas as vozes estavam alteradas e o advogado parecia bastante enfurecido.
“Eu sempre sentia uma coisa estranha quando ele estava na casa. Uma sensação ruim... acho que pela forma com a qual ele me olhava. Como se me analisasse para fazer uso de mim em algo que se passava na cabeça doentia dele. Então, eu decidi investigar a respeito de Igor Gaunt”.
Ela seguia relatando, detalhadamente, cada visita do advogado à casa de Josh. Contou que, no começo, não obteve sucesso em suas pesquisas, mas que com o tempo passou a coletar informações valiosas que poderiam prejudicar, e muito, o advogado.
“Eu tenho um namorado, que Igor desconhece, e contei a ele sobre as minhas suspeitas e ele decidiu me ajudar nas investigações. Ele entende bastante de computação, e... ele é um excelente hacker. Então, como não encontrávamos nada nos utilizando de meios acessíveis, digamos assim, ele teve a ideia de pesquisarmos na deepweb. E foi quando encontramos várias coisas a respeito de Gaunt. Coisas muito sérias, capitã, mas que eu ainda não tinha como provar com total certeza”.
Kate ouvia tudo, atentamente, analisando cada informação que lhe era passada pela moça.
Se o advogado fizera uso dessa rede, sem dúvidas estava envolvido com coisas que ele não queria que viessem a público. Coisas, certamente, sujas. Já encontrara atrocidades demais na deepweb, e não duvidava que Igor Gaunt pudesse cometer as maiores barbaridades.
— E o quê você encontrou sobre ele?
— Tráfico de crianças. – moça disse, simples e diretamente.
Ao ouvir aquilo, Kate sentiu como se o chão tivesse saído de seus pés e um frio bastante incômodo lhe subiu à boca do estômago.
Tráfico de crianças?
Tudo bem. Ela sabia que Igor Gaunt não prestava, mas isso ia muito além do que ela já chegou a cogitar.
Agora as coisas começavam a ficar mais claras. Era por isso todo aquele desespero em querer se esconder no caso de Sofia. Fora por isso que ameaçou Astoria Greengrass para não contar a respeito de suas aparições na ala materna. Porque, se Kate soubesse do envolvimento dele no sequestro de Sofia, uma hora ou outra, chegaria ao real negócio do advogado. Ele era ainda mais sujo do que ela pensava. Igor Gaunt ultrapassara todos os limites dessa vez.
— E onde estão as provas que você coletou?
— Com ele. – Hermione informou tristonha – Quando ele descobriu o que eu estava fazendo, me levou para um “passeio”. Ele me agrediu de forma brutal e me ameaçou.
“Disse que daria um fim na vida de Sofia e que me faria assistir enquanto ele o fizesse se eu não parasse com as investigações e lhe entregasse tudo o que havia conseguido contra ele. Eu tive medo, muito medo pelo que ele pudesse fazer à minha menina. Ela é só uma garotinha... e-eu não poderia correr o risco de ela ter sua vida ameaçada por aquele monstro, entende?! Eu temi que ele a maltratasse ou, pior, que ele a vendesse como faz com aquelas pobres crianças. Eu parei de procurar provas e entreguei absolutamente tudo a ele”.
— Suponho que você nem imagina o que ele fez com elas.
— Na verdade, capitã Beckett, eu tenho uma pista de onde elas possam estar. – a moça informou, trazendo de volta a Kate um fio de esperança para a resolução desse caso – Ouvi o doutor Davidson e o advogado dizerem algo sobre levar os envelopes à cabana de um tal de... Vitor.
— Vitor? E quem seria esse?
— Infelizmente, eu não faço ideia.
Enquanto isso, na cabana de Pettigrew, Igor e Josh conversavam a respeito dos planos do advogado para se livrar do processo.
— Você ainda não me disse, claramente, o que está pretendendo, Igor.
— Não precisa se preocupar, Dav. Deixe que eu tome conta de tudo.
— Igor, eu não acho que seja uma boa ideia você fazer isso por conta própria. – Josh tentou argumentar, mas foi interrompido pelo amigo.
— Até onde eu sei, você é quem toma decisões precipitadas e estraga tudo. – o médico ia contra-argumentar, porém Igor continuou – Se você tivesse me escutado no dia em que veio me pedir conselho sobre levar aquela garota ou não, nada disso estaria acontecendo.
* flashback: sequestro de Sofia | Igor&Josh *
— Dav, o que você pretende fazer? – o advogado perguntou, tentando tirar essa ideia absurda da cabeça do amigo.
Igor não dava a mínima para o futuro daquela “criança imunda” – como ele costumava se referir a Sofia –, porque, mesmo sendo filha de seu melhor amigo, ela ainda tinha como mãe a detetive Kate Beckett, e sua rixa com ela era grande demais para deixar esse “detalhe” passar.
— Vou levá-la comigo, tenho esse direito. Ela é minha filha. Minha!
— Essa sua cisma com a garota tem um porquê: o pé na bunda que você levou daquela detetive.
— Isso não tem nada a ver com os meus sentimentos pela Kate. – o médico tentou desconversar, sem sucesso.
— Ora, vamos, Dav. Está querendo enganar a quem?! Sou eu, e eu conheço muito bem esse seu gênio. Você nunca aceita levar um toco.
Josh se calou, sabia que o amigo tinha razão. Não admitira perder Kate, e ainda mais para quem a perdera. Richard Castle. Sempre soube que aquele escritorzinho a desejava para si. Mas isso não queria dizer que se conformaria com a derrota. Iria se vingar, e só via uma forma de fazê-lo: levar Sofia consigo.
— Eu preciso da sua ajuda, Igor. Você tem mais experiência nisso do que eu.
— Se você espera que eu pegue aquela imundice do hospital e vá correndo com ela até a sua casa, feito um cachorro babão abandando o meu rabinho, você está redondamente enganado. Eu não vou arriscar a minha pele por causa de um capricho seu. Esqueça isso e deixe-os em paz.
O advogado disse com firmeza, dando por encerrado aquele assunto.
Porém, Josh não se deixou convencer. Iria até o fim com seus planos e, se não podia contar com Igor, iria recorrer àquele que nunca falhava com sua lealdade. Recorreria a seu primo, Vitor Pettigrew.
No dia marcado, Pettigrew encontrou com Josh no hospital, e deram início ao plano do médico.
Ele iria distrair Astoria, como já vinha fazendo – para que pudesse visitar Sofia a sós – e o primo pegaria a criança. Agiriam em dupla: um vigiava e o outro a levava consigo.
E assim o fizeram.
* flashback off *
— E, agora, eu estou envolvido nessa até o pescoço, correndo o risco de ter meus negócios descobertos por aquela capitãzinha. – Igor continuava a falar – Já estou de saco cheio dessa palhaçada.
— O que você vai fazer? – o médico insistiu.
— Nada que você possa impedir.
#
Hermione terminou de contar a Beckett tudo o que sabia a respeito do advogado.
Enfim, a capitã sentia que poderia dar um basta nas monstruosidades que o advogado costumava fazer. E, de quebra, ainda eliminaria Josh de suas vidas e poderia viver em paz com sua família.
Aqueles dois pagariam por tudo o que haviam feito.
Ainda na companhia da babá, Kate ligou para Ryan e Esposito e lhes passou tudo o que acabara de ouvir. Em seguida, ordenou que conseguissem um mandado com a juíza Moody para poderem abrir uma investigação contra Igor Gaunt.
A hora chegara.
— Eu ainda não entendo como o doutor Davidson teve a capacidade de levar Sofia. – Hermione comentou pensativa.
— Nem eu. Foi tudo uma confusão e o único motivo que vejo para isso é vingança.
— Vingança?
— Sim. – Kate confirmou – Josh sempre detestou o meu marido, e levou Sofia para se vingar de nós dois.
A moça a olhou por um tempo, ponderando se devia fazer aquela pergunta ou não. Optou por fazê-lo.
— Capitã. – ela chamou e esperou que a mulher a olhasse – Como foi... no dia... – ela tentava achar as palavras.
Kate logo a entendeu, e começou a narrar aquele que fora o pior episódio que já vivera em toda a sua vida.
* flashback: sequestro de Sofia | Kate&Rick *
Na segunda semana após o parto de Sofia, Kate ainda permanecia internada, bem como a garotinha permanecia na incubadora, vez que nascera prematura.
A detetive fora submetida a uma cirurgia de emergência devido à gravidade de seu estado de saúde, e também da criança. Apesar de o airbag ter amortecido a batida, o fato de a mulher estar grávida de quase oito meses fora um diferencial bastante perigoso. Precisaram fazer um parto de emergência e logo Beckett foi submetida a um complicado procedimento cirúrgico. Por sorte – ou milagre – o médico conseguiu salvar a vida de ambas.
Castle passava dia e noite no hospital e, sempre que lhe era permitido, ele ia à incubadora ficar com sua criança. Porém, na maior parte do tempo, ficava na companhia de Kate.
— Bom dia, amor. – o escritor saudou a namorada ao vê-la abrindo os olhos.
— Bom dia. – ela respondeu ainda sonolenta – Martha já se foi? – questionou, correndo os olhos pelo quarto.
Naquela noite, a companhia noturna de Kate fora a ruiva.
— Sim. Ela precisava que estar cedo na escola de teatro hoje, pediu para eu te deixar um beijo, então...
Dito isto, Rick curvou o corpo para alcançar os lábios da namorada e a beijou demoradamente.
— Agora sim é um bom dia. – a morena comentou com um sorriso sapeca brincando em seus lábios.
Batidas à porta interromperam o diálogo dos dois. Eram a médica – Cátia Bell – que fizera o parto e a cirurgia de Kate, juntamente com uma enfermeira.
— Senhor Castle, acompanhe-nos, por favor. – a médica pediu e Castle o fez.
Antes de fechar a porta, ela passou um olhar significativo a Beckett, o que fez a capitã sentir um frio lhe subir a espinha. Levantou-se e foi atrás deles, não sabia o era: intuição de mãe, sexto sentido, ou o que fosse; mas precisava saber o que estavam conversando escondidos dela.
E, ao abrir a porta, ela confirmou que a angústia em seu peito não era exagero. Tinha razão por estar sentindo aquela aflição toda.
— COMO ASSIM LEVARAM A MINHA FILHA?! – ela ouviu Castle esbravejar, furiosamente.
— Ainda não sabemos como explicar senhor Castle, mas... – a enfermeira Astoria Greengrass interrompeu sua fala ao notar a presença de Kate ali.
Kate sentiu como se o mundo girasse, sentiu um buraco nascer em seu peito e nada mais fazer sentido. Ouvia vozes, mas era incapaz de identificá-las ou até mesmo decifrar o que lhe diziam. Parecia que havia sido jogada dentro de um buraco negro e sem fim, solitário e depressivo.
* flashback off *
A moça lançou um olhar solidário à capitã, sentindo uma enorme compaixão pela mulher à sua frente.
As duas trocaram mais um par de palavras, e logo Castle retornou com Sofia ao loft, interrompendo o diálogo das duas.
#
Esposito e Ryan seguiam pelos corredores do fórum em busca da juíza Rita Moody. O sentimento de justiça presente em cada um deles. Saber que Igor Gaunt fizera aquele tipo de monstruosidade aumentara em cem por cento a vontade de ambos de colocar o advogado atrás das grades.
— Poderia me informar onde posso encontrar a doutora Rita Moody? – Ryan perguntou a um dos guardas que passava pelo local.
Ele indicou uma sala ao final do corredor e os dois seguiram pelo caminho indicado.
— Com licença, doutora Moody, tem um minuto?
— Claro. Sobre o que seria?
— Viemos a mando da capitã Beckett.
— Entrem. Aguardem só um momento, por favor. – ela disse e se virou para seu assistente – Crouch, pegue aquele envelope pardo, por favor. – e tornou a virar para os detetives. – Então, em que posso ajudar?
— Precisamos de um mandado para abrir uma investigação contra o doutor Igor Gaunt.
A magistrada lhes lançou um olhar interrogativo e Esposito, em contrapartida, olhou para Junior Crouch, como se tivesse dúvidas se deveria ou não falar aquilo na frente do assistente. Moody indicou com a cabeça para que continuassem, e assim ele o fez.
— Temos fortes suspeitas de que Igor Gaunt está diretamente envolvido com tráfico de crianças.
— Tráfico de crianças?! – ela perguntou, visivelmente espantada com o que ouviu – Essa é uma acusação grave demais. Vocês têm certeza quanto a isso? Não posso dar permissão para algo dessa extensão se vocês não me garantirem que têm motivos para abrirem essa investigação.
— Acredite, doutora – Ryan se pronunciou –, nós temos certeza.
A mulher pensou um pouco, ainda espantada, e assentiu, decidindo conceder o mandando aos dois, dispensando-os em seguida.
Aproveitando-se de uma pequena folga que lhe foi concedida, JR correu para um local reservado e se apressou em ligar para Gaunt.
O advogado ainda conversava com Josh quando seu telefone começou a tocar. Pegou o aparelho em mãos e pediu ao amigo que esperasse um momento.
— JR, aconteceu algo? – Gaunt perguntou, estranhando a ligação repentina do rapaz.
— Sim, doutor.— ele disse em um sussurro para garantir que ninguém o ouvisse— Dois detetives vieram aqui no fórum agora a pouco, a mando da capitã Beckett, para pedir um mandado à doutora Moody para que pudessem abrir uma investigação contra o senhor.
— O quê?! Por qual motivo? – o advogado questionou já se preocupando.
E, ao ouvir a motivação da investigação, ele empalideceu. Lançou um olhar significativo ao médico e desligou a chamada, agradecendo a Crouch pela informação passada.
— Igor, o que aconteceu?
— Ela descobriu. Não sei como ainda, mas aquela capitã enxerida descobriu sobre o negócio das crianças.
O advogado informou e se levantou de supetão, saindo apressadamente da cabana. Josh se assustou e saiu correndo atrás dele, parando-o antes que ele entrasse no carro, segurando seu braço.
— O que você fará? – ele perguntou, firmemente.
— Espere e verá. – Gaunt se soltou do apertão e entrou em seu carro, partindo dali, bufando de tanta raiva e desespero.
Não poderia perder tudo logo agora, daria um fim nisso de uma vez por todas.
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Após passar todo o dia grudada com a garotinha matando as saudades, Hermione anunciou que iria para a casa dos pais. Mas não sem antes prometer a Sofia que voltaria no dia seguinte para ficar com ela.
Para distraírem a menina que ficara cabisbaixa com a partida da babá, Rick e Kate resolveram entretê-la decorando todo o loft com enfeites natalinos. Já estava na época e a garotinha nunca o havia feito, já que Josh proibira Hermione de decorar a casa nos últimos três anos.
Sofia estava radiante e fizera questão de decorar a enorme árvore de Natal com tudo o que Castle havia comprado, não deixando sobrar um mínimo galho sem enfeite. Além dos típicos enfeites – bolas, renas, boneco de neve e etc –, Rick comprou outros cinco bonecos personalizados a pedido de Sofia: duas bonecas ruivas que representavam Martha e Alexis de mãos dadas, outras duas que seriam Kate com Sofia em seu colo, e um boneco que era Castle, no meio das quatro. O que fez Kate se emocionar mais uma vez com a filha.
Ela ficara encantada com o quão feliz a garotinha estava por poder enfeitar a casa com os dois. Seu coração se partira mais uma vez quando Sofia a contou que nunca tivera um Natal em família.
Josh nunca aparecia para essa data, e tampouco permitia que Hermione enfeitasse a casa. Porém, como já sabia que o patrão nunca aparecia, a moça decidira comprar uma pequena árvore de Natal – já decorada – e a colocava em cima da mesa de jantar para que as duas pudessem ter sua modesta ceia.
O fato de a garotinha não acreditar no maior símbolo do Natal – Santa Claus— também era obra de Josh. Ao completar seus dois aninhos, a garotinha já aprendera a conversar – não de forma totalmente compreensível, é claro – e, ao questionar sobre o Papai Noel, Josh a contou que isso não passava de um mito inventado pelas pessoas para fantasiar uma “época que não era nada de mais”, como ele mesmo se referia ao Natal.
Ao descobrir isso, Rick prometera à filha que lhe daria o melhor Natal de toda a sua vida.
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