Ficarei Ao Seu Lado

20 “Vincit Omnia Veritas”


Notas iniciais
A quebradora de promessas ataca novamente, alá *lua amarela do wpp* Geeeente, dois dias de atraso nem é tão mal assim, né? Eu sei que não haha desculpem-me de verdade. Eu fiquei impossibilitada de finalizar o capítulo no fds, como havia prometido, porque fiquei de babá de uma delicinha de um aninho de idade :3 meu priminho João ❤ Maaaas aqui está – two days later – o cap que prometi a vocês. GENTE, DEIXA EU MORRER SÓ UM CADIN AQUI COM VOCÊS, PORQUE EU TO TIPO AAAAAA hoje (25/04), como muitos sabem, é aniversário de casamento de Kristana (que muitos não gostam, eu sei e respeito), mas, enfim, eu fiz uma publicação – no meu fc de instagram pra S (@foryoukatic) – parabenizando Stana&Kris pela data e ELA CURTIU AAAAAAAAA EU TO MORRENDO, GENTE *-* JURO PRA VOCÊS QUEM TO TREMENDO ATÉ AGORA! Era só isso mesmo hahah Eeeenfim, obrigada de verdade pelos comentários, pelos favoritos e pela animação sempre constante de vocês com essa fanfic. Ela está se aproximando do fim :( infelizmente, mas prometo que darei um final digno a ela. E isso não significa o fim de nossa doce Sofia. Ainda posso voltar com algum especial (coisa que já me foi pedida algumas vezes haha). MAS “the end” ainda não é agora, so calm down and enjoy this one! Se joguem, nenéns ;) Beta: Jana Costa, the yin of my yang ❤

Depois de muita insistência do escritor, e algumas gargalhadas de Sofia ante a situação, Kate acabou por permitir que ele fosse dirigindo seu carro.

Os três seguiam o caminho até o colégio da menina conversando animadamente. A capitã tinha recuperado seu bom humor em cem por cento. Primeiro, teve uma noite incrível nos braços do marido – não que isso fosse novidade, já que em praticamente todas as noites os dois se perdiam nos braços um do outro –, segundo, sua filha estava cada dia mais encantadora e alegre e, terceiro, estava cada vez mais próxima de resolver o caso de Igor Gaunt e colocar tanto ele quanto Josh atrás das grades.

Chegaram à porta da instituição e a capitã desceu do carro para ajudar Sofia.

– Vou levá-la até lá dentro, volto já. – Kate falou ao marido, deixando um beijo casto em seus lábios.

As duas seguiram a passos tranquilos colégio adentro e Castle ficou parado ao lado do carro observando as duas mulheres de sua vida – além de Alexis e Martha, é claro –, partindo.

— Então, Sofia. – Kate disse num tom descontraído, chamando a atenção da menina – Sobre esse... Arthur. Como é o namoro de vocês dois?

— Como assim, mamãe?

A menina a olhou inocentemente e Kate tentou buscar as melhores palavras para saber o que queria.

Não que tivesse imaginado em algum momento que o "namoro" de sua filha fosse algo sério, sabia que era apenas coisa de criança, mas era sempre bom se certificar. Não conhecia esse tal de Arthur e muito menos a criação que ele recebia em sua casa.

— Como começou o namoro? Digo... o que vocês dois fazem, exatamente?

— Bem, mamãe, a gente fica junto no recreio, sabe. – ela começou de forma tímida, um leve rubor já se fazendo presente em suas bochechas gordinhas – Ele senta do meu lado na sala de aula e nós andamos de mãos dadas. A gente divide o lanche e ele me defende da metida da Cho Chang e da Pansy Parkinson.

Kate contraiu os lábios ao ouvir o nome das duas garotinhas. Ainda se lembrava do episódio desagradável da diretoria. As duas a acusaram de ser uma péssima mãe, o que fez sua doce Sofia partir para de uma cima delas: Pansy Parkinson. Aquela confusão acarretou uma pequena discórdia entre ela e Sofia, e uma conversa muito dura com a senhora Parkinson, mãe da criança agredida por sua filha.

— E agora você só passa o recreio com ele? E seus dois amigos: Luna Lynch e Marco Diggory?

— Eles também ficam com a gente. Luna e Arthur são primos, por isso a mamãe dele resolveu colocá-lo aqui. Eles se mudaram para Nova Iorque por agora.

— Então Arthur e Luna são primos? Fico mais aliviada por saber disso.

— Por que, mamãe?

— Nada de mais, amor. Coisa de mãe. – Kate respondeu simplesmente e sorriu para sua garotinha.

Como imaginara, era um namorinho de criança: andar de mãos dadas e dividir o lanche. Quem sabe algum dia ela poderia ver essa cena, seria realmente adorável.

— Então... a mamãe pode conhecer o causador da arrumação de hoje mais cedo?

— Você quer conhecer o Arthur? – ela perguntou num tom bastante surpreso, causando certa estranheza na capitã.

Por que Sofia ficara tão impressionada com o fato de ela querer conhecê-lo?!

— Claro que sim, por que não iria querer?

— É que... – mais uma vez a menina relutava em dizer o que queria e Kate tomou a mesma atitude de mais cedo, apertou sua mão lhe passando confiança e abaixou-se para ficar na mesma altura da filha – É que o papai Josh nunca quis conhecer ninguém dos meus amiguinhos e... você... bem, você sempre gosta de conhecer todo mundo que eu te conto que conheço.

Kate soltou um "ah" demorado, compreendendo a reação da menina. Josh, mais uma vez, provara ter sido um péssimo pai.

A capitã esticou o braço tocando de leve na face de sua menina e acariciou seu rosto, sorrindo novamente e, depois, levou os lábios à testa dela e deu um beijo suave ali.

— Bem, eu faço questão de conhecer todos ao seu redor. – ela disse com docilidade na voz.

— Tudo bem, então. – a menina abriu um enorme sorriso e saiu arrastando a mãe até um banquinho onde um garotinho estava sentado ao lado de Luna Lynch.

"Deve ser o Arthur", a mulher pensou, deixando-se arrastar pela filha. E estava correta, realmente aquele garotinho era quem ela imaginou.

Sofia apresentou os dois, dizendo com o maior orgulho que aquela era a sua "mamãe" e o garotinho cumprimentou a capitã como um perfeito cavalheiro, nem parecia ter a idade que tinha pela forma tão correta que pronunciava as palavras.

Ele era um encanto e, logo, Kate entendeu o porquê de sua menina estar assim tão encantada.

Depois dos cumprimentos direcionados tanto a Arthur quanto a Luna, Beckett se despediu da filha com seu habitual beijo de esquimó – que Sofia fazia questão de nunca deixar de lhe dar – e partiu de voltar para junto de Castle. Mas não sem antes prometer, mais uma vez, que não contaria ao marido sobre o garotinho.

#

Assim como a capitã ordenou, Ryan e Esposito conseguiram arrastar Blásio Zabini para a delegacia, porém não obtiveram muito sucesso em seu interrogatório. O médico se negou a dizer qualquer coisa, por mais que os detetives se esforçassem.

Porém conseguiram mantê-lo preso em uma das celas do 12th até que a capitã chegasse.

Pouco tempo depois, Beckett adentrava a delegacia acompanhada de Castle e os rapazes foram rapidamente ao seu encontro informá-la da situação.

— Entendo... – ela disse pensativa após ouvir o relato de seus detetives.

— Talvez haja um ponto fraco nele que você possa atacar para conseguir que ele fale. – Castle sugeriu e recebeu um lindo sorriso de sua esposa como resposta.

Ela sabia bem o ponto que poderia tocar para arrancar informações de Zabini.

— Ronald me disse que ele tem uma filha com graves problemas de saúde. – ela falou para Castle e voltou seus olhos para Ryan e Espo – Encontrem para mim todas as informações possíveis sobre essa criança e... – porém, antes que ela pudesse finalizar a frase, uma figura masculina adentrou o local perguntando pela "capitã Kate Beckett".

Os quatro pares de olhos – Kate, Rick, Kevin e Javi – encararam o homem tão surpresos que, quem visse a cena, imaginaria que estavam defronte a uma aparição sobrenatural. Entretanto não se tratava de nenhum ser sobrenatural, diante deles encontrava-se Vítor Pettigrew, o homem misterioso das fotos com Igor Gaunt.

— Eu sou a capitã Kate Beckett. – a mulher foi a primeira a quebrar o silêncio perturbador que se instalou no local. – E você, quem é?

— Eu sou Vítor Pettigrew. Sou primo, e o único parente vivo, de Joshua Davidson.

Ao ouvirem o nome do médico, Ryan e Esposito enrijeceram o corpo e deram dois passos à frente, aproximando-se de Vítor de uma maneira um tanto agressiva. O rapaz levantou as mãos em defensiva e se afastou.

— Eu vim por vontade própria, não preciso que avancem sobre mim e me forcem a dizer nada, porque a minha intenção aqui é justamente essa: contar tudo o que sei.

— Vamos para a sala de interrogatório. – Beckett disse com seriedade na voz e olhou para Castle, indicando que ele lhe faria companhia.

O escritor entendeu o recado e seguiu na frente acompanhando Vítor. Antes de segui-los, Kate voltou seu olhar aos dois detetives e disse.

— Ryan, descubra para mim tudo a respeito da filha do doutor Blásio Zabini. Depois que conversar com esse primo de Josh, eu penso no que faremos com Zabini, por enquanto, mantenham-no preso. E, Espo, agora já temos o nome do "homem misterioso", quero tudo a respeito dele, desde o dia que nasceu até o momento que pisou nessa delegacia.

— Sim, capitã. – eles responderam em uníssono e foram para seus respectivos computadores, a fim de já começarem a cumprir suas ordens.

Beckett virou as costas e seguiu para a sala de interrogatório. Estava realmente interessada em ouvir esse primo desconhecido de Josh. Chegando lá, encontrou-o já sentado em frente a Castle e uma cadeira vaga ao lado de seu marido apenas à sua espera. Notou também que havia algumas pastas em cima da mesa: duas de cor parda e três de cor de carmim.

— Então, senhor... Pettigrew, é isso? – o rapaz afirmou com a cabeça e ela continuou – Você disse que é primo de Joshua Davidson. – novamente um aceno afirmativo – Suponho então que saiba em que seu primo se meteu.

— Afirmativo, capitã. Eu e meu primo somos bem próximos e eu tenho conhecimento de toda a situação.

— Próximos até que ponto, senhor Pettigrew?

— Eu sei tudo o que se passa com ele. Dav me conta todas as suas decisões.

— Então podemos dizer que, há quase cinco anos, o senhor foi comunicado pelo doutor Davidson de que ele pretendia sequestrar a própria filha?

Beckett perguntou de forma ríspida. Já tinha perdido a paciência com toda a porcaria que seu ex havia feito e, de repente, um primo "bem próximo" surge diante dela dizendo que tem conhecimento de cada passo dado por aquele verme.

Certamente o estava escondendo, já que eram tão próximos assim.

— Se está insinuando que eu ajudei meu primo no rapto de Sofia. Não. Eu não fiz isso. E só fui tomar conhecimento do que ele havia feito, um bom tempo depois.

— Qual a sua relação com Igor Gaunt? – ela mudou repentinamente o foco da conversa, lembrando-se que fora a partir do advogado que eles o "descobriram".

— Nenhuma! – Vítor respondeu em um tom ofendido.

— Então por que vocês aparecem conversando nessas fotos aqui? – ela jogou as imagens em cima da mesa e as apontou.

Vítor respirou profundamente, encarando as fotografias e voltou seus olhos para Beckett.

— Ele é o advogado do meu primo. Minha relação com ele se reduz a isso.

— Então essa cabana é sua? – ela apontou para a casa ao fundo de uma das fotos.

— Sim.

— E Josh está com você lá. – não foi uma pergunta.

— Não vim até aqui para entregar meu primo à polícia. Vim para entregar essas pastas.

— E por que elas nos interessariam?

— Por que nelas estão todas as informações sobre Igor Gaunt e seus negócios de contrabando.

Vítor disse com firmeza e ambos, tanto Kate quanto Rick, endireitaram seu corpo e o olharam com ainda mais atenção. Finalmente alguma informação relevante fora dita pelo rapaz.

— Continue. – Beckett pediu, e ele o fez.

— Há algum tempo, Hermione Sproud iniciou sua investigação contra o advogado de meu primo. Ela conseguiu informações valiosas a respeito dele, mas Igor descobriu tudo e a ameaçou. Pegou tudo o que a moça havia coletado e guardou nesses envelopes aqui. – ele disse apontando para os envelopes de cor parda.

Kate estendeu a mão e os pegou, retirando vários papéis de dentro deles.

Vítor prosseguiu seu relato.

"No dia em que Gaunt descobriu tudo, ele levou Hermione para um passeio. Espancou a babá e roubou esses papéis dela, e ameaçou matar Sofia caso ela voltasse a investigar. E por isso ela o obedeceu. Nesse mesmo dia, ele e Josh foram até minha cabana e guardaram os envelopes em meu cofre, porém não me explicaram o conteúdo deles. Eu ignorei, afinal, meu primo sempre me escondia os assuntos que tratava com Igor Gaunt".

Beckett entregou os papéis a Castle e ele passou os olhos rapidamente pelas informações contidas ali, enquanto ela mantinha seus olhos fixos no rapaz à sua frente.

"Todas essas informações coletadas pela senhorita Sproud foram apagadas e, hoje, é como se nem existissem. Tanto elas quanto o programa especial que ela e seu namorado hacker, Ronald Grint, utilizaram para descobrirem tudo isso".

— E como você obteve todas essas informações se Josh lhe escondia tudo a respeito de Igor Gaunt? – agora foi a vez do escritor se pronunciar.

— Josh me contou quando nós iniciamos nossa própria investigação sobre Igor.

— E por que o doutor Davidson estava investigando Gaunt? Eles não são amigos? – Beckett questionou.

Vítor deu uma leve risada irônica ao ouvir aquilo e voltou a olhar para a capitã.

— Igor Gaunt não é amigo de ninguém, capitã Beckett.

Ela o encarou, entendendo muito bem o significado daquelas palavras e indicou que ele voltasse com seu relato.

— Dav e eu demos partida à investigação sobre ele a partir das provas que Hermione já tinha, e sobre tudo o que Dav sabe a respeito de Igor, e conseguimos coletar todo esse material aqui. – ele apontou para as pastas cor de carmim – Nessas pastas você encontrará tudo o que precisa para prender Igor Gaunt e seu parceiro, doutor Blásio Zabini. Porém ele não vive no país.

— Nós já o temos sob custódia. – a capitã respondeu ao passar os olhos nas informações a respeito de Zabini que Vítor lhe havia entregado.

— Isso era tudo o que eu tinha a dizer.

Vítor se levantou da cadeira, indicando que estava de partida, mas Beckett fez o mesmo movimento, projetando-se em frente a ele e o impediu de partir.

— E Josh? – Kate tornou a falar.

O rapaz sabia muito bem onde o médico estava escondido, quiçá o próprio Vítor o estava acobertando, e ela iria descobrir.

— Já disse, não vim até aqui para entregar meu primo.

— Ele está foragido, você sabe disso.

— Sei. E sei também que estou no meu direito de parente colateral, de único parente vivo, de não ser obrigado a dizer uma palavra sequer acerca do paradeiro de meu primo.

Kate bufou contrariada, ele tinha razão e ela não podia fazer nada para obrigá-lo a falar.

— Você ainda não está livre para ir.

— Tudo bem, capitã Beckett, mas te garanto que não encontrarão nada em seus registros contra mim. Eu não sou um criminoso, nunca fiz nada que pudesse levar meu nome até os registros de seu sistema.

— É o que veremos.

E, antes que mais alguma palavra pudesse ser trocada pelos três ali presentes, um Esposito bastante afobado abriu a porta da sala.

— Capitã, acabamos de receber a informação de que Junior Crouch apareceu morto em sua cela.

Vítor sentiu seu sangue se esvair e precisou ser amparado por Castle – que apenas havia se levantando após a entrada do detetive – para não desabafar no chão.

Os outros o encararam assustados e o tudo o que o rapaz conseguiu dizer foi uma frase em um sussurro assombrado: "Eu serei o próximo".

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O telefone tocou apenas uma vez e já foi atendido pelo advogado, precisava de uma notícia boa urgentemente.

— Gaunt.

Doutor— a voz grave chamou do outro lado da linha –, o serviço já foi feito.

— Sem pistas?

Nenhuma.

— Certo. O pagamento já foi feito. – Igor informou – No lugar de sempre.

Gaunt desligou a chamada com um sorriso de pura maldade na face. JR pagara pelo prejuízo que havia lhe causado. Agora só restavam mais dois, mas logo ele acabaria com a raça de ambos.

"Quem sabe aquela capitãzinha não vai junto no pacote", ele disse em voz alta e riu mais uma vez.

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Após Vítor se acalmar e Espo confirmar que sua ficha estava limpa, Kate se viu obrigada a liberá-lo, mas não sem antes conseguir dele a garantia de que iria depor contra Igor Gaunt.

Ela estava em sua sala com Castle, analisando os documentos que Pettigrew lhes havia entregado quando Ryan adentrou o local com uma expressão não muito contente em sua face.

— Parece que hoje é um dia fúnebre. – o detetive comentou, fazendo-se presente.

— O que você quer dizer? – Beckett perguntou, deixando os papéis em cima de sua mesa.

— A filha de Zabini faleceu na mesa de cirurgia esta manhã.

Kate e Rick soltaram interjeições de surpresa ante a notícia. Ryan explicou como conseguira a informação e entregou à sua superior o número de telefone do hospital – na Rússia – onde a menina se encontrava fazendo tratamento e, também, o telefone de seus avós – pais de Zabini – com os quais ele conversara e obtivera a notícia do falecimento.

A capitã agradeceu e apressou seu passo até a cela onde o médico estava sendo mantido, levando Castle juntamente consigo. Lamentava-se pelo que estava prestes a fazer, mas precisaria usar da morte da garota para abordar Zabini e fazê-lo confessar.

Era sua cartada final.

— Essa é sempre a pior parte. – Castle disse pensativo enquanto caminhavam até a área das celas e Kate o encarou com um olhar interrogativo – Contar sobre a morte de um ente querido.

— Sim.

— Você consegue, vamos lá.

— Não sei, Cas. – ela suspirou pesadamente – Esse caso, em particular, tem mexido demais comigo. Toda vez que penso naquelas crianças que foram tiradas de suas famílias e vendidas como mercadorias, eu fico imaginando que uma delas poderia ter sido Sofia.

— Kate...

— Eu sei, mas não consigo evitar.

— Não pense nisso, amor. Sofia está conosco e está segura. Nada irá lhe acontecer. E nós estamos cada vez mais próximos de conseguir justiça.

— Seu otimismo me dá forças. – ela comentou, sorrindo afetuosa para ele – Espero que Zabini conte tudo depois de saber sobre a filha, porque, sinceramente, não tenho mais ideia de como fazê-lo falar. Ryan e Esposito tentaram de tudo, você os ouviu dizer.

— Ei – o escritor chamou, segurando-a com delicadeza pelo braço e fazendo-a parar –, você é a melhor nisso. Faça-o falar. Esse não é o primeiro bandido que você fará te confessar tudo, e nem será o último.

— Obrigada por acreditar tanto em mim.

Always.

O sorriso dela aumentou e ela se colocou na ponta dos pés para alcançar os lábios do marido, iniciando um beijo calmo, porém apaixonado.

— Vamos.

Terminaram de chegar até a cela de Zabini e o viram sentado no canto com uma expressão preocupada em sua face. Assim que viu Beckett na companhia de Castle, ele se levantou adquirindo uma expressão furiosa.

— Exijo saber o porquê de ainda estar sendo mantido aqui. Tenho assuntos sérios a resolver!

— Boa tarde, doutor Zabini. Eu sou a capitã Beckett e esse é o senhor Castle. – Kate falou, ignorando a explosão do médico.

— Eu exijo que me tirem daqui. Já falei para aqueles dois detetives que não tenho nada a ver com o que vocês querem.

— Doutor Zabini, eu não afirmaria isso com tanta certeza se estivesse no seu lugar.

O médico encarava a capitã praticamente a fuzilando com os olhos. Não demonstrava o menor sinal de que estava intimidado.

Castle se mantinha calado ao lado da esposa, apenas ocupando o papel de telespectador no diálogo entre os outros dois. E Kate mantinha sua postura autoritária, tinha plena noção de que não seria fácil lidar com o médico, ele certamente estava acostumado a lidar com situações piores que aquela.

Zabini abriu a boca na intenção de dizer algo mais, porém Beckett o interrompeu abruptamente.

— Doutor Zabini, eu pretendia lhe dizer isso de outra forma, mas como não está facilitando, serei direta: nós fizemos contato com o hospital que sua filha está internada na Rússia, consegui conversar com o senhor e a senhora Zabini e eles nos disseram que sua filha não resistiu à cirurgia que faria esta manhã.

De repente, a postura agressiva que Blásio havia adquirido durante todo o tempo, desmoronou. Sua face se distorceu em uma careta de pura angústia, como se sentisse a maior dor de toda a sua vida. Dor essa que a capitã tinha uma bela noção de como era, já que em vários momentos cogitou a possibilidade de Sofia não estar mais viva.

— Co-como? – foi tudo o que ele conseguiu falar enquanto deslizava o corpo lentamente pela parede, caindo ao chão.

— Sinto muito, doutor Zabini. – a voz da capitã adquiriu um tom mais leve e ela esperou um momento antes de tornar a falar, deixando que o médico digerisse aquela notícia dolorosa.

Castle colocou o braço no ombro dela para chamar sua atenção e apontou com os olhos para a fechadura da cela. Kate entendeu seu recado e a destrancou, entrando ali com o marido.

Zabini permanecia no chão, as pernas dobradas e os braços apoiados nela. A cabeça tombada para baixo, tendo suas próprias mãos como suporte, enquanto grossas lágrimas rolavam por sua face.

— Não pode ser verdade.

— É duro, eu sei. Mas eu jamais inventaria algo do tipo. Eu tenho uma filha e sei o quanto isso pode ser doloroso. – Kate disse, sequer sabia o porquê de estar reconfortando aquele homem.

Talvez fosse pela dor evidente que ele estava sentindo. Ela não podia simplesmente ignorar. Porém, era hora de tocar no assunto que a levou até ali.

— Você já deve saber disso, pois trabalha com o doutor Igor Gaunt.

O médico a encarou pela primeira vez após receber a notícia de sua filha e meneou a cabeça em afirmação. Já não havia motivos para negar aquilo, sua razão de viver se fora e nada mais lhe importava agora.

— Eu sei que esse é um péssimo momento, doutor Zabini, mas eu preciso saber a verdade.

— E por que eu deveria contar?

— Porque, ainda que sua filha tenha partido, outras crianças estão correndo risco de vida. Outros pais estão perdendo seus filhos e sentindo a mesma dor que o senhor sente agora. – ela disse quase em súplica, precisava convencê-lo – Somente o senhor pode mudar essa situação. Permita que aquelas crianças tenham uma oportunidade de serem tratadas como crianças.

— Tudo bem, capitã. Contarei tudo o que quer saber.

Ele respirou profundamente e limpou uma lágrima que escorria por sua face, e endireitou seu corpo. Kate e Castle se sentaram no banco de concreto que havia ali, disposto à frente do local onde o médico permanecia sentado, ao chão.

Ele, então, começou a narrar.

­– Essa história toda começou quando a minha esposa faleceu, há oito anos. Ela adquiriu uma doença muito rara e grave durante a gestação de Lilian, e faleceu dois anos após o nascimento dela. – outra lágrima ameaçou escorrer, mas ele a limpou rapidamente – Eu trabalhava dignamente em um hospital muito respeitado na Bélgica, porém, ao perder minha esposa, eu comecei a ter vários problemas. Tornei-me um alcoólatra e entrei em uma depressão profunda, fui demitido e vi minha carreira se afundar na lama.

Zabini narrava os fatos detalhadamente, na tentativa de justificar seus atos.

"Minha filha foi tirada de mim e passou a ser cuidada pelos meus pais. Eu não podia vê-la, pois era considerado uma péssima influência para minha menina. Mas me deram a chance de recuperá-la, caso eu mudasse. Procurei emprego por dois longos anos, mas nenhum hospital queria me contratar, até que surgiu a proposta de eu trabalhar em uma clínica clandestina de abortos".

A informação chamou a atenção de Beckett e Castle, finalmente haviam chegado no assunto que lhe interessava. Zabini continuou.

— Eu estava desesperado, não via Lilian há quase dois anos e a saúde dela só piorava. A doença de minha esposa durante a gestação acarretou em consequências graves na saúde de nosso bebê. Então aceitei, o salário era bom e ajudaria no tratamento dela.

— E onde Igor Gaunt entra nessa história? – Castle perguntou, pronunciando-se pela primeira vez.

— Agora, na clínica de aborto. – Blásio disse, a voz num tom de total desânimo – Uma das clientes da clínica foi denunciada pelo aborto e recorreu a mim para ajudá-la. Eu já conhecia Gaunt da nossa época de faculdade. Formei-me com ele e Josh Davidson, que também está metido nessa história, mas com uma participação quase inexistente.

Kate e Rick se entreolharam e ele seguiu o relato, ignorando o gesto dos dois.

"Gaunt aceitou o caso e livrou a moça da cadeia. E foi nesse momento que a proposta de parceria surgiu. Como eu trabalhava com mulheres que queriam abortar e Igor vendia crianças, ele achou por bem juntar o útil ao agradável. Eu tentaria convencer as mulheres a não praticarem o aborto, mas, sim, a terem o filho e venderem-no a Gaunt. Além de dar o tratamento necessário às crianças que ele conseguia arrancar de Nova Dehli, na Tailândia".

— O foco de sua... compra. – Kate disse, acompanhando a história.

Zabini concordou com a cabeça e prosseguiu.

— Exatamente. Aquelas crianças, em sua grande maioria, chegam até mim bastante desnutridas e precisam ser medicadas para poderem virar... encomenda. – ele usou o termo meio relutante, parecia não concordar com aquilo, apesar de não se recusar a fazer parte – A oferta de salário era altíssima e Lilian precisava fazer o tratamento urgentemente. Na Rússia é onde oferecem o melhor e mais eficaz tratamento para as doenças de minha filha, porém o preço é absurdo e eu não podia pagar apenas com o que lucrava na clínica clandestina. Então aceitei a proposta de Gaunt e nos tornamos parceiros.

O médico, enfim, finalizou seu relato e tornou a abaixar os olhos.

Agora que perdera sua filha, sentia uma enorme vergonha de tudo o que havia feito. Perdera Lilian por ter se deixado enfraquecer com a morte da esposa, justo no momento em que precisaria ser forte e encarar os fatos para cuidar da menina.

— No final não serviu de nada, não é? Todo o meu esforço. – ele comentou com a voz pesarosa, dando uma risada triste e desolada – Minha filha está morta e eu me tornei um monstro.

— Ainda há uma forma de você mudar isso que se tornou. – Beckett falou, sentindo uma grande compaixão, que ela não sabia de onde viera, por aquele homem.

— Qual?

— Nós ainda precisamos pegar Igor Gaunt. Meus detetives me informaram que você tem uma reunião marcada com ele para amanhã.

— Sim.

— Se você aceitar servir de "isca" para, enfim, pegarmos Igor Gaunt, eu falo com a promotoria e faremos um acordo para diminuir sua pena.

O médico apenas a encarou, analisando suas palavras, e Kate resolveu insistir um pouco mais. Tinham que conseguir uma resposta positiva dele.

— Sua filha pode ter partido, doutor Zabini, mas ainda há outras crianças que precisam de um futuro e de proteção. Dê a elas a oportunidade que sua filha, infelizmente, não pode ter.

— Eu não sou um homem cruel, capitã Beckett. Sou apenas um homem que perdeu o foco na vida e se meteu em uma teia de enrascadas e problemas. – Blásio disse e sorriu de leve – O que eu puder fazer para mudar essa situação e o destino daquelas crianças, eu farei. Não tenho mais nada a perder, mas elas, por outro lado, têm toda uma vida a ganhar.

A resposta positiva de Zabini deu a Kate um alívio que ela jamais imaginou que sentiria. Seria mesmo possível que tudo estivesse se resolvendo assim?!

Ela combinou tudo com o médico para o dia seguinte e saiu da cela junto com Castle. Informou aos rapazes tudo o que conseguira extrair de Zabini e comunicou que estava de partida e não voltaria mais naquele dia.

Agora que resolvera a situação de sua delegacia, precisava ir se encontrar com Moody e informá-la do ocorrido com seu antigo assistente.

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— Segunda vez em um único dia. – Castle comentou enquanto os dois seguiam pelos corredores do fórum.

— Eu sempre considerei essa a pior parte do meu trabalho.

— Imagino, mas... você acha que isso vai abalar a doutora Moody, Kate?

— Acho que sim, amor. JR foi pelo caminho errado, mas trabalhou um bom tempo para ela.

— Você tem razão.

Castle falou e os dois ficaram à espera da secretária voltar para permitir sua entrada, o que não demorou mais que meio minuto. Logo ambos entravam na sala de Moody recebendo seus cumprimentos.

— O que trouxe vocês dois aqui? – ela perguntou gentilmente, estendendo o braço para indicar que se sentassem.

— Temo que não será de seu agrado a nossa visita, excelência, mas foi algo que não tivemos como evitar.

— A que se refere, capitã?

— Serei direta, Rita. – Kate disse, adotando um tom informal ao usar o primeiro nome da magistrada – Recebi hoje mais cedo a informação de que Junior Crouch foi encontrado morto em sua cela pela manhã.

O corpo de Moody enrijeceu completamente ao ouvir a notícia. Jamais imaginou que Junior teria um fim como esse, ele era tão jovem ainda.

— Meu Deus. Eu não posso acreditar. Ele tinha tanta coisa a viver ainda. – comentou com a cabeça baixa, os olhos marejando – Junior era um bom rapaz, apesar de sua ambição, e foi isso que o fez se deixar levar pela lábia de Igor Gaunt. Mas ele era um menino esforçado.

— Sinto muito, doutora. – Castle disse, passando-lhe conforto.

— Obrigada, senhor Castle. – ela sorriu tristemente – E obrigada a você também, Kate, por ter tido a consideração de vim até aqui me informar sobre o ocorrido.

— Não há o que ser agradecido.

— Bem – Moody respirou profundamente e limpou uma lágrima que teimara em escorrer, pigarreando em seguida –, imagino que você tenha um culpado em mente...

— Sim. – Kate afirmou, já sabendo que ela também suspeitava do advogado.

E a pergunta seguinte de Moody acabou por confirmar seu pensamento.

— Como andam as investigações a respeito de Igor Gaunt?

Kate soltou um suspiro de alívio ao ouvir seu questionamento. Não tinha a menor ideia de como iria começar aquele assunto, já que Moody ficara mais abalada com a morte de JR Crouch do que ela imaginou.

A capitã olhou para Castle, que tinha as pastas entregues por Pettigrew em mãos, e pegou, colocando-as em frente à magistrada e dando início ao relato de tudo o que haviam descoberto, tanto por Vítor quanto por Blásio.

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— Então você fez mesmo? – Josh perguntou retoricamente ao ver o primo entrando pela cabana com as mãos vazias – Entregou tudo à polícia.

Tudo não. Você ainda está foragido.

— E pretendo continuar.

Vítor soltou um suspiro pesado e levantou os braços, mostrando sua indignação.

— Dav! Por Deus! – ele disse exasperado – Entregue-se de uma vez por todas e acabe com isso. Não demorará até que a polícia venha aqui e te encontre.

— Não.

— Eles sabem onde eu moro. A capitã Beckett me mostrou fotos de Igor Gaunt conversando comigo bem ali, na porta de entrada.

— Como...? – a voz do médico falhou e uma expressão de puro desespero tomou conta de sua face.

Não. Isso não podia estar acontecendo. Ele não podia ter esse fim.

— Entregue-se. Não há outra alternativa.

— Eu posso fugir.

Vítor o encarou com revolta e tornou a bufar, passando as mãos nervosamente pelos cabelos negros.

— Faça o que bem entender. Eu já fiz minha parte, já aconselhei você. A decisão é sua, Dav.

Pettigrew o encarou uma última vez antes de virar as costas e sumir pelos fundos da cabana. Estava cansado de dar conselhos ao primo e ser sempre ignorado. Sempre o apoiara, mas dessa vez ele havia passado dos limites.

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Após a demorada conversa com Moody, Beckett e Castle partiram juntos com um sentimento ainda maior de estarem se aproximando da justiça.

A magistrada deu permissão para que a operação do dia seguinte – a emboscada para Gaunt na qual eles se utilizariam da presença de Zabini – fosse realizada, logo, a prisão não seria ilegal e eles não teriam qualquer problema quanto a ela.

Kate seguia dirigindo com um sorriso de alívio na face e Rick a encarava abobado. Amava ver aquela expressão serena na face de sua esposa, poderia passar horas e horas apenas admirando-a.

Porém um desvio diferente no caminho chamou a atenção do escritor. Ele voltou seus olhos para frente e franziu o cenho.

— Pensei que íamos buscar Sofia agora.

— Ainda temos tempo. Antes, eu quero te apresentar a alguém.

Ao dizer a frase, ela estacionou o carro em frente a um local que o escritor já conhecia: New York Marble Cemetery.

O casal desceu do carro e Kate sorriu minimamente para ele e entrelaçou seus dedos. Os olhos da mulher estavam levemente marejados e Castle sentiu seu coração pulsar descompassado.

Ela o estava levando até o túmulo de sua mãe.

Castle sabia bem o quão significativo era esse momento. Sabia bem tudo o que sua esposa lhe dizia com esse gesto, todo o sentimento que ela queria lhe passar ao levá-lo até ali. Ele apertou a mão dela, fazendo-a olhá-lo nos olhos com o intuito de deixar que ela visse o quão importante aquilo estava sendo para ele.

Beckett sorriu mais uma vez e o puxou até um dos túmulos, parando em frente a ele e soltando sua mão.

— Oi, mãe. Lembra-se do Rick? Eu o trouxe aqui para que vocês se conheçam. – Kate disse, olhando para a rocha de granito, e sorriu minimamente.

Castle se colocou ao lado dela e direcionou seu olhar para o mesmo ponto que a esposa focava, onde estava escrito Johanna Beckett, datado de quatro de fevereiro de 1951 a nove de janeiro de 1999, e uma simples frase abaixo, mas com um significado gigantesco:

"Vincit Omnia Veritas".

Notas finais
E então? Comentemmmmm, please ;) Vejo vocês no próximo. E hoje mais tarde respondo aos comentários do capítulo anterior ^^