Ficarei Ao Seu Lado

21 Cuidado Onde Pisa


Notas iniciais
Oi, amores :3 eu voltei! Quero me desculpar de todo coração por ter deixado a fic de lado por tantos meses. Eu passei por momentos terríveis neste tempo que fiquei sumida e estava sem a menor condição de escrever. Porém agora eu to MUITO bem e voltei com tudo ^^ Provavelmente vocês terão que reler o último capítulo para entender esse, já que faz séculos que não venho aqui haha sorry guys, e não desistam de mim — Dedico este capítulo a Talita Lorrany e a Giovanna com 2N, que várias vezes me perguntavam sobre a continuação da fic. Dedico também a minha Cá, Sandra (a mamãe do coração), Isis e Tainá que me ajudaram muito a superar todas as merdas que me aconteceram. E, por fim, dedico a Bela, a pessoa que me tirou um medo que eu achei que jamais superaria (we'll watch the sun go away, when the night comes, I'll be glad that you stayed ❤). p.s.: eu não tenho mais uma beta, perdoem-me eventuais erros de digitação ;) E sobre Meu Eu Dual, ela também irá voltar That's all, se jogueeeeem :)

Após a visita tão carregada de emoções ao cemitério, o casal seguiu para o colégio de sua pequenina. O caminho até lá foi silencioso, mas apenas com relação à ausência de palavras ditas, já que ambos trocavam olhares cheios de significados por todo o percurso.

Porém, o silêncio foi cessado assim que uma tagarela Sofia entrou no carro e disparou a falar, contando aos pais cada detalhe de sua tarde e fazendo a volta para casa ser tão animada como em todos os dias desde que ela voltara para suas vidas.

— Muito bem, mocinha. – Kate disse assim que os três entraram no loft— Vamos subir para você tomar um belo banho e já encontramos o papai na cozinha para comer.

— Ok. – a garotinha declarou e saiu correndo pelas escadas, soltando uma gargalhada ao ouvir o grito da mãe a advertindo pela correria.

— Eu já desisti de impedi-la de correr por todo lado. – Castle comentou dando risada e seguiu em direção à cozinha – O que teremos de jantar hoje?

— Vou deixar em suas mãos, chefe.

— Nessas horas eu sou o "chefe", não é?!

A capitã deu um sorriso sapeca e saiu do cômodo, deixando Castle para trás com um sorriso bobo em sua face, observando-a sumir pelas escadas.

Assim que abriu a porta do quarto da filha, Kate viu uma trilha de pequenas peças de roupa espalhadas até a porta do banheiro. Balançou a cabeça em negação e saiu recolhendo a bagunça de sua criança, que já estava dentro do boxe e em cima de um banquinho – que Kate não fazia ideia de onde ela havia arranjado –, tentando ligar o chuveiro.

— Mocinha, quantas vezes a mamãe disse para não deixar roupas espalhadas pelo chão do quarto?! – a morena exclamou, assustando a garotinha e quase a fazendo cair no chão ao se desequilibrar.

Por sorte, Beckett foi rápida e a segurou antes que um pequeno desastre acontecesse ali mesmo.

— Cuidado, meu amor.

— Desculpa, mamãe, e… desculpa pelas roupas também.

— De onde saiu isso aqui? – a mulher questionou, olhando para o banco onde Sofia ainda se encontrava de pé.

— Eu estava tentando ligar o chuveiro.

— Ok. Venha aqui que eu te ajudo nessa difícil tarefa. – ela comentou em um tom brincalhão, destacando o "difícil", e pegou a menina em seu colo.

Após tirar o banquinho do local e ligar o chuveiro, Kate ajudou a filha a se lavar e acabou tendo que tomar um banho com ela, já que Sofia a puxou para debaixo do chuveiro, molhando-a da cabeça aos pés.

O que rendeu muita risada e bagunça das duas dentro do grande boxe.

Enquanto a bagunça era armada no andar de cima, Castle preparava o jantar conversando com Alexis por Skype.

A ruiva o colocava a par de todas as novidades na universidade e das matérias novas que havia escolhido fazer quando Sofia entrou na cozinha, atirando-se às pernas do pai e se agarrando a ele.

— Olha só, teremos uma pequena participante em nossa conversa, abóbora.

Sofia está aí?— a garota perguntou do outro lado da tela, com um enorme sorriso em seu rosto. Sentia uma falta imensa daquela criança.

Ainda que Sofia não fosse, de fato, sua irmã, o amor que a ruiva sentia pela pequena era tão grande e intenso como se assim o fosse. E era totalmente recíproco.

— Lex! – Sofia exclamou no momento em que Castle a colocou sentada em uma das cadeiras, para ficar à altura do notebook.

— Vou deixar as duas conversando enquanto termino o nosso jantar. Amanhã nos falamos mais, abóbora?

Claro, pai. Até amanhã.

— Estou morrendo de saudades.

Eu também estou, pai. Logo irei visitá-los.

— Quando você vem, Lex? – a garotinha interrompeu a despedida dos dois e Castle voltou para o fogão, sorrindo ao ouvir suas duas meninas conversarem tão natural e intimamente.

Ainda não sei, pequena. Preciso fazer algumas provas ainda.

— No próximo mês vai ser o casamento da tia Lanie com o tio Espo. Eu vou levar as alianças deles. – Sofia contou cheia de orgulho – Você vem?

Não perderei esse momento por nada.

A conversa das duas durou cerca de quarenta minutos, tempo suficiente para o escritor finalizar o jantar e Kate terminar de lavar seus cabelos para se juntar aos seus dois bens mais preciosos.

#

A família Beckett-Castle acordou cedo naquela manhã de terça, Kate tinha um perigoso bandido foragido para colocar atrás das grades naquele dia e Castle – como sempre – a acompanharia na captura de mais um criminoso.

Exceto que aquele não se tratava de "qualquer criminoso", finalmente eles colocariam as mãos em Igor Gaunt e o fariam pagar, parente a lei, pelos crimes bárbaros que há anos vinha cometendo.

Porém, antes de seguirem para a delegacia, o casal passou no apartamento de Martha para deixar a filha sob os cuidados da vovó coruja, o que agradou demasiadamente tanto neta como avó. Ambas sentiam muita falta de ficarem juntas e, para juntar o útil ao agradável, Sofia ficaria com Martha até o dia seguinte. O que rendeu vários planos para um dia bastante recreativo e uma noite de festa do pijama, com direito a muita guloseima e filmes da Disney.

Assim que chegaram ao 12th, Beckett pediu a Espo que organizasse sua melhor equipe para o preparo na captura de Gaunt.

E ele, prontamente, o fez.

Com toda a equipe reunida de frente para o quadro branco de suspeitos, bem como Blásio Zabini, Beckett iniciou seu relato, deixando os oficiais a par de cada detalhe do caso e da emboscada que fariam logo mais à tarde.

— Doutor Igor Gaunt – a capitã disse, chamando a atenção de todos ao apontar para a foto do homem –, conhecido advogado de Nova Iorque que atua na área criminal. Há alguns meses uma investigação contra o doutor Gaunt foi iniciada e, finalmente, a NYPD conseguiu reunir provas de autoria e materialidade dos crimes que ele vem cometendo: tráfico de crianças, assassinato, corrupção ativa.

Beckett relatava com firmeza na voz, percorrendo seu olhar no rosto de cada um ali.

— Como é de conhecimento de todos aqui, há cerca de 05 anos, nossa filha – ela disse, apontando para si mesma e para Castle, que estava parado a seu lado – foi sequestrada e apenas no ano passado nós a recuperamos. O autor do crime? Joshua Davidson – ela apontou para a foto do médico posicionada ao lado da de Gaunt –, com a ajuda de Igor Gaunt, seu atual advogado.

"O doutor Davidson ainda encontra-se foragido e, por hora, não é nosso alvo. Hoje focaremos na captura de Igor Gaunt. Com a ajuda do doutor Blásio Zabini.", a capitã apontou para o homem parado entre Ryan e Esposito e iniciou um novo relato, explicando a ligação de Zabini com o caso e como ele os ajudaria na captura do advogado.

— Não se esqueçam: Igor Gaunt é de alta periculosidade e o restaurante onde ele se encontrará com o senhor Zabini estará cheio de pessoas. Todo o cuidado é pouco na execução dessa operação. E, mais uma coisa, Gaunt provavelmente não estará sozinho lá, então mantenham seus olhos bem abertos e atentos a qualquer movimentação suspeita.

Beckett sinalizou para Kevin e Javier, indicando que ocupassem seu lugar.

— Os detetives Ryan e Esposito explicarão o passo a passo da operação e dividirão as equipes, delimitando os que ficarão fora do restaurante e quem adentrará o local.

Enquanto os dois detetives repassavam os detalhes com a equipe selecionada por Beckett, ela e Castle seguiram para sua sala a fim de terminarem de se organizar.

— Acho que seria melhor você ficar fora dessa, Rick. – a capitã disse um pouco pensativa, chamando a atenção de Castle. O escritor já estava pronto para argumentar, mas ela prosseguiu – Nós não sabemos o que encontraremos lá, Igor Gaunt pode ter um escolta pronta e não é segredo para ninguém o quão inescrupuloso esse advogado é.

— Eu sempre fui com você a campo e…

— Eu sei, amor. – ela o interrompeu – Mas, dessa vez, o caso é pessoal. Gaunt não é qualquer um. Ele conhece a mim e a você, e pode te usar para me atingir.

— Kate, eu sei me cuidar.

— Eu sei que sabe, mas se algo acontecer a você…

— Nada irá me acontecer. – essa foi a vez de Castle a interromper. Ele segurou ambas as mãos da esposa nas suas e manteve seu olhar fixo ao dela – Nós vamos pegá-lo. Tudo vai dar certo.

Ainda que relutante, a capitã acabou por concordar. Sabia que o marido insistiria durante o dia todo, se fosse preciso, para convencê-la a deixá-lo participar da emboscada. E ela estava sem tempo para entrar em uma discussão na qual já era garantido o seu fracasso; Castle habilidosamente a venceria pelo cansaço.

#

No horário marcado por Gaunt para a reunião com seu sócio, Beckett seguiu com sua equipe para o restaurante.

Como o combinado, parte da equipe – em torno de dez homens, contando com Ryan e Esposito – ficaram do lado de fora, e três – os oficiais L.T., Valasques e Johnson – adentraram o local e se posicionaram próximos à mesa em que Igor e Blásio sentaram-se. Já a capitã, junto de Castle, observava tudo de dentro do carro, na tela de vídeo que era reproduzida através da microcâmera colocada no paletó de Blásio Zabini.

— Você foi seguido? – o advogado questionou aos sussurros assim que Zabini se sentou à sua frente.

— Não.

— Ótimo.

— Você parece ansioso, Igor. – Blásio comentou, tentando parecer descontraído e não levantar suspeitas para o que estava prestes a acontecer.

Igor Gaunt era um homem muito astuto, qualquer olhadela fora do comum e ele já captaria tudo.

— Vamos ter que interromper nossos negócios por tempo indeterminado. – Gaunt falou firmemente, ignorando o comentário do sócio.

— O que aconteceu?

— A polícia está atrás de mim. Descobriram sobre o tráfico, sobre nosso site, sobre tudo. Eu tentei uma queima de arquivos, mas me equivoquei ao contratar um moleque. – o advogado contava furioso, porém permanecendo aos sussurros – Mas agora ele já não é mais um problema.

— Está morto?

— Sim… ele mesmo facilitou o processo. Foi preso e tudo o que eu precisei foi contatar um dos meus. Problema resolvido.

— Ao menos esse… – Zabini comentou, remexendo-se desconfortavelmente na cadeira ao receber um sinal de L.T. indicando que chegara a hora.

Ele tomou um gole da água que havia pedido, friccionando uma mão na outra por baixo na mesa, buscando acalmar-se. E voltou a falar.

— Igor, eu estou fora.

— O quê?

— Isso mesmo que ouviu. Eu estou fora. Minha filha morreu, eu já não tenho minha esposa comigo há anos e nem ao menos uma boa reputação eu tenho.

— Você não pode abandonar tudo assim! – o advogado exclamou furioso, quase não conseguindo conter a própria voz.

— Eu só entrei nessa pela minha filha, e agora ela se foi. Não há motivos para continuar nisso e correr o risco de acabar atrás das grades.

— Se eu cair, você irá junto, Blásio. Somos sócios, somos parceiros nessa. – o advogado levou a mão até o cós da calça, retirando uma ".40 S&W" de lá e a colocando em cima da mesa, disfarçadamente.

— O que é isso, Gaunt?

— Você acha que vai sair fácil dessa… que agora que a polícia descobriu tudo, você só precisa dizer "estou fora" e estará tudo resolvido?! Não. Eu não vou levar a culpa toda sozinho, Zabini. – ele falou já enfurecido, os olhos faiscando de raiva – Antes disso, eu mato você!

Assim que a frase foi dita, Beckett deu ordens para que a equipe entrasse no restaurante, e a mesma correu para lá com Castle em seu encalço.

Tudo aconteceu em uma fração de segundos.

Como Kate previra, Igor Gaunt havia levado três homens consigo, e foram eles que deram início ao tiroteio. A NYPD invadiu o local, balas voavam para todos os lados e o alvoroço das pessoas que almoçavam pacificamente com seus amigos e/ou familiares começou de imediato.

Por sorte, não havia muitas pessoas no local e todos conseguiram sair do restaurante antes de serem feridos.

Logo a imprensa, sabe-se lá como, chegou ao local também.

Igor, aproveitando-se da confusão, tentou escapar, mas Zabini foi atrás para impedi-lo e Beckett, notando a movimentação dos dois, correu na mesma direção. Porém, antes que pudesse reagir, Blásio acabou levando um tiro do ex-sócio em seu estômago.

— Não se mova, Gaunt. – Beckett gritou, apontando a arma para o advogado – Não tem para onde fugir, eu tenho homens lá fora prontos para atirar caso você tente algo.

— Você se acha muito esperta, não é, capitã? – Igor falou em deboche, tentando encontrar alguma escapatória – Isso não é o fim.

— Você está certo… é apenas o começo. – ela disse com firmeza e abaixou a arma para pegar suas algemas ao ver Ryan e Esposito se posicionarem em ambos os lados de Gaunt. Impedindo-o de escapar – Igor Gaunt, você está preso por tráfico de crianças, assassinato e corrupção ativa.

Ela falou, virando-o de costas e o algemando.

Os três capangas acabaram sendo atingidos de forma fatal e morreram ali mesmo. E Blásio Zabini foi rapidamente socorrido por uma equipe médica que chegou ao local minutos após o início do tiroteio.

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Na cabana, não muito longe da cidade de Nova Iorque, Joshua Davidson assistia ao noticiário que comunicava sobre a prisão de Igor Gaunt.

— Eu te avisei… logo eles virão por você. – Vítor comentou, escorado na parede de braços cruzados e olhando para a TV.

— Eles podem até tentar, mas eu fugirei antes que me encontrem.

O médico disse decidido e se levantou da poltrona, caminhando a passos firmes para seu quarto em busca da pequena mala que havia separado para sua fuga.

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Alheias a tudo o que se passava do lado de fora da casa, Martha e Sofia se afogavam em uma pequena cascata de chocolate – branco e preto – que a mais velha prepara para as duas saborearem o fondue de morangos, cerejas e bananas, enquanto faziam uma maratona de filmes infantis.

— A mamãe nunca me deixa comer hambúrguer de almoço…

Sofia comentou, já toda lambuzada pelo doce – que era o cardápio de lanche da tarde das duas – e recebendo um grande sorriso da avó como resposta, enquanto cantarolava a música dos créditos finais de Moana.

— Mas é para isso mesmo que os avós servem: quebrarem as regras estabelecidas pelos pais e mimarem muito os seus netos.

Martha comentou rindo, ao passo em que esfregava com delicadeza um pano umedecido no rosto da garotinha.

— Precisamos repetir isso quando a Lex chegar. Ela me disse ontem, quando falava comigo e o papai, que virá logo para cá.

— Ôh, ela amará esse nosso programa. Tenho certeza. – a mulher disse, dando uma piscadela para a garotinha – E, agora, qual filme nós veremos?

— Pocahontas! – Sofia exclamou quase em êxtase, já bastante agitada pela grande quantidade de doce que havia ingerido.

— Você é quem manda, kiddo. – Martha se aproximou do aparelho de DVD para trocar os discos e disse em um tom brincalhão – Vamos torcer para essa energia toda acabar até amanhã, senão sua mãe fritará meus órgãos no jantar por ter te dado tanto doce.

— Não duvido. – Sofia falou entre risadas.

Conhecia muito bem a mãe que tinha, e apenas conseguia apaixonar-se cada vez mais por ela.

— Mas eu convenço a mamãe com a minha carinha fofa. – ela completou, dessa vez fazendo a avó gargalhar.

— E quem nesse mundo resiste a esse rostinho?!

Martha comentou, aproximando-se dela e finalizando a frase com um ataque de cócegas.

Aquelas duas realmente precisavam desse tempo juntas.

Do outro lado da cidade, Ryan e Esposito estacionavam a viatura em frente à cabana de Vítor Pettigrew. Só faltava mais um para ser apanhado.

— Vai viajar, doutor Davidson? – Espo comentou em tom de deboche ao sair do carro e se deparar com Josh parado na entrada da cabana com uma pequena mala em mãos.

— Se quiser, podemos te oferecer uma carona. – Ryan completou, entrando na onda do parceiro.

— Que ótima ideia, bro. – Espo tornou a falar – Então, doutor?

O médico, aterrorizado com o que lhe esperava, apenas conseguia olhar de um detetive para o outro, a boca aberta em um pequeno "o" e os olhos ligeiramente arregalados.

Era o seu fim.

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Assim que recebeu a ligação de seus detetives a informando que haviam surpreendido Josh escapando da cabana e já o tinham preso em umas das celas do 12th, Kate – que estava resolvendo a burocracia quanto à prisão do doutor Gaunt – apressou-se para chegar à sua delegacia.

— Está tudo certo? – Beckett, acompanhada de Castle, indagou Ryan assim que adentrou o local.

Ele e Esposito já haviam juntado as provas contra o médico e conseguido a ordem de prisão que a capitã os ordenara mais cedo. Apenas a aguardavam para, enfim, ele ser levado a um presídio do qual não sairia tão cedo.

— Sim, capitã. – Espo disse – Mas precisamos da sua autorização para finalizar o caso.

O latino informou, entregando-a o mandado de prisão assinado pela juíza que conduzia o caso do doutor Davidson. Kate o leu rapidamente e voltou seus olhos para o detetive.

— Preciso de apenas alguns minutos com ele e já podem mandar buscá-lo.

— Kate... – o escritor, que até o momento permanecera apenas como telespectador, a chamou com nítida preocupação em sua voz.

— Será rápido, Rick. Não se preocupe, tudo ficará bem.

— Eu posso ir com você.

— Não... – ela disse com a voz mansa e segurou nas mãos do marido – Eu preciso resolver esse assunto de uma vez por todas. E sozinha.

Castle respirou fundo a fitando com intensidade. Não lhe agradava em nada a ideia de ter sua esposa a sós na companhia daquele bandido.

— Tudo bem. – ele disse por fim.

— Não demorarei.

Kate falou após dar-lhe um beijo casto nos lábios, e seguiu a passos firmes até a cela onde Josh se encontrava.

Iria dar àquele doutorzinho a lição que ele merecia.

— Ora, ora. – a voz imperativa de Beckett se fez presente e ecoou pelo local habitado unicamente por Joshua Davidson – Vejo que voltou para nossa "hospedagem", doutor Davidson.

O médico apenas a encarava, sem nada dizer.

— O que foi, perdeu a fala?

— O que você quer?

— O que eu quero? – ela repetiu a pergunta, aproximando-se a passos lentos e cuidadosos até a cela, como uma leoa pronta para dar o bote – Eu apenas desejo ter uma... conversinha... com você.

Kate frisou no diminutivo da palavra, enquanto destrancava a cela e a adentrava. Os olhos quase faiscavam de tanta raiva. Ela não pegaria leve com ele, não facilitaria as coisas. Não dessa vez.

— Não tenho nada para conversar com você ou qualquer um aqui sem a presença do meu advogado.

— Sinto em lhe informar, mas o seu advogado não poderá atendê-lo. – a capitã falou despreocupadamente, sentando na bancada que havia ali – Ele está muito ocupado sendo enviado para uma penitenciária que, por sinal, é a mesma que você irá dentro de alguns minutos.

Josh mantinha o olhar temeroso e, a cada frase pronunciada por Beckett, ele se encolhia mais em um canto da cela.

— E nós dois temos sim o que conversar.

— Kate...

— Capitã Beckett! – ela o corrigiu, não fazendo questão de esconder a raiva em sua voz.

— Eu... olha, me deixe ir embora e eu desapareço do seu caminho e do de Sofia.

— Deixar que você vá embora?! – a frase incrédula se seguiu de uma pequena risada de escárnio – Você só pode ter perdido o juízo para me propor algo assim.

"Você tem noção de tudo o que fez?! Você sequestrou sua própria filha, Josh. E por pura e cruel vingança. Você se tornou muito pior do que a grande maioria das pessoas que eu colocava atrás das grades na época em que ficamos juntos e que você... você... ficava abismado com as barbaridades que elas eram capazes de fazer".

— Beckett, eu... – porém ela tornou a interrompê-lo.

— Você é um monstro.

— As coisas saíram do controle! – Josh praticamente gritou – Era vingança sim, no começo. Mas eu não esperava que fosse acabar nisso tudo.

— E Hermione Sproud? A garota não tinha nada a ver com a sua sujeira e de Igor Gaunt.

— Ela se meteu onde não devia.

— Ela estava apenas protegendo Sofia!

— Se meteu onde não devia! – ele repetiu a frase com raiva, a máscara de bom moço já começava a cair – E aquela pentelha não corria riscos.

— Aquela pentelha?

— Você pode amá-la e tudo o mais, mas eu não. Eu nunca a amei. Como poderia? Eu iria perder a minha vida, a minha liberdade, por culpa dela.

— Culpa dela?! Como você tem a coragem de culpar Sofia por isso? Você foi o único culpado de tudo! Você me afastou dela e nunca teve a intenção de cuidar daquela criança.

— Não seria por muito tempo. – a voz sombria naquela frase um tanto desconexa chamou a atenção da capitã.

Do que é que ele estava falando, afinal?

A confusão nos olhos dela o fez falar. Já não adiantaria de nada se fazer de inócuo, seu mundo já havia desabado e seu fim era certo.

— O que? Você não achou que eu a manteria para sempre, não é? – ele disse com frieza – Se você não a tivesse encontrado, eu a teria entregado a Igor e ele faria o que bem entendesse com ela.

Ouvir aquelas palavras a fez perder a cabeça. Aquele monstro iria vender a sua filha, seu anjinho. Somente a ideia de ter Sofia metida naquele mundo bárbaro e desumano, a fez embrulhar o estômago.

E, antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, Kate fechou sua mão em punho e acertou com toda a força que tinha a face do homem desprezível a sua frente. O impacto do soco em seu rosto fez o médico cambalear e levar a mão rapidamente ao nariz.

O sangue escorria sem o menor pudor e a dor latejante quase o fazia chorar. Beckett havia quebrado seu nariz com a força exercida no soco.

Ela se abaixou ligeiramente para ficar à altura do rosto do homem e o segurou pela gola da camisa.

— Você tem sorte de não ter tido tempo de fazer algo assim, seu verme. – ela pronunciou as palavras em um sussurro ameaçador – Porque eu te caçaria até no inferno e acabaria com a sua raça se algo mais grave acontecesse com Sofia.

Beckett endireitou sua postura e o olhou com nojo, saindo da cela e a trancando. Tornou a ficar de frente para ele e falou uma última frase, num tom mais alto.

— Acho que devia tomar mais cuidado, doutor Davidson, o chão está bastante escorregadio e não queremos que você caia novamente... – ela disse em um tom sugestivo e virou as costas, saindo dali e o deixando com a face bastante ensanguentada.

#

Após receberem a confirmação de que Joshua Davidson e Igor Gaunt haviam, de fato, sido encaminhados para um presídio e já estavam instalados lá, Kate seguiu com Rick para a casa de Martha.

A noite de avó e neta poderia ficar para outro dia. Naquele momento, ela apenas desejava ter a sua doce garotinha entre seus braços.

— Achei que eu ia passar a noite com a vovó. – Sofia declarou quando os três adentraram o loft.

— Você ia, mas a mamãe coruja aqui não aguentou de saudades. – Castle falou em um tom brincalhão, arrancando uma gargalhada de sua menina. – Ela pensa que engana alguém com esse jeito mandão de capitã.

— Ela não me engana, papai. – Sof falou entrando na brincadeira.

— Ok. – Beckett os cortou – Em que momento isso aqui virou um complô contra mim?

A culpa estampada no rosto dos dois fez Kate rir. Aquelas duas pessoas eram as únicas capazes de lhe arrancar um sorriso até mesmo em seu pior humor.

— Eu vou levar essas coisas para o seu quarto e já volto. – Castle informou a filha e saiu, deixando as duas sozinhas.

Sabia que a esposa precisava ter um momento a sós com a pequena para lhe explicar o que acontecera mais cedo.

— Sof, senta aqui. – Kate chamou, indicando o sofá, e a menina obedeceu.

— Eu fiz algo de errado, mamãe?

— Não, meu amor. Claro que não.

— Você ficou séria... – a voz saiu receosa. Os pezinhos, pendurados devido à altura do sofá, balançavam rapidamente.

Ela estava nervosa.

— É porque o assunto que tenho para falar com você é sério.

— E sobre o que é?

— Josh. – Beckett disse simplesmente e respirou fundo ao ver a filha assentir, tornando a falar.

"Sof, você sabe que Josh fez algumas coisas... erradas... não sabe?", a garota tornou a assentir, concordando. "E quando as pessoas fazem coisas erradas, elas recebem um castigo por isso. Correto?" outro sinal de concordância, "Bem, Josh recebeu um castigo pelas coisas que ele fez.", Sofia apenas a encarava, tentando absorver as palavras da mãe.

— Ele vai para o lugar onde os caras maus que a mamãe captura, ficam.

— O papai Josh é uma pessoa má? – a preocupação na voz da garotinha fez um aperto surgir no coração de Kate.

Ele era sim uma "pessoa má", mas essa verdade era dura demais para sua pequena entender.

— Não, Sof. Ele apenas fez coisas erradas, entende? E precisa de um castigo para aprender e não voltar a fazê-las.

— Como quando eu quebro alguma coisa que não pode e você me dá uma bronca?

— Sim, minha flor. – ela confirmou e sorriu para a garotinha.

A inocência daquela criança a enchia de alegria, e ela não podia acabar com aquilo por ter raiva do homem que a sequestrou. Seria egoísmo demais de sua parte fazer a filha ter sentimentos negativos por alguém que ela chamava de pai.

Com o tempo ela iria entender as coisas, por conta própria.

— Ele vai ficar muito tempo lá?

— Vai.

— Tudo bem.

— Sof...

— Está tudo bem, mamãe. – ela reafirmou, olhando nos olhos da mãe – Eu sei que você se preocupa comigo e com essas coisas que o papai Josh fez. Mione me explicou. – ela disse com seu sorriso infantil.

"Mas eu estou feliz. Eu tenho você e o papai Rick. E toda a nossa família", ela falava, mais uma vez mostrando uma maturidade que impressionava a mulher. "Eu gosto muito do meu papai Josh, mas ficar com você e com o papai Rick é o que me faz ficar alegre. O papai Rick é o meu herói e é ele que está sempre comigo, não o papai Josh. E tem você, mamãe, eu não quero ficar sem você. Eu te amo, mamãe".

O sorriso no rosto de Beckett não poderia ser maior ao ouvir aquelas palavras.

Ela puxou a menina para seus braços e a aconchegou ali, sentindo o maior amor do mundo a invadir por completo.

Sua Sofia era uma criança muito especial.

#

— Como foi? – Castle questionou ao ver a esposa entrando no quarto.

— Melhor do que eu imaginava.

Kate disse sorrindo e se deitou ao lado dele na cama, aconchegando-se nos braços do escritor.

— Ela entendeu que Josh precisa ficar longe de todos nós e que ficar com ele não era bom. Ela disse que morar com nós dois é o que a faz feliz. – Kate disse sorrindo ao se lembrar das palavras da filha – Ela disse que você é o herói dela.

— Eu tenho meus momentos. – Rick falou brincalhão, em um tom convencido.

— Claro, senhor Castle.

Kate disse revirando os olhos e sorrindo, e endireitou seu corpo para ficar frente a frente com ele, capturando seus lábios em um beijo lascivo.

As conquistas daquele dia mereciam uma comemoração a dois. E disso aquele casal entendia muito bem.

Notas finais
E então? Comentemmmmm, please ;) Vejo vocês em breve, dessa vez é verdade haha
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.