Ficarei Ao Seu Lado

4 Reviravoltas - parte I


Notas iniciais
Olha eu aqui de novo. Muito obrigada pelos comentários, gente, de coração. Dei uma parada nos flashbacks, mas eles logo voltam. Esse tá quente, espero que gostem ;)

Os "clack clacks" de seu sapato ecoavam pelo corredor silencioso. A capitã caminhava decidida para a ala das celas de sua delegacia, ensaiava mentalmente o discurso pronto que despejaria no médico. Sonhara tantas noites com o dia em que enfrentaria cara a cara o monstro que raptara sua filha e, agora que esse dia havia chegado, ela não hesitaria. Tinha um olhar frio que causava medo em qualquer um que ousasse encará-la, seus subalternos iam desviando rapidamente de seu caminho à medida que ela passava. Conheciam muito bem a fera que Beckett podia ser quando desejava e preferiam não arriscar sua cabeça para saber se aquele lado ainda habitava nela.

O homem estava sentado em um canto na cela, a cabeça apoiada entre os joelhos. O som dos sapatos lhe chamou a atenção, ele conhecia muito bem o barulho daquele caminhar. Kate. E, pela rapidez com que ela se aproximava, ele soube que a visita seria de longe cordial. Levantou-se do chão já se preparando para a bomba que viria.

— Oi, Kate. – Ele disse assim que a mulher se colocou de frente a ele do outro lado das grades. O duro olhar lhe penetrou como lâminas afiadas e ele sentiu um frio subir-lhe a espinha.

— O resultado do DNA saiu.

Ela disse simplesmente e, o silêncio que pairou entre os dois era tanto, que ela jurava ter conseguido ouvir as batidas descompassadas do coração dele. Vendo que Josh não diria nada, ela respirou fundo e continuou.

"Sabe, eu me perguntei várias vezes neste meio tempo se você chegou a cogitar a possibilidade de me devolver Sofia. Se você sequer chegou a compreender a atitude tão desumana que teve. O que você fez, Josh, foi algo imperdoável. Foi algo que nem meu pior inimigo ousaria fazer. Você viajou tantas vezes para cuidar das pessoas, certamente viu o desespero de várias mães ao pensarem que perderiam seus filhos e, ainda assim, você fez o que fez. E pior. Você fez com uma pessoa que tantas vezes ouviu da sua boca o quanto ela era importante e o quão profundos eram os seus sentimentos por ela.", Kate despejava toda a sua mágoa no ex namorado, sequer parando para respirar. Os olhos estavam marejados, mas aquelas eram lágrimas de raiva, de desapontamento, de profunda amargura. Ela continuou com a voz embargada.

"Você me causou a maior dor que eu já senti em toda a minha vida e, eu juro pelo que for, Dr. Davidson, que você pagará por suas atitudes. Eu vou recuperar minha filha por completo e você nunca mais chegará perto dela." A fúria com a qual ela pronunciava aquelas palavras era quase palpável. Ela não desviou os olhos dos dele nem por um segundo. Disse, por fim, após soltar uma risada zombeteira. "Você pensou mesmo que eu, algum dia, desistiria de buscar por minha filha?".

— Eu nunca planejei isso. – Ele disse, enfim. – Eu não ia levar a menina comigo.

— Ah, claro. – Ela soltou em tom de sarcasmo.

— Eu não ia, Beckett. Eu estava de plantão no hospital no dia do parto, vi seu nome na lista de pacientes que haviam sido levados para a emergência e soube que Sofia havia nascido prematura por causa de um acidente que você sofreu. Minha intenção era apenas vê-la, e foi o que fiz a princípio.

— Se com esse falatório você está tentando se justificar... – mas ele a interrompeu.

— Não, apenas escute-me. Eu fui mais duas vezes à incubadora ver nossa filha.

"Minha!", Kate corrigiu rispidamente. Ele fingiu não notar e continuou.

— Até que um dia eu vi o escritor lá, agindo como o pai dela. Eu não sei o que deu em mim, Kate, eu apenas fiz. Esperei ele ir embora e a levei comigo, ela receberia alta naquele mesmo dia, então eu a peguei. Não tinha ninguém no local naquele momento, a enfermeira responsável havia se atrasado no horário de almoço, eu pensei: é a oportunidade perfeita.

— Você é um monstro. Tem noção do quão egoísta foi essa sua atitude?! Você nunca quis a minha filha, só queria ferir a Castle e a mim.

— Eu quis devolvê-la. Eu vi que não poderia dar atenção a ela e que já havia prejudicado demais aquela criança, mas... era tarde. Já havia se passado um ano e eu sabia que você jamais me perdoaria. Sabia que abriria um processo contra mim e eu perderia tudo o que havia conquistado. Então eu simplesmente mantive o que já estava feito. Contratei Hermione dois dias após ter levado Sofia para casa, ela sempre cuidou bem de nossa filha, sempre a tratou com muito amor e zelo.

— Não me interessam as suas justificativas ridículas. – ela gritou enfurecida. – Se é que isso pode ser chamado de justificativa. – ela riu em deboche. – Nada disso teria acontecido se você, antes de tudo, não tivesse sido um covarde naquela noite em que eu te contei sobre a minha gravidez.

— Eu sei. – ele concordou e depois disse, tentando contornar a situação – Nós poderíamos ter nos tornado uma ótima família, não é?

— Você está enganado. A melhor e única família que Sofia e eu poderíamos ter, é a que eu construí com Castle. Ele é o verdadeiro pai da minha filha.

Enquanto a capitã mantinha aquela calorosa discussão, seu marido havia se adiantado quanto aos trâmites do processo que entrariam contra Josh. Ligara para seu advogado assim que Beckett o avisou que iria confrontar o médico. Em poucos minutos, Henry adentrava o 12th com toda a papelada em mãos. Espo o encaminhou à sala de sua superior, e Castle pediu que ele aguardasse um momento para poder chamar a esposa.

Ele saiu caminhando tranquilamente de encontro aos dois e nem precisou se aproximar muito para ouvir a conversa, de tão silenciosa que era aquela ala. O único preso mantido ali naquele dia era Josh.

"Seria menos confusão para a cabeça de Sofia", ele ouviu o homem dizer. Antes que pudesse interromper o diálogo dos dois, o escritor ouviu algo que lhe fez perder o chão.

"Não. O melhor para ela é que o pai e a mãe fiquem juntos", a capitã disse calmamente. Os dois conversaram mais algumas coisas, porém Castle não conseguiu decifrar, a voz de sua esposa ecoava em sua cabeça repetindo sem cessar: o pai e a mãe fiquem juntos.

Então era isso? Kate queria manter Josh por perto. O que quer que tenha sido o conteúdo daquela discussão, a levara a essa conclusão?! Ele não conseguia acreditar, ela não faria isso com ele. Não podia. De repente, a gola de sua camisa estava apertando demais seu pescoço, ele saiu desembestado pelo local e acabou esbarrando em algo duro que não soube identificar. O objeto caiu ao chão causando um estrondo que chamou a atenção da mulher. Beckett correu para a direção do ruído a tempo de ver Castle saindo às pressas dali.

— Castle! – ela gritou, mas ele a ignorou e apertou o passo.

Foi preciso que ela corresse para alcançá-lo, já no meio do distrito, próximo ao elevador. Ela o agarrou pelo braço, porém o escritor se desvencilhou e entrou no cubículo de metal. "Agora não, Beckett", foi tudo o que ele disse antes de as portas se fecharem separando os dois. Ela permaneceu estática naquele mesmo local, a confusão estampada em sua face.

— Capitã?

— Sim, Ryan.

— Está tudo bem? – ele questionou ao ver a expressão no rosto da superior.

— Sim... o que queria dizer?

— O advogado está em sua sala te esperando.

— Quem? – ela perguntou confusa. Com todo aquele caos, Castle havia se esquecido de avisá-la sobre Henry.

— Do seu marido. Ele saiu para te avisar. Disse que o advogado trouxe a liminar do juiz permitindo a guarda provisória de Sofia.

Sofia.

Primeiramente, ela precisava resolver essa situação para, só depois, sair em busca de Rick e tentar compreender o que havia sido tudo aquilo. Agradeceu a Ryan e seguiu para sua sala.

Henry a aguardava já com toda a papelada. A capitã lhe informou os detalhes do caso e disse que queria tomar as medidas necessárias o quanto antes. Ele a informou que, com tudo o que o médico havia feito, o trâmite legal não seria tão complicado e logo o seu pedido no processo de reconhecimento de maternidade e alteração definitiva de guarda seria deferido. O advogado a informou também que ela já tinha permissão para levar Sofia para sua casa na hora em que desejasse. Ela o agradeceu e, assim que Henry se retirou, Kate pegou suas coisas e seguiu para a casa de Josh. "Espo. Ryan. Tenho alguns assuntos para resolver e não volto mais hoje. Liguem-me apenas em caso de emergência", foi tudo o que ela disse antes de sumir dali.

#

Depois de muito esforço, Hermione conseguiu fazer a menina se alimentar e se acalmar. Tudo o que presenciara, fora e dentro da delegacia, fora demasiado pesado para uma criança daquela idade compreender.

As duas passaram quase que toda a tarde em frente à televisão fazendo uma maratona de filmes da Disney com direito a pipoca afogada no brigadeiro de panela e muito refrigerante. Após três filmes: A Bela e A Fera, A Pequena Sereia e O Rei Leão; que eram os preferidos da garotinha, a mesma adormeceu esparramada no sofá. A senhorita Sproud organizou toda a bagunça que haviam feito e subiu com a menininha em seu colo para o quarto. Depois de acomodá-la, a babá desceu para olhar a caixa de correios. Há semanas vinha esperando uma resposta das faculdades nas quais se inscrevera, entretanto, não sabia qual seria seu destino depois de tudo o que vinha acontecendo. Quem iria tomar conta da garotinha dormindo no quarto acima? O pai estava detido e sem previsão de soltura. A menina só tinha a babá agora.

Ainda com esses pensamentos em mente, ela saiu pelo jardim e pegou as correspondências. Para sua imensa satisfação, não só recebera uma carta de aprovação, como também fora da faculdade em que mais desejava entrar. Harvard. Fora admitida para cursar Jornalismo na universidade de seus sonhos. Saiu pulando pelos cômodos da casa, mal acreditando no que acabara de ler. Apenas cessou a algazarra com o toque da campainha. Recompôs-se e foi atender a porta.

— Oh – exclamou assim que viu quem estava do lado de fora da casa –, olá, capitã Beckett. Entre, por favor.

— Boa tarde, senhorita Sproud. – Kate disse adentrando a casa. – Tem um tempo?

— Claro, acabei de levar Sofia para o quarto. Ela adormeceu vendo filmes. – a moça comentou com um sorriso e indicou um sofá na sala de visitas para que Kate se sentasse. – Em que posso ajudá-la? É algo sobre o doutor Davidson?

— Sim e não... Na verdade, eu vim conversar sobre Sofia. Trata-se daquele assunto que discutimos mais cedo em minha sala na delegacia. Os resultados dos exames saíram.

A capitã informou entregando à babá os testes e a liminar do juiz.

"Sofia é, de fato, minha filha e o juiz Longbottom, como você pode ler neste outro papel que lhe entreguei, permitiu que eu a levasse para casa. E eu... gostaria que ela fosse logo comigo".

Hermione leu atentamente cada palavra à sua frente e sentiu um grande vazio atingi-la. Não queria se afastar da menina, mas tampouco tinha poder para impedir que a mãe a recuperasse. Seria, no mínimo, injusto ir contra isso.

— Entendo. – foi tudo o que a jovem moça disse.

— Olha, eu não vou afastar você da convivência de minha filha. Eu pude notar que ela te adora e você, claramente, sente o mesmo com relação a ela. Mas será mais fácil para eu conquistá-la se ela viver comigo.

— Eu entendo perfeitamente, capitã Beckett. E, de certa forma, isso é bom... – ela comentou meio sem jeito, esticou o braço e pegou a carta de aprovação que recebera há poucos minutos, entregando-a para Kate. – Eu acabei de receber a confirmação de que fui aprovada em uma universidade e precisarei me mudar para Cambridge até o final da semana para organizar tudo.

— Uau, isso é fantástico.

— Sim. Eu sentirei muita falta daquela baixinha, mas esse é meu sonho. Eu batalhei a vida toda por isso e, bem, eu sei que ela ficará em ótimas mãos. Sofia precisa da mãe dela.

Beckett sorriu em agradecimento para a moça, que continuou sua fala.

"Ela pode aparentar resistência quanto à senhora, capitã, mas Sofia apenas está assustada com toda essa história. O doutor Davidson, como a senhora deve saber, sempre foi ausente na vida dela e, nos poucos momentos em que ele vinha fazer uma visita, ela se agarrava a ele. E, com relação à senhora, foi minha culpa ela ter reagido da forma que reagiu, eu deveria ter permanecido dentro daquele táxi, assim ela não teria visto o pai sendo algemado e não sentiria medo da senhora".

— Oh, não se culpe, por favor. Nós sabemos quem é o culpado de tudo isso. No final, tudo acabará bem

As duas trocaram mais algumas palavras e, antes de partir, Kate pediu à moça que conversasse com Sofia sobre sua mudança, mas sem mencionar que ela era sua mãe. Queria contar à menina por conta própria. Hermione acatou e elas se despediram.

Pouco tempo depois ela adentrava o loft, correu os olhos pela sala em busca de Castle, mas se deparou apenas com o vazio do local. Imaginou que ele poderia estar em seu escritório, e direcionou-se para lá. Bingo. Lá estava ele enterrado na poltrona com um copo de Uísque em mãos. Péssimo sinal. Com cautela, ela se aproximou do marido e fez-se presente. "Oi", disse um pouco receosa, mas não obteve resposta. "Rick, está me ouvindo?" Nada novamente, ele sequer se dignou a olhá-la.

Tentou mais uma vez.

— Quero conversar com você, será que pode pelo menos se virar para mim?

— Conversar o que, Beckett? – o tom ríspido na voz do homem a deixou alarmada. Não conseguia nem imaginar o que poderia ter acontecido para que ele ficasse daquele jeito.

— O que houve, Rick?

— Nada.

— Nada? Castle, eu estou aqui tentando começar um diálogo e você não faz o menor esforço para cooperar.

— E por que eu deveria?

Aquela atitude começara a tirar a capitã do sério. Detestava quando o marido agia feito uma criança mimada. Passou os dedos nas têmporas e respirou fundo, não poderia perder a calma.

— Eu ouvi o que você disse, Beckett.

Oh, finalmente uma resposta. Sem muito sentido, é claro, mas já estavam avançando. Ela resolveu esperar que ele dissesse algo mais.

"Com Josh.", ele revelou por fim. "Ouvi quando você disse que o melhor para Sofia era ter o pai e a mãe juntos.", ele olhou para ela e continuou: – Sabe o que mais me magoa nisso tudo? É que você sequer cogitou me comunicar que vinha tendo esses pensamentos.

— Rick... – ela tentou explicar que era tudo um mal entendido, mas ele não permitiu e continuou acusando-a.

"Eu não ia brigar, Kate. É claro que iria ficar magoado, e muito. Mas eu respeitaria sua decisão. Agora, esconder de mim uma coisa dessas? É o nosso casamento, Beckett. Será que todos esses anos não significaram nada para você?".

— Castle, quer calar essa boca? – ela teve que alterar sua voz para fazê-lo cessar, mas isso apenas o enfureceu mais.

O escritor avançou sobre a mulher e, à medida que ele se aproximava, ela se afastava, até que sentiu as costas baterem contra a estante de livros. A capitã ficou presa entre ele e o móvel, a respiração quente e enfurecida de seu marido soprava em sua face. Droga, porque ele tinha que se aproximar tanto? Aquilo a estava desconsertando e ela só conseguia fitar a boca de seu homem próxima à sua.

— Qual é o problema, Beckett?

— Cas... eu... você não... – ela não conseguia concluir seu raciocínio com a proximidade dele, o calor do corpo de Castle junto ao seu já começava a amolecer-lhe as pernas, e o hálito quente, com um leve aroma de Uísque, não estava ajudando em nada também. – Errado. Você... entendeu tudo... errado. – ela disse quase ofegante.

Ele notou o estado dela, a boca entreaberta e os olhos famintos. Ela o encarava com um desejo explícito. Seu corpo também começava a reagir a ela. As brigas do casal sempre tinham um fim propenso e ele sabia que dessa vez não seria diferente. Mas ainda não era a hora de ceder.

— O que quer dizer com isso, Kate?

— Aquilo que você ouviu. – enfim ela conseguiu se concentrar e formular uma frase descente. – Era a você que eu estava me referindo quando disse "pai". Você é o pai de Sofia, Rick.

Eles se encararam por alguns segundos. Castle absorvendo o que a esposa havia falado e ela esperando alguma reação dele.

— Eu deveria ser menos impulsivo. – ele comentou em um sussurro, sem afastar-se um centímetro dela.

— Sim.

— Mas ainda estou com raiva.

— De mim? – ela questionou, esforçando-se ao máximo para prestar atenção ao que ele dizia e tentando afastar os pensamentos impuros que aquela distância de milímetros a estava causando.

— Não. – O escritor esbravejou. – De mim, dessa situação e, principalmente, daquele cara. Eu tenho vontade de socá-lo, Kate.

— Sabe, a gente pode arrumar outra forma de extravasar essa sua raiva. – ela comentou ao notar que conseguira fazê-lo compreender o que havia acontecido mais cedo.

Castle a encarou e ela fixou seu olhar, mordendo os lábios de forma maliciosa enquanto deixava seus finos dedos passearem pelo peitoral do marido, descendo de encontro ao cós de sua calça. Aquela provocação terminara por tirar o pouco de juízo que ele ainda tinha. O homem avançou sobre os lábios de sua esposa beijando-a com paixão. As mãos fortes apertaram a cintura da mulher arrancando-lhe um gemido.

Apenas cessaram o beijo para recuperar o ar.

Rick desceu com os lábios para o pescoço da capitã e cravou seus dentes ali. O doce aroma inundou-lhe as narinas e ele disse em um tom provocativo, "Eu não sei serei gentil". Ela respondeu com um novo gemido e o homem sentiu um aperto na virilha. Como ela conseguia fazê-lo perder a razão tão facilmente? Ele afastou um pouco seu corpo e, antes que ela pudesse reclamar, levou as duas mãos para a gola do vestido que ela usava e rasgou a roupa violentamente até a barra, revelando a bela silhueta feminina.

— Droga, Castle. Eu amava esse vestido.

— Depois eu te compro o estoque inteiro dele. – ela riu com o comentário e jogou-se nele, novamente colando seus lábios.

A temperatura dos dois começava a subir. As mãos de ambos passeavam pelos corpos arrancando as peças de roupas que cada um ainda vestia. Alguns livros foram ao chão quando Castle levantou Kate pelas coxas pressionando suas costas na estante e avançando desejosamente com a boca por toda a pele exposta à sua frente. Ela puxava os cabelos do marido, incentivando-o a não parar. Ele a carregou no colo até a cama e se jogou sem desgrudar os lábios dos dela. Já não havia mais pano que impedisse o contato total dos dois. O quarto do casal parecia ter ficado em chamas quando eles começaram a executar aquela dança corporal tão conhecida pelos dois.

Ah, se aquelas paredes pudessem falar!

Os raios de sol invadiram o quarto do casal. Eles dormiam pacificamente nos braços um do outro. A noite passada fora regada a carícias e palavras de amor, algumas decifráveis e outras nem tanto. Castle foi o primeiro a despertar, sentiu o peso do corpo da esposa em cima do seu e sorriu com a tranquilidade com a qual ela dormia.

Olhou para o relógio ao lado da cabeceira da cama e viu que já passava das sete horas. Beckett precisava acordar logo ou se atrasaria para chegar ao distrito.

Ele girou com a esposa pela cama delicadamente, trocando suas posições. Começou uma trilha de beijos que iniciou na clavícula e foi descendo pelo corpo ainda desnudo. Beckett sentiu as carícias do marido e soltou uma espécie de ronronar em aprovação. Os lábios do homem passaram pela barriga lisa, sendo seguidos pela língua levemente úmida. "Seu corpo nu é a melhor folha para se escrever poesia com a boca", ele sussurrou e ela sequer conseguiu responder, pois os lábios de Castle chegaram à parte interna da coxa dela e, sem mais delongas, ele se aventurou no íntimo dela, saboreando aquele que era seu gosto preferido. Kate soltou um gritinho de prazer e cravou as unhas nos lençóis de sua cama.

O celular começou a tocar, mas ela o ignorou. Quem quer que fosse, poderia esperar. As únicas vítimas com as quais ela tratava já haviam partido dessa para melhor, um pouco de atraso não faria mal a ninguém, não é mesmo?! Parecia que não, tão logo o toque cessara, já tornava a recomeçar. Ela esticou o braço para olhar quem ligava.

— Não atenda. – Rick falou ao notar a movimentação de sua mulher.

— É Esposito. Ele está... oh Deus... insistindo muito. – ela tentava se desvencilhar, mas o homem agarrado a seu corpo não dava trégua.

O telefone insistia em tocar e ela o segurou em mãos.

— Se você atender, terá que arcar com as consequências.

— Você não se atreveria.

— Vá em frente, então.

E ela o fez. Castle sorriu ao ouvi-la dizer "Oi, Espo". Adorava tirá-la dos eixos em situações nada apropriadas. Enterrou o rosto entre as pernas da mulher e recomeçou os movimentos com lábios, língua e dentes. Iria maltratá-la.

— Hummm, Espo, s-sim... ahn está... tudo bem... e-eu oh... te ligo mais tarde, Espo... o-kay? Siiiim... eu tenho que ir. Tchau.

Beckett até que tentou brigar com o marido, mas as sensações que ele a despertara eram boas demais para ela pensar em interrompê-lo. Que se dane. Ele podia colocá-la em maus lençóis desde que isso a levasse ao paraíso. E era exatamente esse o caso.

#

O restante da semana passou tão rápido quanto um flash de relâmpago. Castle e Beckett dedicaram seu tempo a organizar as coisas para a chegada de Sofia. Hermione havia ligado para a capitã informando-a que Sofia já estava ciente do ocorrido e concordara em mudar-se para o loft. Sem muita vontade, é claro. Mas a babá a prometera que viria correndo em sua busca, só era preciso telefonar.

Combinaram que no sábado pela manhã a menina seria entregue.

Era fim da tarde da sexta-feira. Beckett já havia retornado para casa e Castle fora ao supermercado reabastecer seu estoque de guloseimas, mesmo contra a vontade de Kate. Ela já desistira de dizer a ele que todo aquele excesso de doces que costumava consumir lhe faria um mal danado dali para frente, mas era Rick Castle, afinal. E ele nunca fora inclinado a obedecê-la em certas situações.

Kate estava na cozinha preparando o jantar do casal quando a campainha tocou. O porteiro do prédio permitira a entrada da senhorita Sproud sem interfonar, devido ao fato de Castle já ter lhe comunicado que ela viria.

— Oh, olá Hermione. – a mulher disse surpresa e notou que a moça estava acompanhada de Sofia e uma pequena mala.

Estranhou. O combinado era que a menina viesse somente no dia seguinte, mas não iria reclamar. O quanto antes tivesse sua filha com ela, melhor.

— Desculpe ter vindo antes do que combinamos, senhora Beckett, mas aconteceu um imprevisto e eu terei que partir hoje mesmo.

— Tudo bem, entrem. – ela disse, dando passagem para as duas. O olhar fixo no rosto de sua criança. Não se cansava de admirar a beleza angelical da garotinha.

— Eu só vim deixar Sofia, preciso ir logo. – dito isso, a moça se abaixou até a altura da menina e despediu-se. – Fique bem, Sof. E comporte-se. Eu vou morrer de saudades, minha lindinha. Eu te amo.

— Eu também, Mione. Muito.

— Qualquer coisa é só me ligar, tudo bem? – elas trocaram um forte abraço e a babá partiu.

A garotinha olhou temerosa para a capitã, que a conduziu até o sofá. Ela pegou a pequena mala e a colocou em um canto da sala. Precisava arrumar uma forma de tirar essa imagem de vilã que a filha lhe imputara. Aproximou-se cautelosa e se sentou ao lado da menina.

— Então, Sofia, o que achou da sua nova casa?

— Legal.

— Você quer dar uma volta para conhecê-la melhor?

— Não. – a menina disse simplesmente, mantendo os olhos fixos em seus pés.

— Por que não? – Beckett perguntou um tanto incomodada com a resistência que ela ainda apresentava.

— Porque logo o meu papai virá me buscar.

— Sinto muito, Sofia, mas seu pai não virá.

— Ele vem sim. Ele vai me tirar daqui, porque eu não quero ficar com você. As crianças precisam morar com os seus papais.

Aquelas palavras foram como um soco. Sofia ainda tinha esperanças de voltar para o pai. A capitã sabia que ela e Castle haviam combinado de ter essa conversa juntos, mas ela não aguentava mais aquela situação.

— Você vai viver aqui comigo e Castle. O meu marido, lembra-se dele?

— Isso é errado.

— Não, Sofia. Olha, eu vou te contar algo que fará você entender porque viverá comigo a partir de agora – Beckett puxou o ar, tentando encontrar as melhores palavras para o que iria dizer. – Josh alguma vez conversou com você sobre sua mãe?

A menina a encarou pela primeira vez e apenas acenou que sim com a cabeça. "Mas não muito", completou por fim.

— Bom... você mesma disse que as crianças devem morar com seus pais, certo? E é por isso que agora você ficará comigo, Sofia. Entende o quero dizer?

A garota permanecia com seus olhos vidrados em Kate, as lágrimas começaram a brotar. Ela havia entendido.

Você é a minha mamãe?

— Sim. – a mulher respondeu, puxando o ar, esperando pela reação de sua criança. Mas o que veio foi muito pior do que ela imaginava. Sofia pulou do sofá com as lágrimas escorrendo pela face e começou a acusá-la.

"Você me jogou fora. Você não me quis antes, então porque voltou agora?", os gritos infantis ecoavam pelo loft. "Eu não quero que você seja a minha mamãe. Eu já tenho meu papai e a Mione. Eu vou embora daqui".

Sofia disparou até a porta e se pôs para fora do loft, correndo pelos corredores até o elevador. Kate permaneceu estática por alguns segundos, sentindo uma dor imensurável em seu peito. Levantou-se apressada e aligeirou-se em busca da filha.

Notas finais
E então, o que acharam?