Notas iniciais
Pode parece meio confuso de início, mas os fatos ficarão mais claros no decorrer dos capítulos. Enjoy it ;)

O computador ligado em seu colo, a tela azul acesa e a frase "You should be writing" fixada nela. Richard Castle dormia serenamente na cadeira de seu escritório, com os pés apoiados em cima da mesa, até o momento em que um estrondo da porta batendo violentamente e uma voz gritando por seu nome o despertaram de maneira brusca, quase ocasionando um acidente com seu laptop.

Ele correu para sala e avistou sua esposa um tanto afobada indo a seu encontro, ela tinha em seu rosto um misto de expressões opostas: alegria, choque, desespero e alívio. Ele não conseguiu entender como alguém poderia sentir tudo isso de uma só vez, mas, bem, era de Katherine Beckett que se tratava, e ela nunca fora lá uma das pessoas mais comuns do mundo.

— Eu a vi, Rick. Eu a encontrei. – ela exclamou com a voz trêmula e alta, sorrindo e chorando ao mesmo tempo.

— Ok. – ele disse com uma expressão interrogativa em seu rosto, prolongando o "o" mais do que pretendia. – Poderia me explicar de quem estamos falando e por que você está assim tão agitada?

— Ela, Castle, eu encontrei Sofia. No shopping.

— So-Sofia?! Nossa Sofia? – ele exclamou em choque, compreendendo o motivo de todo aquele alvoroço causado por sua esposa. Ela havia visto a filha deles, mas... como?! Como ela sabia que se tratava de sua menininha? Ele a puxou pelo braço, conduzindo-os até o sofá e sentando-se junto a ela, olhando-a de forma a incentivar que continuasse lhe contando o que havia acontecido. E ela o fez.

­– Sim. Oh, Rick, eu tive vontade de trazê-la comigo, de abraçá-la e não soltá-la nunca mais. Mas eu... não pude, ela... – Kate começou a frase com entusiasmo, mas foi deixando a voz morrer com a lembrança de sua menina partindo para longe dela.

— Como você tem tanta certeza de que se trata de Sofia?

— Não tinha como negar, ela é exatamente igual a mim. E eu senti algo diferente quando a vi, uma ligação tão forte, Cas... e ela... ela estava acompanhada de Josh. Eu tive vontade de socá-lo. Eu o confrontei e ele sequer negou. Você tinha razão, foi ele quem a levou.

Castle se levantou do sofá de supetão, com uma expressão de fúria em seu rosto. A mão se fechando em punho com tanta força que deixou suas juntas brancas. Ele caminhou rapidamente para a porta, porém, antes que pudesse sair, Beckett entendeu o que ele pretendia e tratou de impedi-lo. Segurou seu marido com força pelo braço e o obrigou a voltar para o centro da sala.

— Você não pode fazer isso, Castle.

— O que... como não?! Kate, você acabou de me dizer que aquele bastardo está com a nossa menina!

— Sim, ele está. Mas o que você pretende? Chegar lá arrombando a porta dele e tirá-la a força de seus braços? Por Deus, Rick. Ela ficaria aterrorizada, sem contar que você poderia se meter em problemas com isso, é ilegal invadir a casa de uma pessoa sem autorização. Ele é o pai dela... ou, pelo menos, biologicamente ele é. Você não pode simplesmente acusar Josh de sequestro sem, ao menos, ter como provar isso.

Por fim, ele compreendeu o que Beckett dizia e se acalmou um pouco, voltando a sentar-se no sofá. A capitã o olhou com ternura e questionou se ele gostaria de ouvir como havia sido o encontro com sua pequena, Rick anuiu e ela sentou ao lado dele com um brilho no olhar ao lembrar-se do rostinho de sua menina. Finalmente ela havia descoberto como era seu rosto. Com um sorriso iluminado que há anos sua face desconhecia – mais precisamente, há três anos – Kate começou a narrar detalhadamente para seu marido o que tinha acontecido.

* flashback: 14:30 a.m., Center Shopping *

Após finalizar o almoço com Lanie, Kate se despediu da amiga e disse que ficaria um pouco mais para ver se encontrava um presente especial para Rick. Apesar de ainda carregar no peito o vazio pela perda de sua filha, ela percebeu que não poderia descuidar de seu casamento. Amava Rick com todas as forças que tinha, e quase jogara fora seu relacionamento no primeiro ano após o desaparecimento de Sofia.

Certa noite, ao se levantar para buscar um copo com água, ela notou que Castle não estava deitado ao seu lado na cama e decidiu procurá-lo pelo loft; a imagem que viu fez seu coração se partir em pedaços – se é que ainda lhe restava algum –, presenciou o escritor chorando sozinho na cozinha, com um copo de Uísque em mãos, lamentando-se pelo que seu – na época – noivado havia se tornado. Naquele momento, Beckett se deu conta de que estava descontando toda a sua tristeza, revolta e desespero, na pessoa que menos tinha culpa nessa história.

Ela andava distraída olhando as vitrines das lojas e pensando em qual presente poderia comprar para agradar seu marido, até que, de repente, sentiu alguém esbarrando em suas pernas. Ao olhar para baixo, avistou uma menininha de cabelos lisos com um tom castanho claro, olhos verdes e pele clara. Sentiu seu coração pular uma batida quando seus olhares fixaram-se um no outro, a semelhança entre elas chegava a ser assustadora. A criança sorriu timidamente e se desculpou por ter tropeçado nela e, então, ela ouviu uma voz masculina chamar pela garota. “Sofia”, ela tinha o nome de sua filha. Não era possível, só podia estar ficando louca. Ou talvez não, já que o homem que chamava pela garotinha era ninguém menos que Josh Davidson.

— Kate?! O que você faz aqui?

— Até onde eu sei, o shopping é um lugar público e eu posso andar por onde eu quiser.

— Claro. – ele sorriu nervosamente. – Foi bom te rever, mas nós já temos que ir. Vamos, filha.

— Ela é sua amiga, papai? – a garotinha questionou com uma voz doce, olhando diretamente para Kate com um lindo sorriso, o que fez o coração da capitã se derreter.

— Não é ninguém, filha. Vamos. – o médico segurou Sofia no colo, direcionando a Kate um olhar preocupado.

Ela estranhou aquela reação dele. Era certo que eles haviam rompido de forma brusca e nada amigável, mas isso não explicava o porquê de ele estar tentando esconder a filha dela. Não é como se ela fosse sofrer por saber que ele tinha seguido em frente, se casado e tido filhos. A menos que... não... mas seria possível?!

— Espera, Josh. Qual a idade da sua filha? – ela perguntou rapidamente, sem ao menos conseguir disfarçar o tom de ansiedade na voz. Mas não se preocupou, precisava confirmar suas suspeitas.

— Eu tenho assim, tia. – a menina se adiantou em responder, mostrando a mãozinha com três dedos levantados. Kate sentiu as pernas fraquejarem, e precisou apoiar seu braço na parede para que não desabasse ali mesmo. Ela o encarou com uma fúria no olhar que apenas deixava transparecer quando precisava ser a dura capitã Beckett.

— Como você teve a capacidade de fazer uma coisa dessas?!

— Sofia, sente-se ali naquele banquinho. O papai precisa resolver um assunto.

Ele colocou a garotinha no chão e ela se afastou, sentando-se no lugar indicado por Josh, segurando uma boneca de pano nas mãos. Kate a seguiu com o olhar, admirando a delicadeza daquela criança, da SUA criança.

— Aqui não é o lugar para tratar desse assunto, Beckett.

— Aqui não é o lugar? – ela voltou a direcionar o olhar para o médico, praticamente cuspindo as palavras com aspereza. – Você tem noção da monstruosidade que cometeu, de tudo o que me fez passar?! Eu só não arrasto você daqui a pontapés por causa dela. Mas essa história não vai ficar assim, Josh.

— Ela é minha, eu não poderia deixar que aquele escritorzinho a roubasse de mim também.

— Você é maluco. Você tirou a minha filha de mim e a escondeu por três anos. Fugiu para outro país levando embora o que eu tinha de mais valioso.

— Eu não fugi com ela para outro país.

— Eu procurei por você. – ela o interrompeu quase gritando. – Eu fui te contar o que tinha acontecido, fui pedir sua ajuda para encontrarmos minha filha. E você era o responsável por tudo aquilo.

— Ela ficou em Nova Iorque o tempo todo, Beckett. Eu viajo muito a trabalho e a deixo aqui sendo cuidada por uma babá.

A cada palavra que ele dizia o ódio dentro dela aumentava. Como se já não bastasse ele ter levado sua filha, ainda teve a indecência de abandoná-la sob os cuidados de uma estranha. Ele nunca quis a criança, apenas desejava puni-la arrancando de seus braços o seu bem mais precioso. Pura e fria vingança. Ela teria acabado com ele ali mesmo se sua filha não estivesse presente. Virou as costas e se apressou em chegar ao loft, precisava contar a Rick e tomar todas as medidas necessárias o mais rápido possível para recuperar Sofia. Antes que aquele desgraçado fugisse com seu bebê.

* flashback off *

Castle ouviu atentamente tudo o que a esposa lhe contou, maravilhando-se com a forma como ela descrevera Sofia e seus próprios sentimentos ao deparar-se com a pequena. Quando Kate chegou à parte do relato sobre o confronto com Josh, ele viu nascer um brilho de raiva nos olhos dela, e pode jurar que havia ficado da mesma forma só em ouvi-la. A vontade de correr até aquele homem e acabar com sua vida com as próprias mãos aumentou quase que em cem por cento, mas ele se conteve. Sabia que precisariam agir com cautela e nos moldes da lei. Afinal, sua esposa sempre fora adepta da justiça, por mais que o ódio corresse por suas veias ao presenciar as barbaridades que o ser humano era capaz de cometer.

— Como agiremos agora, amor? O que faremos para recuperar Sofia?

— Bom, precisamos primeiro comprovar que ela é minha filha, e conseguir uma ordem judicial que impeça Josh de ir embora com ela. Depois, precisamos dar entrada em uma Ação de Modificação de Guarda para que eu consiga ter Sofia conosco, não pretendo deixar nossa filha com aquele monstro um segundo mais.

— Isso pode ser demorado.

— Eu sei, mas... eu pensei em usar do meu poder como capitã e, bem, dos seus recursos financeiros, para que consigamos agilizar o processo.

— Capitã Kate Beckett usando de benefícios para burlar a lei?! Jamais pensei que viveria para presenciar isso.

Castle brincou com ela, tentando amenizar o clima pesado que se instalara. Eles ainda não tinham Sofia em casa, mas já poderiam comemorar a descoberta de seu paradeiro. Finalmente as coisas começaram a dar certo. Kate riu minimamente do comentário dele e lhe desferiu um leve soco no ombro. Já sentia o buraco em seu peito aliviar um pouco. Após três dolorosos anos de busca, ela, enfim, havia encontrado sua filha.

E faria tudo o que estivesse ao seu alcance – e até além, se preciso fosse – para tê-la de volta.

Notas finais
Comentem, por favor :)