Ficarei Ao Seu Lado

6 Nada é Tão Fácil


Notas iniciais
Oiiii amores, olha eu aqui de novo. Mil perdões pela demora, que vem ficando cada vez mais frequente. Final de curso é assim mesmo ¬¬ meu semestre ta uma loucura, mas eu vou dar um jeito de conciliar tudo. Enfim, espero que gostem :) Obg pela ajuda, Janoca. Como sempre. Amo-te.

*POV Beckett *

Eu estava nervosa. Sentia todo o meu corpo tremer e uma enorme vontade de chorar, tamanha era a ansiedade que me dominava. Josh conseguira responder em liberdade, e se ele conseguisse também a guarda de Sofia?! Eu não suporto perder minha criança mais uma vez. Ele fugirá com ela, eu tenho certeza que sim, e não sei se terei capacidade para reencontrá-la – mais uma vez.

Henry me dava algumas dicas que eu não prestava atenção, tinha todo o meu pensamento voltado para o desejo de ter Sofia comigo.

A juíza Moody entrou na sala de audiência e eu tive que tirar forças sabe-se lá de onde para me colocar de pé como todos os outros, minhas pernas pareciam mais dois pares de "gelecas" que iriam derreter a qualquer momento.

Deu-se início a um falatório que eu sequer escutava, as vozes pareciam ecos em minha cabeça. Ecos bem distantes. Eu sentia meu coração disparar mais e mais a cada minuto que se passava. Henry me disse algumas coisas sobre conciliação e eu apenas meneei a cabeça, só queria ouvir o veredicto da doutora Moody.

E, então, ela disse. Chamou nossos nomes, meu e de Josh, e anunciou sua decisão.

"Ante os fatos aqui expostos e, considerando que o Sr. Davidson, ainda que em liberdade, esteja respondendo a um processo no qual é acusado de, supostamente, ter sequestrado a própria filha, creio que a melhor solução para o momento é que Sofia Davidson permaneça sob os cuidados da mãe, a capitã Katherine Beckett e, consequentemente, que esta passe a ser a detentora da guarda da criança."

Meu Deus, é isso mesmo?! Eu ouvi certo? Ela ficará comigo, Sofia ficará comigo! Eu queria gritar de alegria, queria correr para casa e abraçar minha filha. Queria contar a Castle que nosso bebê voltaria para o nosso lado.

— No entanto, capitã – a magistrada recomeçou a falar olhando diretamente para mim, e o tom usado por ela não me agradou em nada. O que será que vinha por aí?! – Eu gostaria de marcar uma audiência para a próxima semana para escutar Sofia Davidson.

Espera um pouco. Ela quer mesmo que a minha filha de pouco menos de quatro anos decida o que é melhor para ela? Eu a lancei um olhar interrogativo e ela pareceu escutar o que eu pensava.

— Isso não significa que ela terá a palavra final. Apenas, nesses casos, é importante tomar conhecimento do desejo da criança.

— Compreendo, excelência.

Henry acertou os detalhes para a próxima semana e todos nós fomos dispensados. Finalmente eu poderia ir para casa tranquila. Hoje, mais que qualquer outro dia, eu queria segurar minha Sofia nos braços e enchê-la de carinho.

*POV Beckett off*

Henry combinou com Kate de se encontrarem um dia antes da audiência de terça-feira, queria conversar com Sofia em particular e certificar-se do que a garota poderia dizer perante a juíza.

Despediram-se e seguiram para fora do fórum. Josh aguardava a capitã próximo à saída e, assim que viu Henry afastar-se, puxou-a pelo braço arrastando-a consigo para um lugar onde não pudessem ser ouvidos.

— Solte-me, seu imbecil. – Beckett disse com firmeza ao desvencilhar-se do apertão em seu braço – O que pensa que está fazendo?

— Será que nós podemos conversar?

— Não tenho nada para tratar com você e, só para deixar claro, uma das condições para a sua provisória é que mantenha distância da vítima. Portanto, não ouse se aproximar de mim e, muito menos, da minha filha.

— Nossa filha, Kate.

— Ela nunca foi e nunca será sua filha. Nem quando você a tinha em sua companhia se dispôs a cuidar dela e ser um pai de verdade.

— Beckett...

— Eu já avisei, – ela disse, interrompendo-o – fique longe de Sofia ou eu mesma tratarei de jogar você, permanentemente, atrás das grades.

— Podemos fazer um acordo?

Josh esperou por uma resposta, mas, como não obteve, continuou sua fala.

"Eu prometo não me meter mais entre vocês duas, Sofia e você, e você retira a acusação de sequestro contra mim. Eu até te ajudo a ter a confiança de nossa filha, soube que não tem sido fácil a relação entre vocês. E então, temos um acordo?"

A capitã fixou o olhar no homem à sua frente, incrédula. Depois de tudo o que aconteceu, ele realmente achava que poderia sugerir algo desse tipo a ela?! Inacreditável.

Beckett soltou um riso debochado e falou, virando as costas, já se afastando dele.

— Vá para o inferno, doutor Davidson.

Ela pronunciou o nome do médico com certo asco, e seguiu seu caminho para o loft. Definitivamente, precisava conversar com Castle.

#

— Rick! – Kate chegou ao loft já chamando pelo marido.

— Cozinha.

O escritor respondeu do outro lado da casa e ela seguiu o som da voz quase correndo para encontrá-lo.

"Nós conseguimos", ela exclamou com entusiasmo, pulando nos braços do escritor e abraçando-o com força. Ele logo entendeu a que ela se referia e retribuiu o abraço. Ambos com sorrisos iluminados em sua face.

Beckett se soltou dos braços dele e o puxou para que pudessem se sentar. Começou a contar detalhadamente como havia sido a audiência e explicou que precisaria levar a filha consigo na próxima semana para que ela fosse ouvida em juízo. Após colocar Rick a par da situação, questionou sobre onde Sofia estava.

"Ela está no quarto, disse que queria arrumá-lo a seu modo", Castle lhe informou rindo com a lembrança da forma que a menina havia lhe falado aquilo. A capitã lhe deu um beijo rápido nos lábios e seguiu para o quarto da filha. Ela também precisaria saber do resultado da audiência.

— Oi. – Kate saudou timidamente, abrindo a porta do quarto de Sofia.

A menina estava sentada em cima da cama, bem no centro, com as perninhas cruzadas e um livro aberto à sua frente. Ela lançou um pequeno sorriso para a mãe e respondeu com um "oi, Kate".

— O que está lendo?

— O Pequeno Príncipe. Foi a Mione quem me deu. Ela o lia para mim todas as noites. Ela disse que quando eu for um pouco mais velha, eu deveria ler de novo. E, mais outra vez, quando eu for adulta.

— Ah é? – Kate disse se aproximando, e sentou-se na beirada na cama.

— Sim. Ela disse que eu entenderia de formas diferentes.

— E o que você está entendendo dele agora?

— Quase nada. – ela confessou, sorrindo para a mulher. – Mas Mione me explicou algumas coisas já.

A capitã soltou uma leve risada. Tanto pelo que a menina havia falado quanto pela repentina interação. Sofia estava excepcionalmente comunicativa esta manhã. Ela esperava que a informação que iria lhe passar não mudasse seu comportamento.

— Sofia, eu quero conversar com você. – Kate disse de forma séria, mas com docilidade na voz. A menina fechou o livro e olhou para a mulher à sua frente, indicando que prestaria total atenção. Kate, então, continuou.

"Você deve saber que hoje eu e... Josh... nos encontramos com a juíza para saber com quem você ficará. Lembra-se que te contei sobre isso?", Sofia concordou. "Então, foi decidido que você ficará aqui em casa, com Rick e eu. E, na semana que vem, vai haver outra reunião com essa mesma juíza e você precisará ir comigo".

— Por quê?

— Ela quer saber o que você pensa sobre essa situação.

— Ah. – a criança disse simplesmente.

Kate respirou fundo, tentando conter o choro que começava a se formar. Ela não conseguia evitar sentir uma angústia no peito todas as vezes que havia iminência de perder sua menina.

"Sofia", ela recomeçou, atraindo a atenção da filha novamente. "Se você preferir voltar para a casa do Josh, e-eu... eu não vou impedir você". Kate puxou o ar mais uma vez, e deixou as lágrimas escorrerem por sua face.

Não queria que sua garotinha a visse chorando, mas era inevitável devido ao buraco que se formava em seu peito. Sofia sentiu uma enorme compaixão pela mulher à sua frente, ela não era uma pessoa má, e estava fazendo de tudo para ter o seu carinho.

Ela conseguia ver isso.

Sofia aproximou-se de Kate e passou os dedinhos na face da mulher, limpando seu pranto.

— Por que você está chorando, Kate?

Ela respirou fundo, mais uma vez, e disse num tom doce, olhando para o livro e depois para a garotinha.

— "A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar".

Em um rápido impulso, Sofia deu um beijo na bochecha da mãe. Mas, ao dar-se conta do que havia feito, afastou-se e voltou para o centro da cama. Kate a olhou com surpresa, sentindo seu coração encher-se de alegria com a atitude da menina.

Ela abaixou a cabeça, segurando o livro em suas mãozinhas e disse para a mãe, acalmando-a ainda mais.

— Eu não vou voltar para a casa do meu pai, Kate.

— Não vai?

— Um-m. Não vou. "A gente se torna eternamente responsável por aquilo que cativa".

Sofia levantou a cabeça e sorriu timidamente para Kate.

"EU JÁ DISSE PARA VOCÊ IR EMBORA DAQUI", elas ouviram Castle gritar da sala. Parecia discutir com alguém.

— É o tio Rick?

— Sim. Sofia, fique aqui no quarto. Eu vou ver o que está acontecendo.

— Tudo bem.

Kate saiu apressada do cômodo e foi em direção aos gritos do marido. Com quem ele discutia daquela forma?!

Assim que chegou ao centro da sala, obteve sua resposta. O que aquele projeto de ser humano fazia em sua casa? Ela já o havia alertado sobre ficar longe de sua família. Ele realmente não tinha senso. A capitã deixou que a raiva a dominasse e partiu para cima de Josh, agarrando-o pela gola de sua camisa e chocando-o contra a parede.

Castle a olhou assustado, não havia percebido que a esposa viera ao encontro deles. Beckett pressionava o homem contra a parede e ele, em contrapartida, tinha um sorriso debochado em sua face, como se zombasse dela. E aquilo a enfureceu ainda mais.

— Eu já mandei você ficar longe da minha casa!

— Kate, acalme-se. – Rick tentava apaziguar a situação, temendo pelo que a esposa pudesse fazer e, principalmente, temendo que Sofia chegasse e presenciasse tudo aquilo.

— Castle, se afasta! – ela exclamou, apenas lançando um olhar ao marido. – O que diabos você pretende?

— Eu apenas quero falar com minha filha.

— Sofia não é sua filha! E você não tem nada para falar com ela. Você realmente acha que eu vou permitir que você se aproxime novamente da minha filha?!

— Kate?! Papai!

Droga. Castle pensou.

A garotinha ouviu os gritos de Castle serem substituídos pelos da mãe, e resolveu ir até onde eles estavam. Não aguentava ficar no quarto sem saber o porquê de toda aquela confusão.

Assim que Sofia pôs os olhos em Kate agarrando Josh e mantendo-o preso entre ela e a parede, a sensação de medo e raiva que sentira dela dias atrás voltou.

A capitã gelou ao escutar a voz de sua filha chamando-a e, imediatamente, soltou Josh. Por que ela sempre tinha que ser vista como a vilã? Ambas se miraram e Kate pode ver a decepção nos olhos da garotinha parada ao centro da sala.

"Sofia", o médico disse e abriu os braços, convidando a menina a se aproximar.

A garotinha foi em direção a ele, mas Kate a impediu, indo de encontro a ela e segurando-a em seu colo, antes que ela se aproximasse do pai. Ela se debateu nos braços da mulher na tentativa de soltar-se, mas foi segurada com mais força ainda.

Beckett sabia que Sofia iria detestá-la por isso, mas não permitiria que aquele homem chegasse perto dela de novo. Depois ela daria um jeito de amenizar a raiva da filha.

— Castle, leve Sofia para dentro.

— Não. – A menina protestou, agitando-se ainda mais.

— Kate…

— Agora, Castle. Por favor. – Ela o cortou, não querendo ouvir qualquer sentença que a fizesse mudar de ideia e permitir Sofia de se aproximar de Josh.

Rick fez o que ela pediu e levou a garotinha, já chorosa, em seus braços para o quarto. A capitã direcionou um olhar duro ao homem que ainda estava parado na entrada do loft. Ele parecia se divertir com toda a confusão que havia causado apenas com sua presença ali.

— Agora eu vou embora. – o médico, por fim, falou, arrumando a gola de sua camisa e sorrindo para Kate.

Ela fechou a porta violentamente, não pretendia perder nem mais um segundo com ele. Precisava ir atrás da filha e tentar limpar essa imagem que acabara de passar.

Droga. A gente estava indo tão bem. Ela pensava à medida que se aproximava do quarto da filha. Kate parou em frente à porta ao ouvir as vozes de seu marido e de Sofia.

— Vai ficar tudo bem, pequena.

— E se ela machucar meu pai, tio Rick?

— Sof...

Mas a menina o cortou, falando entre lágrimas.

— Eu não quero mais ficar aqui, eu tenho medo dela.

— Ela é sua mãe, Sof. Não há motivos para ter medo da Kate, ela jamais faria algo para machucar você.

— Ela acabou de fazer.

"Ótimo, Kate, você conseguiu regredir todos os passos que tinha avançado com sua filha. Parabéns.", ela disse para si mesma e foi para o quarto. Era melhor não falar com a filha naquele momento.

Meia hora depois, Castle havia conseguido acalmar um pouco a garotinha, e saiu em busca da esposa. Já estava virando uma rotina ser o intermediador daquelas duas cabeças duras.

Encontrou a capitã deitada no centro da cama, olhando fixamente para um determinado ponto do teto, como se aquele pedaço branco fosse a coisa mais interessante do mundo. Ele se aproximou devagar e deitou-se ao lado dela, direcionando seu olhar para o mesmo ponto que a mulher.

— Como ela está? – Beckett questionou após alguns minutos de silêncio.

— Mais tranquila. Ela ficou um pouco assustada com tudo o que aconteceu, mas está melhor agora.

— É, eu ouvi quando ela disse que tem medo de mim.

— Kate. – Castle chamou e esperou que a esposa o olhasse. – Ela não quis dizer aquilo, você sabe que...

— Não, Rick. Eu sei que ela quis dizer exatamente aquilo. Eu causo medo em minha própria filha. Por que eu sempre estrago tudo?

— Você não estragou nada, amor. Vocês duas precisam conversar direito, apenas isso.

— Eu nem sei como falar com ela, Cas.

— Ok. – ele disse, sentando-se na cama e puxando a esposa para que fizesse o mesmo – Vamos fingir que eu sou Sofia e, então, você fala para mim o que quer falar com ela.

— Castle, eu...

— Vamos, Kate. – ele a cortou e se ajeitou melhor na cama – Ah, eu não quero falar com você, você é muito malvada, Kate, só sabe bater nas pessoas e dar umas porradas muito bem dadas no meu papai quando eu estou presente. – ele disse afinando a voz e passando as mãos nos cabelos, olhando para ela de forma a indicar que era sua vez de começar a falar.

A capitã deu uma leve gargalhada e revirou os olhos para o marido, mas decidiu fazer o que ele dissera. Seria bom "praticar", digamos assim. Ela puxou o ar e disse, olhando para Castle.

"Sofia, eu só quero que você entenda que tudo isso que venho fazendo é para o seu próprio bem. Em momento algum eu quis machucar você ou fazer com que você sofra. Só o que tenho buscado é que você me aceite, que me dê uma oportunidade para eu te mostrar que não sou esse monstro que te fizeram acreditar. Eu só preciso de uma chance, minha pequena, apenas isso".

— Viu? Não foi tão difícil, agora você só precisa achar o momento certo e falar isso para ela.

— Nunca será o momento certo.

— É aí que você se engana, senhora Castle. Vem, vamos preparar algo para comer. – ele disse, levantando-se da cama e arrastando a mulher consigo para a cozinha.

Durante o almoço, apenas Castle conseguiu fazer com que Sofia interagisse. Kate achou melhor não forçar uma situação com a menina e, logo que terminaram a refeição, ela anunciou que passaria o restante do dia na delegacia e voltaria tarde. Tinha muito trabalho burocrático atrasado para por em dia.

#

Beckett saiu logo cedo pela manhã, pretendia voltar em casa para poder levar a filha ao "primeiro" dia de aula. Já tinha uma semana que ela não ia à escola. A capitã já havia tomado todas as providências e conversado com a diretora do colégio para explicar a situação. Achou melhor permanecer com a filha no mesmo colégio que ela já frequentava, não seria justo afastá-la do convívio dos amigos que fizera.

Castle e a garotinha fizeram o desjejum juntos, e o escritor aproveitou para contá-la a "novidade" de voltar para a escola. Sofia ficou bastante entusiasmada ao saber que voltaria para seu colégio, já estava sentido falta das professoras e dos colegas.

Ele a ajudou a se arrumar para a aula, após limparem a bagunça da cozinha e assistirem – mais uma vez – uma breve sessão de filmes das princesas, e informou que Kate iria levá-la. A ideia não a agradou muito, mas a garotinha não reclamou.

Pouco tempo depois a capitã chegou a casa e as duas saíram de mãos dadas.

O primeiro dia foi um pouco estranho para ambas, Kate tentava puxar assunto e a criança a respondia com breves palavras. Entretanto, no decorrer da semana, Sofia voltou a se abrir mais para a mãe e as duas seguiam o caminho conversando animadamente.

O casal se dividia entre levar e buscar a menina. A volta para casa ficara sob responsabilidade de Castle, e as idas eram sempre com a capitã.

Porém, uma coisa acabou passando despercebida pelos dois, uma figura masculina atrás das árvores que também se fizera presente durante toda a semana na entrada e saída da pequena no colégio.

Joshua Davidson.

No decorrer da semana o médico vigiara de perto a nova rotina da família. Passou a semana cronometrando a hora em que Castle chegava para buscar a menina a fim de não cometer nenhum deslize quando a hora certa chegasse.

* Terça-feira, 17:30 p.m. *

Ele tinha exatos vinte minutos para conseguir entrar na escola e convencer a cuidadora a deixá-lo falar com a filha. Todos do colégio já o conheciam e Josh contava com esse coeficiente para conseguir se aproximar da garotinha.

Rapidamente ele conseguiu passar pelo porteiro e foram precisos apenas poucos minutos de conversa para que a professora atendesse ao apelo de "um pai desesperado de saudades da filha".

— Oi, baixinha. – ele disse, sentando-se ao lado da filha.

— Papai!

Sofia exclamou com alegria e se jogou nos braços de Josh, abraçando-o com força.

— O que veio fazer aqui, papai? Eu pensei que a Kate não deixava a gente se ver.

— E ela realmente não deixa, mas eu dei o meu jeito. Estava com saudades de você e não iria deixar que ela nos afastasse como vem tentando fazer.

— Kate é legal, papai. – a menina disse, lembrando-se da semana que passou com a mãe e de como ela vinha se esforçando para deixá-la o mais confortável possível.

"É... Sofia, eu fui informado de que amanhã você irá com Kate ver a juíza", ele começou, tinha pouco tempo até que Castle chegasse. A criança meneou a cabeça concordando. "Ela te fará algumas perguntas e, dentre elas, ela vai pedir que você fale com quem gostaria de viver".

—Eu sei, papai. Kate já me explicou.

O médico sentou a filha em seu colo e questionou diretamente, enquanto afagava-lhe os cabelos.

"Você não gostaria de voltar para a casa do papai?", Sofia o olhou, pensativa, e sorriu timidamente para o pai.

Era certo que sentia muita falta dele, mas já estava se acostumando com Kate e Rick. Sentia-se bem com os dois, e a ideia de ter uma mãe começava a agradá-la. Vendo que ela relutava na resposta, Josh continuou.

"Tudo voltará a ser como antes. Você, eu, Mione. Eu te levarei comigo nas viagens que faço, levarei as duas comigo. Você só precisa dizer que quer voltar para nossa casa."

— Eu sinto sua falta, papai. E da Mione também.

— Então diga isso amanhã, e nós poderemos ficar juntos novamente.

— Mas e a Kate?

— Se nós vivermos juntos, eu não proibirei você de vê-la, como ela fez com a gente.

O médico olhou no relógio que tinha em seu pulso e percebeu que Castle logo chegaria para buscar Sofia. Despediu-se rapidamente da criança e pediu que ela não contasse a ninguém sobre a visita que ele havia feito.

Sofia foi todo o caminho de volta para casa bastante quieta, situação essa que Castle estranhou. Ela era sempre falante e contava em detalhes como havia sido o dia na escola e o que aprendera.

Entretanto, ele achou melhor deixar que ela falasse por si só. Poderia ser apenas o efeito do dia de amanhã. Mesmo sendo tão nova, ele sabia que a garotinha entendia a complexidade do que estava vivendo.

O jantar não foi diferente, Sofia estava apática e totalmente alheia às tentativas dos pais de manterem um diálogo com ela. Assim que terminou de comer, ela anunciou que ia dormir.

Como de costume, Kate a levou até o quarto e a colocou para dormir.

— Aconteceu alguma coisa que você queira me contar, Sof? – Beckett questionou.

Por mais que soubesse que a menina só se abria quando se sentia à vontade para fazê-lo, ela não conseguiu simplesmente ignorar a mudança repentina de comportamento da filha e neutralizar a preocupação com o bem-estar da garotinha.

— Não, está tudo bem.

— Tem certeza? Você sabe que pode me falar qualquer coisa, não é?

A menina ficou um pouco pensativa, ponderando se devia ou não contar sobre a visita do pai. Achou melhor calar-se. Ainda tinha a lembrança da última vez em que a mãe o vira, não queria vê-la nervosa daquela forma novamente.

— Sim, Kate. Está tudo bem, por quê?

— Por nada. Boa noite, pequena. – ela disse cobrindo a filha e plantando um beijo em sua testa. – Bons sonhos e, qualquer coisa, você já sabe, é só...

— É só te chamar. – ela disse, completando a frase que a mãe vinha lhe dizendo todas as noites. – Eu sei. Boa noite, Kate.

A mulher sorriu e saiu do quarto, deixando a porta entreaberta.

Voltou para a cozinha e ajudou Castle a desfazer a mesa do jantar. Ainda estava cedo e os dois decidiram tirar aquele momento para namorarem um pouco e se curtirem apropriadamente. Já fazia um tempo que deixaram a parte "casal" de lado para se dedicarem exclusivamente à parte "pais".

Direcionaram-se ao quarto em meio a beijos e carícias, esforçando-se ao máximo para não fazerem qualquer barulho que pudesse acordar a filha.

Castle e Beckett dormiam tranquilamente nos braços um do outro, até que um grito infantil, com um leve tom de desespero, os acordou. Kate pulou rapidamente para fora da cama e correu em direção ao quarto de Sofia, sendo seguida de perto por Rick.

Ela entrou no quarto e viu a garotinha sentada na cama, com os olhos marejados e o rosto levemente molhado de suor.

— Sofia, o que houve?

— Kate. – a menina disse simplesmente, jogando-se nos braços da mulher e afundando o rostinho no vão de seu pescoço. – Eu tive um pesadelo.

— Oh, minha pequena. – a mulher exclamou, acalmando-se um pouco. – Shh... está tudo bem agora, eu estou aqui com você.

Dos males, o menor.

Ela olhou para Castle e moveu os lábios, dizendo para ele voltar para a cama que logo ela o encontraria. E assim ele o fez.

Sofia mantinha o rosto enfiado entre o pescoço e o ombro da mãe, o coração batendo acelerado e o corpo tremendo levemente. Kate a segurou nos braços e sentou-se com ela na poltrona que ainda era mantida no canto do quarto.

— Você quer me contar sobre esse sonho? – Sofia balançou a cabeça em negação e se aconchegou ainda mais no colo da mãe, inalando o aroma dos cabelos da mulher.

— É seu aquele cheiro. – ela exclamou com a voz baixa, um leve tom de surpresa.

— Qual cheiro?

— O cheiro doce que tem no meu tigre. Ele me acalma. E é o seu cheiro.

Beckett sorriu com a declaração da garotinha agarrada a seu tronco. Então o cheiro dela acalmava a filha. A cada instante aquela criança a fazia sentir um amor ainda maior, era algo inexplicável.

— Eu ainda estou com sono, mas tenho medo de dormir de novo.

— Não precisa, meu amor. Eu vou ficar aqui até que você durma, tudo bem?

— Uhum... Kate, você pode ler para mim? – ela disse apontando com o dedo indicador para o livro que a babá lia todas as noites.

A mulher sorriu e abriu o livro na página marcada, começando a leitura com sua voz aveludada, fazendo a filha ficar mais e mais relaxada a cada frase lida. Três páginas depois, Sofia ressonava no colo da mãe, tendo uma mecha do cabelo dela agarrada em sua mãozinha.

A capitã ainda ficou um tempo com a menina em seus braços, deliciando-se com aquele momento tão íntimo entre as duas.

#

Kate Beckett seguia pelos corredores do fórum com Sofia agarrada a sua mão direita, e de braços dados Castle em seu lado esquerdo.

Henry os aguardava para tratarem das possíveis perguntas que seriam direcionadas à menina. Após vagarosos minutos de conversa, eles foram chamados para entrarem na sala de audiência. Kate conseguiu permissão para ficar na sala, acompanhada de Rick, porém a entrada de Josh fora negada, apenas seu advogado estaria presente.

A cada pergunta a menina procurava o olhar da mãe, aquelas pessoas desconhecidas a estavam deixando assustada, mas a presença de Kate ali a deixava menos tensa.

Por fim, após uma bateria de perguntas, a juíza levantou a alternativa que fez o coração de Beckett falhar uma batida.

— Essa é a última pergunta, Sofia. E eu preciso que você pense muito bem antes de me dar uma resposta, está bem? – a juíza Moody disse de forma carinhosa, procurando não pressionar a garotinha. – Se você pudesse escolher, você gostaria de permanecer na companhia de sua mãe, Katherine Beckett, ou optaria por voltar a viver com seu pai, Josh Davidson?

A menina olhou para a mulher e depois voltou seu olhar para a mãe, mordendo os lábios nervosamente. Beckett se remexeu na cadeira e Castle notou a inquietação da esposa. Segurou sua mão na dele, acalmando-a quase que instantaneamente.

"Vai dar tudo certo, amor", ele sussurrou no ouvido dela e deixou um beijo rápido em sua bochecha. Kate sorriu para o marido e voltou o olhar para sua menina.

Aquele silêncio a estava matando.

Notas finais
Fiz duas citações de O Pequeno Príncipe ;) amo esse livro Comenteeeem, por favor