Ficarei Ao Seu Lado

7 Montanha-russa


Notas iniciais
Oie amores, aí vai um capítulo recheado de fofura com Kate e Sof :) lembrem-se disso quando chegarem ao final da leitura. — Jana, obg pela ajuda (e que medo das ameaças). Te amo. E sim, o aniversário da Sofia é no mesmo dia que o seu, pode berrar hahah — Gabs, muuuuito obg pelo apoio e pelas palavras do outro dia, foram um enorme incentivo para mim ♥ E desculpem pela demora, mais uma vez. Semana de provas anda me matando.

Percebendo a apreensão em que a Sofia se encontrava, a juíza Moody quebrou parâmetros e levantou-se de seu lugar para se aproximar da menina.

— Você precisa de um tempo, querida? – ela questionou em voz baixa, porém nem tanto a ponto de impedir que os outros presentes na sala a ouvissem.

Sofia direcionou seu olhar para a magistrada e depois para Kate, que sorriu para a filha, encorajando-a.

– Não, está tudo bem. – a garotinha respondeu, mostrando, mais uma vez, uma coragem tão grande para alguém tão pequeno.

Rita Moody voltou para seu lugar e repetiu seu questionamento. Sofia respirou fundo e deu sua resposta olhando diretamente para a juíza, "Eu quero ficar com a minha mãe".

No instante em que ouviu aquela resposta, Beckett agarrou a mão do marido, olhando para ele com os olhos marejados e um enorme sorriso nos lábios. Castle devolveu o sorriso a ela, entendendo perfeitamente o porquê daquela reação.

Sofia, não só optara por permanecer no loft, como havia acabado de se referir a Beckett como "minha mãe". Era um enorme avanço, ainda que aquela resposta tenha sido meramente pela forma que Moody fizera a pergunta.

A audiência foi finalizada pouco tempo depois, após algumas considerações – que Kate não prestara a menor atenção – feitas por Rita Moody. Tudo o que a capitã conseguia pensar era em dar o fora dali com a filha nos braços e enchê-la de carinho.

Mesmo que Castle e os amigos tivessem lhe falado que tudo daria certo e que a filha a escolheria, Kate ainda tinha suas dúvidas. E não iria recriminar Sofia se sua opção tivesse sido Josh, ela ainda tinha na cabeça que era a culpada de tudo o que se passou nos últimos quatro anos.

Após serem liberados, os três passaram em um restaurante para almoçarem juntos e, logo em seguida, Castle deixou Kate na delegacia. A vontade de passar a tarde com a filha era enorme, mas ela sabia que tinha responsabilidades com o 12th, e muita papelada atrasada. Rick e Sofia se despediram de Kate e voltaram para o loft.

#

— Garota, um dia desses você ainda me mata. Estou falando sério. – Lanie exclamou, colocando a mão no peito.

Kate riu da reação da amiga e se levantou da maca em que estava sentada para lhe dar um abraço, dizendo: "Lanie, você trabalha com mortos, como pode se assustar assim?!".

– Exato, eu trabalho com mortos. Não espero ver ninguém vivo por aqui. – ela comentou retribuindo o abraço – Mas, então, o que a capitã deseja?

— Foi hoje a audiência. Lanie... ela quis ficar comigo. Ela disse que queria ficar comigo e ela... ela se referiu a mim como "minha mãe".

Kate contou sorrindo e voltando a sentir a mesma emoção que sentira pela manhã ao ouvir a voz de sua menina a chamando daquela forma.

"Ai, amiga, eu nem acredito!", a ME exclamou dando pulinhos de alegria e abraçando a capitã. "Eu sempre soube que a minha afilhada, uma hora ou outra, aceitaria você".

Ambas sentaram-se frente a frente e Kate começou a contar sobre a audiência e sobre como Sofia vinha se comportando com ela, abrindo-se aos poucos e a deixando aproximar-se cada vez mais.

A mulher estava radiante, jamais pensou que chegaria tão longe, que conseguiria encontrar a filha e que ela lhe abriria espaço.

– Eu ainda me impressiono com a fortaleza dessa menina. Ela é tão pequena, amiga, e tem uma força incrível.

– Eu também, Lanie. E, ao mesmo tempo em que isso me enche de orgulho, também me enche de pesar.

– Por quê? – a médica questionou sem entender o motivo daquela colocação.

— Toda essa maturidade que Sofia apresenta para uma criança da idade dela, é devido a tudo o que ela vem sendo obrigada a passar. E isso me parte o coração, Lanie.

— Ôh, amiga, entendo você. A nossa garotinha cresceu rápido demais.

— Sim. – Beckett meneou a cabeça e logo tratou de mudar de assunto, não era dia para tristezas. – Por falar nisso, no domingo será o aniversário dela, mas Castle tem uma viagem marcada para daqui há três dias, e nós decidimos comemorar antecipadamente. É a primeira vez que vou passar esse dia com ela.

Kate disse com os olhos brilhando e Lanie sorriu com a empolgação da amiga. Era tão bom ver aquela alegria voltar ao rosto da capitã, tudo estava regressando para o seu devido lugar. A conversa se prolongou um pouco mais até que Kate resolveu voltar para sua papelada infinita.

#

— Espo, Ryan, venham aqui, por favor. – Beckett chamou os dois de dentro de sua sala.

Assim que os rapazes entraram, ela fez sinal para que fechassem a porta.

"Como anda o caso de Josh?", ela perguntou de forma direta. Desde quando descobrira sobre o paradeiro de Sofia e o autor de seu sequestro, a capitã pediu aos dois que juntassem todas as provas possíveis para a condenação do médico.

Esposito começou falando: – Nós fomos ao hospital onde a pequena nasceu e conversamos com algumas enfermeiras que já trabalhavam lá naquela época, pedimos os nomes de todos que estavam de plantão naquele dia, e nos foi entregue essa lista.

O latino informou, mostrando um bloco de folhas que havia deixado na mesa da capitã pela manhã.

— Nós tentamos conversar com algumas dessas pessoas, mas ainda não tivemos muito sucesso. – Ryan comentou – Elas parecem temer algo.

— Josh me disse que havia agido sozinho.

Os dois trocaram um olhar ao ouvir Kate dizer isso. Ela continuou.

"Ele me disse que estava de plantão no dia e que viu meu nome na lista de pacientes, soube do nascimento de Sofia e passou a visitá-la todos os dias. Até que, um dia, aproveitando-se do atraso da enfermeira, ele resolveu levar minha filha".

— Kate – Ryan chamou a atenção da superior –, eu consegui conversar com a enfermeira responsável pela ala materna. A mesma que cuidou de Sofia. Josh não se aproveitou de um descuido dela. Ele deu causa a esse descuido.

— Como assim?

— Ela nos informou que havia notado a presença constante dele naquela ala, disse que achou estranho, pois aquela não era a especialidade dele. – Espo começou a explicar.

"Então ela decidiu perguntar se ele visitava alguma criança em especial, e ele informou que Sofia era sua filha. O nome da enfermeira é Astoria Greengrass. Ela disse que ele a contou sobre a história de vocês dois e, pelo resumo que ela fez, Josh contou apenas a versão dele".

— Uma versão completamente distorcida. – Ryan comentou e terminou de contar os fatos apresentados pela enfermeira Greengrass.

"Josh disse a ela que você o proibiu de fazer parte da vida de Sofia e que você pretendia fugir com ela e sumir da vida dele. Ela sentiu compaixão e deixou que ele ficasse alguns momentos a sós com ela, para ter seus poucos minutos de pai e filha. E foi em um desses momentos que ele decidiu levar Sofia".

Kate ouviu toda a história abismada, ele havia mentido para ela então. Ele a enganara mais uma vez, como ela foi burra de acreditar?! Não que aquela história contada anteriormente por Josh a tivesse feito recuar um milímetro que fosse de seu desígnio de recuperar Sofia e afastá-la daquele homem.

Mas, ainda assim, ele havia mentido para ela, ele tentara convencê-la a acreditar em uma história que pudesse ludibriá-la e fazê-la repensar suas pretensões. Isso a enfureceu ainda mais, ela, definitivamente, iria até o fim com esse processo.

Os rapazes lhe passaram mais algumas informações de avanços em sua busca, e se retiraram com ordens de não pararem até conseguirem todas as provas possíveis para que Josh apodrecesse em uma penitenciária.

#

Durante os próximos dois dias, Kate e Rick dividiram-se entre o 12th e a organização do aniversário de Sofia.

Beckett havia conversado com a filha e explicado que precisariam adiantar a comemoração de seu aniversário de quatro anos por causa de uma viagem que Castle faria. Prometera que no dia 26 as duas fariam um bolo juntas, para que o dia não passasse em branco, e chamariam tia Lanie e vovó Martha, e quem mais ela desejasse. A garotinha concordou de bom grado.

*Maio, 24 – paty day*

Todos estavam presentes na pequena comemoração: Ryan levara Jenny e a pequena Sarah Grace; Lanie juntamente com Javier; Martha e Evans, seu mais novo namorado e músico da escola de teatro; Alexis, que tirara um dia da faculdade para conhecer a irmãzinha e comemorar o primeiro aniversário com ela; Jim Beckett, que, enfim, conheceu sua netinha; alguns amiguinhos de Sofia da sua escola, acompanhados de seus pais; e, por fim, a professora da menina, senhorita Caridade Burbage, que tinha uma enorme afeição por ela.

Sofia estava radiante, sorria para todos os lados e até levou os amigos para mostrar seu novo quarto. Kate estava igualmente feliz, era a primeira vez que comemorava o aniversário da filha, e tudo estava saindo perfeito.

Alexis e Sofia ficaram encantadas uma pela outra, já se chamavam por "Sof" e "Lex", e a garotinha a apresentara a todos, absolutamente todos, como a "minha irmã". Ryan e Espo já eram seus "tios", assim como Lanie. E até Sarah Grace recebeu uma enxurrada de mimos da garotinha. Jim e Martha eram os perfeitos avós corujas, encheram a menina de presentes e chamego, e rapidamente ganharam o título de vovô e vovó.

Os adultos ficaram encantados pela docilidade de Sofia, e não paravam de parabenizar e comentar com Kate e Rick o quão encantadora sua filha era.

Beckett estava na cozinha reabastecendo as pequenas bandejas onde estavam sendo servidos os salgados quando avistou a filha ao canto conversando com Luna, sua melhor amiga – como a garotinha a informara – e Marcos, outro colega, até que uma coisa dita pelo menino lhe chamou a atenção.

"Sof, aquela é a sua mamãe?", Marcos perguntou indicando a direção em que a capitã se encontrava, que abaixou a cabeça fingindo não ouvir a conversa das três crianças.

"Sim, é ela".

Sofia confirmou. Então, Marcos riu inocentemente e fez uma observação que deixou a garotinha um tanto desconsertada, "Que engraçado você chamar a sua mãe pelo nome".

Sabendo que aquilo poderia chatear a filha, Kate anunciou aos presentes que chegara a hora de cantar os parabéns.

— Fica do meu lado? – Sofia pediu, sorrindo para Kate e segurando em seu braço, quando ela a colocou em cima de uma cadeira para alcançar o enorme bolo de quatro camadas.

— Claro, meu amor.

— Tio Rick, Lex, vem. – a menina esticou o braço chamando os dois, que rapidamente juntaram-se a ela e Kate, atrás da mesa do bolo.

Deu-se início à famosa canção, seguida de palmas.

Kate cortou o bolo e entregou o pratinho nas mãos da filha para que ela desse o primeiro pedaço a quem desejasse. A menina olhou para ela e depois para Castle, que sorriu em resposta e deu uma leve piscadela para a pequena. Sofia, então, virou-se novamente para Kate e depositou o prato em suas mãos, dizendo timidamente "é para você".

A capitã abriu novamente seu sorriso iluminado que era reservado apenas para sua filha. Com os olhos marejados, ela se inclinou depositando um beijo suave na bochecha da menina e roçou levemente a ponta de seu nariz no da filha.

Os outros pedaços de bolo foram distribuídos e, um tempo depois, os convidados foram se dispersando e indo embora para suas devidas casas.

Alexis perguntou a Kate e seu pai se poderia sair com Sofia um pouco, já que precisaria voltar ainda naquele dia para Colúmbia. Dada a permissão, ela e Martha levaram a pequena para um passeio no shopping, deixando Rick e Kate a sós no loft.

Castle foi com as três até a porta e deu um beijo em cada uma, alertando para terem cuidado e ligarem caso algo acontecesse. Voltou para a cozinha e encontrou Kate arrumando a bagunça que se formara com a comemoração. Sorrindo, ele se aproximou abraçando-a por trás e afastando uma mecha de seu cabelo para depositar um beijo em seu pescoço.

— Deixa isso aí, amor. Amanhã a faxineira vem e arruma tudo.

— Eu só quero deixar as coisas mais ou menos em seu lugar.

— Depois, Kate. – ele disse sussurrando em seu ouvido e passando levemente a língua por seu pescoço, causando arrepios na esposa. – Amanhã eu viajo, quero me despedir apropriadamente de você.

Dito isso, ele a virou para si e capturou seus lábios em um beijo avassalador, que a fez perder o chão. Não foram precisos mais argumentos, Kate largou tudo e se deixou levar pelo beijo. Quem ligava para bagunça?! Ela queria mesmo era curtir um momento nos braços de seu marido. Foram andando juntos para o quarto, deixando as peças de roupas pelo caminho e, em pouco tempo, tudo o que se ouvia eram os sons de prazer que o casal emitia.

#

Já tarde da noite, Castle e Beckett conversavam sobre o dia, abraçados em sua cama. Sofia já havia voltado de seu passeio e dormia em seu quarto.

— Ela estava tão feliz, Cas. Nem parecia aquela garotinha assustada e fechada dos primeiros dias.

— Eu te falei que tudo daria certo, amor. Era só uma questão de tempo.

— É... – ela ficou em silêncio alguns minutos, refletindo. – Eu ainda penso naquilo, no acidente.

— Kate, esquece isso. Aconteceu porque tinha que acontecer.

— Eu sei, Rick, mas não posso evitar essa chateação. – ela disse saindo dos braços do marido e sentando-se na cama.

Ele fez o mesmo.

— Foi como uma espécie de lição. – Castle disse, segurando as mãos dela.

— O que você quer dizer?

— Bom, depois daquilo você passou a pensar mais antes de tomar certas atitudes. Algumas coisas acontecem para que a gente aprenda com os erros.

Ela o encarou por um tempo, tentando absorver o que ele acabara de dizer. Kate, então, se lembrou do dia em que os dois discutiram após o desaparecimento de Sofia, das coisas que disseram um para o outro. Das coisas que ele dissera para ela. Ele a culpara pelo ocorrido e, desde então, ela não conseguia tirar aquela compunção de si.

— Você ainda me culpa. – ela disse baixo.

— O quê? – Rick questionou, realmente não entendera o que ela havia dito.

— Você realmente acha que eu merecia isso? Você acha que eu merecia perder a minha filha por quatro anos para aprender uma lição?!

— Não, Kate... – ele tentou dizer, mas ela o interrompeu.

— Eu ainda me lembro da nossa briga, Castle. Você ainda me culpa pelo sumiço da nossa filha. Você disse naquele dia que eu era a responsável por tudo aquilo, que se eu não tivesse sido inconsequente e ficado no 12th, nada daquilo teria acontecido.

— Kate, amor, não é nada disso. Você entendeu tudo errado.

— Não, Castle. – ela disse, levantando-se da cama e indo para a fora do quarto.

Castle levantou-se rapidamente e correu atrás dela, segurando-a pelo braço a fim de impedir que ela saísse.

— Eu quero ficar só.

— Kate...

Novamente ele tentou se explicar, mas ela tornou a interrompê-lo: – Não se preocupe, eu não vou sair de casa. Vou ficar no quarto de Sofia.

Ele ainda tentou argumentar e fazê-la escutar, mas ela se mostrou relutante e, por fim, o escritor decidiu soltá-la. Seria bom deixar que ela pensasse um pouco, ela veria por si só que tudo se tratara de um mal jogo de palavras.

Kate adentrou o quarto da filha pisando na ponta dos pés para não acordá-la. A menina dormia serenamente, ressonando. Ela puxou a coberta e deitou-se ao lado de Sofia. A movimentação a despertou e ela abriu os olhinhos dando de cara com a mãe.

— Kate? O que houve? – ela perguntou com a voz sonolenta.

— Nada, amor. Apenas tive vontade de dormir com você, posso?

— Claro. – a garotinha disse, já pegando no sono novamente, e passou os braços pelo tronco da mãe, recostando a cabeça no peito dela.

Kate sorriu e sentiu-se acalmar. Acariciou os cabelos da filha e plantou um beijo no topo da cabeça dela. Não tinha sono. Passou a pensar na pequena discussão que teve com o marido minutos atrás e percebeu que agiu de cabeça quente. Ele não falara nada por mal, afinal.

Pensou em voltar para seu quarto e se desculpar pela forma explosiva com a qual se portara, mas ter a filha aconchegada em seus braços estava bom demais. "Antes de ele sair para viajar, eu falo com ele", pensou e se ajeitou melhor na cama para tentar dormir.

Às quatro e meia o despertador do celular de Castle tocou, era hora de se levantar e se arrumar para a viagem. Tomou seu banho e levou as bagagens para a sala, depois foi ao quarto de Sofia despedir-se da esposa e da filha. Plantou um beijo na testa da menina e roçou suavemente seus lábios nos de sua mulher, as duas dormiam abraçadas e com um leve sorriso nos lábios. Uma cena adorável. Ele tirou o celular do bolso e fotografou aquele momento tão puro entre ambas.

Antes de sair, deixou um bilhete colado à geladeira com todas as instruções necessárias para Kate a respeito de Sofia. Não faria mal deixar uma pequena ajuda para a boa convivência delas, não é mesmo?!

Quase uma hora após a partida de Castle, Kate despertou. Olhou no relógio que ficava próximo à cabeceira da cama de Sofia e viu que já eram mais de cinco e meia da manhã. Droga, ele já se foi, ela pensou enquanto levantava-se da cama da filha. Foi para o quarto em busca de seu celular, talvez ainda conseguisse falar com ele e desejar uma boa viagem.

Era a primeira vez que Castle viajava após uma briga sem reconciliação. O telefone sequer tocou. Era tarde. Ele já devia estar dentro do avião.

"Tudo bem, assim que o avião pousar, eu ligo para ele", dizendo isso, ela foi para a cozinha preparar o café da manhã. No caminho, ainda de longe, viu um pedaço de papel colado à porta da geladeira.

Era a letra de Castle. Aproximou-se e tirou o bilhete para lê-lo. Ele havia deixado dicas de como lidar com Sofia e de como a garotinha preferia seu café da manhã. Sorriu com o gesto dele. Ao final, Rick deixara um recado amoroso:

"Fui ao quarto de nossa filha me despedir, vocês duas dormiam de uma forma encantadora. Tirei uma foto, depois te mostro. Desculpe-me pela forma com a qual eu falei com você ontem, eu não soube me expressar bem. Que irônico para um escritor, não?", ela riu com aquela colocação, e continuou a ler. "P.S.: esqueça os seus olhos nos meus. Eu te amo, always".

Always, ela disse em voz alta em resposta ao recado e, com um sorriso nos lábios, começou a preparar o desejum da filha, e o seu próprio, seguindo as instruções deixadas pelo marido.

#

— Muito bem, baby girl, pronta para ir? – Kate perguntou, ajeitando a filha no banco de trás do carro, ao centro, e colocando a mochila ao lado dela.

As duas passaram o final de semana na companhia de Lanie. Kate tentou entrar em contato com o marido por todo o tempo – após o horário que ela julgou ser suficiente para que o avião já tivesse pousado –, mas o celular sempre caía na caixa de mensagens.

O sentimento de desespero e impotência começara a tomar conta dela, então, ela chamou a amiga para lhe dar apoio. Ryan e Espo passaram todo o domingo buscando pistas de onde Castle poderia estar, mas não obtiveram sucesso.

Beckett entrou em contato com a empresa aérea na qual o marido viajara e foi informada de que haviam perdido o contato com avião. Depois de ouvirem gritos, ofensas e ordens de acelerarem com o processo de localização do avião, os responsáveis pela empresa começaram uma busca ainda mais árdua – vez que já vinham tomando as providências necessárias – pela aeronave perdida e seus passageiros.

Kate tentou não demonstrar seu real estado para sua garotinha, mas Sofia percebeu que ela estava preocupada e triste, e empenhou-se em tranquilizar a mãe pelos últimos dois dias.

As duas seguiam o caminho para a escola em silêncio. Kate tentava achar em sua mente uma nova forma de localizar Castle, até que a voz de Sofia chamando por ela a despertou.

— Kate – a mulher olhou para a filha pelo retrovisor do carro e sorriu, indicando que a escutava –, no dia da minha festinha o Marcos perguntou se você era a minha mamãe.

Ela começou de forma cautelosa, não sabia bem como perguntar aquilo.

— E então? – a capitã disse com docilidade, encorajando-a a continuar, já imaginando o que viria a seguir.

— Eu disse que sim e ele... ele riu da forma que eu te chamo. – ela disse baixo, mordendo os lábios nervosamente. – Kate, você fica chateada por eu te chamar assim?

Definitivamente, sua garotinha era especial. Como alguém de tão pouca idade poderia ser tão sensível assim a ponto de refletir sobre esse tipo de coisa?! O abandono dos pais realmente faz toda a diferença na personalidade da criança, mesmo que seja uma de tão pouca idade. Ela sentia seu coração em pedaços por saber que o amadurecimento precoce de seu bebê fora devido ao abandono de afeto paterno e, infelizmente, materno que ela sempre sofreu.

Kate estacionou o carro na porta do colégio da filha e tirou o próprio cinto de segurança, virando-se para trás a fim de olhar nos olhos da menina. Segurou o queixo de sua garotinha de forma delicada, fazendo com que ela a olhasse.

— Ôh, minha pequena, isso não faz tanta diferença assim. O que vale para mim é poder te ter por perto, é que você me deixe ser parte da sua vida e que me aceite.

— Então você não quer que eu te chame de mamãe?

— Não, princesa, não é isso. O que eu quis dizer é que as coisas acontecerão no seu tempo e, quando você se sentir pronta, me chamará de mãe. E eu vou saber esperar.

Sofia deu um sorriso de alívio e se inclinou para aproximar o seu rosto do da mãe, dando um beijo de esquimó. Aquilo havia se tornado um hábito das duas, e Kate amava cada vez que ela o fazia.

— Kate, tem mais uma coisa.

Sofia a olhou de forma preocupada, novamente mordiscando os lábios. Beckett conhecia bem aquela mania. Era um sinal de nervosismo. Ela esperou que a filha continuasse.

— O meu pai veio me visitar aqui na escola.

— Josh? – Kate perguntou, a raiva começando a dominá-la.

Apenas por ouvir o nome daquele traste seu estômago embrulhava, tamanho era o asco que sentia.

— Ele veio no dia que eu fui falar com a juíza, ele pediu para eu ficar com ele, porque ele sentia saudades. – a garotinha informou, tentando justificar a atitude do pai – Você não vai brigar com ele, não é?

— Sofia, você queria ter ido com ele?

— Não.

— Tem certeza? Meu amor, eu não vou ficar brava, pode me dizer.

— Sim, Kate. Eu gosto de ficar com você. Você cuida de mim quando tenho medo e fica sempre comigo.

A capitã sorriu com aquela colocação e plantou um beijo na testa da filha.

Saiu do carro e ajudou Sofia a sair também, arrumou seu uniforme e carregou a pequena mochila consigo.

Quando chegaram à porta do colégio, Kate se abaixou para ficar na altura da menina.

— Eu não vou brigar com Josh, não se preocupe. Mas você sabe que ele não pode te ver, não sabe? – a menina meneou a cabeça em concordância – Eu apenas cuidarei para que ele não venha mais, tudo bem?

— Tudo bem, Kate.

— Agora vá para sua aula, baby girl, mais tarde eu volto para te buscar.

#

Beckett chegou ao 12th já questionando a Esposito e Ryan se eles haviam encontrado algo a respeito de Castle. "Nada ainda, Kate", fora a resposta que recebeu. A mesma resposta que vinha recebendo desde sábado a noite.

Como se já não bastasse o desaparecimento do marido, agora tinha que cuidar daquele imbecil do Josh que não deixava sua garotinha em paz.

Tudo aquilo era demais para ela, precisava respirar ar puro.

Informou aos rapazes que iria para casa e não voltaria mais naquele dia. Pegou as chaves de seu carro e se apressou em sair dali.

Dirigiu por um bom tempo sem um destino certo, até parar naquele que era o lugar dos dois. Olhou para os balanços, ainda de dentro de seu carro, e respirou pesadamente. A ausência de informações acerca de Castle estava dilacerando seu peito. Ela sentia uma falta descomunal de seu marido, precisava encontrá-lo logo.

Kate ficou um tempo sentada no balanço que sempre era ocupado por Castle, pensando nos momentos que os dois compartilharam ali. Olhou para o relógio em seu pulso e viu que já estava quase na hora de buscar Sofia.

Voltou para seu carro e deu partida. Esperava que, pelo menos dessa vez, as coisas saíssem como planejara.

Bingo!

Cerca de vinte minutos após ela ter estacionado próxima à escola da filha, Kate avistou uma silhueta masculina aproximando-se dos portões. Ele conversou com o porteiro e apontou para Sofia, que saía de mãos dadas com a senhorita Burbage.

Beckett respirou fundo e foi em direção a Josh, andando em passos largos.

— Posso ajudar em algo, doutor Davidson?

O médico congelou ao reconhecer a dona daquela voz. O que diabos ela fazia ali?!

Notas finais
1. De acordo com as leis universais, é crime matar a escritora. 2. Fatos desconexos serão esclarecidos posteriormente. 3. Talvez eu demore um pouco (pouco mesmo) para postar o próximo capítulo. Comentemmmm, por favor.