Ficarei Ao Seu Lado
9 Advocatus Diaboli
Notas iniciais
Após aquele turbilhão de emoções que fora seu dia, tudo o que Kate Beckett desejava era deitar-se em sua cama e adormecer. Adormecer e se esquecer de toda essa bagunça que haviam sido esses dois últimos dias. Adormecer e só acordar quando tudo tivesse acabado.
Acordar. Essa era a palavra chave. Kate só queria acordar desse pesadelo.
O silêncio daquele quarto e o vazio ao seu lado na cama estavam causando um desconforto descomunal. Sabia que não conseguiria pregar os olhos, mas seu corpo pedia por uma trégua, e ficar naquele breu silente apenas dificultava seu descanso.
Por sorte, havia uma pequena habitante no loft que era capaz de tranquilizá-la apenas com o olhar. A capitã levantou-se de sua cama e foi em busca de seu doce refúgio. Pela terceira noite consecutiva Kate adentrava o quarto de sua pequena e deitava-se ao seu lado, buscando cessar o desconforto que a ausência de seu marido lhe causava.
— Kate? – Sofia chamou, sentindo aquela movimentação já conhecida em sua cama.
— Sou eu, pequena. – ela respondeu e sentiu a filha virar o corpo de encontro ao dela e passar os bracinhos em sua volta, recostando a cabeça em seu peito.
Kate sorriu e sentiu seu corpo relaxar. Poucos minutos depois, acabou sendo vencida pelo cansaço e adormeceu agarrada ao seu pequeno recanto de paz.
Eu sonhei com o seu beijo
Seu doce e calmo beijo...
— Kate? – a voz grossa e masculina chamou por ela – Kate, eu estou aqui. – ele disse novamente, e ela começou a despertar.
Seus lábios macios amoldaram-se aos meus
Seu gosto se apossou do meu interior...
— Castle? – a mulher perguntou com a voz rouca, ainda meio grogue pelo sono.
O homem à sua frente sorriu e afirmou agitando levemente a cabeça. Ele se aproximou e acariciou sua bochecha, e ela fechou os olhos sentindo aquele afago caloroso.
Eu sonhei com seu toque
Suas mãos passeando pela minha pele
Aquecendo-me, arrepiando-me...
— Por onde você andava? – Kate questionou olhando diretamente para aquela imensidão azul e brilhante à sua frente.
Castle sorriu novamente e disse calmamente, "Não importa, eu estou aqui agora".
— Eu senti a sua falta, Cas.
— Eu senti ainda mais, amor. – dizendo isto, ele aproximou seu rosto ao dela e selou seus lábios em um beijo repleto de amor, fazendo uma corrente elétrica passar por todo o corpo de sua mulher.
Eu senti o seu beijo
Eu senti o seu toque
Eu senti você...
Kate abriu os olhos lentamente e o sorriso que brotava em seus lábios desapareceu instantaneamente. Não havia ninguém ali. Castle não estava ali. Ele não havia voltado para casa, e ela ainda não sabia quando isso aconteceria.
Eu sonhei com o gosto do seu beijo.
Tudo não passara de um sonho. Ela olhou para o lado e viu o relógio marcando cinco horas da manhã. Ainda estava muito cedo. Decidiu permanecer deitada, não queria correr o risco de acordar Sofia caso tentasse levantar. A menina ainda estava agarrada a ela, com os braços e as pernas jogados em cima da mãe.
O celular começou a tocar e ela se apressou em atendê-lo para não acordar a criança, sequer olhando no visor quem a ligava.
— Beckett. – disse com formalidade, num tom baixo, imaginando que, a uma hora dessas, só poderia ser Ryan ou Esposito avisando sobre algum homicídio.
— Kate? — a conhecida voz masculina chamou do outro lado da linha e ela sentiu seu corpo congelar.
Não era possível, ela só poderia estar sonhando novamente. Mas... era ele. Era a voz de Castle.
— Rick? É você? – ela perguntou, como que para confirmar se estava mesmo sonhando.
— Sou eu, amor.— ele disse rapidamente, sentindo-se aliviado por ouvir aquela voz que tanto amava.
Ela se levantou rapidamente da cama, mas tomando cuidado ao tirar sua pequena de cima de si, e correu para fora do quarto. Ainda não acreditava que estava falando com ele, que estava ouvindo aquela voz, que ele estava vivo.
— Rick, onde você está? – ela perguntou, não contendo a ansiedade em sua voz.
— Eu estou em Hong Kong, amor. Acabamos de desembarcar aqui.
— O que... Castle? Eu... – Kate disse gaguejando. Estava sendo uma missão impossível formular uma frase coesa.
Castle notou o desespero em que sua mulher se encontrava. Ele sabia que essa falta de contato nesse pequeno lapso temporal iria deixá-la atordoada, mas não imaginava que ela ficaria naquele estado. Precisava acalmá-la.
— Amor, sente-se. Eu vou explicar tudo a você, mas preciso que se acalme primeiro.
— Ficar calma? Rick, você sumiu! Sabe o que é isso? Sabe o que eu senti? O que eu pensei por não ter notícias suas? O que você está fazendo em Hong Kong?
Ela jogava aquelas frases em cima dele, um misto de raiva e alívio que ela não conseguia entender o porquê de estar sentindo. Precisava mesmo tentar se acalmar. Ele estava falando com ela e, aparentemente, estava bem.
— Esse era o destino da minha viagem, amor.— ele disse em um tom calmo – Kate, amor, senta um pouco. Beba um copo de água e deixe-me explicar o que aconteceu.
A capitã respirou fundo e murmurou um "ok" baixo. Rick ficou calado apenas ouvindo os movimentos dela.
Ela foi até a cozinha e bebeu o copo de água conforme ele havia pedido. Sentou-se à bancada e esperou que ele contasse o que queria. Ao notar que a agitação dela havia cessado, ele voltou a falar.
— Pronta?
— Sim.
— Tudo bem. Primeiro, eu estou bem e eu vou voltar para casa ainda hoje.
— Jura? – um sorriso enorme brotou em sua face ao ouvir aquilo.
— Sim, amor. Antes que eu comece a explicar, me responda: o que você sabe de tudo isso? Digo, a companhia entrou em contato, certo?
Ela respirou fundo mais uma vez e contou o que sabia – que era praticamente nada –, e também contou o que precisou fazer para conseguir as poucas informações que tinha.
— Entendo.— Castle disse ao fim – De fato, eles não tinham como se comunicar conosco. O comandante tentou entrar em contato para informar onde estávamos, mas, por algum motivo, que ele imagina ser a forte chuva, a base aérea não conseguia nos localizar.
— Onde vocês estavam?
— Tinha muita neblina no céu e estava se formando uma tempestade, o comandante Gerardo Grindelwald achou melhor pousar e esperar até que fosse seguro retornar ao voo.
Ele começou a explicar.
"Nós pousamos em Lamma Island, é uma ilha próxima a Hong Kong quase inabitada. Lá não tem sinal e, por isso, ficamos totalmente incomunicáveis. Imagino que seja esse o motivo pelo qual não conseguiram nos encontrar. Grindelwald tentou comunicar à base o que iria fazer, mas o sinal já havia acabado. Nós ficamos um dia inteiro lá, eu tentei entrar em contato com você durante todo o tempo, mas não consegui. Só o que pude fazer foi aguardar".
Kate prestava atenção em cada palavra que ele dizia. A aflição que sentira nos últimos dois dias começava a se dissipar. Tudo estava bem. Castle não estava ferido e logo voltaria para ela.
— E a tempestade?
— Nós nos abrigamos nas pouquíssimas casas que existem por lá. Não eram das mais seguras, devo admitir, mas foi o suficiente para nos manter ilesos.
Ele a ouviu soltar um suspiro de alívio e aquilo o fez sorrir. Ela havia se acalmado.
— Quando você volta, amor?
— Hoje. Estou apenas esperando Gina terminar de explicar aos "engomadinhos" o porquê de cancelarmos a turnê.
Ela riu com o termo usado pelo marido.
— Voltaremos em outra companhia aérea. Não faz escala, então chegarei mais rápido. Vamos embarcar daqui a duas horas. Hoje à noite eu chego em casa, meu amor.
— Mal posso esperar por isso.
Eles trocaram mais um par de palavras e logo Gina se aproximou chamando por Castle.
O restante do dia passou quase que arrastado, mas dessa vez a ansiedade de Kate era devido à ligação de seu marido e à promessa de que se veriam ainda naquela noite.
Ela informou a Martha que Castle havia ligado e o que ele havia contado acerca de seu desaparecimento. Contou também a Lanie e aos garotos. Todos compartilhando do mesmo alívio que ela ao saberem da novidade.
Lanie sugerira passar a noite com Sofia, sabia que a amiga iria querer "matar as saudades" do marido, e a presença da garotinha não seria nada propensa.
Ao questionar à filha, Kate não obteve um mínimo de resistência. Sofia mostrou-se muito animada por passar um dia na casa da "tia Lanie", como havia adquirido o costume de chamá-la – a legista havia conquistado o carinho da pequena logo no primeiro dia em que se encontraram –, e assim o fizeram. Após buscar Sofia na escola, Kate a arrumou e também preparou uma pequena mala com tudo o que a filha necessitaria.
Por volta das dezenove horas o celular de Kate voltou a tocar. Era Castle.
— Oi, amor, já chegou à Nova Iorque?
— Kate, aconteceu um imprevisto e eu não vou conseguir chegar hoje.
— Sério? – ela perguntou, não fazendo questão de disfarçar a decepção em sua voz.
— É, o voo atrasou e...
— Mas você disse que não faria escala. Está falando de onde?
Antes que Castle pudesse responder, ela ouviu batidas na porta. Quem poderia ser a essa hora?
— Cas, estão chamando. Espere um momento, está bem? Eu já volto.
Ela deixou o celular em cima do sofá e se apressou em atender. Quem quer que fosse, ela trataria de dispensar logo, não estava para visitas. Mas, ao abrir a porta, ela obteve a melhor surpresa de seu dia. Melhor até que a ligação da madrugada.
Richard Castle estava parado no rol de entrada, com um sorriso lindo em seu rosto. "Cas", ela disse em um sussurro e se jogou nos braços dele.
Rapidamente ele tratou de corresponder àquele abraço, passando os braços em volta do corpo de sua mulher. Kate enterrou a cabeça no vão do pescoço dele e deixou que as lágrimas escorressem por sua face. Um misto de alívio e confusão. O coração palpitando aceleradamente.
— Eu pensei que você não chegaria hoje. – ela disse com a voz abafada.
Castle sorriu e a carregou nos braços para dentro do loft, fechando a porta atrás de si.
— Eu quis te fazer uma surpresa como da última vez. Lembra-se?
— E tem como esquecer?! Foi a primeira vez em que trocamos um beijo.
* flashback: apartamento de Kate *
Beckett andava de um lado para o outro em seu apartamento procurando algo para fazer até que Castle ligasse. Fazia duas semanas que ele havia viajado em turnê e ela vivia constantemente entediada e entristecida.
Não fosse pelos sinais de vida que seu grãozinho – que ainda não sabia ser menino ou menina – de quatro meses dava, ela teria passado os últimos quinze dias ranzinza e descontando seu estresse em Ryan e Esposito.
Olhou em seu relógio e viu que já estava quase na hora de Castle ligar. Desde o dia que lhe contara sobre a gravidez, ele não desgrudou dela um segundo sequer. Ela teria reclamado, mas, estava tão desesperada e perdida, que apenas conseguia sentir-se grata pela atenção constante que lhe era oferecida por seu escritor.
Seu escritor. Ela sorriu com a colocação mental que fizera ao pensar nele. A relação dos dois havia evoluído consideravelmente nesses últimos meses. Ter Castle presente em seus dias apenas fez aquele sentimento – o qual ela se negava a confessar que sentia – crescer ainda mais dentro de si.
Quando ele a informou que Gina havia marcado uma viagem com duração de duas semanas para divulgar seu novo livro, ela sentiu um vazio enorme dominá-la. Havia se acostumado a tê-lo o tempo inteiro consigo. Então, eles decidiram manter contato diário via ligação de vídeo. Todos os dias, no mesmo horário, Castle a ligava e eles passavam horas em chamada.
No horário marcado, o celular tocou, e ela sentiu seu coração palpitar de ansiedade por vê-lo novamente. "Controle-se, Kate Beckett", ela disse para si mesma ao pegar o aparelho em suas mãos. Estranhou. A ligação não era a vídeo.
— Como vão minhas duas pessoas preferidas no mundo?— ele disse no tom animado de sempre. A detetive sorriu e começou a contar detalhadamente como havia passado o dia, como sempre faziam.
— Então, você volta mesmo esse final de semana, certo? – ela questionou, esforçando-se ao máximo para não deixar transparecer a ansiedade em sua voz. Sem sucesso.
— Eu queria mesmo falar com você sobre isso, Kate.
— O que houve?
— Eu precisarei ficar aqui por mais uma semana.
— O que? Mas por quê? – o tom indignado não passou despercebido.
— Gina.— ele disse simplesmente.
Beckett se jogou no sofá, suspirando pesadamente. Já não bastava ela ter lhe tirado duas semanas na companhia de Castle, agora iria protelar por mais uma.
— Ela acha importante que eu visite mais um par de cidades.
— Tudo bem. – ela disse com desânimo, sentindo lágrimas formarem em seus olhos.
A saudade que sentia, misturada com os hormônios, estava acabando com ela. Será que Gina não podia facilitar um pouco? Ele já passara duas semanas se dedicando a esse livro, o que custava deixá-lo voltar para casa logo?!
— Mas eu tenho uma surpresa para você. Onde você está agora?
— Sentada no sofá da sala. Por quê?
— Porque eu pedi para entregarem uma encomenda em seu apartamento. – antes que ela pudesse responder, escutou batidas em sua porta – Vá atender, depois nos falamos.
— Não, Rick, eu... – mas ele desligou sem deixá-la completar a frase.
"Obrigada por desligar na minha cara sem nem se despedir", ela resmungou, levantando-se para atender à porta.
— Oi. – Castle disse assim que a porta se abriu e os dois ficaram frente a frente – Gostou da "encomenda"?
Ela não respondeu com palavras. Apenas o puxou para dentro de casa, pela gola da camisa, e colou seus lábios aos dele em um beijo desesperado e cheio de paixão, que foi correspondido à altura.
* flashback off *
— O primeiro de vários outros que ainda trocaremos pelo resto de nossas vidas. – Castle disse aproximando seu rosto ao dela e colando os lábios de ambos em um beijo repleto de amor e saudades.
"Estamos sozinhos?", ele questionou ainda entre os lábios dela.
— Sim. – a resposta, que veio em um sussurro, se seguiu de um novo beijo.
O escritor aprofundou o contato e apertou a cintura dela em provocação, arrancando-lhe um leve gemido. Ele sorriu com aquela resposta involuntária.
— Sabe de uma coisa? – Castle disse, ainda sem desgrudar os lábios dos dela – Eu cheguei de viagem louco por um banho – comentou em um sussurro, descendo os lábios para o pescoço de Kate – Gostaria de me acompanhar? – perguntou, subindo novamente com os lábios, roçando na pele do pescoço dela até o ouvido, e finalizou com uma leve mordida no lóbulo.
Kate sentiu o corpo todo tremer com aquele contato. Sentiu as pernas fraquejarem e apenas agitou a cabeça em afirmação, deixando-a pender para o lado ainda recebendo as carícias dos lábios de seu marido em seu pescoço.
— Vamos? – ele chamou, assim que desgrudou seus corpos, puxando-a pela mão em direção ao quarto dos dois.
— Vai entrando embaixo do chuveiro enquanto eu preparo a banheira. – Kate sugeriu, mordendo os lábios em provocação, e Castle concordou prontamente.
O escritor seguiu em direção ao banheiro deixando suas peças de roupa jogadas pelo chão do quarto, sendo devorado pelos olhos desejosos de sua musa. Beckett mordeu o lábio inferior mais uma vez e agitou a cabeça com um sorriso travesso brincando ali.
A ideia de tomarem um banho relaxante de banheira era realmente tentadora, mas a imagem de seu homem seguindo totalmente nu para debaixo do chuveiro a fez repensar se deveria perder alguns minutos ajeitando a água naquele arredondado recinto oblongo de mármore.
Ficou alguns minutos calculando qual das duas opções seria mais vantajosa para a ocasião. Olhou em direção ao cômodo em que o escritor estava e o viu de costas, atrás da porta de vidro meio embaçada pelo vapor quente, com o corpo todo molhado e coberto de espuma. Era muita tentação. Retirou as próprias roupas e foi para junto dele.
A banheira ficaria para outra hora.
Andou na ponta dos pés, tentando não ser notada, e adentrou o box. Assim que sentiu a presença dela, Rick tentou se virar, mas foi impedido pelos braços possessivos amoldando-se ao seu corpo.
Kate esparramou as mãos pelo peitoral másculo à sua disposição e colou a frente de seu corpo às costas do dele, permitindo que Castle sentisse a rigidez já presente no bico de suas pequenas e perfeitas esferas macias. Ele gemeu em antecipação ao sentir aquele corpo totalmente colado ao seu, as mãos possessivas passeando em sua pele, deixando que as unhas lhe arranhassem levemente.
Ele permanecia imóvel. Simplesmente não conseguia se mover um milímetro sequer. Queria apenas sentir aquele toque delicado, mas totalmente libidinoso, por cada parte disponível de seu corpo. Sentiu as mãos descendo de encontro à sua virilha e, quando a boca dela encontrou o lóbulo de sua orelha e deixou uma mordida ali, ele despertou daquele torpor. Virou-se bruscamente de frente para ela e a colou ainda mais a si, tomando os lábios carnudos em um beijo repleto de volúpia.
Suas bocas executavam uma dança desesperada de desejo, as mãos passeavam pelos corpos reciprocamente, sem um destino certo, buscando sentir o máximo de prazer em cada toque. Castle aprofundava o beijo e apertava cada vez mais suas mãos na cintura de Beckett, aumentando consideravelmente o apetite sexual da mulher, que já não conseguia conter os gemidos consecutivos.
Os dedos de Castle passaram a tocar os pontos exatos de prazer dela, deixando-a rapidamente lubrificada. E, como que para confirmar suas suspeitas, ele levou a mão até seu íntimo, notando que ela estava quase encharcada. Sorriu com a reação quase que instantânea que seu toque causava a Beckett.
Rick desceu as mãos até a parte de trás das coxas de sua musa, levantando-as e fazendo com que ela contornasse seu tronco com as pernas. O contato quente do corpo dele em contraste com a temperatura gelada da parede atrás de si, a fez soltar um novo gemido. Castle a olhou fixamente nos olhos, notando as íris verdes cintilarem de desejo, e a possuiu num só ato. Kate cravou as unhas nos ombros dele e deixou escapar um longo e alto gemido de prazer, entregando-se completamente a seu marido.
Ambos deram início aos movimentos de vai e vem, e Castle os alternava entre rápidos e lentos, deixando Beckett louca a cada hora que diminuía o ritmo de suas investidas nela. Cada vez que ele desacelerava, ela impulsionava seu corpo de encontro ao dele, como que pedindo para que não parasse. Mas ele fingia não entender e desacelerava ainda mais, quase a torturando.
"Se você não meter forte em mim a-go-ra, eu arranco o seu brinquedinho no dente!", ela disse com a voz rouca e ofegante, tentando parecer ameaçadora, mas apenas conseguiu soar absurdamente sensual aos ouvidos de Castle. Ele riu com a vulgaridade repentina na fala de sua mulher e a obedeceu imediatamente.
Em poucos instantes os dois chegaram ao ápice juntos. Beckett deixou-se derramar nele ao mesmo tempo em que sentia o líquido quente de Castle inundando-a. As pernas do escritor fraquejaram e ele a colocou no chão, roçando seus lábios de forma delicada nos dela.
Beckett sorriu e desligou a água que ainda caía em seus corpos, e o puxou para o quarto. Castle a seguiu andando agarrado ao corpo dela, distribuindo beijos e leves mordidas nos ombros femininos e delicados.
"Eu ainda não acabei com você", ele disse com a voz rouca de desejo, o que fez Beckett estremecer em antecipação. Virou-se para ele e o beijou com luxúria. Também não se sentia completamente saciada.
As horas restantes daquela noite foram preenchidas por beijos voluptuosos, gemidos prolongados, toques precisos, palavras desconexas e gritos prazerosos a cada vez que seus corpos explodiam em êxtase.
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Na manhã seguinte, Kate acordou com os beijos carinhosos de seu marido. Abriu um enorme sorriso ao deparar-se com aquela imensidão azul que tanto amava. Mal conseguia conter a alegria de tê-lo de volta ao seu lado. Os beijos acabaram tomando proporções maiores e, mais uma vez, perderam-se nos braços um do outro.
O casal preparava o café da manhã quando ouviram batidas na porta. Era Lanie trazendo a afilhada de volta para casa.
Assim que abriu a porta, Kate foi atacada por uma Sofia cheia de saudades. Nem parecia que haviam se separado por apenas uma noite.
— Kate! – a menina exclamou, agarrando-se às pernas da mãe.
— Oi, minha pequena, sentiu saudades?
Sofia respondeu com um sorriso, enquanto a capitã a levantava em seus braços, e agarrou-se ao pescoço dela.
— Adivinha quem está aqui? – Beckett disse em um tom brincalhão, e colocou a filha no chão, apontando com a cabeça para a direção em que Castle estava.
Assim que o viu, a garotinha correu de encontro a ele, gritando "tio Rick" e prolongando consideravelmente o "i" do nome. Jogou-se nos braços dele e o encheu de beijos e carinho. Kate sorriu abertamente, encantada com a cena.
— Bom, a baixinha está entregue e eu estou de partida. – a morena, que ainda estava parada no rol de entrada, disse, chamando a atenção da amiga.
— Já?
— Sim, amiga, Javi está me esperando lá embaixo. Só vim devolver a minha florzinha.
— Obrigada por ter ficado com ela essa noite, Lanie.
— Não pense que irei me contentar com um simples "obrigada, Lanie". Quero detalhes da noite passada, capitã Kate Beckett-Castle.
Kate achou graça da forma que a amiga falou e apenas agitou a cabeça rindo. Lanie não tinha jeito mesmo. Despediram-se e Kate agradeceu mais uma vez pela ajuda com Sofia.
"Então, conte para mim como foram os dias aqui enquanto eu não estava. Se divertiu?", Beckett ouviu Castle perguntar à garotinha que ainda estava em seus braços.
"Sim, fiquei o tempo todo com Kate. Nós fizemos muitas coisas juntas", a menina respondeu animada.
— Muito bem, meus amores, o papo está ótimo, mas a pequena aqui tem lição de casa para fazer, não é mesmo? – Beckett falou e plantou um beijo na bochecha de cada um.
— Quer que eu a ajude, amor? – Castle se ofereceu.
Antes que a capitã pudesse responder, eles notaram um pequeno biquinho se formar nos lábios de Sofia. Então, ela disse com a voz tímida e baixa.
— Eu queria que a Kate me ajudasse.
Já fazia algum tempo que Sofia não demonstrava mais qualquer tipo de resistência a Beckett, pelo contrário, ela vinha frequentemente mostrando uma preferência por ter a mãe junto de si, mas era impossível para a capitã controlar as batidas aceleradas de seu coração a cada vez que algo semelhante acontecia.
Castle desceu a garotinha de seu colo e as duas seguiram de mãos dadas para o quarto da pequena.
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Josh aguardava a chegada de seu advogado ainda na cela do 12th. Sabia que logo seria mandado para uma penitenciária e aquele pensamento o apavorava. Não que se julgasse desmerecedor desse destino, pelo contrário, reconhecia que fizera coisas realmente graves e que deveria pagar pelas suas ações. Mas não iria desistir de sua vida assim.
No momento em que havia decidido levar Sofia consigo – há quase quatro anos –, agira de forma impensada, no domínio da raiva e frustração por ter perdido a mulher que amava justamente para aquele escritor metido a galã. O sequestro, em si, não havia sido impensado – ele reconhecia –, afinal, o planejara por quase uma semana. Mas todo o contexto daquela situação o levou a fazer o que fizera.
Arrependia-se sim, e muito. Entretanto, isso nunca seria o suficiente para Kate Beckett. Ela não deixaria a atitude dele passar com um simples pedido de desculpas. Ela o faria pagar por cada minuto que perdera ao lado da filha. Ele tinha certeza disso.
— Josh. – o advogado, doutor Igor Gaunt, o chamou.
Eles eram amigos antigos, conheceram-se na época de faculdade e a amizade perdurou por todos esses anos.
— Que bom que você chegou, preciso que me ajude novamente. – o médico disse rapidamente, de forma desesperada.
— Josh, será que você não pode me escutar uma vez nessa sua vida? Eu te dei conselhos há quatro anos, que você ignorou, e veja onde você veio parar por causa disso.
— Igor, eu apenas quero que me ajude a sair daqui.
Os dois mantinham uma conversa sussurrada, não queriam correr o risco de serem escutados por alguém ali. O doutor Gaunt, na verdade, já viera ao encontro do amigo com uma ideia para ajudá-lo em sua fuga. Sabia, desde o momento em que recebera a ligação, que Josh lhe pediria esse favor.
Igor Gaunt passava longe da lista dos advogados mais honestos do país. Sempre dava um jeito de conseguir o que queria, seja ocultando informações, desviando-as ou, até mesmo, criando relatos que nunca existiram. O fato é: Igor Gaunt era um trapaceiro nato que burlava a lei sem qualquer preocupação.
E era disso que Josh precisava no momento.
O advogado lhe contou o que havia pensado para ajudá-lo – e que já começara a executar – e lhe explicou cada passo que deveria ser dado por ele.
No dia seguinte Josh Davidson se veria há quilômetros de distância daquelas celas.
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