Ficarei Ao Seu Lado

10 Astoria Greengrass


Notas iniciais
Oiiii, nenecos, olha eu aqui de novo. MIL PERDÕES PELA DEMORA, final de semestre não é nada fácil, ainda mais quando a gente ta quase se formando, né haha Antes de postar, tenho alguns agradecimentos *-* Primeiramente, deixa eu falar que até pouco tempo eu não sabia como rolava essa coisa de favoritar a fic hahah (eu sei, sou a criatura mais lerda do mundo), então eu finalmente descobri e quero agradecer a todos os que deram fav pra esse meu xodó aqui, vcs são incríveis ❤❤❤❤ 1- muito obg Carol e srtKatic por terem recomendado a fic, eu fiquei tipo UAU MDS MORRI AQUI, SCR JESUS AMADO, sério, meninas, obg de verdade pelas palavras tão lindas e por terem recomendado FASL, foi um incentivo incrível para mim, nem tenho palavras parar dizer o quão alegre isso me deixou; 2- Staty, muuuuuuuuito obrigada pelos comentários, chegaram na melhor hora possível, sério. Eu estava muito desanimada, na maior bad pensando em pausar a fic por um tempo, aí vc veio com aquelas palavras e tirou meu desânimo quase instantaneamente; 3- nem creio que já estamos no 135º comentário UAU, essa fic não seria nada sem vcs, muuuuito obg, gente, de coração. Me alegra tanto saber que vcs gostam e sempre vêm aqui ler minha história e deixar um comentário, me incentiva bastante. E sintam-se à vontade pra dizer o que querem que aconteça nos próximos capítulos, o que eu deveria mudar, e etc, aceito sugestões de bom grado :3 Enfim, vamos lá né, se joguem! ps: dessa vez minha beta não me ajudou na correção (ela não está em casa esse fds, sdds buá), então me perdoem caso haja algum erro ;) — tem uma ceninha mega inspirada na série, vcs verão!

Após deixarem Sofia na escola, Castle e Beckett seguiram para a delegacia juntos. A capitã bem que tentou convencê-lo a ficar em casa descansando da viagem, mas não adiantou de nada. Castle tinha a energia de uma criança com overdose de açúcar, e ela acabou desistindo dos argumentos e o levou consigo.

Assim que chegaram, Javier e Kevin foram em direção ao escritor para recebê-lo, e os três ficaram conversando enquanto Kate seguiu para sua sala a fim de se inteirar da papelada atrasada. E não era pouca.

Toc, toc. – Rick falou, abrindo a porta da sala e entrando – Muito ocupada aí?

— Um pouco, acabei me descuidando do trabalho e deixei que acumulasse.

— Dois dias que eu passo fora e as coisas já ficam de ponta-cabeça. Essa delegacia não é nada mesmo sem mim.

Castle falou em um tom brincalhão, arrancando uma risada da capitã. Aquela risada leve que ele tanto amava ouvi-la soltar. Ele a olhava com um sorriso bobo nos lábios e se aproximou, sentando-se na cadeira que estava em frente a ela.

— O que foi? Que olhar é esse, senhor Castle?

— Ôh, senhora Castle, esse é o olhar de um homem apaixonado pela esposa.

— Bobo. – ela falou, abaixando a cabeça, as bochechas levemente ruborizadas, e logo tornou a levantá-la – Rick, quero conversar com você. – disse em um tom um pouco sério.

— Tudo bem, mas... eu fiz algo de errado?

Ela sorriu docemente e agitou a cabeça em negação. Esticou os braços e juntou as mãos dos dois, entrelaçando seus dedos, e começou a falar de forma doce.

— Eu quero me desculpar pela pequena discussão que tivemos antes da sua viagem.

— Kate... – ele tentou falar, mas ela o interrompeu ainda com docilidade na voz.

— Não, deixe-me terminar. Eu me arrependi logo que disse aquilo e sai do nosso quarto, mas achei melhor esperar até o dia amanhecer para falar com você.

Ela falava com sinceridade, o olhando nos olhos. Castle tinha um sorriso mínimo nos lábios e acariciava a pele das mãos dela juntas das suas.

"Eu ia preparar o seu café da manhã e me desculpar antes de você sair de casa, não queria que viajasse brigado comigo. Isso nunca aconteceu antes e eu espero que jamais volte a acontecer. Você me perdoa, Cas? Eu acabei despejando em você a culpa que ainda carrego pelo acidente com nossa filha".

— Não há o que ser perdoado, amor. Foi somente um mau uso de palavras, nos desentendemos e já passou. Estamos bem.

— Eu amo você.

— Eu também. Sempre. E sobre aquele acidente... Kate, você precisa superar isso, amor.

— Eu sei que sim. – ela concordou com a voz baixa e tristeza no olhar.

— Foi um acidente, poderia acontecer com qualquer um. Não deixe que uma mancha do passado atrapalhe nosso futuro.

— Não deixarei, prometo.

O casal trocou mais um par de palavras e logo Beckett voltou para sua papelada. Castle informou que ficaria com Ryan e Esposito para deixar que ela terminasse seu trabalho em paz. Kate apenas riu, sabia muito bem que "deixá-la só para terminar o trabalho" era apenas uma desculpa para ele poder se meter na investigação que os rapazes faziam.

Castle sempre fazendo suas "Castlices".

Quando chegou a hora de buscar Sofia na escola, Kate pediu ao marido que fosse sozinho, pois ela precisaria ficar ainda algum tempo no 12th. O escritor concordou e partiu.

— Capitã. – Esposito chamou, entrando na sala de Kate.

— Sim?

— Acabei de receber uma ligação confirmando que Josh será encaminhado para a penitenciária amanhã. Ele ainda está aqui. E... hoje mais cedo o doutor Gaunt veio ao 12th fazer uma visita.

— Gaunt? Igor Gaunt? – ela questionou, elevando um pouco o tom de voz.

Kate já se desentendera diversas vezes com o doutor Gaunt. Ela conhecia muito bem os métodos que aquele advogado encontrava para fazer "justiça", e não concordava em nada com aquilo. Sempre que se esbarravam era possível ver faíscas tenebrosas saindo dos dois. O clima pesava tanto que chegava quase a ficar palpável. A capitã julgava Igor Gaunt como parte da escória do judiciário. Parte essa que ela desejava que entrasse em extinção, era uma pena que não pudesse fazer muito para que isso acontecesse. O mundo nunca ficaria livre dos corruptos.

— Espo, não me diga que... – ela nem precisou finalizar a frase para que o latino a compreendesse.

— Sim. Ele é o advogado do doutorzinho.

— Agora eu entendo como ele ainda estava solto. – ela falou de forma pensativa – Eu encontrei com Josh uma vez no fórum, em uma das audiências, mas ele não estava acompanhado de Igor Gaunt.

— Ao que parece, ele trocou de advogado um pouco antes de conseguir a provisória. No dia em que vocês se encontraram, Gaunt já havia se tornado advogado de Josh. Foi ele quem conseguiu a provisória, Kate.

— Tudo faz sentido agora. É óbvio que essa provisória não teria sido concedida por meios legais, ainda mais depois de ele ter ido ao loft no mesmo dia em que ela foi deferida.

— Legal ou não, agora ele não terá escapatória. Amanhã será transferido daqui.

— Eu não confio em Igor Gaunt, Espo. Tenho certeza que ele e Josh estão planejando algo. Vigie-os de perto.

— Sim, capitã.

Esposito confirmou, afirmando com a cabeça e se retirou da sala, deixando uma Kate Beckett bastante pensativa.

Se Josh havia metido Igor Gaunt naquilo, só poderia estar escondendo algo mais grave. Não se tratava de um mero sequestro realizado no impulso da raiva, certamente havia mais coisa por trás daquilo. E ela não descansaria até conseguir descobrir.

O que é que você foi fazer, ein, Josh Davidson?

#

Já no loft, Rick e Sofia preparavam o jantar em meio a risadas e brincadeiras. Beckett havia ligado informando que demoraria a voltar para casa, e o escritor acabou optando por jantarem pizza.

Quando o gato não está, os ratos fazem a festa.

Sofia questionou algumas vezes durante o jantar sobre onde a mãe estava e se ela não iria fazer companhia a eles. Rick informou que ela demoraria no trabalho e pedira para que eles comessem sem ela, deixando uma Sofia cabisbaixa. O que não passou despercebido pelo escritor.

Para tentar distrair a filha, ele propôs que os dois jogassem laser tag. Ensinou à garotinha com funcionava e lhe emprestou a roupa de Alexis, dando início à diversão.

— Prontinho, pequena. Banho tomado e, agora, cama! – Castle falou, levando Sofia para seu quarto após quase duas horas de brincadeira – Qual história a mocinha deseja ouvir hoje?

— Kate não vai me contar uma história hoje?

— Não, Sof, hoje eu farei isso no lugar de sua mãe. Ela ainda está no trabalho.

— Mas – ela disse, abaixando a cabeça, um pouco tristonha –, ela sempre me coloca para dormir e lê um pouco do livro para mim, tio Rick.

— Eu sei. Prometo que será somente hoje, tudo bem? E as minhas histórias não são tão ruins assim, mocinha. Que desdém todo é esse?

Ele falou de forma descontraída, tentando deixar a garotinha um pouco animada. Ela sorriu e concordou com a cabeça, se acomodando melhor na cama.

— Então, você quer uma história nova ou prefere que eu leia o livro de onde Kate parou?

— Hmm... – ela fez uma expressão pensativa, que Rick achou adorável e bem parecida com a forma com a qual Kate fazia, e depois olhou para ele sorrindo – História nova.

— Tudo bem. – ele pensou um pouco e olhou para a pelúcia que Sofia mantinha agarrada nos braços – Já que você gosta tanto assim de tigres, quer ouvir uma história do dia em que eu e sua mãe ficamos presos em um quarto com um tigre?

— Um tigre de verdade, tio Rick? – ela questionou entusiasmada, enfatizando o "de verdade".

— Sim, e ele era enorme. – Castle falou, prolongando o "o" e rindo da surpresa estampada no rosto da criança.

Os olhinhos de Sofia brilharam e Castle começou a contar a história para a filha, aumentando um pouquinho certos fatos para fantasiar a história, e ocultando outros para não assustar a menina. Os olhos dela brilhavam ainda mais cada vez que Kate era citada, e Castle teve a certeza de que as duas já se amavam recíproca e incondicionalmente.

Depois de finalmente fazer a filha dormir, Castle seguiu para o quarto e checou o celular, encontrando uma mensagem de Kate avisando que já estava voltando para casa. Ele tomou um banho e, depois, seguiu para a cozinha a fim de esquentar o restante da pizza para quando a capitã chegasse.

— Ai que cheiro bom. Eu estou faminta. – Kate falou assim que abriu a porta do loft.

Castle a esperava sentando no sofá com o laptop no colo, escrevendo e bebendo uma taça de vinho.

— Você demorou, amor. – ele falou se levantando para recebê-la com um beijo.

— Eu sei, desculpe. Tinha coisa demais acumulada e eu quis terminar logo. Não gosto de deixar trabalho atrasado.

— Sofia não parou de perguntar por você a noite toda. – ele informou, puxando-a para a cozinha.

— Sério? Então ela sentiu minha falta?

— É claro que sentiu, Kate. Inclusive, ela ficou um pouco chateada por ter que ouvir uma história minha ao invés de uma sua.

Beckett riu da careta de contrariado que o marido fez e jogou um beijo para ele antes de abocanhar um pedaço suculento de pizza.

Depois de conversarem sobre Sofia e sobre o quanto os dois haviam se divertido na ausência dela, Beckett o contou sobre o outro motivo de ter demorado tanto no 12th.

— Você não vai acreditar quando eu te contar quem é o novo advogado de Josh.

— Quem?

— Ninguém menos que o doutor Igor Gaunt.

— Igor Gaunt?! Aquele advogado petulante que sempre arruma uma forma de te provocar e de burlar toda e qualquer lei existente?

— Ele mesmo. – ela confirmou, levantando-se da bancada, após terminar a pizza, e o puxou pela mão para se sentarem no sofá, levando consigo a taça de vinho – Esposito me disse que Josh mudou de advogado no meio do processo. Você não acha isso estranho, Cas?

Castle se sentou ao lado da esposa, prestando atenção ao que ela dizia. Aquilo realmente não parecia comum.

— Estranho que ele contrate Igor Gaunt?

— Sim.

— Com toda certeza. Por qual motivo ele precisaria de um advogado da classe de Gaunt se, como ele mesmo disse, levou Sofia apenas em um momento de desespero?! Josh conseguiria facilmente um acordo e poderia seguir com a vida dele, e nós três com a nossa.

— Então você também acha que tem algo a mais nessa história.

— Acho... mas isso é assunto para outro dia. – ele falou, levantando-se e puxando-a consigo – Porque, agora, senhora Castle, nós iremos para a nossa cama descansar.

Kate sorriu e concordou, trocando um beijo longo e calmo com Castle.

Antes de ir para seu quarto junto do marido, ela foi até Sofia verificar se ela dormia bem. Encontrou a garotinha em um sono pesado, agarrada à sua pelúcia e chupando um dedo. Ela sorriu e tirou o dedo da boca da criança, plantando um beijo em sua testa. "Durma bem, minha princesa, mamãe ama você", ela cochichou no ouvido da filha e saiu, seguindo para seu quarto.

O casal acordou na metade da manhã e foi junto para a cozinha fazer o desjejum. Castle iria passar boa parte do dia fora devido a uma reunião que teria na editora. Gina queria acertar alguns pontos com os executivos em razão da turnê cancelada. O dia seria cheio, exatamente do jeito que Castle detestava.

Depois de comerem, Castle foi para o quarto para terminar de se arrumar e, quando voltou para a sala, encontrou Kate ainda sentada à mesa do café.

— Kate, eu já vou. O que faz aí ainda?

— Estava esperando Sofia acordar, ela não costuma demorar tanto assim. – ela comentou, levantando-se e se aproximando dele.

— É verdade. – ele concordou, enlaçando-a pela cintura – Deixe eu me apressar antes que Gina ligue novamente para reclamar por eu ainda não ter chegado. – falou com uma careta que fez Beckett rir.

Os dois trocaram um beijo e logo Castle partiu.

Kate decidiu ir até o quarto para acordar a filha, já estava ficando tarde e ela ainda tinha que fazer a lição de casa e se arrumar para o colégio. Entrou no cômodo e encontrou a garotinha ainda dormindo, porém com uma expressão de sofrimento estampada em seu rosto. Ela se preocupou e se apressou em acordar a filha, mas, assim que tocou em seu bracinho, percebeu o motivo daquela expressão em sua face. Sofia estava ardendo em febre.

— Sofia. – Kate chamou, tentando despertá-la – Vamos, filha, acorde. Sofia?

A garotinha choramingou de leve e começou a abrir os olhos lentamente.

— Kate. – ela disse com a voz fraca e sorrindo minimamente – Dodói.

— Onde, meu amor? – a capitã questionou, acariciando os cabelos da menina.

— Meu corpo. Aqui e aqui, e tudo. Tudo dói. – ela reclamou, fazendo biquinho de choro enquanto apontava para a própria cabeça, os braços e o tronco. Depois, estendeu os braços para a mãe pedindo colo.

A capitã sentiu seu coração se partir, detestava ver aquela carinha de sofrimento da filha. Segurou a menina em seus braços e a levou consigo para a sala, sentando-se no sofá com ela. Pegou seu celular e ligou para Lanie. Castle não poderia atendê-la naquele momento e ela não sabia o que fazer.

Oi, garota.— a legista atendeu no segundo toque, alegremente.

— Oi, Lanie.

Que voz é essa? Aconteceu alguma coisa? É o menino-escritor?

— Não, Castle está bem. Foi a uma reunião da editora. É Sofia. Ela está ardendo em febre.

Ôh, meu Deus— a ME se preocupou –, ela comeu algo que fez mal? Ou está com a garganta inflamada?

— Eu não sei, Lanie. – Kate disse, deixando transparecer a aflição em sua voz – Ela estava bem até ontem. Castle e ela fizeram o jantar e brincaram. Eu passei a noite no trabalho e os dois ficaram aqui em casa juntos, ele disse que ela dormiu bem.

Só isso? Não aconteceu nada que a incomodou?— ela questionou, já tendo uma remota ideia do que poderia estar acontecendo com a garotinha.

— Castle disse que ela ficou perguntando por mim, e que ela ficou chateada quando ele foi colocá-la para dormir no meu lugar... por quê?

Kate, acho que o que a nossa florzinha tem é saudades.

— Como assim?

Na medicina, nós chamamos de febre emocional. Sofia se acostumou em te ter sempre com ela, em você largar tudo por ela. E ontem não foi assim. Você a deixou pelo seu trabalho e isso refletiu no estado de saúde dela.

— Ah... – Kate exclamou baixo para não acordar a filha que dormia em seu colo.

Sofia é uma criança muito sensível, Kate... mas não se preocupe, um bom banho e um dia inteiro colada na mamãe, e recebendo toda a atenção do mundo, vai melhorar rapidinho a nossa princesa.

— Obrigada, Lanie. – ela respirou aliava – Mas, então, todas as vezes em que eu não puder estar com ela, ela irá reagir assim?

Não, amiga. Converse com ela, explique como funciona seu trabalho e que algumas vezes você precisará chegar mais tarde em casa. Mas não deixe que ela pense que é menos importante para você por isso, só... explique a ela que você tem deveres a cumprir, mas que isso não impedirá que vocês fiquem juntas.

— Entendi. Obrigada de novo, Lanie. Não sei o que eu faria sem você.

Sem problemas. Se precisar de algo mais, é só me ligar. Agora vá dar carinho à sua menina que está precisando de atenção redobrada.

— Eu irei. – ela disse sorrindo e se despediu.

Colocou o telefone de lado e sorriu para a criança que dormia em seu colo, ainda bastante febril. Como era possível que seu grãozinho tivesse se tornado uma menina tão linda e sensível como Sofia? Kate sorriu boba para a filha, mas logo tratou de acordá-la. Emocional ou não, a criança ainda estava com febre e ela teria que tratar logo disso. Não queria sua pequenina sofrendo nem um minuto mais.

— Meu amor. – Kate chamou, mais uma vez, a filha – Acorde, Sofia. Vamos tomar um banho para abaixar essa febre?

Sofia apenas agitou a cabeça concordando e se aconchegou ainda mais no colo da mãe. Choramingando mais uma vez.

Já de banho tomado, Beckett levou a menina – já bem menos febril e um pouquinho animada – para a cozinha para tomarem o café da manhã.

— Eu estou sem fome, Kate.

— Você precisa comer alguma coisa. Tome pelo menos o seu leite e, então, nós passaremos o dia todo na frente da TV, ou fazendo o que você quiser.

— Eu não vou para a escola hoje?

— Não, você acordou com febre. Acho melhor ficar em casa.

— E o seu trabalho? – ela perguntou já pegando o copo de leite e levando-o aos lábios.

— Eu não irei hoje, meu amor. – Kate disse de forma doce, fazendo carinho no rosto da filha – Passarei o dia todo com você.

Sofia sorriu abertamente e pegou um pedaço de bolo que estava à sua frente, abocanhando-o em seguida. A mulher retribuiu o sorriso e jogou um beijo para a filha. Pegou seu celular e mandou uma mensagem para Eposito.

KB: Espo, Sofia amanheceu com febre e eu ficarei em casa cuidando dela. Sobre a transferência de Josh hoje, quero você e Ryan acompanhando de perto. Avisem-me qualquer coisa.

JE: Sofia está bem? Não se preocupe, nós cuidaremos de tudo.

KB: Está sim. E obrigada, Espo.

JE: Às ordens, capitã.

Assim como a capitã havia sugerido, as duas passaram o restante da manhã e boa parte da tarde jogadas no sofá vendo filmes da Disney. Fizeram uma maratona das princesas e Kate só sabia rir da filha repetindo cada fala do filme. Após a pequena sessão, Sofia quis brincar que as duas eram princesas, porém ela seria Ariel e Kate seria Melody.

Sofia deitou a cabeça da mãe em seu colo e disse que lhe contaria uma história para fazê-la dormir, assim como Ariel fazia com Melody.

— Era uma vez, uma princesa muito bonita que vivia com o seu papai. Mas ele trabalhava muito e ela quase não se encontrava com ele. – ela começou a contar, enquanto acariciava os cabelos de Kate – Então, o papai dela disse para a babá tomar conta dela, e a princesa amava muito a babá, mas ela sentia falta do papai.

Kate prestava atenção às palavras da filha, já entendendo sobre quem era aquela história. E incentivou a garotinha a continuar.

"Então, um dia, a princesa saiu com o papai dela e eles encontraram sua mamãe. Ela disse que ia levar a princesa de volta para casa, mas ela não queria ir". Sofia ia contando os fatos, abrindo-se com a mãe, enfim sentindo confiança para dizer aquelas coisas.

"Depois de um tempo, a princesa viu que morar com a mamãe era muito legal. Ela ganhou um papai novo e até uma irmã. Ela também tinha uma vovó muito linda e alguns tios legais que eram amigos da mamãe. A princesinha ficou com medo quando teve que morar com a mamãe dela, mas depois ela ficou muito alegre. Porque a mamãe da princesa sempre ficava com ela e cuidava dela. A princesa descobriu que ama muito a mamãe dela".

— Sofia... – Kate disse, levantando a cabeça do colo da filha, com os olhos marejados devido à emoção que sentira com aquelas palavras.

— Kate, você tinha que dormir com a minha historinha.

A garotinha disse de forma doce, sem entender o que aquilo que havia contado tinha significado para a mãe. Beckett sorriu e puxou a filha para seus braços, beijando o topo de sua cabeça e permanecendo com ela assim por um tempo.

#

Dois homens fortes e fardados adentraram o 12th e seguiram em direção à Esposito, informando que estavam ali para buscar Josh. O latino os conduziu até a cela e acompanhou todo o percurso. Ryan se aproximou quando viu Josh sendo levado algemado pelos dois policiais.

— Você acha que Kate estava certa? – o irlandês questionou, observando as portas dos elevadores se fecharem.

— Sobre o doutorzinho e seu advogado estarem tramando algo? – Javi perguntou e Ryan fez que "sim" agitando a cabeça – Bom, se eles estavam... não deu muito certo.

— Eu espero.

— Bro, relaxa, ele já está a caminho do presídio e ficará lá por uma boa temporada. Eu vou avisar à capitã que ele já foi levado.

Esposito se afastou e deixou Ryan – ainda pensativo – parado no mesmo local. Poucos segundos depois, dois policiais se aproximaram do irlandês o tirando de seus devaneios.

— Detetive, viemos buscar um preso.

— Quem?

— Josh Davidson. – um dos policiais comunicou, checando o nome no papel que tinha em sua mão.

— O quê?! – Ryan exclamou em choque e gritou por Espo, deixando os dois outros policiais confusos com sua reação.

Beckett estava certa, eles haviam mesmo planejado algo. E tiveram êxito. Droga, Ryan esbravejou e contou ao parceiro – que já havia finalizado a ligação com a capitã – o que acabara de acontecer.

Há algumas quadras dali, Josh saía da viatura com um sorriso de triunfo em sua face. Andou alguns passos e adentrou o carro de seu advogado. Verificaram se estavam seguros e partiram dali o mais depressa possível.

— Pelo que vejo, tudo saiu conforme o planejado. – Gaunt comentou satisfeito consigo mesmo.

— Sim, obrigado por me livrar dessa, Igor.

— Como se fosse a primeira vez. – o advogado ironizou, e continuou. – Ou a última.

Josh apenas riu.

— Pelo menos dessa vez eu não tive que ameaçar ninguém. – Igor comentou.

— Aqueles dois...

— Não se preocupe, são de confiança. A essa hora todos já devem saber o que aconteceu... para onde você quer ir?

— Casa de Vitor.

O advogado concordou e acelerou o carro, seguindo para a direção que Josh indicara.

Vitor Pettigrew era um primo distante de Josh. Uma das poucas pessoas da família com quem ele ainda mantinha contato. Vitor sabia da existência de Sofia e de Kate, mas jamais convivera com as duas ou, sequer, as conhecera. Ele vivia em uma casa não muito distante da cidade, mas longe o suficiente para ter sua privacidade garantida.

Sempre que Josh se metia em encrenca, era a Vitor que ele recorria. E vice-versa.

#

Castle chegou ao loft e se deparou com uma cena adorável: Beckett e Sofia deitadas nos sofá, dormindo, com os braços e pernas entrelaçados, fazendo quase uma fusão dos dois corpos. Não se conteve e tirou uma foto para registrar aquele momento. Já tinha uma pasta quase cheia em seu celular de fotos das duas em momentos espontâneos, ele as julgava serem as mais lindas e vívidas. Logo faria uma surpresa para a esposa com todas elas.

Aproximou-se das duas e plantou um beijo em cada uma.

Kate abriu os olhos ao sentir os lábios do marido colados aos seus, e sorriu.

— Oi, não quis te acordar. – ele disse em um sussurro.

— Tudo bem, eu não estava dormindo. Como foi a reunião?

— Chata, como sempre. Sofia está melhor?

Mesmo tendo ligado para Lanie, a capitã enviou uma mensagem para Castle informando sobre o estado de Sofia. Sabia que ele só veria ao final da reunião, então não corria o risco de atrapalhá-lo.

— Sim. – Kate disse, retirando os braços e as pernas da filha de cima de si, com cuidado para não acordá-la, e se levantou.

Castle a seguiu e os dois foram para a cozinha. Assim poderiam conversar sem incomodar a menina e, também, sem perdê-la de vista.

— Lanie disse que a febre dela era emocional. Causada por estar sentindo saudades.

Porém, antes que Castle pudesse fazer algum comentário, o celular de Beckett começou a tocar. Era da delegacia. Estranho, acabei de falar com Espo, será que algo aconteceu? Ela pensou e se apressou em atender, fazendo sinal com o dedo para que Castle esperasse um pouco.

— Sim, Espo.

Capitã, algo deu errado.— ele disse simplesmente e Kate sentiu todo o seu corpo gelar, já imaginando a que ele se referia. – Ainda não sabemos como, mas Josh conseguiu escapar.

— O quê? Você acabou de me ligar dizendo que ele havia sido levado.

Sim, mas os policiais que o levaram não eram policiais. Segundos após ele ter entrado no elevador, dois guardas foram até Ryan informando que tinham ido buscar Josh.

O sangue da capitã ferveu. Ela sabia que algo do tipo iria acontecer. Não esperava menos tendo Igor Gaunt metido no caso.

— Droga! – ela esbravejou – Eu vou até aí, Espo, chego em vinte minutos.

Desligaram a chamada e Kate contou a Rick tudo o que Esposito havia lhe informado. Pediu que ele tomasse conta de Sofia e que ligasse para ela caso a garotinha apresentasse alguma piora. Castle concordou e, assim que ela saiu, ele ligou para Martha e pediu que ela o ajudasse com Sofia. Talvez a presença da avó pudesse amenizar um pouco a ausência da mãe. Não custava nada tentar.

Beckett entrou apressada na delegacia, tudo estava um caos, os telefones não paravam de tocar e os oficiais andavam de um lado para o outro. Na televisão ligada, já passava a notícia da fuga de Josh, estampando seu rosto.

— Capitã. – Ryan chamou assim que a viu.

— Minha sala, agora. – ela disse passando por ele e Esposito.

Os dois a seguiram e fecharam a porta assim que entraram. Kate, com a sua melhor postura de capitã, pediu que lhe informassem exatamente o que havia acontecido.

Esposito contou do momento em que os dois falsos guardas foram até ele até quando Josh entrou no elevador, e ele saiu para telefonar para ela. E Ryan narrou sobre os dois policiais que, de fato, estavam encarregados de realizar a transferência do médico e, também, das providências que eles já haviam tomado.

— Gaunt é influente, de forma negativa, não seria difícil conseguir comprar policiais e realizar essa fuga. – ela disse após o relato dos dois.

— Você tem alguma ideia de para onde Josh possa ter ido, Kate?

— Não. Há anos não tenho contato com ele e... – batidas na porta a interromperam.

Ela direcionou seu olhar para Ryan, que estava próximo à porta, e ele a abriu. Trocou algumas palavras com um oficial e, depois, voltou-se para Beckett.

— Capitã, tem alguém querendo falar com a senhora.

— Quem?

— A senhora Astoria Greengrass.

Kate pediu que ele a deixasse entrar e, assim que seus olhos bateram na mulher, ela se lembrou de quem se tratava. Era a enfermeira responsável pela ala materna no dia do sequestro de Sofia. O que ela estaria fazendo ali?

A capitã pediu aos dois que se retirassem para ela conversar com a senhora Greengrass, e não a interrompessem por nada. Eles concordaram e saíram, deixando-as a sós.

— Desculpe vim assim sem avisar, capitã Beckett, mas eu vi a notícia na televisão de que o doutor Davidson havia fugido e achei que seria importante conversar com a senhora.

— E sobre o exatamente gostaria de conversa, senhora Greengrass? – Kate perguntou, indicando que ela se sentasse na cadeira à sua frente.

— Oh, por favor, chame-me de Astoria. Eu... não contei toda a verdade quando foram me interrogar.

Beckett a olhou de forma significativa e indicou que ela continuasse.

"Naquela época eu tive medo, e ainda tenho. Mas acredito que algo precisa ser feito. Quando o doutor Davidson soube que a polícia iria falar comigo, ele foi até mim antes de vocês e me ameaçou, disse que se eu mencionasse seu parceiro eles matariam minha filha. Mostraram fotos dela em seu colégio, eles sabiam onde ela estudava, capitã. Eu não tive escolha", ela disse tristonha, como se estivesse se desculpando e lamentando pela sua covardia à época.

— Parceiro?

— Sim. Ele foi com outro homem até minha casa. Eu já os vi juntos algumas vezes no hospital, conversando entre as visitas que o doutor Davidson fazia à menina Sofia. Não sei o porquê, mas eles não queriam que vocês soubessem sobre ele.

— Você saberia me descrever esse homem, Astoria?

— Claro. Hm. Ele é alto, cabelo castanho claro, olhos negros e expressivos, tem uma expressão dura no rosto, um tanto assustadora. Sempre ia de paletó e com uma pasta em mãos. O doutor Davidson se referiu a ele como Igor no dia em que foram até minha casa exigir que eu não contasse nada a vocês.

Todo o corpo de Kate se enrijeceu. Igor. Igor Gaunt. Mas será possível?! Então ele estava metido até o pescoço no sequestro de Sofia. Por isso todo esse empenho em livrar a cabeça de Josh. Se Joshua Davidson caísse, ele também cairia.

Haviam agido em conluio nessa.

Notas finais
Espero que tenha agradado :3 Eita, então o advogado cretino ta mais metido nesse sequestro do que pensávamos, ein. Sempre soube que ele não prestava, tsc u.u Não prometo que não irei demorar, pq estou nas últimas provas da faculdade e pirando com os estudos, mas darei o meu máximo :) E, como vcs devem ter notado, coisas novas acontecerão *rufa os tambores* Comentemmm, amorecos ❤