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3 Melancólica.
Onze de julho de 2009
Sou a pior pessoa que existe e nada no mundo vai mudar isso. Por trás dessa máscara de oficial competente está uma sacana, uma pessoa sem sentimentos, uma pedra. É, uma pedra.
Entreguei a ordem selada ao capitão me sentindo a maior traidora da humanidade e foi exatamente o que ele me fez sentir. Teria sido menos doloroso se ele tivesse gritado comigo, me humilhado em alto e bom tom, mas não... Ele só me disse “Boa sorte com essa escolha, Nanao”. Não sorriu, não fez nenhuma última gracinha, simplesmente se levantou e foi pra porta... “Se por acaso lhe interessar, todos os papéis que deixou pra mim estão assinados.” E saiu.
O que me sobrou? As habituais lágrimas reprimidas.
Antes de sair definitivamente do hachi bantai, falei com Tatsufusa-san e pedi que comunicasse ao esquadrão que dali em diante, Rangiku Matsumoto seria a nova tenente.
Pobre Tatsufusa-san, não sabia o que dizer, chorou aos meus pés, disse que o esquadrão não funcionaria sem mim e fez a pior pergunta: “O que será do capitão sem você, fukutaichou Nanao-chan?”
Tentei ser impassível, me controlei ao máximo pra responder “Ele vai ficar bem, Rangiku-san vai cuidar bem dele.” Menti. Não tinha a menor idéia de como meu ex-capitão ficaria... Nem mesmo sei como estou.
Acabei de tomar um banho gelado, pra tentar tirar de mim esse sentimento de culpa. Em vão. Continuo me sentindo a pior pessoa que existe. Uma traidora, uma ingrata. Será que algum dia nessa minha vida miserável, eu vou ser perdoada pelo Kyouraku-taichou?
Será que um dia nessa minha vida miserável, eu vou ser capaz de admitir que amo, AMO Kyouraku Shunsui?
Que esse dia não signifique que é tarde demais.
Boa Noite Diário.
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