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Notas iniciais
Doze de julho de 2009
Bem, hoje comecei meu trabalho na décima divisão. Na verdade, o que tinha a ser feito era apenas organizar alguns relatórios. Hitsugaya- taichou preencheu e assinou a maior parte dos formulários, então quase não me restou o que fazer.
Queria tanto me limitar a escrever somente sobre o trabalho, mas não consigo. É mais forte do que eu. E sinto que somente nesse diário eu posso me abrir realmente.
Antes de chegar à décima divisão hoje de manhã, cruzei com Rangiku-san no caminho.Eu a cumprimentei e fomos juntas, pelo menos até ela entrar no Hachi Bantai. Tudo parecia bem, nos despedimos, ela entrou e eu segui. Até que ela me alcançou correndo. Mal entendi o que ela queria dizer, mas distingui bem Kyouraku, falar e você. Repeti o que tinha entendido, para confirmar e ela balançou a cabeça afirmativamente.
Eu estava meio receosa, o que meu recente ex-capitão ia querer comigo?
Mesmo assim fui. Acompanhei Rangiku-san de volta ao Hachi Bantai. Entramos e a divisão estava espectralmente silenciosa.Rangiku-san apontou a porta do escritório e saiu...
“Então Nanao, está feliz agora?” Eu reconheci a voz do meu ex-capitão, seria capaz de reconhecê-la a milhas de distância.
“Kyouraku-taichou?” Chamei, tentando encontrá-lo nas sombras.
“Não sou mais o seu taichou, Nanao. Está lembrada?... Mas te fiz uma pergunta.”
Nunca foi do feitio do capitão falar daquele jeito. Tenho 100% de certeza que sou a causa dessa mudança. Mas o que fazer para reverter isso? Voltar atrás não era uma opção. Como sempre, tive que buscar forças no desconhecido para responder.
“Es... Estou bastante feliz.”
“Hum... Você nunca foi boa mentindo.” Realmente, sempre menti muito mal.
“Na... Não estou mentindo.”
“E por que a hesitação?”
“Não estou hesitando!”
“Quando é que vai admitir que quer voltar?”
“Eu...eu...” Não consegui chegar ao fim da frase.
“Quando vai admitir que quer voltar pra mim, Nanao?”
O que ele estava fazendo? Tortura psicológica? Não consegui me segurar mais e comecei a chorar. Minhas lágrimas pareceram ter um efeito devastador no capitão. Ele saiu da penumbra, estava incrivelmente perto de mim, e eu não tinha percebido.
“Porque está chorando, Nanao? Sempre foi tão forte.”
“Eu estou chorando por que não agüento essa sua tortura!”
“Minha tortura? Estou te torturando? E você acha que o que está fazendo comigo não é tortura?”
Eu caí de joelhos, incapaz de me segurar. Aquilo era demais... Eu quis confessar que amava aquele homem e que meu arrependimento me torturava a cada minuto dos meus dias. Mas não foi preciso. Ele me abraçou bem onde eu estava caída e confessou:
“Eu sinto a sua falta a cada minuto. Não consigo mais ficar aqui nessa droga de escritório sem você.”
“Kyouraku-taichou” Não queria mesmo me separar dele. “Mas o que há para se fazer? Não sou mais a sua tenente.”
“Ora, isso pode ser resolvido, não pode?” Tive a impressão de que ele estava rindo.
“É, pode.”
“Só precisamos falar com o Yama-jii”
“Mas e a ordem de troca, e o Hitsugaya-taichou, e a Rangiku-san?”
“Shhh... Isso fica para depois.” O capitão me silenciou displicentemente e se afastou de mim. Até achei que ele ia sair de perto quando aconteceu.
O beijo, a melhor das sensações que consigo me lembrar. Ah, como eu fiquei feliz! Se o capitão me beijou, se o homem que eu amo me beijou, significa que tudo o que eu sinto é recíproco.
Me deu vontade de pular, gritar aos quatro ventos como eu era feliz... Pouco me importei com o que o Yamamoto-taichou ia falar, não pensei no que Rangiku-san e o Hitsugaya-taichou diriam, até porque sei que um não vive sem o outro. Aqueles dois se amam, tanto quanto amo Kyouraku Shunsui.
Hum, que pena, acho que esse diário que a Rangiku-san me deu está terminando, essa última página foi sem dúvida a que eu mais escrevi e bem que ela me avisou que eram mesmo poucas páginas.
Mesmo assim, mesmo no fim, decidi não ter outro diário. A experiência bastou para mim. De agora em diante, vou ser feliz, e isso, é uma promessa!
Nanao Ise.
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