Notas iniciais
Qualquer semelhança com a realidade,é apenas,mera coincidências!

Ás 14:00h lá estava eu na praça,impaciente. Nem eu sabia por que estava tão impaciente.Talvez por querer contar tudo pra meninas,ou talvez por que iríamos pedir os pais delas sobre a festa. Me sentei e esperei. Era a única coisa que eu podia fazer.

Mas um tempo se passou e elas virarão a esquina juntas. Fernanda estava maravilhosa como sempre e eu fiquei pensando em quanto tempo ela ficou se arrumando.Na verdade todas estavam tão arrumadas que eu comecei a me sentir ridícula,com a minha calça jeans gasta e minha blusa larga de mangas.

_Oi Ketelly- Fernanda me abraçou e logo em seguida a Marina e a Cecília. Cumprimentei todas elas retribuindo o abraço e o sorriso.

_Então,qual casa vamos primeiro? – Perguntei.

_Acho melhor irmos pra minha.Minha mãe estava de ótimo humor hoje quando sair. – Fernanda respondeu .

_Tá!Então vamos logo. Cecília parecia impaciente.

Começamos a conversar. O que se resumiu na Cecília contando o motivo de está tão impaciente hoje e com a Fernanda dizendo que ela deveria parar com isso,e não sei quanto tempo esse assunto durou,por que não estava prestando atenção. Só pensava em quanto eu poderia ter me arrumado melhor e só parei de pensar quando chegamos na casa da Fê e fomos conversar com a mãe dela que deixou desde que voltasse-mos todas juntas.

Seguimos pra casa da Marina e depois da Cecília que de todas nós,teve os pais mais difícil de convencer,mas no final todas nós iríamos pra Festa do mês do Julho.

Fomos pra sorveteria em seguida,e só ai a Cecília tinha se acalmado e eu consegui contar pra elas tudo sobre o Léo. Como esperado,rimos muito,mesmo que eu já tinha ficado com raiva demais daquela história toda,ali com elas parecia que tudo tinha acontecido a tanto tempo que só nos restava rir.

_Acho que ele está muito afim de você! – Marina falou enquanto tomava seu Milk shake.

_Anh não sei!

_Você decidiu se vai com ele pra festa?

Olhei pra Cecília:

_Também não sei.

_Você precisa ser mais decisiva amiga! Todas nós olhamos pra Fernanda e rimos,por que era muito ironia da parte dela dizer aquilo.De todas nós ela era a mais indecisa.

Mudamos o assunto e começamos a falar das roupas,do cabelo e do dinheiro que não tínhamos. Pensamos e resolvemos optar por tudo mais barato o que incluía,mandar fazer o vestido,o cabelo e a maquiagem fazer em casa,sapato usar o que tinha,e uma ajudar a outra se o dinheiro estivesse sobrando pra uma e faltando pra outra.E ficou nisso.

Cheguei em casa cansada. Tomei um banho e dormir. Sem nem sonhar com o que me aconteceria no dia seguinte.

Acordei meio tonta.Mas longo sabia que eu tinha que ir pra escola e vê a Carla e o Léo,o que seria impossível evitar. Então decidir ir mais arrumadinha. Uma maquiagem de leve aqui,uma pranchada nas pontas espigadas do cabelo ali,um brinco,um anel,um tênis melhor.

_Bom,vamos lá. –Disse pra mim mesma no espelho.

Cheguei na escola e logo de cara percebi um cochicho logo quando eu passava,o que me preocupou por que comecei a pensar que alguma coisa em mim estava suja,ou minha maquiagem tava forte demais. Fui direto pro banheiro e dei de cara com a Carla:

_Olha só..quem resolveu aparecer!

Não respondi.Fiquei me olhando no espelho e não vi nada de errado. A fulana continuou:

_Como você está hoje? Não vai fingir um outro desmaio né queridinha?

Foi só ai,que me lembrei. Eu tinha desmaiado na sexta,na frente da escola inteira. Por isso todos estavam olhando pra mim. Hoje não ia ser fácil!

_O gato comeu sua língua,ou ainda está com raiva por que não conseguiu dar seu primeiro beijo no Léo?

_Olha aqui garota...comecei a dizer bufando com muita raiva.

_Olha aqui você! Ela me interrompeu..O Léo é meu! Ele é o meu par da Festa,por que você não arruma um nerd bem feio que combinaria direitinho com você?

Não ia cair no jogo dela. Então comecei a rir sarcasticamente..Mas sabia que estava rindo de nervosa..mas funcionou. Olhei pro espelho e comecei a retocar meu batom.

_Não vai dizer nada? Ela parecia muito indignada.

_Claro que vou! Sorri enquanto guardava meu batom.Ele é todo seu! Faça bom aproveito!

A expressão no rosto dela era de muita surpresa. Então sorrir novamente e sair aliviada por deixá-la de boca aberta com a minha resposta.

Fui direto pra sala,pra não correr o risco de encontrá-la novamente. Mas estava andando distraída,e foi quando eu tropecei em alguém e cair. No inicio pensei que era de propósito,um pé tinha sido colocado na minha frente,mas ai olhei pro lado e lá estava um garoto que eu nunca tinha visto na escola caído no chão também. Me levantei com dificuldade,olhei meio preocupada pros lados pra saber se ninguém havia visto,e suspirei aliviada sabendo que no primeiro sinal ninguém entrava pra sala. Suspirei de novo e sentir dor,olhei meu braço que sangrava um pouco,mas escutei uma voz calma:

_Ei,desculpa!Ai ai, desculpa viu? De verdade!

Olhei pro lado. O garoto estava se contorcendo de dor no chão e tentava me pedir desculpas,mas parecia que tudo nele doía também,inclusive a boca,por que suas palavras eram cortadas por “ais”. Tentei ajudar,mas meu braço doía. Então ele se apoiou na parede e se levantou de costas pra mim. Até que ele virou. Meu coração disparou de repente e eu não entendi por que. Levei minha mãe no peito e acho que meu olhos se regalaram,por que o garoto mais bonito que eu já vi na vida começou a andar pra onde eu estava, perguntando:

_Ei,ta tudo bem? Ei? Você não está tendo um infarto ou algo assim né?Ei?

Ele balançou a mão na minha frente e eu acordei do meu transe:

_Aiiiii! Foi o que eu conseguir dizer por que meu braço doía.

_Ei,vamos lavar isso.

E eu fui com ele,sem nem ao menos conhecê-lo. Chegamos na torneira do bebedouro, que era perto de onde caímos e ele começou a lavar meu braço,que começou a arder:

_Não tem uma enfermaria aqui,não né? Ele perguntou.

Fiz que não com a cabeça. Onde foi parar minha voz? Eu olhei pra ele,seu braço também sangrava..e sua boca parecia cortada. Que trombada foi essa que nós fez machucar tanto?

_Ei,você também precisa se lavar.

_Olha,você fala!

Ele riu mas eu não,por que fiquei muito constrangida. Então peguei o braço dele,e coloquei debaixo da água que caia no meu e comecei a lavar também. Ele gritou uns “ais” de novo e eu falei:

_Sua boca também cortou.

Ele levou a mão molhada na boca e a lavou.

_Devíamos ir pro banheiro pra nos secar. Disse.

_Certo.Mas não sei onde que fica.

_Eu te mostro.

E fomos em silêncio pro banheiro.Girei a maçaneta.

_Está trancando.Temos que esperar o segundo sinal.

_Tudo bem! Ele disse.

Olhei pro meu braço que ainda sangrava. E me sentir olhada. Olhei pra frente. Aqueles olhos que eu pensei ser castanhos claros,na verdade eram verdes água,me encaram.

_O que foi? Perguntei.

_Você ainda não disse se me desculpou.

_Claro! Ainda não entendi o que aconteceu.

_Aconteceu que eu estava correndo,e você estava andando depressa,e na virada do corredor a gente bateu de frente.

_E por que meu braço rasgou?Eu estava indignada com aquela situação.

_Por que você deve ter raspado no chão ou algo assim.

Olhei pra boca dele.

_E minha boca deve ter batido na sua mochila,não sei.

_Desculpa! Soltei baixo.

_Me desculpa você. Mal chego na escola e já faço isso com uma garota tão bonita.

Fiquei vermelha.Ele percebeu e riu. O segundo sinal bateu,me salvando de ter que responder qualquer coisa. A multidão de alunos começou a subir as escadas depressa. Olhei pro garoto de olhos verde água,e apontei pra moça de amarelo responsável pro banheiro. Ele foi até ela. Disse alguma coisa e mostrou os ferimentos e eles estavam vindo na minha direção. Ele sorria e eu não entendia o por que,quando o Léo chegou de repente:

_kete? O que aconteceu? Meu Deus olha esse braço? O que houve?

Não consegui responder. A funcionária abriu o banheiro e eu entrei,empurrada pelo Léo,mesmo ele sabendo que não poderia entrar ali. Mas eu voltei pra porta. Eu queria ver meu causador do tombo de novo. Queria saber se ele era real! O nome dele! Queria saber em qual ano ele estava. Ele era um anjo?

Mas só vi a Carla rindo de mim,por que com o tombo eu estava horrível. Voltei pro banheiro. O Léo só me olhava,mas dava pra ver que ele estava louco,cheio de perguntas. Fiz um não com a cabeça pra ele saber que eu não iria responder nada naquele momento e pedir pra que ele saísse.

_Mas Ketelly,você não está bem!

_Olha,se você não sabe esse é o banheiro feminino. E não quero arrumar problemas pra você. Aproveita que o corredor está lotado e saia.

_Mas Kete..

_Vai..-Meio que gritei.

E ele foi.Comecei a me limpar. Meu machucado doía. Pedir a funcionária uma faixa e ela me deu pra colocar no braço. Voltei pro banheiro e fiquei pensando,bem confusa no que tinha acabado de acontecer. Meu coração batia,como se clamasse ver aqueles olhos verdes água de novo,mas eu não sabia quem ele era. Olhei-me no espelho sabendo de uma coisa: eu precisava revê-lo!