Notas iniciais
Realidade? Não ,não! Tudo aqui é ficção!

Prendi meu cabelo com dificuldade. Meu braço havia parado de sangrar,mas ainda doía enrolado na faixa. Me olhei mais uma vez no espelho,ainda confusa e agora decepcionada por não saber o nome do garoto dos olhos verdes água, e depois sair,seguindo para a sala. Havia me esquecido que o primeiro horário era química,seria muito difícil convencer o professor. Bati na porta,todos olharam quando eu a abrir:

_Licença,professor posso entrar? Perguntei baixo.

_Por que está chegando esse horário? Ele me olhava com um olhar de reprovação.

_Por que ela é uma irresponsável! A voz da Carla suou no meio dos alunos,e todos riram.

_Silêncio! O professor gritou pra turma. – E então? Ele se virou pra mim.

_Eu esbarrei em um menino no corredor,nós caímos machucados e eu estava no banheiro me lavando. – Mostrei o meu braço enfaixado.

_Huuum – Foi o que ele disse.

_Posso ficar na aula?

_Pode. Só espero que não aconteça de novo!

_Anh,claro pode deixar. – "Como se eu quisesse ter esbarrado naquele garoto e me machucado e ainda passar por essa vergonha na frente da sala inteira."

O professor continuou sua terrível aula que eu tanto odiava e eu me sentei bem no fundo. Vi o Léo se levantar enquanto o professor estava de costas e vim se assentar na minha frente:

_E ai? Como você está? Ele perguntou baixo.

“Eu não estou afim de falar com você”- Queria tanto responder isso. Olhei pra Carla,que me encarava,e seus olhos diziam “eu vou te matar,um dia garota”.Respirei e comecei a pegar meu material,mas o Léo não calava a boca:

_Ketelly? Sai dessa e me conta. Foi de propósito num foi? Me fala que eu bato no moleque que fez isso com você!

Olhei pra ele. Eu queria que o garoto de olhos verdes estivesse ali,no lugar dele. Eu não queria contar.Queria que ele sumisse da minha frente e que a Carla parasse de me encarar como se a qualquer momento ela fosse voar em mim.

_A gente conversa depois,Léo! – Foi o que eu conseguir dizer.

_Nada disso! A gente vai conversar agora. Eu quero saber de tudo.

_Desde quando você manda em mim? Eu não vou te contar nada!Alias,não tem nada para contar. Eu cair e só isso! Por que tanta preocupação?

_Por que eu gosto de você e me preocupo tá legal?

Fiquei muda. Não sabia o que responder. Se eu dissesse que gostava dele também,era mentira. Eu não queria mentir pra ele. Mas eu também não queria contar. A única coisa que eu queria era que ele se afastasse. Eu não entendia,por que ele tão lindo como era gostava de alguém como eu.E eu não queria a Carla no meu pé. Em meio aos meus pensamentos escuto meu nome.

_Ketelly? Ketelly Kelly? Olhei pro Léo,não era ele.

_Sim? Respondo.

_Acho que você está no lugar errado. Quer se retirar por favor?

_Mas,professor,eu estavaa..

_Você estava o que? Fazendo tudo mesmo prestando atenção na aula. Se que pensar em seus problemas aqui não é o lugar.

Comecei a guardar minhas coisas,com raiva por que era culpa do Léo. E a sala estava rindo.Aqueles risinhos baixinhos que eu tanto odiava. Eu poderia discutir com o professor,mas eu odiava aquela aula,e estava louca pra ver se achava os olhos verdes por ai,e queria muita distância do Léo.

_Desculpa se atrapalhei sua aula. Falei olhando pro professor que assentiu e indicou a porta,e eu,imediatamente me arrependi de ter pedido desculpas. Sair tão aliviada que até eu mesma me surpreendi.

Fui pro banheiro e não sei por que comecei a chorar. Talvez por que meu braço doía.Talvez por que meu coração doía. Talvez por que eu teria que ser muito sincera com o Léo e eu não queria magoá-lo. Talvez por que não sabia onde encontrar o garoto que fez meu coração disparar desesperadamente. Talvez por que eu dispensaria o Léo e teria que ir na festa sozinha. Talvez por causa das implicâncias da Carla. Só sei que chorei como uma criança o resto do primeiro horário no banheiro. E quando eu conseguir me controlar e me olhei no espelho,voltei a chorar por estar horrível,com o rosto vermelho e inchado. Peguei meu celular e disquei o numero da minha mãe,e inventaria pra ela que eu estava com alguma dor de cabeça,ou falaria a verdade que havia caído e machucado.Mas ai eu comecei a pensar enquanto o celular fazia “tuuu..tuuu..tuuu” no meu ouvido.Eu iria ser assim sempre? Toda vez que eu tivesse um problema eu fugiria através da minha mãe? Hoje eu tinha saído de casa tão decidida,eu disse pra mim mesma que resolveria tudo.

_Alô? Alô,Ketelly?

_Oi mãe!

_Por que está me ligando? Aconteceu alguma coisa?

“Aconteceu mãe! Aconteceu que eu odeio a minha vida!A minha escola! E essas pessoas idiotas daqui. E quando eu finalmente encontro uma pessoa bonita,ele simplesmente some,tão rápido e de repente como apareceu”

_Nada mãe. Só disquei seu numero sem querer.

_Então tudo bem!

_Então,tchau!

_Tchau!

Suspirei e lavei meu rosto. E o sinal bateu e entrou umas meninas que pareciam da oitava serio no banheiro e todas muito bem maquiadas.

_Você tem alguma base ai? –Perguntei pra uma que achava ser mais legal das três que se olhavam no espelho.

_Claro! Ela já foi abrindo a mochila. E tirou de lá uma bolsa cheia de coisas de maquiagem. – Use o que quiser!

Sorrir agradecida.

_Dia difícil? Ela perguntou.

_Muito!

E ficou lá,esperando e me vendo passar a base,o blush e o delineador. Quando acabei e agradeci,ela sorriu e me disse pra ser forte. Eu olhei surpresa e disse:

_Vou ser!

E logo em seguida saiu. Soltei meu cabelo e tive a sorte dele não está marcado. Me olhei de novo. Resolvi que arrumaria uma bolsa igual a dela e sempre levaria pra escola,afinal nunca se sabe quando vai precisar. E sair daquele lugar,decidida a mudar tudo!

Fui andando em direção a sala.Alguns meninos olharam pra mim,mas eu não liguei. Parece que aquela maquiagem havia sido um escudo,não sei dizer ao certo. Meus olhos procuraram enquanto eu andava no corredor os olhos verdes mais lindo que já vi,mas não os encontrei de novo,então entrei na sala e sentei no mesmo lugar no fundo. Olhei pra sala,algumas meninas comentavam alguma coisa, e eu tive certeza que era de mim,mas apenas ignorei. O Léo entrou na sala,e sorriu aliviado ao me ver:

_Onde você tava? Fiquei te procurando!

_Léo,olha. –Eu olhei bem nos olhos dele – Não quero conversar sobre meu tombo agora,e alias nem sobre nada. Não agora. Não me entenda mal,mas é que já fui expulsa da sala no primeiro horário e não quero ser nesse também. Conversamos outra hora,ok?

_Ta tudo bem,kete. Ele se levantou e me deu um beijo no rosto,bem na hora que a Carla estava entrando na sala. Ela veio em minha direção,assim que o Léo saiu:

_Acha que se arrumando assim,igual uma palhaça,vai conquistar o Léo? Ela riu.

_Acho que se você não parar de me incomodar eu conto tudo pra ele.

_É mesmo?

_É – Fiz que ia me levantar na direção do Léo. Ela se colocou na minha frente e nos encaramos.

_Você vai se arrepender,garota!

_De que? Nunca te fiz nada...ainda! Eu rir,e percebi que estava ficando boa em lidar com ela.

Ela se virou e saiu. A professora entrou e atrás dela o Rodrigo,andando se achando,como se fosse o mais gato do mundo. O mais estranho de tudo é que ele me olhou e riu,e eu meio que rir também. Ele pegou as coisas dele e veio se assentar na minha frente.

A aula de biologia era boa,mas eu não entendia nada quando me assentava no fundo.E estava muito difícil prestar atenção sendo observada pelo Léo,recebendo um olhar de morte da Carla e ainda tendo que aturar o Rodrigo na minha frente,fora que eu lutava comigo mesma tentando não pensar no meu machucado e no que tinha acontecido mais cedo. Ainda bem que a professora deu um tempo da falação dela e todo mundo começou a conversar. Eu peguei meu celular como sempre fazia e comecei a ler meus textos e a escrever novos,quando fico quase sem voz,ao ouvir:

_Ketelly?

“Olho pra frente e nem acredito no que estou ouvido. O Rodrigo me chamado???”

_Oi. Respondo.

Ele sorrir e chega sua cadeira para mais perto da minha.

_Você vai na festa do mês de Julho?

Comecei a suar,meu coração acelerou e eu quase perdi meus sentidos. Por que ele estaria interessado nisso? Meu Deus,esse menino nunca falou comigo,mesmo tendo passado a infância dele comigo. Ele simplesmente me ignora desde que as aulas começaram! E agora ele ta aqui,rindo desse jeito e me perguntando da festa?Hoje é o pior ou melhor dia da minha vida?

_Oi?- Fingir que não tinha entendido,pois queria ter certeza que ele estava ali,me perguntando aquilo.

Ele riu.

_Você vai na festa?

_Por que?

_Sim ou não?

_Sim..mas por que?

_Tem acompanhante?

Ai meu Deus! Respondo sim ou não? Eu tenho,ou eu ainda não tenho? Olhei pro Léo..eu tenho..só que depois da conversa que eu teria com ele eu com certeza não teria mais.

_Por que quer saber de tudo isso?

Ele parecia confuso.

_Preciso saber!

_Ata..Eu também preciso saber de muitas coisas e não saio por ai perguntando não,viu!

Ele riu e eu ri também,por que fiquei feliz de fazer ele ri.

_Não vai falar? — Já estava impaciente.

_Espera um pouco.

Então ele se virou pra frente e começou a escrever alguma coisa. O que eu achei muito estranho,mas esperei pra ver no que ia dar. Depois ele se virou de novo e sorriu:

_Toma. Ler isso aqui e me dar uma resposta.

Ele se virou pra frente,e eu olhei em volta pra ver se ninguém tinha visto ele me entregar aquilo e por sorte ninguém viu.Então eu abrir,e foi a maior surpresa do mundo!