Na manha seguinte acordei com um barulho do lado de fora do quarto. Minha cabeça ainda doía,mas meu corpo parecia estar melhor. Olhei no relógio e vi que era quase 11 horas da manhã e que com certeza minha mãe havia me deixado faltar de aula por não estar em condições. Agradeci por estar de suspensão. Comecei a prestar atenção nas vozes que viam do lado de fora do quarto,e vi que era a voz da Cecília e da Marina,mas tinha uma que eu não conseguia identificar. Resolvi ficar deitada e esperar para que elas entrassem no quarto. E depois de algum tempo elas entraram.

_Ela está acordada. – Foi a Cecília que disse ao entrar e me ver sentada na cama prendendo meu cabelo.

_Oii gente! – Respondi fraco.

_Oi Ketelly – Marina veio me abraçando e logo em seguida a Cecília.

Depois ficaram em silêncio e me olhando,como se estivessem sem coragem de dizer alguma coisa. Quebrando o silêncio,minha mãe entrou com uma bandeja de café da manhã,que eu nem sabia que tinha em casa e disse que eu precisava comer. Apesar do cheiro maravilhoso,eu não queria. Mas ela disse que eu precisava estar bem para passar o dia com a minha prima.

_Sério? Abrir um sorriso enorme e se pudesse me ver no espelho naquele momento eu saberia que meus olhos brilharam com aquela noticia.

_Sério. Sua tia nos ligou,disse que a Paola saiu do hospital durante a noite e seu estado é estável. – A Marina parecia contente ao dizer essas palavras.

_É. Ela nos pediu para que fossemos com você para passar a tarde com ela. E transformar em um dia mais inesquecível pra ela e para nós.

Não disse nada. Aquilo me deixou extremamente feliz,mas também me deixou super mal. Por que aquilo seria como uma despedida e eu não sei se estava pronta pra aquilo tudo. Não sei como ficaria quando aquele dia terminasse e eu tivesse que voltar pra casa,e esperar o dia da morte dela. Senti uma presença do meu lado na cama e sair do meu transe:

_Filha – Olhei pra minha mãe. Ela estava com o rosto inchado e eu comecei a pensar que com certeza ela deveria ter passado a noite acordada – Sei que não vai ser fácil,mas pensa bem. Já não esta sendo fácil pra ela. Talvez com a sua companhia e das meninas ela se sinta viva e feliz novamente e encontre forças para lutar contra tudo isso. Não pense só em você. Pense nela também.

Sentir meus olhos lacrimejarem,mas segurei para não deixar minhas lágrimas rolar. Minha mãe estava certa,por mais que aquilo doesse.

_Ei não chora! Você precisar tomar esse café,se arrumar e descer,por que tem uma visita lá embaixo e está aqui desde cedo esperando você acordar.

Aquilo me deixou surpresa:

_Quem? — Perguntei

Vi minha mãe trocar um olhar malicioso com as minhas amigas e aquilo não fazia o menor sentindo:

_Só espero que ele não tenha que esperar muito. Ou irei manda-lo subir aqui,mas como sei que você odeia que te vejam de pijama,deixei ele lá em baixo.Não demore.

Ela disse isso e se levantou,quando chegou até a porta deu uma piscadinha pras meninas que riram. Ao fechar a porta elas vieram correndo e se sentaram ao meu lado:

_Meu Deus! Ele é realmente muito,muito gato! – A Ceci disse rindo.

_Mas eu falei que ele era – a Marina acrescentou.

Eu não estava entendo,mas resolvi ficar lá na cama tomando meu café e deixar que elas comentassem de quem quer que fosse.

_Será quanto tempo ele está aqui?

_Não sei. Quando eu cheguei ele já estava.

_E desde que horas você ta aqui Marina? – Perguntei.

_Estou aqui desda 7 horas da manhã,esperando a bela adormecida acordar! — Brincou

_E você Cecília?

_Desda 8 horas.

_Nossa vocês chegaram cedo mesmo.

_ É, e você parecia uma morta na cama. Não acordava nunca.

_Eu acordei de madrugada e também tomei remédio pra dormir de novo. — Me defendi

_Eu imaginei. Só estamos brincando.- A Ceci fez uma cara engraçada e todas nos rimos.

_Que bom ver seu sorriso. — A Fernando entrou no quarto e eu sorri pra ela novamente.

_Oiii – fizemos um abraço coletivo e fiquei com vontade de chorar.

_Ei nem começa ta? – Ela me disse – Alias o que você ainda está fazendo assim,nesse quarto? Um tal de Caio ta lá em baixo te esperado e você ta assim? Nossa e que gato!

Dei um pulo da cama quando ela disse Caio.

_O que? Você não sabia? Vocês não contaram?

_Meu Deus! Por que vocês não falaram logo??

_Nos achamos que você já sabia.

_Vocês acham mesmo que se eu soubesse estaria aqui deitada nessa cama,na maior tranqüilidade? – Eu disse me levantando e indo direto pro banheiro.

_Desculpa! – Elas disseram.

_Vocês são amigas muito más.

O quarto ficou em silêncio. Corri pra cama de novo e as abracei.

_Brincadeira vocês são as melhores.

_Tá agora vai logo – Disse a Fernanda.

_Aii.ta bom.

Corri pro banheiro e enquanto tomava banho,aproveitei pra chorar um pouco para que quando eu visse a minha prima eu estivesse forte e não chorasse na frente dela,mesmo sendo quase impossível. Também fiquei pensando na roupa,para já ganhar um tempo e claro que pensei no Caio. Coitado! Tanto tempo esperando e eu ainda estava demorando. Não sabia nem como ele havia ficado sabendo. Sair do banho e vi que as meninas estavam usando o notebook. Não me importei e comecei a trocar de roupa. Coloquei uma blusa rosa clara e um short branco,uma rasterinha e comecei a pentear o cabelo. Quando ouvir um choro baixinho. Olhei pra trás:

_Por que vocês estão chorando?

_Nossa suas palavras foram de arrancar o coração. – A Fernanda disse.

_Eu concordo!

Olhei pra tela do notebook e vi que elas tinham lido o que eu tinha escrito ontem.

_Ei isso era pra ser confidencial.

_E desde quando você tem algo que a gente não pode ler?

Fiquei sem reação.

_ Gente ela deve ter escrito isso ontem. Da um desconto – Foi a Cecí que me defendeu.

_Exatamente – Respondi- Eu disse que tinha acordado de madrugada,não consegui dormir e resolver escrever isso daí,pra colocar um pouco da dor pra fora.

_É realmente você colocou por que a sua dor parece que passou pra mim

_Só você mesmo pra falar isso Marina.

Voltei a pentear meu cabelo e o deixei solto. Passei uma maquiagem de leve e um rimel só pra amenixar meu olhos inchados do choro. E disse que estava pronta. As meninas me olharam e disseram que eu estava bonita. Duvidei.

_Agora só preciso arrumar esse quarto.

_A gente ajuda.

Arrumei a cama. Juntei algumas roupas. Guardei outras. Enxuguei o banheiro e organizamos tudo. E descemos. Fiquei realmente muito surpresa por encontrar o Caio sentando na minha sala,rindo de alguma coisa com o meu pai. Olhei pra eles,que parecem constrangidos,por estarem rindo em um momento daqueles.

_Oi filhota. Como você estar? Dormiu Bem?

Era estranho ter aquele tratamento do meu pai,por que normalmente ele não estava em casa nesse horário. Aproveitei e o abracei.

_Dormi bem pai.

_Que bom filha. Então estava aqui conversando com o seu amigo,o Caio. Ele esta te esperando.

Fiquei com vergonha,mas me sentei do lado dele.

_Oi Caio.

_Oi Ketelly.

_Será que a gente pode ir lá pra fora pra gente conversar?

Fiquei calada. Mas minha respondeu por mim.

_Vão lá pra cima. Tenho certeza que no quarto Keelly ninguém vai incomodar e nem vocês vão fazer nada de errado.

_Maaeee. – Olhei pra ela que sorriu – Vamos lá pra cima Caio.

_Ta bom.

Subimos e eu sentir os olhares de todos voltados pra nós. Fechei a porta e disse pra ele ficar a vontade. Me sentei na cama e ele na cadeira do computador. Primeiro ficou me olhando sem dizer nada,e eu fiquei sem graça. Depois falei:

_Me desculpa,por aquele dia na escola. Não fui muito educada com você né? Pois então me desculpa,eu só..

_Ketelly – Olhei pra ele – Eu também te devo desculpas. Na verdade nós dois sabemos que nada daquilo teria de fato acontecido se eu não tivesse insistindo pra você ir conversar comigo- Aquilo era verdade,mas me mantive calada e deixei que ele continuasse- É por isso que eu vim aqui. Eu te devo desculpas. Quase fiz com que sua amizade com a Marina acabasse e eu jamais me perdoaria por isso. Passei a noite toda pensando em como eu iria pedir desculpas pra você,pois sabia da sua suspensão e que não iria te ver tão cedo. Então procurei suas amigas e pedi seu endereço. Foi difícil,nenhuma queria me passar,mas conversamos e eu expliquei a situação e aqui estou eu – Nesse momento ele abriu os braços e ficou me olhando. Me levantei e fui até ele e o abracei. E foi um dos melhores abraços que já ganhei na vida. Uma abraço apertado na medida certa,cheiroso com aquele perfume que eu não sabia o nome mas com certeza entraria na lista de perfumes preferidos. E ficamos assim. Ele começou a acariciar meu cabelo,e eu estava sentindo uma sensação maravilhosa. Era como se aquele abraço pudesse me defender do mundo ruim lá fora. Meus olhos começaram a encher de lagrimas,mas segurei pois não queria chorar na frente dele e desabar meus problemas. Escutei minha mãe gritar lá de baixo que o almoço estava pronto.

_Vamos descer? – Disse me desvencilhando daquele abraço maravilhoso,mesmo querendo ficar daquela forma pra sempre.

_Vamos. Mas você me desculpou né?

Olhei pra ele e sorri:

_Claro que sim!

Abrir a porta e deixei que ele fosse na frente e dei uma rápida olhada no espelho do lado da porta,pra ver se não estava com cara de choro. Eu estava,mas não tinha nada que pudesse ser feito. Desci logo em seguida e encontrei uma mesa linda na cozinha. As meninas já estavam comendo e o Caio despedindo de todo mundo.

_Mas,ei,pensei que você ia ficar pro almoço.

_Não posso. Tenho que ir trabalhar daqui há 1 hora. Se eu não correr agora vou me atrasar.

_Ahh..

Fiquei parada olhando ele se despedir dos meus pais,meus irmãos e minhas amigas. Depois o levei até o portão.

_Obrigada,por ter vindo aqui hoje. Não está sendo fácil.

_Ei,fica calma, vai ficar tudo bem,e se não ficar agora ou amanha,no depois fica.

Olhei pra ele,que deu um sorriso e se curvou um pouco para me dar um beijo na testa. Depois me abraçou e disse baixinho no meu ouvido:

_Se tudo der errado,eu faço você ficar bem.

Eu o abracei ainda mais forte,e uma lágrima rolou em meu rosto.Ele a enxugou,e me deu mais um beijo na testa e se foi.