Fernanda E Caio - O Político.
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Havia mais ou menos umas duas semanas que Fernanda andava estranha. Chegava no cursinho e não falava com ninguém. Sempre triste pelos cantos, de olhos vermelhos. Seus amigos não sabiam o que estava acontecendo, pois ela mal falava; apenas chorava.
Sua rotina estava diferente. Já não vinha com Caio. Ele que sempre fez questão de deixa-la no trabalho, agora não aparecia nem ao menos para os dois irem juntos almoçar, como sempre acontecia. Aliás, ela mal estava se alimentando. Comia uma salada pequena, ou um sanduiche e passava o dia inteiro em sua sala, ou no laboratório de informática.
Os seguranças haviam diminuído também. Ela chegava apenas com um, e seus amigos notaram que era um que ela mal conhecia. Geralmente, os seguranças que andavam com ela, eram seus conhecidos, e eles tinham até alguma amizade, mas este que estava agora com ela, simplesmente chegava e ficava em pé na frente do cursinho esperando por ela.
As aulas continuavam as mesmas. Aliás era a única coisa que ainda continuava igual. Fernanda era uma ótima professora, e isso fez com que seu nome rodasse algumas faculdades da cidade. Era uma segunda feira e o telefone da secretaria do cursinho não parava de tocar. Todas as faculdades de direito, aparentemente queriam Fernanda em seu quadro de professores. Uma das mais prestigiadas, inclusive, mandou um representante para falar pessoalmente com ela.
– Então, Fernanda, eu me chamo Paulo e estou aqui para podermos conversar sobre a proposta que mandamos para que você possa trabalhar conosco.
– Como vocês ficaram me conhecendo? – Apesar de estar feliz por ver que seu trabalho estava sendo reconhecido, ela adquiriu a mania de desconfiar de todo mundo.
– Então, geralmente cursinhos e faculdades mantém um laço estreito de contatos e sempre que notamos que um professor está se destacamos, logo vamos atrás dele para conversarmos.
– Laços estreitos?
– Bem, você sabe como é... Isso acontece em todos os Estados do país. Geralmente os melhores professores, os que mais possuem didática são professores de cursinho, entende? Você conhece a UJD?
– UJD? Joana D’Arc? Claro que sim, é uma das melhores do país, não?
– Sim, e temos “olheiros” em quase todos os cursinhos do país. Temos, em nosso quadro, professores de norte a sul, e agora, chegamos até você.
– Eu não tenho Mestrado.
– Nós sabemos.
– E isso não é problema? Quero dizer, sei que para ser professor de faculdades, é preciso, pelo menos Mestrado.
– Sim, e nossa oferta é, além de dobrarmos o salário que recebe aqui, lhe daremos uma bolsa para o Mestrado em nossa Universidade na área que você quiser.
– Oi? – Fernanda não estava acreditando no que estava ouvindo.
– Veja, você é uma professora nata, e nós queremos você. – Falou Paulo depois de uma gargalhada com a reação dela.
– Bem, isso é uma oferta tentadora, mas antes preciso pensar.
– Sim, sei que você terá que falar com seus amigos, donos do cursinho e com seu marido, mas sei também que você ficou tentada a aceitar.
– Sim, é que o horário daqui do cursinho...
– Seria o mesmo horário. – Paulo falou interrompendo-a. Aparentemente, ele não estava aceitando não como resposta. – Lhe telefono em uma semana para saber de sua resposta.
Fernanda ficou sentada na sala de estudos vendo o homem sair da sala. Ele deixou alguns folders sobre os programas de mestrado da Faculdade. A Universidade Joana D’Arc era daquele tipo de faculdade que somente a nata da sociedade brasileira frequentava. Era particular, e tinha a fama de ter uma qualidade de ensino tão boa, ou até melhor, de qualquer Universidade Federal de qualidade A. Ela não poderia se dar ao luxo de recusar. Não agora. Ligou para o marido para contar a novidade. Ele não atendeu. Suspirando, levantou e voltou a dar aula.
A semana passou e cada vez mais Fernanda aparentava estar mais triste que o dia anterior. Essa situação ficou visível para todos que estavam no cursinho, inclusive para Henrique que, por várias vezes a encontrou saindo do banheiro de olhos vermelhos e rosto molhado de chorar. Ele ficou alguns dias vigiando Fernanda e seu comportamento.
– Fernanda? Nossa, está tudo bem? – Ele falou tentando demonstrar a mais sincera preocupação.
– Han, ah... Sim, es... Está sim. É que estou com saudades da minha filha.
– Saudades? Ah sim, férias. Ela viajou com o pai?
– Não, ela está com o padrinho dela na fazenda da família dele. O Caio está... Acho que deve estar no escritório. – Henrique não deixou de notar o “deve estar”.
– Certo. Bem, não se preocupe com isso, sim? Pense que ela está se divertindo.
– Claro... Obrigada! – Falou se afastando.
Sorrindo, depois de vê-la saindo chorando do banheiro com o celular em mãos, foi para seu carro e ligou de seu celular privado. Há tempos que ele esperava por isso e o momento havia chegado.
– Alô? – Atendeu uma voz surpresa do outro lado.
– Onde você está?
– No escritório. O que aconteceu? Você não me ligaria deste número se não fosse coisa importante.
– Como estão Caio esses tempos? – Henrique estava quase às gargalhadas.
– Com um péssimo humor... Por quê?
– Deu certo! – Henrique falou depois de gargalhar.
– Como? O quê?
– Os e-mails. – Ele falou depois de respirar fundo entre uma gargalhada e outra. Foi a vez de Aguiar rir.
– Você está falando sério?
– Acabei de ver sua princesinha de olhos vermelhos saindo do banheiro. Ele caiu no que escrevemos nos e-mails.
– Mas isso... Isso é uma maravilha.
– Agora o resto é com você. É só me dizer quando agir que farei o que está planejado.
– Eu quero ver os dois sofrendo. – Aguiar falou com um tom sombrio na voz antes de deligar.
Levantou de sua cadeira e foi até perto a janela. De onde estava, dava para ver parte do estacionamento. Notou que Caio estava parado em seu carro olhando para o nada. Pensou em ir até lá, mas avistou Rui chegando perto do amigo. Com certeza para conversar sobre o que estava acontecendo. Notou que a conversa não foi das mais amigáveis. Correu para perto da porta para ver se escutava alguma coisa do que os dois conversavam quando entraram no prédio.
– ... Pensa bem no que você está fazendo Caio. Mulher como a Fernanda...
– Ela é uma vagabunda mentirosa Rui. – Caio falou com raiva, desespero, tristeza tudo misturado na voz.
– Caio pensa bem... Esses e-mails são mentira.
– MENTIRA? Outro dia eu estava chegando no cursinho e ela estava toda sorridente praquele amiguinho dela de faculdade.
– Amigo de faculdade? Diz o Thiago?
– NUNCA MAIS pronuncie esse nome perto de mim se você quiser permanecer meu amigo. – Caio gritou para Rui que ficou assustado.
– Ei Cara... Calma... Sou eu!
– Desculpe... Mas lembrar deles dois juntos... – Caio falou baixo suspirando. – Eu AMO aquela mulher Rui.
– Por isso mesmo você deveria escutar o que ela tem a dizer.
– Mais mentiras? Porque é isso que ela vai falar, mais e mais mentiras.
As vozes foram diminuindo a medida que eles se afastavam do corredor. Aguiar sorrindo em seu escritório começou a acreditar que os e-mails realmente funcionaram e que não demoraria muito para que ele e Fernanda pagassem por tudo que fizeram para a sua família.
Sentou-se na cadeira e na última gaveta da sua mesa pegou uma foto. Era uma foto já antiga onde aparecia dois sorridentes jovens. Ele ainda adolescente ao lado de outro com aparência de seus 25 anos.
– Não se preocupe meu irmão. Você será vingado. Por tudo que eles fizeram a você. – Guardou a foto com todo carinho e voltou para seus relatórios. Essa vingança contra Caio e Fernanda o estava afastando de suas verdadeiras responsabilidades. Era ano eleitoral e ele precisava organizar seus documentos caso quisesse concorrer à reeleição.
Uma semana se passou depois da conversa que Caio teve com Rui e os boatos que se seguiam eram que Caio havia explodido e expulsado Fernanda de casa. A princípio ele não acreditou. Aprendeu, com sua profissão a não dar muita importância para boatos.
Sempre que tinha notícias de Fernanda através de Henrique, sabia que seria apenas questão de tempo para que os boatos se confirmassem ou não. O que ele sabia era que ela agora estava faltando às aulas. Sempre falava aos amigos que era saudade da filha, pois a mesma estava viajando, mas Henrique sabia que era mentira.
Certa manhã Aguiar estava tão absorvido por suas tarefas que mal viu o tempo passar. Só saiu de sua concentração quando escutou uns gritos vindos do final do corredor, da sala de Caio. Ele pensou em não dar muita atenção, mas notou que uma das vozes era de uma mulher. Fernanda.
Correu de sua sala e ao abrir a porta teve a certeza que era ela. Todos estavam assustados com o que estava acontecendo, inclusive Rui.
– Rui? O que está acontecendo? – Perguntou ao se aproximar dele.
– Bem, sei que você já deve ter escutado os boatos...
– São apenas boatos, Rui. Caio e Fernanda formam um casal forte demais para eu poder acreditar nisso.
– Infelizmente não são boatos. Eles estão separados. Ela saiu de casa.
– Como é? – Aguiar teve que conter sua excitação para não dar na vista.
– É... Infelizmente parece que Caio acreditou numa série de e-mails que vinha recebendo e explodiu expulsando Fernanda de casa.
– Mas... Quando isso aconteceu?
– Que ela saiu de casa? Uns cinco dias.
– Mas, que confusão é essa?
– Ela está na sala dele agora. Eu estava lá quando ela entrou pedindo que ficassem sozinhos. – Rui falou triste entrando em sua sala e se trancando lá dentro.
Aguiar não podia conter sua excitação e chegou perto para ver se conseguia escutar qualquer coisa. Aquilo era a melhor coisa que havia acontecido em semanas. Ele já estava até desistindo. Bem que Henrique falou que era para eles continuarem insistindo que daria certo.
– Você precisa e VAI SIM me ouvir. – Era a voz de Fernanda quando Aguiar chegou perto o suficiente para que pudesse escutar a conversa.
– Nós não temos mais nada para conversar. Tudo que eu precisava saber eu já sei.
– Caio, escute a razão, isso tudo é absurdo. COMO, me diz COMO eu teria um amante se você SEMPRE estava comigo?
– Nem sempre, minha querida, nem sempre.
– Caio, amor, me escuta... Isso, esses e-mails...
– AMOR? COMO VOCÊ SE ATREVE A ME CHAMAR DE AMOR DEPOIS DO QUE EU VI? – Ele explodiu fazendo todos no escritório se assustarem.
– ESSES E-MAILS SÃO MENTIRA! – Fernanda estava mais desesperada que com raiva. Queria tentar fazer com que o marido acreditasse nela de qualquer forma.
– Eu... Mudei por você. Eu... Eu me tornei um homem sério POR VOCÊ... Por achar que você merecia mais que um... Um... Contraventor, gangster, sei lá como me chamavam. E o que eu recebo? Uma punhalada nas costas. DE VOCÊ. Você é pior do que as putas que eu costumava sair.
– NÃO ME COMPARE ÀQUELAS MULHERES.
– Ah não, minha querida, você é bem pior.
– Amor... Não fala assim... Eu... Eu amo...
– Voce NÃO sabe o que é amor, Fernanda. Eu, Fernanda. Eu AMO você. Meu coração pulsa POR VOCÊ... E você... – Aguiar ouve um suspiro alto de Caio nessa hora. – Saia daqui. – Ele falou num tom normal, mas incrivelmente triste.
– Pense bem no que você está fazendo Caio. Se eu sair por aquela porta, você nunca mais saberá de mim ou de Cristina.
– Minha filha não vai.
– Você NÃO vai tirar minha filha de mim. – Agora Fernanda estava com ira na voz. Realmente, Aguiar pensou, uma mulher faz qualquer coisa pelos filhos.
– A MINHA filha não vai ficar perto de uma puta rameira como você. E NENHUM juiz vai dar a guarda pra você com o que eu tenho para provar. Tem certeza que é isso mesmo que você quer?
– Ela com você não fica. – Fernanda abriu a porta com tanta força que teria jogado Aguiar no chão se o mesmo não tivesse se afastando rapidamente. Ficou alguns segundos olhando Fernanda ir embora soluçando de tanto chorar.
Entrou no escritório de Caio e o viu com a cabeça entre seus braços na mesa.
– Caio?
– Agora não Aguiar.
– Mas é que...
– Eu disse... Agora não! – Quando Caio levantou, ele estava com o rosto molhado das lágrimas que caiam. Aguiar, mesmo se regozijando do sofrimento do homem a sua frente, respeitou aquele momento e saiu sem dizer mais nada. Quando chegou em sua sala precisou se trancar na varanda pelo lado de fora para comemorar.
Aquela noite, Fernanda ficou com Inês. Ela também sabia do que estava acontecendo. Caio, com todo cuidado que sabia ter, chegou tarde da noite ao antigo apartamento da mulher. Sorte que ele conhecia aquele condomínio com a palma da mão e sabia todas as entradas que ele tinha, até mesmo as menos conhecidas. Já passava das onze quando ele tocou a campainha do apartamento, sendo recebido por uma Fernanda amorosa.
– Onde está a Inês?
– Ela e o marido saíram para dar uma volta.
– Quando ela volta? – Caio perguntou ainda abraçado à mulher.
– Amor... O “dar uma volta” é passar a noite em um motel. Ela disse que nós ficaríamos mais à vontade sem ela por aqui.
Sorrindo Caio entrou no apartamento. Claro que a briga fora encenação. Ambos passaram duas semanas treinando para aquele momento. Ao sair do escritório de Caio, Fernanda temeu que Aguiar não tivesse caído na conversa. O problema, era que ela realmente estava chorando. Por mais que soubesse que nada daquela briga fosse verdade, as palavras duras de Caio a magoaram visivelmente.
– Desculpe! – Caio falou baixo abraçando a mulher. Ela não respondeu. Apenas o abraçou mais forte. – Quando eu vi você chorando...
– Xiu... – Fernanda falou beijando com desejo o marido.
– Então... Universidade Joana D’Arc heim? – Ele falou todo orgulhoso da mulher.
– Ainda não entendo como eles me descobriram.
– Ah amor, você é uma das melhores advogadas da cidade, uma professora incrível, claro que eles iriam acabar sabendo de você.
– Então, você acha que eu devo aceitar?
– Isso é com você, mas digo que uma oportunidade dessa não acontece sempre.
– É... Eu sei... Mas ainda assim... Mestrado é coisa séria.
– Eles têm os programas mais caros e completos, não?
– Sim.
– Então, você deveria aceitar.
– Ligarei pra eles então.
Logo Caio pegou sua mulher no colo levando-a para o quarto. À meia luz, Caio começou a tirar a roupa de sua mulher. Beijou seu pescoço e sentiu o corpo dela se arrepiar. Fernanda ajudou-o a tirar sua camisa e sua calça deixando-o apenas de cueca. Logo ela se livrou de sua lingerie e deitou na cama puxando Caio para cima dela.
Ele se encaixou entre as pernas da mulher. Sentiu como ela estava úmida e isso logo o excitou. Tirou sua cueca rapidamente. Beijou sua mulher com desejo. Olhou nos olhos dela; seus olhos emanavam desejo e amor. Penetrou-a.
Lentamente começou movimentos que iam aumentando na medida em que Fernanda se excitava cada vez mais. Fazia tempo que suas noites de amor não tinham aquela intensidade toda. Os bicos dos seios de Fernanda se excitavam juntamente com o resto do corpo dela. Alcançaram o orgasmo quase ao mesmo tempo.
Caio deitou sobre o peito de sua mulher escutando as batidas rápidas de seu coração. Fernanda, ainda ofegante e com seu marido dentro dela, ficou acariciando os cabelos de Caio e notou o quanto estava com saudades do corpo dele. Sempre que podiam, fugiam para alguma noite de aventuras sexuais, sexo entre eles nunca foi problemas, mas naquela noite, alguma coisa havia mudado. Não eram mais personagens, eram apenas um homem e uma mulher que se amavam muito. Aquela noite se amaram por pelo menos mais duas vezes antes de caírem no sono.
No dia seguinte, levantaram cedo e Caio saiu pela mesma saída que entrou. Chegar em casa de manhã cedo fazia parte do plano, pois sabia que Aguiar havia colocado vigias perto de sua casa. Sua cara de cansado juntamente com seu cabelo assanhado davam mais certezas de que Fernanda realmente não estava mais dormindo em sua casa.
Naquela manhã, Fernanda não foi trabalhar. Inês chegou em casa logo depois de Caio sair. Contou como foi a noite de aventuras dela com o marido e perguntou se tudo estava bem.
– Vou saber daqui a no máximo dois dias. – Fernanda não sabia, mas não iria demorar muito.
O resto do dia apenas saiu do apartamento para dar uma volta pelo antigo condomínio de bicicleta. Estava com um moletom e uma camiseta de ginástica. Ela gostava de andar de bicicleta dentro do condomínio. Era calmo, tranquilo e arborizado.
Chegou em casa e falou com Caio por um número que somente os dois conheciam. Ele contou que Aguiar não fora trabalhar. Caio estava preocupado e nervoso.
– Amor, acho melhor a gente esquecer essa história toda.
– Mas, Caio... Estamos tão perto. O Mateus garantiu que não vai acontecer nada.
– Não sei amor, alguma coisa me diz que é melhor a gente parar com isso. Se reconciliar e deixar que as autoridades resolvam isso de uma vez.
– Ei, mas o que aconteceu?
– Uma sensação muito ruim me passou agora pela cabeça. Sei lá...
– Ei... Eu te amo! – Fernanda sabia que ele estava com medo. Na verdade, ela também estava morrendo de medo, mas ela tinha mais medo de não fazer nada e ficar indefesa sem saber o que poderá acontecer com ela e a sua família.
– Se eu perder você...
– Ei... Você não vai me perder. Certo?
– Mas...
– Certo?
– Certo. – Caio falou depois de suspirar profunda e lentamente. – O localizador está com você o tempo todo, não?
– Um na bolsa e outro no pingente. Sempre comigo.
– Menos mal. Bem... Agora é esperar.
– Agora é esperar. Te vejo amanhã?
– Claro. Eu te amo.
Fernanda desligou o celular. Tirou o chip e voltou com seu chip normal. Colocou o celular na mesa de cabeceira e ficou lendo até dormir. Logo essas noites de sono tranquilas acabariam.
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