Feliz Natal, Morte!
1 Prólogo: Aquele dia
Notas iniciais
Talvez não... De qualquer forma como disse antes: é apenas um teste. Por favor aceito críticas construtivas.
Quando terminar de ler você vai descobrir como eu morri. Oh! Não será algo mórbido. Eu prometo. Acontece que vocês tem uma ideia tão errada sobre a morte. Vejam bem: se eu estivesse viva não estaria contando nada disso. O mundo não saberia de nada. O segredo continuaria sendo um segredo e todos continuariam na mais completa ignorância.
Talvez estejam se perguntando se estou realmente morta. Afinal nesse exato momento seus olhos correm por estas linhas tortas que não parecem fazer sentido algum. Então esclarecendo a confusão que eu mesma criei:
Eu não estou morta.
Pelo menos ainda.
Mas vamos ao que interessa: A Morte.
Devo frisar novamente que a morte e a Morte não são tão desagradáveis assim. "Mas duas? Clarice, não era pra ser somente uma?" Eu sei, no entanto, meu jovem gafanhoto, temos duas coisas distintas. O fato e bem... A Morte – bem sedutora por sinal.
Creio não ser necessário explicar o fato. Seria um bocado tedioso também. Me contento explicando A Morte para vocês. Começaremos com esse artigo "a", pois é ele. Um jovem bem atraente por sinal. Ele faz a frase "entregar-se aos braços da morte" parecer bem tentadora. Ou vocês acham que quando falam "estou vendo a luz" e sorriem é porque veem um anjo? Claro que não! É o M. – ele prefere que o chamem assim. Com toda a sua beleza, poder e... Acho que estou perdendo o foco.
- Não ria, M. Sabe que a culpa é completamente sua!
De qualquer maneira, ele pode escolher a forma que quiser. E aquele cretino escolheu a forma de um puta gostoso. Além de ser um grande convencido. O que ele tem de magnífico, tem de irritante. E infelizmente para a minha paciência ou felizmente para a minha visão estamos presos um ao outro de uma forma bem peculiar.
Tudo começou no início de Dezembro. Na verdade começou bem antes. Talvez quando eu percebi que tenho uma família completamente fria e distante. Moro em uma casa enorme. Estupidamente grande. Estupidamente vazia e estupidamente fria. E acontece que eu já estou farta. Passo na rua e as pessoas tem medo de me da um simples "oi". Não demorei muito para descobrir que a culpa não era minha. Era dos meus pais que detinham muito poder e dinheiro. "Mas as pessoas não deveriam te bajular por isso?" Hm... Não. Esqueci-me de mencionar que eles são frios, rudes e esquisitos. Além da decoração esquisita que a casa possuía.
A sala de jantar era mórbida. Móveis pretos e várias figuras esquisitas penduradas nas paredes. Sem contar das diversas salas temáticas que eu não ousava explorar. Até aquele dia. Eu sou ou era uma pessoa curiosa e nunca entendi o motivo de não ter explorado antes. Ainda mais com o aviso de meus pais de não explorar. Acho que eu só não tinha a disposição de encontrar outros aposentos com os temas: esquisito um, esquisito dois, bizarro parte um, e extremamente esquisito.
Naquele dia eu acordei atrasada para fazer um trabalho que deixei de última hora por pura preguiça. "Família" era um dos tópicos. Oh! Por que tinham que colocar esse tipo de coisa nos trabalhos? Não estou mais no jardim de infância!
- Maravilha – bufei enquanto procurava alguma foto para finalizar.
O que se provou uma busca inútil uma vez que não tínhamos uma. Que família exemplar. Larguei as poucas fotos espalhadas e saí do meu quarto. Havia desistido dessa parte do trabalho de uma forma totalmente covarde e precipitada. Respirei fundo enquanto andava. Só mais um pouco e volto para terminar. Talvez até recorte algumas imagens de uma revista aleatória. Seria muito estranho se Oprah Winfrey e Robert Downey, Jr fossem da família? Acho que não. Talvez deva colocar uns ursinhos carinhosos como bichinhos de estimação para completar a família feliz.
Dei de ombros antes de parar um pouco. Se Murphy estiver certo estou prestes a comprovar mais uma de suas leis: "Quando um trabalho é mal feito, qualquer tentativa de melhorá-lo piora." Não que ter Robert na foto — vulgo montagem — de família seja um trabalho mal feito. Foi um excelente trabalho, diga-se de passagem. Ele estaria ali enfeitando e dando mais brilho para a minha suposta família. Uma garota pode sonhar, certo?
Desviei meus olhos do chão e franzi a testa em desaprovação. Uma porta de madeira, pesada e com uma caveira. Enfeite pra porta fora de época: confere. Estamos no Natal! Não no Hallowen. Enfeite esquisito: confere. Caveira completamente enfeitada com tatuagens de flores e bem colorida: confere. Pra que tantas cores? É uma caveira, oras! De qualquer forma era uma das salas temáticas. Porta trancada: não confere. Opa! Acho que hoje é meu dia de sorte.
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