Felina

15 Quem era aquela mulher?


Lúcio saiu da Igreja com outro espírito. Ia alegre e com a alma mais leve. Não era só a alma que ia leve, o estômago também. Mas se a alma leve o fazia feliz, o estômago leve reclamava. Tinha fome e precisava comer. O telefone tocava novamente. Era sua tia, queria saber onde estava. Lúcio disse que voltava para a casa. Sua tia propôs que almoçassem fora, ao que o rapaz não se opôs. Ela mandou ele voltar para casa e juntos almoçariam.

Assim foi feito. Durante todo o caminho, a tia falava e Lúcio comentava pouco. Mas quando entrava em algum assunto que Lúcio gostava, todo o rapaz se transfigurava de um rapaz taciturno, quieto, virava um grande admirador da boa discussão. E gostava de discutir. Tinha prazer em contra argumentar e testar seus conhecimentos e convicções.

Assim o dia passou rápido, mas tinha um compromisso: arrumar um compromisso com Marcinha. Não havia muito que se fazer em Olaria que fosse de interesse do rapaz, mas sabia que teria de comer. Marcinha logicamente teria que comer também. Poderiam comer juntos. Isso, comeriam juntos. O problema era aquela enigmática figura e seu grande poder sobre a menina. Quem era aquela mulher?