Felicidade Envolve Loucura
29 Capitulo 29
Notas iniciais
– Uh? O que você fazia no meu quarto? – falei.
– Quando você saiu do meu quarto, Sawa lembrou-me que eu não estava usando brinco naquele dia, então eu pensei em te avisar. – Ágata dizia de um jeito malandro.
Quando pensei em perguntar por que estava mentindo ela me vira, e logo em seguida me empurra para a porta que está se abrindo e caí lá dentro. Fechei meus olhos para não ver minha linda carinha ser esmagada pelo chão malvado, mas algo me salvou, só que tinha duas mãos e estavam na minha cintura.
Abri meus olhos e vi, para ficar mais simples: eu. Caio. Chão. Centímetros bem curtos um do outro. E CARACA ELE TAMBÉM FICOU VERMELHINHO!
– C-c-c-gaguejo sem conseguir dizer o nome dele.
– Você gagueja agora? – pergunta tirando as mãos da minha cintura.
Levanto-me rapidamente e fecho a porta, olho para trás e Caio está sentado na minha cama.
– Quero conversar com você – ele fala já mostrando para eu me sentar ao seu lado.
– Hunf e até parece que quero falar com você. – falo virando o rosto.
– Para de ser criança e vem cá logo!
Sento-me ao seu lado com raiva de obedece-lo, mas nem olho para ele. Sinto suas mãos em meu rosto o fazendo virar para ficarmos cara a cara, quando olho ele abaixa as mãos.
– Fala logo o que... – ele me interrompe colocando um dos dedos na minha boca.
– Só escuta – pede abaixando devagar para garantir que eu não ia dizer nada – Eu falei com a Ágata e ela...
– O QUÊ?! O QUE ELA TAVA FAZENDO AQUI?! – perguntei- POR ACASO ELA TE FALOU QUE O CHAMEI DE IDIOTA POR NÃO ESTAR AO MEU LADO QUANDO ACORDEI?
– Na verdade não, mas o QUE? Você me chamou de idiota?
– NÃO! Quem que chamou você assim? Você não é um idiota, na verdade você é um idiota, mas só às vezes você é um idiota. –falei tão rápido que ele teve que por seu dedo novamente na minha boca.
– Você, dãã! – ele sorri da minha cara. – Continuando antes de eu ser interrompido, sua irmã ela... Bem, se declarou para você dizendo que você é demais e varias coisas legais...
– Pera, estamos falando da mesma Ágata? – pergunto já o encarando – Tu tá bem?
– Não, perto de você eu nunca estou bem e por isso que você me ajuda. – eu o encaro – É, pode ter certeza que nunca mais vai me ouvir falar em algo assim.
– Não vai me dizer que...
– Sim, Luce eu gosto de você.
Cara nem tem como descrever a minha felicidade, eu paralisei não me mexia e pode ter certeza estava vermelhinha.
Fiquei num transe e só saí dele quando Caio me beija passo meu baço em volta do pescoço dele para puxa-lo mais pra perto.
Depois de um tempo nos afastamos (sabe como é né recuperar o ar J), e encostamos nossas testas, vejo que ele continua com os olhos fechados e dá um sorrisinho de canto (ti fofo!).
– Caio? – o chamo e ele me olha.
– Hm?
– É que... Bem... – ele me olha atentamente. – Se já que gostamos um do outro, somos namorados, não? – Bem a gente é agora...
– NAMORADOS?! – alguém fala.
– É isso ai. – concordo e penso um pouco – Pera ai quem que?...
Olhamos para o lado e está Soo e Shou, me avermelho.
– Sim. – Caio fala olhando os dois.
– Puts grila até que enfim! – os dois falam ao mesmo tempo eu e Caio rimos.
– Vamos pra cantina! – canta Shou – É pra comemorar o casalzinho e minha fome que tá me dando nos nervos.
Fomos para a cantina.
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Chegando lá Kasumi vem na minha direção:
– E ai Luce, agora deu? – me pergunta enquanto Caio pega algo para comer.
– Er, sim agora somos namorados.
– Nossa que bom, nunca fiquei tão feliz por alguém antes. – dou um risinho – Seu Caio se aproxima, é melhor eu me mandar. – ela sai assim que Caio chega.
– O que ela queria? – pergunta ele.
– Ah, nada.
– Luce... – ele fala de um jeito meio que estranhando.
– Não se preocupa tá bom? A gente é amiga.
– Hunf.
– Senta ai e vê se come logo! E me dá um bolinho de arroz. – ele sorri e se senta ao meu lado me passando o bolinho.
– DÁ NA BOQUINHA! – gritou Shou atrás de nós, bem ele fica no meio da gente.
Caio, vermelho de raiva, lhe dá um cascudo na cabeça.
– PÔ CAIO! – reclama enquanto passa a mão na cabeça.
– Vai comer! E me deixa quieto, não é você que disse que estava “morrendo de fome?”.
– Tá bom seu chato. – antes de Caio lhe acertar outro cascudo Soo o puxa para trás.
Dou um sorrisinho, e então Caio se vira e me olha, as sobrancelhas arqueadas.
– O que foi? A culpa é sua.
WHAT? E ele logicamente ri da minha cara. Tapado! Alguns minutos se passam, e eu bocejo.
– Ok, vou dormir.
Caio se levanta junto comigo, e quando pensamos em dar um passo, ouvimos alguém sussurrar de um jeito safado:
– Vão dormir juntinhos.
Caio dá um outro cascudo em Shou, um cascudo apressado, que faz o garoto se afastar, e ah, claro, ele corou.
Não, pera, para tudo. O QUÊ? Eu tô tipo assim, louca, ou o Caio ficou vermelhinho? ELE FICOU VERMELHINHO!
Mas agora que eu parei para pensar... Caio e eu... No mesmo quarto? Mas e o Ogawa? Hm? Ou ele e a Ágata... Hahaha safadinha. E A KASUMI?
– Luce? Fica calma, eu não mordo. – Diz Caio, de um jeito que suspeitei.
Ei, você ai que está lendo... Sem MALÍCIA, please!
– C-c-como a-assim? – gaguejo, corando muito, juro que fiquei mais vermelha que aquela cabeleira da Ágata mano!
Ao cantinho, observando tudo, Shou estava encolhido. SAFADO! Ouvindo tudo né? Só percebi sua presença quando ele gritou “Oh! Nunca te vi gaguejar!!! Hahaha que munitinho!”. Isto, é claro, antes de sair correndo, porque Caio pegou uma bandeja para arremessar em sua direção, enquanto eu apressadamente tirava o sapato. Tenho uma boa mira (não tão boa quanto da minha irmã).
Caminhamos em silêncio até o quarto. Paro na porta e encaro meu novo, primeiro e único namorado. Huhuhu.
– Boa noite. – Eu disse.
O que vem a seguir, pode ser tão confuso para você quanto foi para mim. Caio me olhou espantado, e gritou.
– EI, ONDE EU VOU DORMIR? Meu quarto deve estar sendo usado, não vou entrar lá e estragar as coisas pra sua irmã (¬.¬)
Eu sorri e coloquei as mãos na boca, para abafar uma monstruosa gargalhada.
– OK, você dorme na cama da Kasumi.
Houve mais um arquear de sobrancelhas.
– Nada disso, “benzinho”. Eu vou dormir na sua cama.
O.O
– Sem problema... Eu durmo na dela. Sei que você gosta do meu cheirinho diliça.
Abri a porta e o puxei pela mão. Um namorado normal: “Posso me sentar aqui? Obrigado”, “Posso me deitar aqui? Obrigado” e “Vou dormir aqui, boa noite”. Meu namorado: “Eu vou dormir aqui, você lá”, “Dorme logo, não quero essa luz na minha cara” e “Se eu não conseguir dormir, a culpa é sua”.
Já perdi a conta de quantas vezes ele disse “a culpa é sua” e “o que você quer”.
Nem preciso dizer que ele parou em frente à minha cama, tirou o sapado e a camisa, depois jogou-se na minha cama, sem mais nem menos.
Fiquei tipo vermelha, pimentão, tomate, e tal... PRA QUÊ TIRAR A CAMISA PÔ?! Ok, ok, confesso que tive uma visão maravilhosa. Ui! Tô parecendo uma pervertida!
Rapidamente apago a luz e me jogo na cama da Kasumi, com medo de que ele tivesse me visto vermelha. Meu, pra quê gaguejar, hein Luce? Véi, pra quê ficar vermelha? Por que Senhor?
Como eu não consigo dormir, viro de um lado para o outro, a cama range ameaçando quebrar.
– Luce, fica parada ai... – Resmunga Caio, obviamente quase dormindo.
Escuta aqui! Ou melhor, não dá pra escutar... De qualquer jeito, a culpa não é minha!
Mexo-me mais um pouco, até que caio no sono.
Caminho por uma rua que me parecia familiar. WTF?? Eu já morei aqui manolo! Não, eu não morei na rua. Mas aquele lugar não me trazia boas lembranças. Era uma noite muito fria...
Um pouco mais à frente, ouço gritos. Corro até lá, tremendo ao perceber que era a casa em que eu já morei. Senti um cheiro de coisa queimando, então entrei com tudo na casa. No fogão, o arroz já era cara, virou carvão. Mais adiante, mais gritos.
Ando devagar, com medo de ver o que estaria acontecendo, apesar de já saber. Vejo minha mãe caída no chão, uma pequenina e cabeluda Ágata subindo na cadeira e empurrando um velho bêbado que tinha uma faca na mão, ele a esfaqueou no ombro, e ela caiu no chão, e... Eu ali. Uma pequenina Luce, pulando nas costas daquele velho.
Ele a derruba, e eu tentava inutilmente sair do lugar para ajuda-las, mas minhas pernas não se moviam. Tentei gritar, mas a voz não saía, e ninguém me via.
Até que ele cravou a faca na garanta da pequena Luce. Lágrimas quentes escorriam de meus olhos. Ele virou-se para a Ágata, e esfaqueou-a diversas vezes. O mesmo fez com minha mãe. Ele as matou... E vinha me minha direção.
– Estão mortas... Não há nada que você possa fazer, Luce. – Ele ria maldosamente. – Você tenta esconder, mas... Não passa de uma garotinha frágil.
– Não! Não! Me solta!
Ele segura meus pulsos e sorri.
– Me deixa em paz! Me solta! – Eu choramingo.
Ele levanta a faca, e eu penso “É meu fim”. Mas ele se mata, e então ouço um grito. Assusto-me o perceber... Que ele era meu...
Sinto braços em torno de meu corpo, seguido por um sussurro quase inaudível: “Abra os olhos, Luce”. Mas não era um simples sussurro... Ele era carregado de preocupação.
Abri os olhos. Naquela voz eu podia confiar. Caio estava chocado. Provavelmente porque nunca me viu assim. Eu soluçava e chorava, como uma garotinha. E ele me abraçava, protetor.
Encolhi-me na cama.
– Você está bem, Luce?
– ... – Eu não conseguia responder. Não sabia o que dizer. Sentia que com ele, não precisava fingir, e na verdade... Eu não era forte. É, talvez aquele bebum tivesse razão. – E-eu... Sou tão... Frágil...!
Ele não disse nada, então, ainda soluçando, continuei.
– Eu não posso fazer nada... Eu... Não consegui salvá-las... Minha mãe, e a Ágata... – Minha voz falhava. – Ele as matou... Ele as matou bem na minha frente!
– Ele...?
– Meu... Pai.
A última palavra foi tão baixa, que eu duvidei que ele a tivesse ouvido.
– Luce... Elas estão bem, isso foi só um pesadelo. E... Não, você não é fraca. É a garota mais corajosa que eu já conheci. – Ele suspira. – Ninguém nunca havia me enfrentado daquela maneira. Garotas? Aproximavam-se por interesse. Mas... Você... – Apesar de estar escuro, pude perceber que ele sorria, e me deu medo. Se eu tivesse sonhando? Ao menos seria um sonho bom... – Quer dizer, ah... – Ele ficou desconcertado, e então sorriu novamente, mais gentil agora. – Você vai ficar bem, porque eu estou aqui com você.
Fiquei feliz em ouvir aquilo. Minhas lágrimas pararam de rolar (isso aê, mandei tá mandado) e eu parei de tremer.
– Você... Eu estou sonhando...?
Ele me abraçou mais forte.
– Sim. Isto é um sonho. Volte a dormir... – ele sussurrava. — E, se eu não conseguir dormir...
“A culpa é sua”.
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