Feito para lembrar.
3 Explicações.
Notas iniciais
Já tinha se passado uma semana desde que acordei no hospital. Nesse tempo Lennon e Aline se revesaram em suas visitas ao meu quarto. Eles me disseram que descobriram o que aconteceu comigo no incêndio. Pelo o que eu entendi, enquanto eu e mais dois amigos, uma menina e um menino, corriamos pela escola tentando sair, caímos de uma escada e ficamos presos entre algumas pilastras que haviam desabado, aparentemente eu bati a cabeça na queda e por consequência aqui estou eu com amnésia. Bom essa foi a parte menos ruim das notícias, porque eu acho que as coisas tendem a piorar.
Nesse tempo que passei no hospital, Lia vinha me ver todos os dias, na verdade ela passava horas e horas aqui. Aconselhada pelos médicos, ela começou a me contar algumas coisas de como era minha vida antes dessa confusão toda. Descobri que meu pai é dono de uma empresa de tecnologia super famosa e influente chamada OmegaTec, e que minha mãe era uma Cirurgiã renomada. Perguntei o porquê deles não estarem ali e ela disse que nosso pai estava fora do país e estava tentando a todo custo voltar para o Brasil pra ver como eu estava, nossa mãe estava em outro estado numa emergência médica e também tentava de todas as maneiras conseguir uma dispensa pra vir me ver. Falando assim parece que meus pais são separados, mas não, eles apenas têm trabalhos importantes em locais distantes um do outro e de suas filhas. Lia me falou também, que costumávamos ser muito próximas, apesar de que eu morava num colégio interno e ela em outra cidade, sempre nos falávamos por redes sociais e sempre atualizávamos uma a outra sobre nossas vidas. Me senti feliz sabendo que confiava tanto nela, pela primeira vez, senti que podia confiar nela de verdade.
Ela já estava mais conformada com o que aconteceu comigo e me disse que estava feliz pelo fato de estar viva.
Você era uma das melhores alunas de sua sala, inteligente apesar de viver aprontando na escola e de arrumar muita confusão, as pessoas gostavam de você lá, quer dizer aquelas que não eram alvos de suas brincadeiras com seus amigos claro. — ela me disse isso, em mais uma tarde em que ela passava me contando sobre minha vida.
Lia do jeito que você fala parece que eu era uma menina encapetada naquela escola. — Rimos, porque ela concordou com o que eu disse. — Mas me conte mais, o que eu gostava de fazer? Quem eram meus amigos lá?
As três coisas que você mais amava era música, esportes e livros.
Música e esportes? Vai me dizer que eu cantava e praticava esportes?
Sim, você cantava, dançava, fazia parte do time de voleibol, na verdade o que você não gostava era de ficar parada, mas isso era de se esperar você é muito hiperativa, é um mal de família.
O que quer dizer com mal de família?
Bem você não é a única hiperativa da família, eu sou, nosso primo John e nossa prima Isa também são, eles estudavam com você, e John também estava no incêndio
Desde que acordei, e desde que ela começou a me falar do meu passado, aquela era a primeira vez que Lia mencionava alguém da nossa família, além dela e de nossos país. Eu tinha dois primos e um deles estava internado como eu, foi inevitável sentir uma pontinha de preocupação por ele, Lia notou isso em meu rosto porque se apressou em dizer.
Ele sofreu algumas queimaduras, mas vai ficar bem, está preocupado com você, mas Aline não que deixar ele vir aqui te ver, ela quer mostrar seu passado aos poucos, começando por mim te contando algumas coisas. — Fiquei chateada ao saber que não estava recebendo visitas por ordens médicas, eu achava que se visse rostos conhecidos talvez me lembrasse de algo mas, Aline parecia ter pensamentos bem diferentes.
Ela é médica Sofia, sabe o que faz, se ela acha melhor evitar visitas a gente deve obedecer. — Lia estava provando me conhecer tão bem quanto dizia, porque notou mais uma vez o sentimento de decepção em meu rosto.
Ok, apesar de que penso totalmente diferente. — Ela sorriu, como se estivesse esperando uma resposta como essa.
Eu sei, você sempre foi assim, teimosa e cabeça dura, se você acha que está certa, nada muda seu pensamento.
Bom saber que a amnésia não me mudou. — Dei um sorriso fraco. — Bem já que não posso receber visitas, responde a minha pergunta anterior, quem eram meus amigos? — E ela começou a falar novamente, dessa vez sobre meus amigos e colegas, o que não eram poucos, admito que fiquei feliz ao saber que fora desse quarto e desse hospital tinham pessoas preocupadas comigo, senti que era querida pelas pessoas ao meu redor, bem isso até Lia falar das pessoas que me odiavam, mas essas não tem importância agora não é mesmo.
No outro dia, era o dia da visita do Lennon, eu gostava quando ele vinha me ver, porque ele sempre me fazia rir e esquecer da minha situação de perda de memória. Lia estava dormindo no sofá e eu estava olhando o mar pela janela, aquilo me acalmava e descobri o porquê, Lia havia me dito que eu amava praia, era um dos meus lugares favoritos. Lennon entrou no quarto fazendo barulho para que Lia acordasse e funcionou, porque ela acordou assustada e fuzilou ele com o olhar quando levantou e se dirigiu ao banheiro, eu apenas ri.
Bom Dia, senhorita Sofia, como está se sentindo hoje? — Ele perguntou, todo animado como sempre fazia.
Estou muito bem, senhor Lennon. — Respondi do mesmo jeito.
Ficamos em silêncio esperando Lia voltar, Lennon tinha uma prancheta na mão e olhava para ela e depois para mim hesitante. Quando Lia voltou, ele começou.
Bem, bom dia Lia, tudo bem com você, dormiu bem? — Ele perguntou a ela, de modo sarcástico.
Bom dia Lennon, dormir muito bem e acordei muito melhor, agora pode ir direto ao ponto, porque pela sua cara vejo que traz alguma notícia sobre o estado da Sofia. — Lia foi bem direta com ele, meio arrogante até, mas eu entendia, ela estava preocupada e eu também.
Hm, alguém aqui acordou de “ótimo” humor, mas vamos ao ponto não é mesmo. Vim aqui trazer o resultado de alguns dos exames que Sofia fez e bem, tem algumas informações boas e ruins. Qual vocês querem primeiro? — Ele estava tentando aliviar o clima de tensão do quarto, eu ia responder mas Lia foi mais rápida.
Não enrola Lennon, fala logo.
Ok, primeiro as boas, a primeira é que seus pais chegam hoje para vir visitar você, a segunda boa é que pelas análises você tem chances de recuperar sua memória. — Aquelas duas notícias quase me fizeram pular de felicidade, meus pais estavam vindo e eu tinha chances de recuperar a memória.
Tá mas, quais são as ruins? — Lia perguntou nervosa.
Bem, uma delas é que seus país acham melhor você, Sofia, ir morar com eles e deixar esse lugar, pelo menos por um tempo, e a outra ruim é que sua memória pode sim voltar, mas não sabemos quando, pode ser hoje, amanhã ou daqui a dez ou vinte anos.
Foi como se todo o peso do mundo caísse sobre mim naquele momento, basicamente eu poderia recuperar sim a memória mas também poderia passar anos sem ela, ou seja numa vida totalmente nova e diferente da que eu tinha, era por isso que meus pais queriam me levar embora, para um novo começo,e aquilo me desesperou tanto quanto a Lia, ambas sabíamos que não ia ser nada fácil esse novo começo. Eu tinha razão, as coisas estavam piorando.
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