Feito para lembrar.

4 Visitas - Parte 1


Notas iniciais
Mais um cap, notei que tem muitas visualizações porém nenhum comentário. Vamos lá gasparzinhos, apareçam. Boa leitura pra todos e deixe reviews.

P.O. V – Lia

Eu estava na entrada do hospital conversando com Nath, ela é a namorada do John e uma das melhores amigas de Sofia, eu costumo dizer que ela é a mais responsável do grupo deles, acho que penso isso pelo fato de que quando eu não estou por perto, ela é a única que a Sô obedece.

– Então – Nath começou. — Ela pode ficar eternamente sem memória. — Ela falou pra si mesma mais afirmando do que perguntando — Desculpe Lia, eu não estou ajudando, mas eu estou meio estressada e nervosa com o que aconteceu. O incêndio, nossos amigos internados e num estado de saúde muito ruim, a situação do John e agora a perda de memória da Sô.

– Eu sei Nath, as coisas estão bem difíceis pra todos e pra você em especial, eu te entendo. — E realmente entendia, os amigos dela também eram meus amigos, o namorado dela é como um irmão pra mim e a melhor amiga dela é minha irmã, eu a entendia perfeitamente. — E como está o John?

– Bem, a Aline disse que, segundo os médicos que cuidaram dele, ele teve 40% do corpo queimado. — Aquilo me assustou 40% era muito, Nath percebeu e se apressou em dizer. — Mas ele vai ficar bem, quer dizer, vai ter que fazer um tratamento óbvio, mas nada que um pouco de esforço e cuidado não resolva. — Ela tentou soar positiva.

– Eu espero que ele fique bem de verdade, John é como um irmão pra mim.

– Eu sei. Então quando você e a Sô vão se mudar?

– Estamos esperando que ela saia do hospital, antes de irmos quero que ela tenha contato com alguns dos amigos dela, quem sabe isso não ajude ela a recuperar a memória. Apesar dela me dizer que entende o motivo da mudança, sei que ela não está feliz com isso, um novo começo nunca é fácil.

– Entendo, e não, um novo começo nunca é fácil, ainda mais quando a pessoa não se lembra de nada. Mas já que você quer que ela tenha contato com alguns dos amigos dela, será que eu poderia visita — la hoje? — Nath estava ansiosa para vê – la, assim como alguns dos outros com quem eu já tinha falado.

– Claro que pode Nath. — Uma voz feminina e conhecida falou atrás de nós, Aline – Eu estava vindo falar exatamente isso com vocês. Mas gostaria que você chamasse mais dois dos amigos mais próximos dela, apenas para conversar, não quero que ela tenha acesso a muitas informações de vez. — Explicou ela. — Pode fazer isso agora Nath?

– Claro que sim Aline, vai chamar Felipe e Michele, são alguns dos mais próximos e que não sofreram nenhum dano no incêndio. — Com isso, Nath me deixou sozinha com Aline e seguiu por um dos corredores do hospital, provavelmente para procurar Michele, já que o irmão gêmeo dela estava internado aqui também.

– Então Lia como estão você e sua irmã? — Aline perguntou como sempre preocupada.

– Eu vou ficar bem, e ela vai sobreviver a essa mudança repentina na vida dela.

– Não tenho a menor duvida de que ela vai. — Ela sorriu – Sua irmã é uma menina de apenas 16 anos, mas é muito mais forte do que parece. — Me permiti sorrir também, ela tinha razão, Sô era mais forte do que ela mesma imaginava. — Agora eu tenho que ir, vou visitar alguns pacientes, talvez seja melhor você estar com ela quando Nath, Felipe e Michele chegarem lá, ela fica mais confiante com você por perto.

– Meus pais já saíram do quarto? — Eu estava aqui fora por que meus pais estavam no quarto com a Sofia, ele disseram que seria bom pra eu pensar um pouco em tudo que estava acontecendo, num lugar que tivesse mais cor, já que a única coisa que se via naquele quarto ela branco.

– Já sim, estão conversando com alguns médicos sobre a situação dela.

– Ok, obrigada Aline. — Ela se foi e eu voltei para o quarto, para esperar os outros.

P.O. V – Sofia.

E lá estava eu, de novo olhando pela janela. A visita de meus pais foi bem emocionante e surpreendente se assim posso dizer. Minha mãe, uma mulher baixinha e morena, seu nome é Clara, entrou primeiro e mal chegou perto da cama, já estava às lágrimas, dizendo o quão feliz estava só por eu estar viva. Meu pai, um homem alto, com cabelo preto e curto, muito bem vestido, seu nome é Edward, entrou logo atrás dela, não se emocionou tanto quanto minha mãe, mas também disse que estava muito feliz por eu estar bem. Depois do choque inicial, eles ficaram comigo por quase uma hora, conversando e me dizendo o que tinham planejado para mim, quando eu saísse do hospital.

– Acho que você não está muito feliz com essa história de mudança — Minha mãe começou — mas achamos que será o melhor agora. Talvez seja a hora certa de você morar com a gente e com sua irmã.

– Sua mãe está certa, você passou muito tempo nessa escola interna. — Meu pai falou e acho que senti um pouco de culpa em sua voz.

– Talvez se você for morar com a gente e tentar começar de novo te ajude a se recuperar mais rápido.

– Eu não sei. — Comecei hesitante. — Se passei tanto tempo, convivendo com as pessoas do internato, não seria melhor eu voltar a conviver com elas, talvez essa seja a coisa certa a fazer para eu me recuperar, voltar a ter contato com as pessoas que passei esse tempo todo.

– Sei que vai ser difícil pra você, mas ao menos tente. — Minha mãe falou apressada. — Pense que começar sua vida de novo talvez seja mais fácil do que tentar encontrar um passado que está perdido. — Ela estava nervosa e aquilo que ela falou me atingiu de um modo inexplicável

– Um passado perdido que eu quero encontrar. — Falei um pouco agressiva.

– O que sua mãe quer dizer é que você ficando aqui pode se decepcionar caso não consiga recuperar sua memória, que talvez ganhar lembranças novas seja melhor pra você. — Edward falou tentando me acalmar. — Não vamos discutir isso aqui e agora, mas quero que saiba que você vai morar com a gente quer queira, quer não. — Ele estava sendo autoritário. — Além disso, o colégio vai ficar interditado por algum tempo até ser reformado, sendo assim sua única opção é morar conosco.

Fechei a cara, não sabia ao certo porque estava agindo daquele jeito, uma parte de mim sabia que eles estavam certos, que talvez fosse melhor pra eu começar de novo do que se iludir tentando achar algo que estava perdido. Mas outra parte dizia que eu não deveria sair daqui, que eu deveria ficar não sabia o porquê, mas uma parte de mim me dizia que eu pertencia aquele lugar, àquele internato que pegou fogo, àquelas pessoas que também estavam sofrendo as consequências do incêndio, àquela vista para o mar que me acalmava.

– Nós temos que resolver algumas coisas em relação a você, agora. — Meu pai falou, se inclinando para beijar minha testa. — Não fique com essa cara Sofia, nos dê uma chance. Fique bem e até depois.

– Nos vemos depois querida. — Minha mãe disse, me abraçando. — E pense bem no que dissemos tudo bem? — Apenas assenti com a cabeça e dei tchau a eles.

Lia entrou alguns minutos depois que eles saíram, ela perguntou como foi a visita, não sei por que, mas não queria que ela soubesse da pequena “discussão” que eu e nossos pais tivemos, então disse que tinha corrido tudo bem e que fiquei feliz por ver nossos pais. Ela disse que três amigos meus vinham me visitar hoje. Fiquei ansiosa quando ela disse isso, tirando a visita dos médicos e a de familiares, essa era a primeira vez que meus amigos vinham me ver. Ficamos conversando banalidades até que alguém bateu na porta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.