Feita de água e trevas - Lívro I
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Após o longo "bate papo" sobre todo esse mundo novo que eu, nem ao menos, imaginava que existisse, resolvi preparar algo para o jantar, pelo que me parecia Light não iria em bora tão cedo, levantei-me e fui novamente em direção a cozinha, mas fui interrompida na metade do caminho pela voz de meu "convidado"
– Onde vai? – Perguntou
– Uh... preparar o jantar. – Disse enquanto me virava "dramaticamente"
– Precisa de ajuda?
– Não acho que seja necessária ajuda para esquentar um pouco de comida no micro-ondas, mas se quiser... – ri
Light deu uma longa gargalhada e então levantou-se também, fomos até a cozinha e esquentamos um cup noodles e então nos sentamos novamente no sofá e ficamos conversando enquanto comíamos e então o tempo praticamente voou
– Meu deus! Já são 22h?! – Exclamei.
– Nossa, desculpe ter ficado até tão tarde, seus pais já devem estar chegando e eu não quero que pensem nada de errado. – disse se levantando.
– Sabe, na verdade eu... eu não tenho pais, quero dizer, eu sou adotada, mas fui emancipada há algum tempo. Eu moro sozinha aqui.
– Desculpe... eu não sabia... – ele disse em um tom triste.
– Não... tudo bem... nunca gostei muito deles mesmo... Mas, enfim, eu tenho algumas perguntas para fazer e...
– Não tenho tempo agora, desculpe, tenho que ir. – disse enquanto passava pela porta.
O que havia acontecido, talvez por culpa de um sonho que havia, misteriosamente, se tornado real, ou, talvez, tudo aquilo já existisse, mas nunca ninguém pode perceber por ter o pensamento extremamente centrado apenas naquilo que os convinha.
Após refletir por alguns minutos decidi dormir, pois no dia seguinte como era sexta-feira, eu teria aula bem cedo, mas ao me deitar constatei que não conseguiria dormir tão cedo, resolvi que assistiria a um filme, assim que ele começou fiquei acordada por apenas mais alguns minutos e então peguei no sono.
...
Acordei novamente com o estridente barulho de meu despertador, levantei-me e olhei para a tela de um celular, eram cinco horas da manhã, eu definitivamente não havia dormido nada, fui até o banheiro e escovei meus dentes, mas, com a torneira ainda aberta, lembrei-me de uma coisa
– Será que... – disse a mim mesma enquanto encarava a água escorrendo pela torneira, estiquei minhas mãos em minha frente e tentei imaginar ao líquido mudando de direção e, magicamente, aconteceu, mas tudo acabou em outra grande molhadela pois toda a água acabou por cair em mim, eu precisava treinar uma pouco.
Tudo aquilo me fez lembrar de Light, o que será que ele havia feito depois de sair? Onde ele havia passado a noite? E, quando eu o veria novamente? Espantei todos esses pensamentos e saí. A caminho da escola uma fina chuva caía sobre mim, aquilo realmente não me incomodava, na verdade era uma sensação boa.
Quando cheguei logo avistei Victor conversando com alguém e, para a minha surpresa, esse alguém era Light, bem parece que minha pergunta foi respondida.
– Light! – Deixei escapar enquanto me aproximava.
– Uh? Oi, Madeline! – Disse o garoto dos olhos dourados.
– Oi Madie! – Saudou Victor.
– Oi! Light pode me chamar só de Madie, OK? Desculpe-me por intrometer, eu já vou indo. Espera aí, pensando bem... Qual era o assunto? – Perguntei virando-me novamente de frente para eles.
– Você é muito curiosa. – Disse Light cruzando os braços.
– E você é chato, vai é sério, qual era o assunto?
– Nada de mais, só algumas coisas malucas. – Falou Victor assim me fazendo entender o que era – Você não entenderia.
– Na verdade eu já entendi. – Respondi enquanto virava-me para Light com um olhar ameaçador.
– Ah... – suspirou – Já que você resolveu estragar meu plano de deixar isso em segredo, o guerreiro do ar...
– Prazer, guerreira da água.
– O que você implantou na cabeça da minha amiga? – Perguntou o platinado achando tudo uma completa loucura.
– Nada de mais...
– Madie, sem querer te ofender Light, que tipo de lavagem cerebral esse garoto fez em você? A minha amiga nunca acreditaria nessas abobrinhas. Na verdade nessas últimas semanas você tem estado bem estranha, onde está a garota que eu conheci? — Victor me interrompeu, estava convicto que o que Light dizia era apenas um monte de bobagens e que eu estava me deixando levar.
– É feio interromper as pessoas... — Murmurei lembrando-me do que Light havia dito na última noite.
– Está vendo, você mudou, ele te mudou. — Resmungou o garoto colocando o dedo em minha cara e depois virando-se para subir as escadas.
– Victor, espera, eu ainda sou a Madie, ainda sou sua amiga, eu posso estar diferente, mas você tem que abrir os olhos...
– Não, é você quem deve abrir os olhos , esse garoto, sei lá de onde ele saiu ou se você realmente o conhece, ele fez algo com você, mesmo que de um dia para o outro, pode ser que para você não pareça, mas para mim você mudou. — Argumentou Victor do meio da escada e logo virando-se para correr sem dar nem tempo para que eu o respondesse.
– Victor... — Choraminguei ao tentar correr atrás dele mas fui parada por Light.
O que estava acontecendo? Meu mundo estava se desmoronando debaixo de meus pés. Victor havia ido embora e me deixou a ponto de chorar, mas no que isso adiantaria? No que meu choro ajudaria? Pensar nisso era inútil, deixei que ele viesse, que a água inundasse meu rosto, era reconfortante, como ela me envolvia por inteira e absorvia toda essa culpa, minhas lágrimas, a chuva, isso não me incomodava, afinal eram parte de mim.
Deixei que me consumisse, que aquele sentimento reconfortante soterrasce minha tristeza, eu já estava completamente ensopada, pelo fato de ter deixado meu guarda chuva cair no meio do caminho, mas rapidamente não pude mais sentir a sensação das minúsculas gotas de chuva batendo contra meu corpo, olhei para cima e contemplei Light, que segurava o guarda chuva sobre nós para que não nos molhássemos.
– Pare de chorar, não gosto de ver pessoas como você chorando...
– O que posso fazer? Minha vida está se despedaçando.
– Ele vai voltar, ele gosta de você. — Disse Light finalmente olhando para mim.
– Claro que gosta de mim, ele é meu amigo. — Dei um leve riso.
– Não quis dizer nesse sentido. — Falou o garoto quase no pé de meu ouvido.
– O que...
– Você não tinha percebido? — Perguntou como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Me desculpe, não deveria ter falado nada, você vai entrar?
– Sim, tenho um uniforme reserva no armário do vestiário...
– Ou você poderia ser mais prática e usar seus poderes.
– Prefiro ser normal, pelo menos por um tempo. — Disse rindo. — Você vai me levar até lá ou eu posso ir sozinha?
– Desculpe, pode ir. — Respondeu me devolvendo meu guarda chuva e abrindo o seu.
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