Feelings Insanes

13 Sought, kindness, hungry.


Notas iniciais
MINNA-SAN GOMEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEENASAI ~ Eu estou com a rotina tão corrida esse ano ;A; Sem tempo nem pra respirar, juro que tentei postar antes, mas estou tendo provas, simulados, festivais de dança e trabalhos todo fim de semana. Saibam! Eu não abandonei essa fic e não vou abandonar, só vou... demorar bastante pra atualizar. Gomenasai mais uma vez. Enjoy.

Feelings Insanes

Observava o teto novamente, o tédio estampado em sua face. Os braços estendidos ao lado do corpo, na mesma altura de seus ombros, com as palmas voltadas para cima e as pernas paralelas uma a outra.

O profundo corte daquele fatídico banquete, que ainda lhe causava algumas gargalhadas repentinamente, não apresentava lá, uma aparência muito boa. A infecção avançava rapidamente, sangrando vez ou outra. Nada que realmente lhe importasse até porque, já havia se acostumado com a dor que de nada se comparada com outras que vinha convivendo há um tempo bem mais longo.

Devanou distraidamente, para as memórias passadas, talvez antigas demais.

Não conseguia mais distinguir a passagem do tempo. Talvez tivessem se passado alguns dias, algumas semanas, meses. Não sabia dizer. Quanto será que era o premio por sua cabeça? Seus amigos estavam a caçando? Ele estava a caçando?

Se pudesse escolher pelas mãos de quem morreria, escolheria-o sem nem remediar. Seria bom ver seus olhos pela última vez.

É, seria bom.

Interrompeu-se ao ouvir as batidas na porta. Suas sobrancelhas arquearam desconfiança. Não batiam antes de entrar, apenas entravam. Fungou levemente.

Não é medusa.

Virou-se para olhar, detendo sua atenção em algo, pela primeira vez em semanas.

– Entre – disse Maka, em um tom alto o suficiente para que, quem quer que estivesse do outro lado, pudesse ouvir.

A maçaneta girou lentamente, abrindo a porta e revelando nada menos que um humano.

– Com licença — disse o humano, entrando e fechando a porta atrás de si.

Maka sentou-se de súbito na cama, alerta.

– O que faz aqui? Quem te mandou? — indagou desconfiada, olhando-o.

– Eu vim a mando de Medusa-sama – sussurrou o humano.

Um silvo um tanto animalesco escapou como um sibilo por seus lábios, praguejou os piores impropérios que pode pensar no momento, contra a bruxa. Só se interrompendo após perceber que o humano ainda permanecia parado ali, calado.

– E com qual objetivo? — perguntou, praguejando contra a bruxa novamente, no segundo plano de sua mente.

– Ela ordenou-me que cuidasse do ferimento de seu braço e...

– E... ? — incentivou-o para que continuasse.

– Viesse alimenta-la — murmurou sem olha-la nos olhos.

Maka não demorou a entender.

Não havia nada com ele. A não ser pela pequena caixa que acreditava ser a de primeiros-socorros.

Ele, era sua comida.

Maka suspirou

– Essa é intenção daquela maldita agora? Me tentar, fazendo com que humanos venham me servir? — disse entediada e jogou-se na cama novamente, olhando o teto e devaneando por um momento.

A respiração ruidosa do humano chamou sua atenção a ele.

Talvez um garoto um pouco mais novo que Maka, os cabelos negros e levemente desgrenhados emoldurando a face e os olhos em um verde esmeralda límpido. Era uma beleza singela em seu rosto ainda juvenil. Avaliou sua alma por um momento desviando a atenção dela logo que o fez, arrependendo-se.

Remexeu-se bruscamente, lembrando-se de seu ferimento quando dolorosas pontadas a atingiram e ela botou a mão sobre ele.

– Ojoo-sama, eu posso... Começar?

Maka olhou para o humano por um momento novamente, suspirando resignada.

– Pode.

Suspirou, sentando-se na ponta da cama, observou-o hesitar por um instante.

– Aproxime-se. Eu não mordo — disse Maka — figurativamente — completou, quebrando um pouco o clima tenso que estava ali.

O humano lhe sorriu gentilmente, se aproximando. Ajoelhou-se a sua frente, pegando o braço delicadamente, observando o corte.

Quente.

Não sabia dizer qual fora a última vez que recebera um toque humano. Notando o quanto sentira falta dele, assim que o sentiu.

Respirou fundo, sem poder evitar que seus olhos corressem para o pescoço dele, onde quase podia ouvir o sangue correndo, ou até mesmo a alma pulsando.

Desviou sua atenção, detendo-se e repelindo aquele pensamento repulsivo e sanguinário antes que dominasse o primeiro plano de sua mente.

Procurando algo com que se distrair, olhou para o corte em seu braço a tempo de ver o talho profundo o suficiente para que fosse possível ver o osso, inflamado, inchado e exsudando sangue e pus.

Maka mordeu a parte interna de sua bochecha com força para impedir que qualquer coisa que houvesse em seu estomago agitado voltasse acidentalmente e tornou a prender a respiração.

Olhou para as cortinas de veludo pretas de sua cama, tentando distrair-se.

– Ojoo-sama... — soou a voz do humano.

– hm? — respondeu, esperando que ele continuasse.

– Por que a senhora permitiu-se adquirir um ferimento grave como este apenas para defender meros humanos como nós?

Meros humanos... ?

– Sinceramente... – começou Maka, pensativa.

Ele a olhou a espera da resposta.

– Não sei bem. Foi meio que... Impulsivo — deu de ombros — Até porque já fui humana um dia.

O humano sorriu suavemente.

– Se me permite... É uma pessoa muito gentil.

Maka sorriu melancólica com o comentário.

– Muito bondoso de a sua parte dizer algo assim sobre mim. Mas não se deixe enganar. Nem humana eu sou mais. – comentou Maka, desviando o olhar a cortina novamente.

– Ora. Se não fosse humana, não poderia ouvir sua alma. — comentou — Bem aqui — tocou levemente um pouco abaixo das clavículas. — Os lados da alma da ojoo-sama, bem confusas eu diria, mas dá pra ouvir.

– Os lados? — indagou sem entender.

– Não sei explicar muito bem... É algo como... A alma de toda pessoa é dividida em suas partes. Essas duas partes recebem seus respectivos e variados nomes, não tem nenhum totalmente certo ou... Totalmente errado. A luz e a escuridão... ou mais comumente dizendo... — silênciou-se como se uma deixa para que ela falasse.

– O bem e o mal — completou Maka.

– Exato — concordou — É como a lenda dos dois lobos.

– Lenda dos dois lobos? — perguntou interessada

– É uma lenda indígena boba que meu avô me contava quando eu era criança...

– Eu adoraria ouvi-la, se você estiver disposto a contá-la — sorriu levemente

Ele a olhou por um momento, vendo o entusiasmo nas obsidianas verdes.

– Diz a lenda que dentro de nós, temos dois lobos. Eles são como os dois lados das almas. O bom e o mau. — soltou o braço da loira, remexendo na caixa.

– Desses dois lobos, um é bom. Vive em harmonia, é alegre, esperançoso, tem grande amor com todos, não ofende, mas sabe perdoar quando é ofendido, só luta quando precisa lutar. E tem o outro lobo… Esse outro é o mau, cheio de ódio, sente inveja, é orgulhoso, tem pena de si mesmo e seu ego é maior que a terra, luta contra tudo e todos sem nenhuma razão, é injusto, é ingrato. Eles vivem em constante batalha, uma batalha sem fim, sem descanso — disse iniciando a sutura, de forma que Maka estava tão concentrada que nem se dera conta.

– E a vitória de cada lobo depende de quais sentimentos você alimentar. Os sentimentos negativos dão forças ao lado mau, os sentimentos positivos alimentam o lado bom. — a olhou por um momento antes de voltar sua atenção ao ferimento — Que lado você tem alimentado?

Vacilei na resposta por um momento.

Não sabia.

Mesmo não respondendo, ele não pareceu se importar, nem insistiu para que respondesse. Talvez seja uma pergunta que não precisa ser respondida agora. Ou ser respondida à ele.

O jovem partiu a linha de sutura, remexendo na caixa a procura das bandagens para terminar os cuidados em seu ferimento.

– Sua alma é realmente curiosa. — comentou leviano, começando a enfaixar o corte agora fechado.

– Curiosa? Por quê?

– Nunca vi uma como a sua — deu de ombros.

–Tem uma ótima percepção pelo que pude notar.

– Quase todos de nossa vila são, ou eram assim.

– Por que acha minha alma curiosa? — perguntou evidentemente ainda sem entender, as sobrancelhas unidas em duvida.

– É como se não fosse uma alma só, como se ao invés que dois lados brigando um contra o outro para obter o controle total do seu corpo, tivessem quatro.

… Quatro?

– Terminei — anunciou, arrumando a pequena caixa de primeiros socorros.

Maka estendeu o indicador, tocando as bandagens que envolviam um ferimento que só sabia que ainda existia devido ao sangue que espalhava suas manchas vermelhas nas bandagens brancas e as leves pontadas que retornaram, agora que o efeito da anestesia local havia passado.

– Obrigada — agradeceu um leve sorriso desmanchou-se quando ateve sua atenção ao humano.

O garoto, ajoelhado a sua frente agora, olhava para o chão, evitando seus olhos.

Olhos cujo em um verde cálido eram envoltos por espessos e cílios tão negros quanto seus cabelos, que pareciam ainda mais sedosos agora que os via de perto. Os olhares se encontraram por um momento antes dele desviar os olhos dos seus, encolhido e trêmulo.

Claro. Havia se esquecido qual era sua segunda função ali.

Alimentar-me.

O coração dele palpitava no peito, sendo facilmente ouvido no quarto onde o único som se dava pelas respirações ruidosas, dele e dela. Quase se podia ver o sangue correndo por suas veias, e a alma pulsando.

Maka engoliu em seco, a garganta ardendo de tal forma que quase chegava a doer. Respirou fundo acalmando-se e levou sua mão até os cabelos negros, afagando-o gentilmente.

Ele a olhou surpreso.

– Não se preocupe, humano — pediu o mais gentil que pôde — Não vou matá-lo.

– Ojoo-sama... — sussurrou

– Claro que, se você acalmar seu coração, facilitaria bastante as coisas para mim. — sussurrou com a mão sobre a garganta, sentindo os caninos projetarem-se sob os lábios e seus olhos ardendo, indicando que os verdes provavelmente passaram a vermelhos.

Ouviu pouco a pouco as batidas de coração se acalmarem até se tornarem suportavelmente audiveis. A loira respirou fundo aliviada.

– Obrigada.

– Tenho negado a mim mesma fazer algo repugnante como aliviar a dor da sede mesmo que por meros instantes — tocou a garganta com a ponta dos dedos olhando para o teto — Não poderia matá-lo, mesmo que quisesse.

– Me perdoe — se desculpou.

Maka sorriu levemente.

– Tolinho — disse Maka — Não tem o por que de se desculpar, não tem culpa de nada.

– Peço desculpas por ter trago más lembranças a Ojoo-sama — se justificou rapidamente.

– C-como você...? — indagou surpresa.

– Sua alma… Me contou.

Não pôde evitar de sorrir ao menos um pouco.

– Não são exatamente más lembranças, apenas... Dolorosas demais.

– A ojoo-sama não é como os outros descreveram, ou como descreve a si própria. É realmente uma bondosa pessoa.

Maka surpreendeu-se com o elogio, sorrindo em seguida.

– Pode me contar sobre você, humano?

.

.

.

Abri os olhos lentamente.

Estava em posição fetal, mergulhada em meio a uma imensidade negra. Coloquei a mão sobre a garganta, pensando que estava a sufocar em meio à água, alguns segundos de pânico até perceber que podia respirar normalmente. Meus cabelos dançando a minha volta.

Apertei os olhos tentando enxergar em meio à escuridão, sem resultado. Estendi a mão enfim notando que a única fonte de luz ali era,

Eu mesma.

Mas nada suficientemente forte para que enxergasse mais que um palmo frente aos olhos.

– Onde estou? — indaguei mentalmente.

Olhei em volta mais uma vez e então quatro pontos como pequenas esferas de luz se acenderam a minha volta.

Então, a primeira esfera de luz.

Um reflexo idêntico ao meu. Porém essa, possuia asas como as de um anjo brotando de suas costas.

– Prazer. Sou sua parte artesã. A artesã das foices. E aquela que possui o poder de repelir as auras más.

Então, a segunda esfera de luz.

Era eu refletida ali a minha frente. A única diferença fazia-se das foices negras saindo de seus braços e costas.

– Prazer. Sou sua parte arma.

Então, a terceira esfera de luz.

Era um reflexo como o meu, porém o sorriso moldado em seus lábios era tomado pela insanidade. E as asas rasgadas como a de um morcego saindo de suas costas.

– Olá, docinho. É a primeira vez que apareço na minha imagem verdadeira, não é? Sou sua parte demônio. Sou aquela que traz a insanidade e sua loucura. Prazer em revê-la.

Então a quarta e última esfera de luz.

A mesma imagem era refletida, mas só depois pode notar a face daquele reflexo. Os olhos em vermelho injetados de um vermelho sangue, um sorriso maldoso moldava-se mostrando as presas pontiagudas.

– Prazer. Sou a parte sanguessuga. Aquela que traz sua sede. Aquela que traz sua gula por almas.

Olhei para todas as quatro a minha volta. A voz de todas soaram em uníssono.

Me dê o controle.

As vozes se misturavam, invadindo minha cabeça contra minha vontade. Encolhi-me, tampando as orelhas em tentativa de fazer tudo parar.

– Quem somos nós? — disseram em uníssono, rodando a minha volta, cantarolando uma cantiga sombria – Quem somos nós? — a pergunta ecoou por minhas orelhas mais uma vez.

– Parem — implorei em um sussuro — Parem — sussurrei novamente, aflita.

– Responda. Diga em voz alta. O que somos nós?

– PAREM

O controle... Nos dê o controle.

Todas estenderam a mão, fundindo se em mim.

Abri meus olhos em um ambiente diferente. Era uma cidade em ruinas, como Death City, o céu vermelho. Olhando em volta, dei de cara com um espelho.

Sobre minhas costas, projetavam-se asas. Do lado esquerdo uma de demônio, do lado direito, uma de anjo.

Em meus braços, do lado direito haviam foices retorcidas saindo da pele ensanguentada.

Finalmente subi o olhar até o rosto.

Metade do rosto era tomado pelos olhos vermelho-sangue injetado, juntamente das presas pontiagudas, a outra metade, de onde as lágrimas escorriam do olho verde, que reconhecia ser o meu, em direção a um sorriso medonhamente insano. Levei a mão até o rosto. Ajoelhando.

Não havia voz para que pudesse gritar.

Presa em uma armadilha criada por mim mesma.

O que... ?

Consegui dizer.

Meu reflexo de mexeu.

– Essa somos nós, nós somos você.

O espelho estilhaçou, e meu reflexo saiu, estendendo a mão em minha direção, agarraram meu pescoço sufocando-me e afundando no chão, que simplesmente sumira sob meus pés.

Debati-me enquanto ia me afogando. Pouco a pouco.

.

.

.

– Não! – gritou sufocada, sentando-se na cama de súbito, respiração acelerada, e o suor frio escorrendo por sua testa.

Levou as mãos a cabeça, perturbadamente.

Estava há um passo de perder toda a lucidez que ainda me restava, cambaleando na linha tênue que dividia minha mente altamente tendenciosa do certo e o errado, e fina demais para que pudesse me equilibrar ou muito menos me sustentar a esta altura do campeonato.

To be Continued...

Notas finais
E agora tudo começou a fazer sentido. Não, pera. Algumas leitoras me perguntaram quantos capítulos tera essa fic, Minna, não vai passar de 35, espero. E... Bom, estamos... Em reta final de fic!!! Mentira. Não estamos em reta final. Ou será que estamos?SUSPENSE. tsk tsk. Gente, eu não abandonei a fic, e não vou abandonar, repetindo! Bom...Elogios, sugestões, perguntas, reclamações (Esse não precisa mandaR. HAUSHAUSHAUSHAU') REVIEW! Me façam uma autora feliz ;-;Podem me xingar pela demora, mas pelo perdão de vocês, docinhos.E... Bom, atualmente minha felicidade de ter 37 leitores e leitoras acompanhando essa fic! Que orgulho! cof cof' Recomendations please, people, vamos aumentar esse número e me deixar bem animada, /estou precisando de animação esses dias. E, mas um pedidozinho, podem dar uma passada e ler essa fic, seus lindjos?http://fanfiction.com.br/historia/375673/Only_You Bom, Arigatoou ~ Kisses X Kisses.