Feelings Insanes
7 More than friends, Lass than lovers
Notas iniciais
Feelings Insanes
– ~~~~~~~~ — o grito dela ecoou pela mansão, tornando se apenas um eco pela quantidade de cômodos.
Mas ele foi capaz de ouvir.
Uma melodia, a melodia que a alma dela tocava para a dele. Um chamado.
Soul subiu as escadas rapidamente, em busca incessante, até entrar no banheiro, encontrando a parceira sentada em uma das extremidades, abraçada fortemente as pernas, escondendo o rosto, não passando nada além da imagem de uma menininha assustada.
Mal soube descrever o alívio que o tomou ao vê-la bem.
Suspirou, se aproximando cautelosamente e agachou ao seu lado, tocando seu ombro. Instantaneamente a artesã, em modo de defesa, deu uma cambalhota para trás, em posição de bote como uma felina, as foices aparecendo em seus braços, os músculos retesados.
Precisou de minutos para olhar quem estava prestes a atacar, deixando seus músculos enfim relaxarem, as foices sumirem, as lágrimas escorrendo por seu rosto corado.
– Gomenasai — disse entre os soluços.
– Está tudo bem — sussurrou, chegando mais perto, até estar a sua frente, observando a, esperando suas reações, sem se precipitar.
Maka mantinha a cabeça baixa deixando a franja cobrir seus olhos.
Sentia se antes de tudo, culpada por quase tê-lo atacado, fraca por não poder se livrar de quem me assustava, a atormentava até mesmo ao fechar os olhos sem ter nem a opção de fugir.
Soul fez algo que Maka não esperava, estendeu os braços, em um pedido silêncioso, Maka arregalou levemente os olhos, entre lágrimas e assentiu jogando-se em seus braços, seu porto seguro. Soul enlaçou sua cintura a puxando de encontro a ele, que encostou a cabeça em seu peito, apertando sua camisa, trêmula.
Esperava realmente que ele pudesse oferecer com seus braços e seu calor, a paz que procurava, que precisava.
Soul acariciou o topo de sua cabeça, calado. Sabia bem que palavras, nesse momento, de nada ajudariam. O silêncio era a melhor coisa que podia fazer por ela.
– O que houve? – perguntou o diretor, ao adentrar o banheiro, seguido dos demais.
Soul os olhou, voltando-se a parceira, que já parara de tremer.
– Está melhor? – indagou Soul, preocupado.
Maka esfregou as costas da mão em seu rosto, secando as lágrimas provavelmente e ergueu a cabeça, se levantando com a ajuda do parceiro. Sorriu para os presentes na cena, pensando em uma desculpa convincente para todos.
– Eu acabei me assustando e escorreguei – disse Maka, rindo do quão idiota soou sua desculpa.
Todos suspiraram aliviados acreditando, menos Soul que não desgrudava os olhos dela.
– Está na hora de almoçar, não é? Estou morrendo de fome — brincou, seguindo Soul pouco mais a frente que ela. Sabia muito bem que ele não havia acreditado em nada do que dissera, e provavelmente, iria querer satisfações depois.
Olhou de esguelha para o espelho, novamente vendo sangue, por toda parte, e seus reflexos seguindo-na com o olhar macabro.
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– Tch — bufou impaciente enquanto Stein retirava mais uma amostra de sangue.
Sentia-se como uma ratinho de laboratório nas mãos do Stein, e isso não passava de ser uma experiência certamente desagradável e obviamente não desejada.
Bufou impaciente enquanto o Sol morria, literalmente, no horizonte. Olhou para as folhas coloridas que voavam com o vento calmo que soprava do lado de fora, como se já indicassem o final do outono e a chegada do inverno.
– Fascinante – sussurrava Stein, olhando no microscópio, chamando a atenção da loira, que revirou os olhos, massageando a veia, que parecia já não ter mais sangue para ser retirado.
– Terminaram? — disse Marie, entrando no quarto, carregando uma caixinha de curativos.
– Quase — disse Stein, se levantando e aproximando-se dela, que balançava as pernas distraidamente, olhando seu reflexo distorcido no piso brilhante.
Levantou os olhos sentindo que alguém a observava, levou sua atenção a tal olhar. Os vermelhos injetados trocavam para os olhos negros do professor excêntrico em frames doentiamente agitados. Seu coração falhou uma batida. Reagindo instantaneamente.
Fez duas foices aparecerem nos pés, quase perfurando Stein que se desviou por pouco segurando suas pernas. Maka se debateu assustada, fazendo suas ondas de sua alma se agitarem, chocando contra as deles. Stein soltou rapidamente, sacudindo as mãos doloridas. A loira, aproveitando-se da brecha rolou para o outro lado da cama fazendo as foices aparecerem em seus braços, pronta para atacá-lo.
As vozes ecoaram distantes.
– Maka – chamou o eco mais uma vez.
– Maka! – chamou Stein, puxando-a de volta a realidade.
A loira arregalou os olhos, enfim percebendo o que havia feito. Desfez as foices, deixando os braços caírem ao lado do corpo, envergonhada.
Ambos observavam-na chocados com sua reação inesperada.
– P-perdão – sussurrou Maka, entrando no banheiro trancando a porta atrás de si, ofegante.
Observava-se no espelho de corpo todo, enxergando a versão macabra de seu reflexo os olhos vermelhos substituindo os seus verdes. Maka piscou algumas vezes tentando não se ater a visão doentia de sangue espalhado pelo cômodo.
– Está mesmo com medo de mim, não é? – disse seu reflexo, seu tom transmitindo p quanto estava se deliciando com isso.
– Puxa, que ilusão da sua parte — sorri zombeteira, sentindo uma mão bater contra meu rosto, embora ninguém tenha o feito – Acha que bater em mim, vai ajudar? — mantive o sorriso no rosto, agora avermelhado.
– Bater talvez não. Mas posso adquirir outras formas de te afetar — sorriu friamente. Recuei da pose que tinha a intenção de mostrar, quando a imagem de Soul veio em minha mente.
– Ora, se não perdeu a pose.
– Fale logo o que você quer.
– Tudo a seu tempo, querida, tudo a seu tempo.
Maka socou o espelho estilhaçando-o, em uma tentativa de fazê-lo desaparecer de sua vista.
Voltou a enxergar a si própria nos cacos que haviam se espalhado pelo chão. Apoiou na parede escorregou até o chão, fechando os olhos com força. Queria poder esquecer, parar de ver essas coisas. Mas algo impedia, não deixava que ela pudesse tomar conta de seu consciente, sozinha. As lágrimas de pânico escorreram por sua face como cascatas.
Estava beira de seu autocontrole e sanidade, o que parecia fazer ainda mais tentador e irresistível apenes ceder e acabar logo com isso.
Era só desistir, não era?
Olhou para o espelho, ou que sobrara dele, observando-se nos cacos. Tocou as olheiras escuras e fundas em seus olhos casa vez mais opacos e cansados.
– Tch — gemeu abrindo os olhos, sentia algo espetando sua mão.
Maka juntou as sobrancelhas, levantando a mão dolorida, só então percebendo o sangue que encharcava as bandagens do punho direito que usara para socar o espelho, gotejando no piso branco.
Vários estilhaços do espelho cravado em sua carne.
Com a ponta dos dedos, puxou o maior de sua mão, jogando-a no chão que caiu tintilando até o outro lado do cômodo.
– Merda – bufou Maka, segurando a mão dolorida, tirando os outros cacos.
Respirou fundo e saiu do banheiro, encostando-se na porta.
– Maka-chan? Tudo bem? — Marie se aproximou, mas Stein colocou um braço a sua frente a impedindo de prosseguir.
A artesã demorava a responder, medindo as palavras com cuidado.
– Estou bem – disse Maka e sorriu, escondendo as mãos trêmulas atrás das costas, percebendo a alma tensa do professor a sua frente, que se punha entre ela e Marie.
– Não vou mais atacar ninguém, Stein-sensei — se dirigiu a ele o olhando fixamente — Muito menos matar — sorriu levemente irônica, observando-o a olhar curiosamente.
– Como pode afirmar isso, se nem confia em seu próprio reflexo? – a voz ecoou em minha cabeça.
– Estou tomando algumas precauções, apenas – disse, ainda atento.
– Ah! Sim. Eu o quebrei o espelho ali no banheiro. Um pequeno acidente. Desculpe — murmurou afastando-se da porta, Stein arqueeou a sobrancelha em dúvida, passando por ela e abrindo a porta do banheiro.
– Por kami-sama, você se cortou? — perguntou Marie preocupada pegando sua mão entre as suas.
– Do que você está falando? Não tem nenhum espelho quebrado aqui.
– Tem si... — se interrompeu observando o banheiro impecavelmente branco e o espelho intacto, Maka tocou o punho direito, sem sangue, sem ferida, ou estilhaços.
– I-impossível... – sussurrou, afastando-se deles em direção a parede, reprimindo o grito que se formava em sua garganta. Segurou a cabeça entre as mãos, em pânico.
– Não sabe mais a diferença entre o sonho e a realidade, Maka?
A risada diabólica soou.
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Soul andava de um lado para o outro na sala as mãos no bolso da calça social, parte do elegante smoking preto a riscas de giz, em conjunto da camisa vermelho sangue e a gravata de cetim preta, vestindo o corpo bem formado.
– Maka, vamos logo! — bateu na porta pela milésima vez, impaciente — O motorista já deve ter ido embora — olhou para o relógio batendo o pé de acordo com os segundos.
– Só um minuto – oediu Maka, a voz abafada pela porta.
– Você disse isso a meia hora atrás! — bufou – Nesse ritmo só vamos chegar lá no fim do outono! Do ano que vem! – reclamou Soul, afrouxando a gravata, incomodado.
– Que exagero – resmungou Maka, rindo.
O vestido de um tecido brilhante preto, as mangas caindo delicadamente pelos ombros, as mãos cobertas por luvas até um pouco acima dos cotovelos, do mesmo tecido brilhante do vestido, usadas para esconder as bandagens que protegiam as feridas em sua mão, e acabavam por contrastar elegantemente contra a pele alva
A maquiagem mais carregada para a noite, incomum no rosto da artesã, contribuía ainda mais para realçar a beleza já presente nela, as orbes brilhavam como esmeraldas lapidadas destacadas na maquiagem escura.
Ajeitou a sandália de salto no pé, pegando o adereço prateado presente de Wes, da pequena caixa de veludo e prendendo-o no coque frouxo. Mirou-se no espelho pela última vez tocando no coração vermelho que cintilava luz rosada pelas paredes do banheiro, preso ao colar fino e delicado em torno de seu pescoço.
Respirou fundo abrindo a porta.
O vestido de cetim preto moldava-se nas curvas delicadas, deixando parte da perna longa, torneada e bem delineada, exibida pela fenda lateral do vestido.
– Pode fechar para mim? – perguntou, indicando o zíper do vestido aberto em suas costas.
– Quê?
– O zíper – disse Maka novamente, ficando de costas para ele.
Soul aproximou-se até mais do que gostaria, fechando o zíper rapidamente.
– Obrigada! E então? — perguntou dando uma voltinha, timidamente.
– Está... Linda – murmurou Soul, corado.
Maka caminhou em sua direção, endireitando a gola e riu e ajeitando sua gravata.
Erguendo um pouco a cabeça para poder olhar diretamente em seus olhos.
Como ficava lindo, envergonhado.
Soul se desviou de seu olhar, lhe dando as costas, bagunçando seus cabelos nervosamente, resmungou qualquer coisa que se assemelhasse a um “Isso não foi nada maneiro” logo depois, arrancando risos que a artesã não pode conter.
– Vamos — posicionou o braço a espera do da loira, que segurou-o, saindo do apartamento ao seu lado.
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– Chegamos, bocchan – avisou o chofer dos Eater.
– Obrigado, Seiki – disse Soul, polidamente.
Soul saiu, dando a volta pela parte de trás da limusine preta, abrindo a porta do lado da loira, estendendo a mão para ajudá-la a sair. Maka a segurou, saindo do carro e ergueu a cabeça, maravilhada com as lanternas e as folhas coloridas, que decoravam e iluminavam em vermelho, laranja e amarelo, o longo da escada, simetricamente.
Sorriu levemente lembrando-se da obsessão um tanto excêntrica do amigo. De braços dados com o parceiro, segurou o parte do vestido, subindo as escadas.
No topo da escadaria, seguiram em direção ao salão, guiados pelas vozes e música que se tornavam apenas ecos desconexos pelo corredor.
Maka arqueou as sobrancelhas enquanto subia a última escadaria em direção ao salão, sentindo as almas posicionadas em cada extremidade da torre.
Segurança para os alunos, talvez?
Pararam em frente a porta, dois seguranças mantendo-as, fechadas.
Olharam Maka de cima a baixo, se entreolhando.
– Identificação, por favor.
– Maka Albarn, artesã das foices
– E Soul Eater Evans, a foice – completou Soul.
– Convite, por favor – pediu o guarda da direita.
Soul os tirou do bolso interno seu paletó, impaciente com a inspeção mínima deles antes de enfim, permitirem a entrada.
Sorriram hospitaleiros, empurrando as portas duplas, de mogno escuro e pesado.
– Sejam bem vindos — disseram assim que eles passaram pelas portas, fechadas atrás deles.
Maka passou os olhos pelo salão, decorado com folhas coloridas e uma faixa simetricamente posicionada, dando as boas vindas aos convidados.
Segurando uma das barras do vestido, desceu as escadas lentamente, escorregando as mãos com luvas pelo corrimão de mármore escuro. Todos se viraram para olhar a escada, enquanto o silêncio sepulcral tomou o lugar.
Desceu o último degrau, dando os braços com o parceiro, seguindo pelo centro do salão. Os burburinhos e sussurros se espalharam novamente tendo como assunto, provavelmente, a chegada dos “esperados”, tornando-se desconexos pela quantidade aglomerada de pessoas falando ao mesmo tempo. Maka enrusbeceu, olhando discretamente para o parceiro, que mostrava-se indiferente pelo rebuliço que a chegada deles trouxera e deu glórias mentalmente assim que chegou a mesa, onde, cavalheiro, Soul puxou uma cadeira, a espera dela, que sentou-se agradecendo sem graça, assim que ele se sentou ao seu lado.
– Como puderam deixar o Grande De... – disse Black Star, sua voz algumas oitavas a cima, calado pela parceira que tapou sua boca antes que começasse a gritar e chamar atenção demais.
– Desculpe o atraso, minna — disse Maka, acenou para Kim e o restante da turma na outra mesa, que retribuíram, olhou em volta a procura de Kid, encontrando-o ao lado do pai, lhe sorriu, sendo retribuída de imediato, ato que não passou despercebido por Soul, que tossiu levemente, incomodado.
Tal incomodado, por saber exatamente, embora que bem no fundo, o motivo por ter essa reação. Não tão desconhecida já há algum tempo.
Ciúmes.
Shinigami bateu as palmas pedindo silêncio, tal ato que mal foi percebido pelos presentes – Silêncio — a voz estrondosa e gutural do diretor soou no salão calando a todos, dando início ao discurso – Podemos começar, agora que todos estão presentes — olhou para Soul e Maka.
Soul a olhou de esguelha, como uma indireta pelo atraso, Maka o fuzilou, cruzando os braços. Soul riu levemente, divertindo-se com a cena.
Do lado de fora do salão, em frente a luz da lua, cujo capuz cobria o rosto deixando apenas o sorriso diabólico retorcia seus lábios visivel.
– Está perto de se cumprir... — sussurrou.
To be continued...
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