Feelings Insanes
8 Jealousy, a decision is been taken. Inconsequence.
Notas iniciais
– Está perto de se cumprir... — sussurrou sentada a vassoura
Feelings Insanes
A festa já em horário avançado, onde alguns os garotos já haviam se livrado do paletó e as gravatas já estavam frouxas em seus pescoços, além é claro, das garotas, algumas talvez descalças, livres do sapato que provavelmente machucavam o pé.
Alguns corajosos ocupavam a pista de dança divertindo-se com a música eletrônica, outros cercavam o Buffet, ainda havia aqueles que mudavam de mesa conversando animadamente com os outros colegas.
Soul tinha em mãos o terceiro copo já pela metade de Iced tea vodka. Não se sabia se bebia para apenas para inibir o receio, no máximo que os limites da sobriedade permitiam, ou um método estúpido de criar um obstáculo para não ter de estabelecer um diálogo entre ela ou qualquer um presente na mesa.
Dando longos goles na bebida que já nem sentia mais o gosto, olhava discretamente para a artesã, que recusava educadamente o terceiro que viera a chamar para dançar, para seu alívio.
Maka suspirou.
Sua perna ainda não estava boa para que andasse, quanto mais...
Dançar.
Incomodada, Maka olhou para a ruiva na outra mesa discretamente pela centésima vez, e o mesmo olhar mortal de sempre era lançado a ela.
Suspirou resignada revirando os olhos, deixando sua atenção se focar em uma coisa qualquer, que era sem dúvida mais interessante do que a garota e sua tentativa de homicídio por contato visual.
Só então percebendo sua aproximação quando o perfume adocicado e extremamente enjoativo subiu a seu nariz, a fonte do cheiro encontrando a fonte do cheiro. A ruiva logo ao seu lado.
– Soul-kun, Vamos dançar? – disse a garota, a voz fina se dirigindo a ele. Soul a olhou, as sobrancelhas unidas em dúvida.
– Não obrig... – argumentou Soul, a ruiva pegou sua mão, o arrastando para pista de dança, que foi a contragosto.
A garota sorriu vitoriosa para a loira, que a olhou desinteressada, e no meio da pista, começou a dançar freneticamente, Soul se manteve a certa distancia sem se mover, bebericando de seu copo. A ruiva, então percebendo que Soul não prestava a mínima atenção no que ela fazia ou dizia, puxou o rosto de Soul para o dela, selando seus lábios em um beijo inesperado.
Maka observou a cena por alguns segundos, uma lágrima silenciosa e solitária se formou em seus olhos e desceu, tocou o rosto com a mão coberta pela luva, secando-a, fechando os olhos em seguida, levantou-se da mesa lentamente e sumiu no meio da multidão.
Soul arregalou os olhos afastando-a olhando em seguida para a mesa onde a loira estivava sentada, alguns segundos atrás.
– Soul-kun – pediu a garota, chorosa, seus braços envoltos em seu pescoço, prendendo-o em um abraço.
– Me solte, por favor – pediu Soul, afastando-se rudemente, deixando seu desagradável par de dança para trás.
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– Ele não liga pra você — sussurrou a voz em sua cabeça.
– Me deixe em paz – pedi, sentindo minha voz embargada.
Olhei para cima, afim de que as lágrimas não escorressem, rindo desgostosamente.
Estou mesmo sofrendo por um homem, de novo? E pelo mesmo, de novo?
Respirando fundo como se para tomar um pouco de coragem, e resgatar o restante do seu orgulho, observando seu reflexo, o rosto levemente corado, e tratou de por um sorriso condescendente nos lábios saindo do banheiro.
– Onde estão as garotas? – perguntou Maka a Kid.
Kid suspirou resignado
– Elas estão bebendo alguma coisa lá no bar – respondeu, apontando para a bancada do bar, Maka assentiu caminhando até lá.
Companhia das amigas... E álcool.
Sentiu uma mão segurando seu pulso, respirou fundo.
Sabia muito bem quem era. O perfume que emanava de seu corpo para ela era inconfundível.
– Maka – chamou Soul — Podemos conversar?
Como começar a falar?
Seus olhos o estudaram curiosamente, esperando uma atitude. Antes que ele pudesse falar, ela tomou a sua frente.
– Me deixe sozinha por enquanto, por favor — disse de costas, soltando-se de suas mãos e tornando a andar.
– Aquilo foi um mal entendido – disse Soul.
– Então me prove – pediu Maka, caminhando em direção ao bar.
Liz que bebia tranquilamente uma taça de champanhe, Patty logo ao seu lado ria descontroladamente (sem precisar de álcool para isso) e Tsubaki, com um copo de algum suco em mãos.
A mais prudente do grupo por esta noite.
– Para a senhorita? — perguntou o barman, de cabelos pretos meio desgrenhados e olhos em um azul escuro profundo, de uma beleza intangível se permitido falar.
– Um Cherry Martini, por favor – pediu Maka, sentando-se ao lado das amigas.
– A senhorita não é menor de idade? – indagou, curioso.
– Talvez – disse Maka, inclinando-se sobre o balcão — Mas você poderia me abrir uma exceção, não é? — perguntou a loira, sorrindo-lhe sugestivamente.
– De certo que seria uma honra — sorriu-lhe de volta e se virou para preparar a bebida.
As meninas a olharam, espantadas.
Claro. Maka Albarn, a nerd certinha, ingerindo bebidas alcoólicas e cantando o barman?
Não muito tempo depois, a bebida foi posta sobre o balcão, Maka sorriu para o barman, que sorriu galante de volta, voltando ao seu trabalho. Deu um longo gole na bebida, que desceu rasgando por sua garganta.
– Tudo bem? — perguntou Tsubaki, preocupada — Não está sendo radical demais? — tocou no assunto indiretamente.
– Com toda certeza que estou bem – disse Maka – Com licença — terminou a bebida em um gole deixando a taça no balcão, levantou-se adentrando a multidão novamente.
– Maka... – sussurrou a morena, resignada.
Maka caminhou entre os presentes, pegando uma taça de champanne na bandeja do garçom que a olhou abismado, esvaziando-a rapidamente a primeira, a segunda e a terceira.
Pro inferno com a sobriedade.
– Mademoiselle - sussurrou o jovem, ao pé de sua orelha, segurando sua mão e a girando, impedindo-a de pegar a quarta taça.
– Wes? – perguntou Maka, suas sobrancelhas uniram-se, tentando assimilar.
O mais velho trajava um terno negro seguido por uma camisa cinza sem a presença de uma gravata com os primeiros dois botões aberto e a calça social na mesma cor do paletó. Seus cabelos brancos molhados e levemente arrepiados.
– Maka – respondeu Wes, sorrindo cavalheiro e fez uma pequena reverência, seus profundos olhos vermelhos grudados nas esmeraldas. Maka sorriu levemente, envergonhada, assim que ele depositou um beijo em sua mão – Bom te rever. Gostou do meu presente?
– Igualmente. É lindo, obriga... – agradeceu Maka, vendo que ele a puxava em direção à pista de dança — O-o que está fazendo? – gaguejou a loira, nervosamente.
– Levando-a para dançar — sussurrou em sua orelha, olhando para os músicos, que passaram a tocar a clássica valsa.
– Wes, eu estou com a perna machucada e eu não sei nem danç... – argumentou nervosamente.
– Eu vou te guiar.
Os dois pararam de frente um pro outro. Wes pousou a mão na cintura da loira a puxando para mais perto de si, sua mão a espera da dela, que pousou suavemente sobre a dele enquanto a outra ia para o ombro do rapaz. Começaram com movimentos tímidos em uma singela e tradicional valsa, bailando pela pista, atraindo à atenção de algumas pessoas no local.
Formavam um lindo casal apesar de mal se conhecerem.
Aos poucos seus corpos se aproximavam mais e os movimentos deixavam a timidez de lado. Giraram pelo salão em perfeita sincronia.
– Não sabia que você dançava tão bem — sussurrou o rapaz em sua orelha.
– Você sabe que não sei dançar, é porque está guiando, Wes – justificou Maka, sorrindo em resposta quando seu corpo foi afastado do dele em um giro delicado antes de retornar a posição de antes – Embora, é claro, sempre haja uma primeira vez para tudo – sussurrou Maka, os olhos se encontrando, ele sorriu de lado.
Nesse momento, todos abriram espaço para o casal no meio da pista. Deixando-os sozinhos, já que o casal chamava a atenção de todos, de todos mesmo.
– Não vai ligar se meu irmãozinho, me ver com você assim? — perguntou dando impulso para girá-la, maka se calou, pensativa.
– Ele não se importa, e eu também não – argumentou Maka, indiferente.
– Aposto qualquer coisa que ele vai se importar, e você também, muito – desafiou Wes.
– Aposta aceita – sussurrou Maka fechando os olhos, sendo rodopiada novamente, voltou e wes que prendeu seu corpo no dela mais próximo do que estavam antes. Respirou fundo, tensa pela movimentação brusca do mais velho.
Tudo aquilo fazia esquecer-se de meu problema, só queria aproveitar a noite e me sentir bem para variar.
Maka deixou seu corpo ser deitado para trás fechando os olhos lentamente, enquanto Wes segurava sua cintura.
Profundos orbes vermelhos encontraram-se com os dela ainda de cabeça pra baixo.
– Soul – sussurrou Maka, baixinho quando o viu dar o último gole na bebida, os olhando fixamente, e fuzilando o mais velho com o olhar, que sorriu para o mais novo.
– O que foi? — perguntou Maka, desconcentrada
– Eu ganhei – repetiu Wes
– Ganhou... O quê? – tornou a indagar, sem entender.
– A aposta de que ele se importaria se te visse comigo, assim como você se importou por ele ter visto você comigo.
– E quem disse que me importei? — o cortou, fria.
– Seus olhos, espelhos da alma, não mentem.
Maka, piscou algumas vezes, antes de desviar os olhos dos seus.
A quem queria enganar? Estava visivelmente perturbada.
– Tudo bem. Trato é trato. E o que você vai querer de mim? – perguntou Maka, tornando a acompanhar seus movimentos.
Ele riu.
– É um horizonte de alternativas. Fico chateado por não poder me aproveitar até. Mas... Faça meu otouto feliz – disse Wes, utilizando-se de seu sorriso que poderia deixar qualquer garota boba.
– Como? – perguntou Maka, para ver se havia entendido direito.
– Eu sei que você me entendeu – sorriu, quando a viu desconcertada — Uma das vezes que o vi sorrir, foi quando ele tocava piano em casa após um baile recepção aos alunos novos – insinuou Wes.
O baile de recepção de aluno novos... Quando nos conhecemos...
– Você anda cheio de suposições — resmungou Maka, fingindo prestar atenção em um ponto qualquer do salão
Ele riu novamente.
– Ele gosta de você, embora seja um cabeça dura para admitir – disse Wes, puxando seu queixo para olhá-lo.
– Não seja bobo — afastou sua mão, olhando para o outro lado.
– Me prove que estou errado – provocou Wes.
Maka o olhou.
– Posso roubá-la de você, aniki? — perguntou Soul, ao lado do casal.
Maka o olhou surpresa, não esperava nenhuma reação desse tipo, muito menos de Soul.
– Você sempre faz isso, não é, otouto? Sempre com a sorte de tê-la ao seu lado – indagou Wes, rindo levemente, parando de dançar.
– Você sabe. Alguns sofrimentos são opcionais, Maka — depositou um beijo em sua mão — Até outra hora – despediu-se, colocando-a frente-a-frente de Soul, juntando a mão do irmão e da loira.
– A propósito, otouto. Cuide dela. Ou eu a roubo de você — soltou sua ultima provocação antes de se afastar. Soul rangeu os dentes irritado e olhou diretamente para os músicos, que pararam a valsa, mudando totalmente para Jazz clássico
Posicionou uma de suas mãos com a dela, pousando a outra em sua cintura, puxando-a de encontro a ele, colando seus corpos.
Neste instante somente o piano soava no salão.
– Soul... – sussurrou Maka, sendo interrompida
– Você pediu para provar, não é? – perguntou Soul em seu ouvido, Acariciou as costas da artesã fazendo a mesma se arrepiar e inclinou-a para trás vagarosamente e a puxando rapidamente de volta, deixando-os mais próximos do que estavam antes, quando o piano parou, retornando em seguida com o saxofone e os demais instrumentos.
Todos os outros casais haviam saído da pista, não conheciam aquele tipo de som, somente os dois permaneceram, no centro, dançando em perfeita sincronia. Um guiando o outro.
– Ei, Kid — sussurrou Tsubaki – Que musica é essa que eles estão dançando?
– Jazz – respondeu, de braços cruzados.
– Uau, eles arrasam dançando juntos, não é? – comentou Kim, entrando na conversa.
–Aqueles dois nasceram pra ficar juntos. — completou Kid, sorrindo.
Soul segurou sua mão, afastando-a e voltando a trazer para mais perto, descendo a mão por toda a extensão de seus ombros até o início da lombar, parando-a em sua cintura e tornaram a bailar juntos pelo salão, dançando em completa sintonia. Os passos e movimentos sincronizados um com o outro, completando-se.
Soul a empurrou levemente, de forma que ela rodou em uma pirueta no próprio eixo, fazendo seus corpos desgarrarem, seu vestido levantando suavemente de forma que foi revelado parte das coxas bem formadas.
Estendeu a mão a espera da dela, que a segurou sendo puxada de volta deixando a perna ao lado da fenda do vestido ser segurada ao lado de seu corpo, na cintura da arma, a mão quente apertando a parte de trás da coxa da loira, os rosto quase colados, os peitos arfando e os olhos brilhando extasiados.
A música terminou, mas eles não saíram da posição, olhando um nos olhos do outro.
Só despertaram diante das inúmeras e estrondosas palmas logo após aquele espetáculo. Maka olhou em volta, corando e saindo da posição em que estava.
Soul, segurou o pulso da artesã puxando-a consigo, ignorando qualquer chamado que fosse, levando-a.
Naquela noite em especial, já havia feito todas as encenações que eram incumbidas em festas como aquela.
Chega.
Suspirou antes de adentrar a limusine atrás do parceiro.
– Para casa, por favor – pediu Soul ao chofer, ainda segurando o braço da loira.
Apertou o botão para subir a divisória da cabine entre passageiro e motorista.
– Temos muito o que conversar – comentou Maka.
Soul enfim soltou seu pulso.
Maka observou a silhueta dele na escuridão do carro, tendo flashes dele iluminado pelas lamparinas das ruas de Death Scyte, os cabelos bagunçados pelo vento na janela aberta.
Maka respirou fundo, sonolenta.
É. Talvez, beber não tenha sido uma boa ideia.
– Sim – respondeu Soul, a voz saindo rouca e a expressão séria, olhou-a por alguns segundos.
Abrira a boca uma parte de vezes, mas o som não saia. Esperava sinceramente que a bebida a ajudasse nesse sentido, mas para sua decepção, não fora uma quantidade de álcool suficiente para deixa-la sem papas na língua.
– Gomen — murmurou Soul.
Soul nunca fez do tipo que gostava de falar. Maka respirou fundo, resignada.
– Sabe... A vida tem um jeito de ensinar as coisas, como um quebra-cabeça. Lhe dá as peças e deixa-a por sua conta a tarefa de montá-las. É incrível, como, mínimas atitudes, podem iludir e persuadir com tanta facilidade. – murmurou Maka enquanto brincava com os próprios dedos, olhando para o céu estrelado pela janela entreaberta.
Soul se retesou, tenso.
– Não tive exatamente uma infância — disse distraidamente — Meu pai foi e sempre será um maldito galinha — resmungou — Talvez um dia, minha mãe tenha cansado de amar, e simplesmente abandonou tudo e partiu. Acho que nunca os perdoei verdadeiramente. — sorriu desgostosamente — Foi esse o principal motivo, eu diria, que me fez desacreditar nos homens, no amor verdadeiro e em finais felizes. Amor não é algo que se possa tornar possível com facilidade, em uma vida como essa, amar é criar uma fraqueza, eu me firmei nessas palavras, pensando que poderia viver sem esse sentimento até o fim da minha vida. Amor, pra mim sempre foi o pior dos monstros. Mas então, você apareceu.
Soul a olhou, atento a suas palavras.
– O destino resolveu mostrar seu humor sádico e fez nos conhecermos, e logo após virarmos parceiros. Me fez nutrir sentimentos que eu havia prometido não ter – pausou — Mas você... Era somente aquela obsessão por ser maneiro, somente obsessão por corpos esculturais. Tentei realmente me convencer que todos os homens foram e sempre seriam iguais, e que amor recíproco não existia, consequentemente, não finais felizes.
Maka sorriu tristemente.
– Então vinha você e fazia o típico jeito de “príncipe encantado”, distorcendo minha sensação de segurança... Sem nem eu mesma notasse... Com suas atitudes completamente impensadas e imprudentes, atitudes que me iludiam, e mesmo assim... — pausou secando uma lágrima que descera — Quando conversávamos, quando nos divertíamos, quando estávamos juntos... A simples oportunidade de ter te conhecido, me deixou feliz. Acho que essas coisas simples da vida, caracterizam o amor que você despertou em mim. Seja ele platônico, ou recíproco — sorriu levemente.
O carro freiou suavemente.
– Chegamos, bocchan – avisou o chofer pelo radinho.
– Obrigado, Charlie – respondeu Soul, voltando sua atenção a parceira.
– É por isso que te odeio Soul Eater – disse Maka, ele a olhou sem entender — Te odeio por me fazer passar por isso, te odeio por sentir sua falta, odeio te amar e principalmente... Odeio não conseguir te odiar — murmurou abrindo a porta do carro e saindo.
Soul, sinalizou para que o chofer partisse, saindo do carro atrás da loira. Que já segurava a barra do vestido, subindo as escadas do apartamento.
– Espera – pediu Soul, segurando seu pulso — É verdade? O que você acabou de falar... É mesmo verdade? — a virou para ele. As bochechas de Maka em uma tonalidade rosada, que provavelmente não seria de saúde.
Bêbada?
Não que tivesse moral para dar algum tipo de bronca pela loira estar alcoolizada. Dera motivos, e também estava na mesma situação.
– Por que eu mentiria? — perguntou — E por que quer confirmar? Não é recíproco, como eu disse — sorriu resignada, tornando a subir os degraus.
– Você não tem ideia do quanto está enganada – sussurrou Soul, puxando-a para ele colando seus lábios nos dela.
To be continued...
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