Feelings Insanes
15 Let the hell, begin.
Notas iniciais
Feelings Insanes
– O quê? – perguntou Kid, desorientado de um sono interrompido.
– Têm sons vindos da floresta – repetiu Soul – E dessa vez não é só um veado. Levantem arrumem as coisas, rápido.
Todos levantaram em um salto, cada um dobrando suas respectivas cobertas, guardando-as nas mochilas o mais rapidamente possível.
Soul pisoteou as brasas que ainda existiam na fogueira, apagando quaisquer vestígios luminosos que pudesse levar a localização mais rápida do grupo, derramando uma pequena quantidade de água de seu cantil para esfriá-las.
– Prontos? – indagou Soul, levantando-se dos restos do que fora uma fogueira a minutos atrás.
Olhou para trás, todos a postos, com mochilas nas costas, esperando.
– Vamos então — disse, caminhando rapidamente em direção oposta ao barulho, adentrando a floresta ao encalço dos outros por uma trilha irregular em meio as árvores olhando para trás a todo instante, parando subitamente em outra área aberta, não grande o suficiente para se chamar de clareira – Subam aqui, rápido – pediu, indicando um estrondoso carvalho.
Kid instruiu para que suas parceiras subissem primeiro, subindo atrás.
– Você só pode estar brincando comigo – zombou Black Star, mal humorado provavelmente por seu sono interrompido.
– Venha, Tsubaki – chamou Kid, estendendo-lhe uma mão para ajudá-la a subir.
Tsubaki olhou para o parceiro, preocupada, tocando o ombro do parceiro, que desvencilhou-se do toque dela, irritado.
– Tenho um palpite não muito agradável do que está nos perseguindo agora. Você escolhe. Quer ter algum tempo viver ainda? – indagou Soul, sem paciência.
Black Star pensou em retrucar, sendo interrompido pelo som de galhos quebrando cada vez mais próximos.
– Vai logo porra! – gritou Soul, transformando o braço em foice, empurrando Black Star para atrás dele, a tempo das folhagens darem espaço a criaturas que não sabiam classificar prioritariamente como simples bestas ou terríveis quimeras.
Eram como lobos imensos, tirando aquelas horríveis mutações. Até porque, que tipo de lobo equilibrava-se sobre as patas traseiras? ou até mesmo fazia sinal para que o resto do bando seguisse-o?
– Subam logo! – gritou em ordem à dupla.
– Soul – chamou Tsubaki, preocupada.
– Apenas vão, o que estão esperando? – indagou, competindo em força bruta com uma das bestas, empurrando-a para uma distância segura.
Três das feras vieram para cima dele de uma vez, atacando-o.
Soul ergueu um dos braços em foice, perfurando o meio do peito da primeira besta que veio ao seu encontro, seu corpo explodindo em uma luminosidade vermelha antes de virar cinzas.
Chutou uma segunda, fazendo o corpo disforme trombar de encontro a árvore.
Black star decepou a cabeça do terceiro, empunhando Tsubaki em forma de espada demoníaca.
Um uivo doloroso preencheu o ambiente.
Soul, olhou para a fonte do som, abaixando a guarda para a outra besta que veio em sua direção.
Sem ter tempo para reagir, levou o outro braço em frente ao rosto em defesa sentindo unhas e dentes cravarem sua pele rasgando-a dolorosamente. Seus olhos encontraram com os da fera.
Não eram nem um pouco parecido com olhos de animais, e se não podia piorar, podia notar o brilho em pedido silencioso por socorro.
Um tiro foi desferido na testa da fera, desfazendo-se em cinzas.
O tempo parou por um instante.
Soul olhou para cima, Kid empunhando as gêmeas Thompson já em pistolas, os sons abafados de tiros uns atrás dos outros, que iam de encontro as feras, Black Star empunhava Tsubaki em forma de espada demoníaca, as marcas negras cobrindo seu rosto, pronto para atacar caso necessário,
Atordoado, com tudo o que acontecia em questão de segundos e com qualquer que tenha sido a substância que penetrara em seu corpo pelos ferimentos, observou as feras se aproximando, todas possuindo o mesmo tipo de olhar.
Soul concluiu com desgosto.
– Pessoal… — sussurrou, enojado — Pessoal… — repetiu, sua voz em um tom varias vezes mais alto interrompendo-os.
– O quê? — perguntou Kid.
– Eles são…
– O quê? — tornou a perguntar, esperando a resposta, que não veio.
– Eles são… Humanos.
– O que está falando? — debochou Black Star.
– Olhem os olhos delas — pediu, jogando uma delas em cima do restante do bando, derrubando três, que foram cercadas por mais seis ainda mais nervosas com o ato.
– Que tem? — perguntou Black Star Impaciente, Kid saltou do galho que estava, virando um mortal e aterrisando suavemente ao lado de Soul.
– Preste atenção! São olhos animais para você? — disse, perdendo a paciência.
Kid fez o que foi pedido, voltando-se para Soul, chocado.
– É só uma coincidência — disse mirando em uma segunda fera.
– Espere! — retrucou Soul, entrando na frente da arma — E se… Eles tiverem salvação?
– Eles foram humanos, não tem mais volta. Foram transmutados. Nesse momento, Soul, é matar ou morrer. Não temos escolha — diz Kid — Saia da frente da arma.
– Mas… — disse, olhando as feras, pesaroso.
– Vou atirar uma vez só, elas não vão sentir dor — tranquilizou Kid, Soul afastou-se da mira da arma sem querer olhar para a cena que se daria a seguir, surpreendido ao vê-lo subindo a mira arma para um galho grande que estava a ponto de cair e apertou o gatilho terminando de soltá-lo, com um tiro certeiro, fazendo o despencar em cima das feras, que recuaram, correndo de volta para a floresta.
– Vamos segui-los.
Rasgando um pedaço da camisa que usava, fez um torniquete apertado em volta do braço para estancar o sangramento que fazia uma trilha longa percorrendo e escorrendo por todo o seu braço, do ferimento ao chão. Deu mais um nó com a ajuda dos dentes, abrindo e fechando a mão algumas vezes, dolorido.
– Soul-kun, você está sangrando muito… — pediu Tsubaki, voltando a forma humana.
– Logo vai estancar, vamos — chamou, adentrando a floresta.
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Caminhavam em meio as árvores, um atrás do outro, por uma trilha estreita e irregular.
Com o devido cuidado para não acabarem enroscando os cabelos, roupas e mochilas em galhos baixos demais, ou os pés e pernas nas ramas espalhadas pelo chão, seguiam os rastros de pegadas no chão, folhagens secas e pequenos galhos quebrados, traçando um caminho destruído.
– Estamos seguindo esses rastros faz umas 4 horas, vamos parar um pouco, por favor — reclama Black Star, apoiando-se em uma árvore, ofegante.
– Estamos andando em círculos — anuncia Soul, indicando a pequena marca na casca do alto carvalho que havia feito quando passara por ali a primeira vez, deferindo um soco contra o tronco da árvore frustrado.
– O que vamos fazer agora? — pergunta Kid desanimadamente.
– Vamos descansar. Não vai adiantar procurar enquanto ainda está escuro. Logo amanhecerá e prosseguimos.
Soul largou-se no toco coberto de musgo, abrindo seu cantil, bebendo-o sedento.
Estava zonzo. Talvez pela perda de sangue, talvez pela substância estranha que possivelmente estava nas garras e dentes que rasgaram sua pele, talvez a infecção que se espalhava pelo ferimento, talvez os três juntos ou pelo menos dois dos motivos, não interessava no momento. Só não podia deixar os outros notarem seu verdadeiro estado.
Olhou para o curativo improvisado feito por Tsubaki cobria parte de seu braço, na pele brilhava em róseo de tão inchada e os rasgos em sua pele ainda exsudavam uma mistura se sangue e pus e veneno talvez que encharcava a gaze suja de terra e quaisquer coisas que haviam na floresta que ele possivelmente havia tocado.
Passou as costas da mão pela testa, secando o suor frio que se instalava ali constantemente desde que aqueles ferimentos lhe foram inlingidos, olhando seu grupo, sentados a sua volta, as olheiras fundas nos olhos, igualmente cansados.
Não só ele. Todos estavam esgotados.
Se suas contas estavam certas, mais uma noite, ia completar a longa e quarta semana que se arrastara para passar enquanto estavam naquela floresta, seguindo rastros, fugindo de ataques de bestantes e outras feras selvagens, seguindo mais rastros e pistas que não levavam a nada.
Onze meses haviam se passado em uma procura incessante e sem resultado por Maka e quase um ano sumida. Esperança era uma das coisas mais difíceis de se manter naquele momento.
– Olhem — pronunciou Tsubaki, apontando para o alto, chamando a atenção de todos para onde apontava.
– Fumaça — completou Kid — Uma fogueira talvez?
– Muita fumaça para uma fogueira — disse Soul, estranhando.
– E que tal uma GRANDE fogueira? — insiste Black Star, reforçando o grande.
Pela primeira vez em dias, eles riram. Acalmando os ânimos tão tensos até então.
– Não, nem uma grande fogueira — rebateu Soul ainda com vestígio de um sorriso recente — Pessoas em seu perfeito juízo não fariam nem uma pequena fogueira só pela possibilidade do número de animais selvagens que iriam atrair, quem dirá uma grande.
– Bom não custa conferir. Até porque talvez ali esteja algum grupo grande o suficiente e com possíveis medicamentos. Se seu braço continuar do jeito que está, ou vamos acabar perdendo nosso líder da missão para o sangramento ou para septicemia — insiste Black Star.
– Vamos dar uma olhada então – concordou Soul.
Soul se levantou com ajuda de Black Star, e tomou a frente na trilha em direção a fumaça, apoiando-se nas árvores para caminhar, os outros seguindo-o acompanhando seu ritmo.
Chegando na extremidade final, Soul empurrou as folhagens do salgueiro, adentrando a clareira. E parou. Os outros, que seguiam mais atrás, foram entrando um a um e parando um do lado do outro, olhando em volta, o sol já nascia no horizonte a frente, iluminando o que restara de uma vila.
O que um dia foram tendas, resumiam-se a estruturas negras e cinzas do provável fogo que se instalara a pouco até não ter mais nada a consumir.
– Mas que merda! E agora? — exclamou Black Star, frustrado.
– Esperem… Estão ouvindo? — indagou Liz, atraindo o olhar do restante do grupo.
Todos apuraram os ouvidos a procura pela planície deserta.
– Ouvindo o quê? — indagou Black Star, sem entender.
– Tem uma alma humana por aqui — explicou Tsubaki — Por ali! — indicou as estruturas de uma tenda, que desmoronara.
Kid acelerou o passo nessa direção, seguido por Soul e Black Star que auxiliaram-no para levantar a lona pesada, revelando o pequeno corpo, sujo de fuligem e terra.
– Por kami-sama… É só uma criança… — disse Tsubaki, ajoelhando ao lado desta, tirando os cabelos negros de frente da face pálida da criança desacordada — Ela ainda está respirando, me passem um pouco de água, rápido — pediu em tom preocupado — Meu cantil está vazio — disse, sacudindo-a pequena garrafa revestida de couro, vazia.
Soul tirou o cantil que estava preso à sua cintura, entregando-o para a morena, que levantou levemente a cabeça da criança, despejando um pouco de água nos lábios rosados entreabertos.
A criança tossiu levemente, engolindo sôfrega, ainda desacordada.
– Os sinais vitais dela estão melhores — murmurou, aliviada, tirando a manta da mochila que carregava nas costas. Estendendo-a do lado da criança, colocando-a sobre a manta — Vamos esperar e rezar para não aparecer mas nenhum anim…
A criança tossiu mais uma vez, chamando a atenção de todos, que levaram sua atenção a ela, que abria os olhos suavemente, desorientada.
– Olá — disse Tsubaki sorrindo docemente, quando a criança se encolheu sob a manta amedrontada, olhando um a um de todos que o cercavam.
A criança relaxou um pouco, exibindo os incríveis olhos verdes curiosamente à ele. Soul encarou-a por um instante.
– Está tudo bem agora — disse Soul, sorrindo de leve para a criança, tranquilizando-a.
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– Qual é seu nome? — indagou Tsubaki, delicadamente, dirigindo-se a criança.
A criança encolheu-se mais, enrolando-se na manta, sentada em frente a pequena fogueira.
– Emerald — sussurrou, baixinho.
– É um belo nome — comentou Tsubaki, sorrindo docemente. A criança a olhou, curiosa, sorrindo timidamente em seguida.
– Você sabe onde estão seus pais? — indagou Kid. Emerald virou-se para olhá-lo, calada. O medo surgiu em seus olhos.
– Eles os levaram — respondeu, chorosa.
– Eles? “Eles” quem? — tornou a indagar — Vamos, responda.
Lágrimas começaram a escorrer pelo olhar congelado da menina.
– Parem — pediu Soul — Ela é só uma criança! Não acham que estão a pressionando demais? — brigou Soul, saindo da floresta, carregando os cantis, agora reabastecidos — Não estão vendo que ela está ficando em choque?
A garotinha levou sua atenção a Soul. Que entregava os respectivos cantis aos outros.
– Beba — disse o albino, entregando seu próprio cantil — Deve estar com sede.
A menina o olhou mais uma vez desconfiadamente, estendendo a mão para fora da manta, puxando o cantil e bebendo a água de dentro, ávida. Secando as lágrimas em seguida com as costas da manga do vestido simples, e fechando a tampa do cantil, voltou a se encolher.
– Se estiver com fome… Eu trouxe essas frutinhas. São as únicas não venenosas em toda essa floresta. Eu sei que não vai matar a fome, mas é só até que amanheça. Amanhã de manhã tento caçar algo. Tudo bem? — indagou Soul, ajoelhando em frente a garotinha, revelando as amoras de um pequeno pedaço de tecido sujo.
– Obrigada, s-senhor — agradeceu a menina, menos tensa, pegando as frutinhas vermelhas de sua mão, comendo uma à uma, até não haver mais nenhuma.
– Tente descansar um pouco, pirralha — disse Soul — Vou montar guarda primeiro, descansem um pouco também — pediu ao seu grupo.
– Você deveria dormir… Mesmo que só um pouco, eu fico o primeiro turno de vigília… — murmurou Tsubaki, preocupada — Seu braço...
– Eu não mais consigo dormir, de qualquer jeito — disse, sorrindo de forma tranquilizadora, antes de adentrar a escuridão.
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– Vamos, não adianta se esconder agora. Uma árvore caindo, faria menos barulho que você, pirralha.
– Emerald — interrompeu em tom de ultraje, Soul a olhou em dúvida — Meu nome é Emerald. Não pirralha.
Soul sorriu da ousadia da menina.
– Prazer em conhece-la, Emerald. Pode me chamar de Soul — disse, resignadamente, embora bem humorado — O que faz acordada?
– Não consigo dormir — resmungou, saindo de trás da árvore, emburrada.
– Tente com mais vontade, tenho certeza que consegue — disse, tornando a deitar na relva fofa, os braços atrás da cabeça, olhando o céu estrelado.
A cabeça da menina entrou em seu campo de visão, os grandes olhos verdes encarando-o. Desviou o olhar rapidamente, a semelhança trazendo diversas memórias de volta. Fechou os olhos, sentindo ela sentar-se ao seu lado.
– Eu te trago dor — murmurou a criança, atraindo atenção dele para ela, que brincava com um pequeno ramo seco entre seus dedos — Sua alma, me diz isso — respondeu à pergunta ainda não feita de Soul.
Soul se sentou, bagunçando o cabelo dela.
– Não diga besteiras — disse, tentando tranquiliza-la.
Ela o olhou, curiosa.
– Mas é a verdade — afirmou.
Soul tornou a olha-la, sorrindo dolorosamente.
– Não é dor. Seus olhos me trazem lembranças — comentou — De uma pessoa que eu amo e que está longe de mim agora.
– Seus olhos me trazem lembranças também — comentou a menina, chamando a atenção dele para si — Da moça bonita que apareceu na nossa vila.
– Como ela era? — indagou interessado.
– Ela era bem magra e bem pálida, os cabelos eram bem compridos loiros e ela estava com capuz, não pude ver bem os seus olhos. Ela parecia um anjo. Era moça da lenda que meu avô contava.
Soul engoliu em seco.
– Lenda?
– Meu avô costumava contar para nós. Quando ele tinha nossa idade e estava numa fogueira como a vila se reunia, um oráculo surgiu. "Uma menina nascerá e reunirá poderes inimagináveis, que o mundo podem salvar, ou arrasar"
Soul olhou-a.
– Ela estava sozinha? — indagou.
– Não. Tinham umas pessoas com ela. E elas eram más. Muito más — exclamou — As pessoas que estavam com elas, matavam e comiam as almas deles. Eles… Levaram meus pais e meu irmão. Estou só eu sozinha agora — disse entre lágrimas.
– Ei… Se acalme — pediu, secando as lágrimas dela, preocupadamente, esperando ela se acalmar enquanto esfregava as costas da mão sobre o rosto, secando as lágrimas, soluçando.
– Meu irmão me escondeu antes de ser capturado. Quando eu estava escondida embaixo daquela lona, eu sei que ela me viu. Pensei que fosse morrer, mas ela só reuniu as outras pessoas que estavam com ela e todos começaram a ir embora. Ela olhou em volta mais uma vez e percebi que apesar dos olhos vermelhos e brilhantes dela serem assustadores e o rosto dela não exibir nenhuma expressão… Ela e sua alma, estavam chorando.
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– Pronta, ojoo-sama? — indagou a voz de um ser encapuzado, ajoelhado em meio às trevas, em frente à um trono iluminado pelos poucos raios de lua que entravam em algum lugar da sala.
A figura atendeu a pergunta, levantando e revelando o olhar maligno vermelho sangue emitindo luz própria em meio ao escuro.
Passou as costas da mão sob a boca, limpando o sangue que escorria pela lateral de seus lábios, passando a língua por eles, revelando os canis pontiagudos e ensanguentados. Levantou-se, o corpo já sem vida despencando de seu colo ao chão em um baque surdo. Abaixando o capuz, revelando-lhe a face.
– Pronta — disse, seus lábios se curvando em um sorriso maligno e frio.
To be continue...
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