Notas iniciais
yay!!

Feelings Insanes

– O medo é criador de todas as coisas más...

...

– Fracasso... Frustração... Dúvida... Crime... Traição... E também a derrota...

...

– Você acha que eu sou um demônio?

Sua risada soou

...

– A insanidade que sai do meu corpo... É impura? Não, a insanidade é um sentimento que se encontra dentro das pessoas... E é claro... Também dentro de você.

...

– O primeiro já foi... E agora você ficará com o peso da responsabilidade e da esperança...

...

– Nervosismos e ameaças... Isso também é medo.

...

– Incapacidade e incompetência... Também é medo. E além disso... A dor é o medo mais fraco e brutal... Mas é muito eficaz contra pessoas como você.

...

– Então vamos ver se você vai suportar a dor que eu vou provocar.

Porque você vai ser a próxima...

A próxima...


A próxima...

Sua voz ecoou em minha mente, se distanciando.

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Abriu os olhos sufocando o grito que sairia, encontrando o teto branco de seu quarto, respirou fundo e sentou-se na cama ofegante e desorientada.

Era verdade. Por mais que quisesse esquecer... Se enganar, ainda me sentia ameaçada... Por que tudo o que ele dissera aquele dia... No fundo, não deixava de ser a mais pura verdade.

Por que a insanidade renasceria em alguém, e acima de tudo, eu não estaria livre dela...

Arrastou-se até a beira da cama, chutando os lençóis, caminhando a passos lentos até o banheiro, olhando seu reflexo no espelho.

Suspirou tocando as olheiras escuras sob seus olhos, olheiras essas devida à muitas noites mal dormidas.

Não sabia mais buscar em sua mente, desde quando não dormia direito, ou melhor, nem pregava o olho, tudo pelo medo dos pesadelos que poderia voltar a ter se fechasse os olhos. Suspirou pesadamente e encostou-se na parede, escorregando até o chão, abraçou as pernas e sentou no piso frio. A cabeça entre as mãos.

Todos esses meses, não conseguia ver nada além de como, nesse momento, não passava de estar pateticamente perturbada, sufocada e impotente...

O que estava havendo afinal?

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Ouvia-se apenas o toc toc dos sapatos de ambos, ecoando pelo corredor deserto.

O silêncio reinava na dupla caminhando um ao lado do outro.

– Maka... Você confia em mim? — perguntou Soul subitamente, quebrando o silêncio.

Maka o olhou de súbito estranhando a pergunta repentina.

– O que? É claro. Que pergunta boba! – disse Maka, em um sorriso forçado.

Sabia exatamente onde ele queria chegar.

– Por que não me conta o que está acontecendo? – indagou Soul, olhando-a.

A artesã arregalou levemente os olhos, olhando para o chão em seguida.

– Ora — riu levemente — Não está acontecendo nada. Esqueça essas bobagens – exibiu o melhor sorriso que pode na hora, desviando o olhar e voltando a caminhar sentindo seu pulso ser segurado, mantendo-a no lugar.

– Está mentindo.

– Quê?

– Você evita olhar para as pessoas quando mente, porque a mentira fica estampada em seus olhos para quem quiser ver.

O olhou em choque.

– N-não estou não... Eu estou...

Desesperada... Assustada... Sufocada.

– ... Bem — desviou os olhos dos seus, o nó surgindo em sua garganta novamente.

– Não finja que nada tem acontecido, você não precisa guardar tudo para você. Você tem gritado à noite... O que está acontecendo? Por que não me conta nada?

– Eu já disse que não tem nada errado.

– Então diga isso novamente – disse Soul, segurando os ombros de Maka que se retesou ao toque e a insistência, desviando de seus olhos — Só que olhe nos meus olhos dessa vez.

– Eu... — sussurrou, levando seus olhos em direção aos dele, aturdida – Isso não é da sua conta! Me deixa em paz!– indagou Maka, sua voz subindo algumas oitavas, ecoando pelo corredor vazio.

Soul a olhou surpreso, o semblante irritado na face da artesã sendo substituído por um de arrependimento.

– Soul, eu... Me de... – começou Maka, sem graça.

Maka Albarn favor comparecer a sala do diretor. Maka Albarn favor...– um dos auto-falantes anunciava repetidamente, interrompendo-a.

Suspirou, arrependida soltando-se de suas mãos e se afastando.

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Caminhou lentamente pelos corredores, concentrando-se em contar os pisos brancos do chão monocromático, tentando-se distrair do arrependimento.

“Isso não é da sua conta! Me deixe em paz!”

Suspirou arrependida pela atitude desnecessariamente rude com ele quando pressionada. Lhe devia desculpas.

Mal percebendo quando já chegara à sala do diretor, a não ser quando a luz natural da sala ofuscou-a. Semicerrou os olhos, incomodada, a mão protegendo seus olhos do sol.

– Sumimasen, Shinigami-sama? – chamou Maka olhando em volta a procura do diretor.

– Yo Maka-chan, bom revê-la! Como tem estado? Tudo bem? Sente-se, sente-se! – cumprimentou Shinigami-sama, animado apontando para uma almofada e a mesa já posicionada com chá e biscoitos.

O diretor se sentou a sua frente.

– Chá ou Café? – indagou o diretor.

– Chá está bom – respondeu Maka simplesmente. Fazendo uma careta.

Odiava café.

Maka curvou-se educadamente para a xícara que lhe foi estendida, pegando-a.

O diretor a encarou.

– Ano né... Posso saber o que é de extrema importância? – perguntou Maka, dando um gole no chá observando a fumaça subir e desaparecer.

– Maka-chan suas notas tem decaído ultimamente. Você que é uma aluna tão exemplar... – disse Shinigami-sama um pouco inseguro, escolhendo as palavras certas para abordá-la.

– Eh? Perdoe-me pelo incomodo quanto a isso... Tenho estado cansada esses dias, deve ser esse o motivo. Eu prometo me esforçar mais no próximo trimestre – respondeu em uma desculpa qualquer. Olhando fixamente em um ponto qualquer, sua mente longe.

– Maka-chan, algo vem lhe incomodando que queira me contar? — indagou voltando-se para um tom mais atencioso.

Maka respirou fundo, pousando a xícara na mesa.

– Não, senhor. Deveria?

– Tem mesmo certeza? – indagou Shinigami-sama.

– Absoluta.

O diretor a encarou profundamente, antes de desviar o olhar para o corredor onde Soul encontrava-se parado de pé, as mãos nos bolsos da jaqueta.

– Stein-sensei está nos chamando — desviou os olhos de Maka, para o diretor.

Caminhou até a almofada que sua parceira estava, agachando ao lado da loira que se retesou, lembrando do ocorrido mais cedo.

Apenas bagunçando os louros cabelos, gentilmente.

Maka corou.

– Vamos?

– Shinigami-sama, posso ir? – perguntou Maka, levantando-se.

– Ah, claro claro — Shinigami concordou virado de costa para ambos.

– Peça para Stein comparecer a minha sala assim com o final da aula dele, por favor.

– Sim, senhor – responderam em uníssono ao pedido do diretor, fazendo uma pequena reverencia antes de sair.

Sob o olhar constante do diretor até sumirem no fim do corredor.

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Caminhavam lado a lado, calados, peritos nas arte de olharem de canto um para o outro sem serem pegos. Maka respirou fundo.

– Hã... Sobre aquilo... Desculpe por mais e cedo... Eu só estou cansada. Estressada com as provas, pesadelos e essas coisas... – pediu Maka, sem graça.

Não exatamente uma mentira. Uma verdade parcial, parecia descrever bem o que andava usando ultimamente..

– Tudo bem. Peço desculpas por ter te pressionado também...

– Podemos começar? — indagou Stein quebrando o curto dialogo que se instalara entre eles.

Do final do corredor, estava o professor montado em uma cadeira, que veio na direção deles rápido demais, quando viraram-se para recebê-lo este passou direto para os jardins do colégio, resultando no corpo estendido do professor no gramado. Imóvel.

– Ele morreu? — indagou inconvenientemente, Black Star.

– Sensei, o senhor está bem? — Maka e Tsubaki correram o ajudando a se levantar, que tirava o pó do jaleco e ajeitava os óculos no rosto.

– Estão todos aqui? — perguntou girando o parafuso de sua cabeça.

– Sim, senhor — as duplas responderam em uníssono.

Soul uniu-se a Maka, no meio do gramado onde as outras duplas já esperavam.

– Ah! Sensei, Shinigami-sama, pediu para ir a sala dele ao término dessa aula – disse Maka, transmitindo as palavras dele recebendo um olhar de esguelha do professor e um leve menear de cabeça em resposta.

– A lição de hoje vai ser fácil, sincronizem suas almas, façam a ressonância e mantenham-nas — mandou pegando um cigarro do bolso se afastando das duplas.

– Shokunins, impunhem suas armas — Stein mandou colocando uma de suas mãos no bolso do jaleco que esvoaçava com o poder que emanava das almas.

Soul lhe estendeu a mão para a artesã, que a segurou, insegura.

Tsubaki assumiu sua forma de espada demoníaca, as irmãs Thompson os costumeiros revólveres simétricos e Soul na foice vermelha e preta.

Maka apertou o cabo da foice tentando se concentrar, em vão, o calor diferente emanando do cabo da foice, começando a feri-la. Girou as foice habilidosamente.

Sua frequência de alma estava descontrolada, chocando-se com a do parceiro.

Mas que diabos! O que está havendo?

– Maka, o que você tem? — indagou Soul, ofegante fazendo o reflexo dele aparecer na foice.

– Acha que eu sei — respondeu Maka, igualmente ofegante. Parando por um momento – Pare a ressonância.

– Não! Não posso parar agora, vai te machucar. – grunhiu Soul.

– Não perguntei nada. Só pare – disse antes de soltar o cabo da foice, absorvendo o impacto das frequências descontroladas, caindo ajoelhada, com a mão sobre o estômago, tossindo.

Todos interromperam suas ressonâncias, cercando a dupla.

– Você está machucado? – indagou Maka, preocupada.

– Não, não estou, que tal se preocupar com você primeiro?

– Eu estou bem – murmurou limpando o sangue que escorria pelo canto da boca, com as costas da mão, com a mão sobre o estomago dolorido.

– Você é idiota por acaso? Isso foi perigoso — ralhou com ela irritado.

– É, eu sei – respondeu sem o olhar.

– Vocês estão...? — perguntaram o restante das duplas

– Eu estou bem – respondeu Soul, observando Maka tentar se levantar.

– Não se mexa — resmungou, segurando-a em seu lugar impedindo-a.

Maka lançou um olhar irritado a ele.

– Eu apenas não controlei a ressonância direito — respondeu tentando aliviar a tensão de todos a sua volta — Estou bem, não se preocupem.

– Todos estão dispensados – Stein dirigiu-se as outras equipes, aproximando-se da dupla.

Assim que finalmente fez com que as outras duplas seguissem para suas respectivas aulas, observou-os atentamente.

– Soul, sugiro que leve a Albarn a enfermaria, absorver o impacto do erro de uma ressonância pode tê-la ferido – sugeriu.

– Sim, senhor – respondeu Soul, observando-o voltar-se e caminhar de volta a escola.

A arma segurou os pulsos da artesã, tirando a luva em frangalhos que cobria as delicadas mãos da parceira, virando as palmas para cima, olhando para as queimaduras. Maka gemeu quase imperceptivelmente, antes de puxar suas mãos, sem o olhar.

– Vamos Maka – Disse Soul, pegando-a no colo gentilmente.

– Eu consigo andar sabia? – esperneou, até que sentiu seus braços a segurarem mais firme.

– É, eu sei.

Maka bufou, resignadamente, parando de resistir.

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– Não são queimaduras graves, mas foi uma boa pancada nos órgãos internos. Só fique algum tempo em repouso — disse Marie guardando o kit e entregando uma pomada para Soul

– Eu posso ir pra casa então? — perguntou Maka ansiosa.

– Como eu disse, repouse primeiro. Depois pode ir — disse antes de sair da sala.

– Eu estou bem — bufou mal-humorada, cruzando os braços, entediada.

– Já que está tão bem, podemos ir em um lugar antes de irmos para casa, não é?

– Qualquer lugar que me tire deste leito.

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Caminhavam pelo corredor deserto, até pararem em frente à porta dupla de mogno antigo e pesado, Soul pousou a mão sobre esta, empurrando-a.

A única coisa visível parecia ser o piano que ficava no centro de uma extensa sala, e alguns quadros psicodélicos nas paredes.

– Continua igual – sussurrou caminhando até onde, segundo sua lembrança, ele havia lhe oferecido a mão pela primeira vez.

– Me acompanha? – ela murmurou observando Soul estender a mão nostalgicamente como naquele dia.

– E-eu... Não sei cantar – tentou recusar, as mãos enfaixadas estendidas a sua frente, corada.

– Não? – indagou Soul, rindo em seguida – Quem dera alguns não soubessem cantar como você.

Maka o olhou em dúvida, enfim se lembrando do ocorrido passado, corando.

– Aquilo era só uma canção de ninar que... Minha mãe cantava para mim...

Soul sorriu.

– Isso basta.

Sentaram-se lado a lado, os longos dedos de Soul, passaram a correr pelas teclas, enchendo a sala pelo som de uma melodia nostálgica.

Maka começou a cantar a música de ninar antiga, fechando os olhos, quando o dia já passava a se tornar noite.

Soul permitiu-se olhá-la por um instante.

Mesmo que ela dissesse que era desnecessário me preocupar. Era inevitável aquele sentimento de proteção me tomava incondicionalmente e independentemente de tudo, quando se tratava dela.

Maka virou-se para olhá-lo, encontrando-o mais próximo do que consideraria seguro. Seu coração falhou uma batida e borboletas subiram-lhe o estômago.

Soul pousou sua mão sobre o rosto de pele alva e macia gentilmente, ambos encaravam-se fixamente sem pensar em se afastar, os perfumes se misturando, invadindo os sentidos, apenas centímetros os separando e passou a se aproximar lentamente, os olhos fixos nos lábios entreabertos da artesã.

Maka afastou-se de súbito, levantando-se.

– Onde vai? — Soul segurou seu braço sem pensar.

– Eu... Vou... Eh... Hã... Preciso tomar um ar! – disse enrolada, puxando-se do braço dele.

A loira saiu da sala à passos rápidos. Deixando-o sem explicação. Correu e correu sem olhar pra onde ia exatamente. Até perceber estar no topo da torre Leste da Shibusen, saltando agilmente até o telhado e sentando, permitindo-se derrubar aqueles muros que havia construído para se fazer de forte, o braço sobre o rosto, escondendo a face corada.

O que diabos ele está pensando?

Passos ecoaram atrás dela.

Levantou-se, e virou-se bruscamente.

– Quem está ai? – indagou tensa, observando a figura sombria se aproximar – Me deixe sozinha!

Recuou em um salto ágil para tras, parando ao observar o fim do telhado a pouco mais de 30 centímetros.

– Que rude! – reclamou a voz.

– Não se aproxime – sua voz se mostrou insegura.

– Está com medo? – perguntou a figura sorrindo.

– Quem é você? – perguntou tentando planejar alguma escapatória dali.

– Ora, não está me reconhecendo? – perguntou em sussurros passando as mãos nos cabelos fazendo com que se uma onda tivesse passado por Maka.

A alma poderosa se ativou fazendo os cabelos loiros da artesã esvoaçarem, chicoteando em seu rosto.

– M-medusa? – Maka sussurrou percebendo que já estava não conseguiria mais fugir.

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#C

Uma nota musical soou, fazendo sua alma vibrar.

Aquele som. Poderia reconhecê-lo em qualquer lugar.

Soul apertou o passo, caminhando rapidamente pelos corredores.

Chegando às escadas que subiam para a torre leste, subiu-as rapidamente até alcançar à parte mais alta da torre, encontrando Maka, imobilizada pelas unhas de Medusa apontadas mortalmente em seu pescoço.

Medusa sussurrou algo em seu ouvido e olhou para Soul, rindo em seguida.

Maka levou o olhar até seu parceiro, os olhos cheios de lágrimas.

Olhar que só podia significar uma coisa.

Fuja.

Lançando suas Vector arrows em direção a arma como distração, Soul se desviou agilmente preparando-se para ataca-la. Mas esta, já havia sumido.



Sua risada soou, deixando-os sós.

Soul correu para socorrer sua parceira, que olhou-o uma última vez, antes que cedesse, desmaiando em seus braços.

Em contato com a pele fria, e a respiração fraca demais para que ouvisse, podia notar o corado da face da artesã se esvaindo.

A nota parou...

Olhou para a loira.

– Soul – Stein apareceu atrás dele, Soul fez uma foice surgir de suas costas ainda estava alerta a qualquer ataque inimigo.

– Stein-sensei – sussurrou em resposta fazendo a foice sumir luminosa segurando Maka – A Medusa... — tentou falar, preocupado.

– Eu sei. Não consegui chegar a tempo...

– Irei entrar em contato com Shinigami, vá em direção a sala de Shinigami-sama o quanto antes — disse antes de desaparecer novamente.

Soul suspirou preocupado, com Maka nos braços com o máximo cuidado que pôde, adentrando a torre.

A loira abriu os olhos, colocando a mão em frente ao rosto mostrando somente os olhos vermelhos entre seus dedos, riu de forma fria descendo do colo com a graciosidade de um gato.

– Olá, Soul Eater – Maka o cumprimentou andando até ele como uma felina pronta para o bote, seus olhos hipnotizantes.

Soul recuou tenso, mas ela o empurrou contra a parede do corredor, apoiando a mão do lado de sua cabeça.

– E-ei... – Soul tentava se desvencilhar de seu abraço, A loira se aproximou ainda mais, encostando seus lábios na orelha dele.

Um arrepio percorreu a espinha do albino.

– Está com medo de mim? – pediu encostando seu nariz na curva do pescoço passando a língua por ele.

Soul inverteu as posições facilmente a prendendo seus pulsos acima corpo, mantendo-a em uma distância aparentemente segura para ele.

– Você... Tem um cheiro gostoso. Posso te matar?

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– Onde estou? Está escuro...

Abri os olhos se levantando do chão gélido olhando em volta, esfregando os braços tentando passar um pouco de calor para eles.

Tirei o cabelo que caia insistentemente em frente dos olhos, colocando-os atrás da orelha, tocando nas roupas que costumava usar antigamente, o habitual sobretudo... Não preto como costume e sim branco, arqueei levemente a sobrancelha sem dar muita importância no momento.

– Estou descalça...? – observou Maka, olhando os pés contra a superfície fria do piso — Minhas mãos... – disse, olhando as queimaduras nas palmas das mãos – Isso está muito estranho, por que esses ferimentos ainda aparecem em um sonho?

Olhei em volta enfim reconhecendo. Era o corredor que levava a prisão do Kishin Ashura.

Não. Não era lá... Muito parecido, mas não é o porão da Shibusen.

Desci as escadas parando nos últimos degraus.

O corredor estava inundado.

Dei um passo a frente, a água rodeando meus pés. Olhei para baixo, podia ver apenas meu reflexo refletido na água turva.

E passo a após passo com certa insegurança, cheguei ao meio do corredor.

Olhei em volta. Haviam vários selos meio descolados das paredes espalhados ao longo dos pilares brancos e o único som do local eram gotas de água que pingavam em algum lugar próximo.

Fechei os olhos me concentrando, observando minha própria alma e uma próxima que não me pertencia, se aproximando rapidamente.

Abri os olhos me preparando para defender do ataque repentino, mas apenas ouvi o som de passos se afastando, abaixei a guarda, voltando a andar.

– Mas o quê...?! – questionei antes de levar uma pancada que me arremessou de encontro ao pilar. Sentindo algo quente escorrendo por minha cabeça instantaneamente.

Levantei-me, apoiada a pilastra, colocando a mão sobre o recente ferimento desferido em minha cabeça. um dos olhos fechados, minha cabeça girando.

Recuei alternando entre uma corrida cambaleante, em direção oposta. O barulho da água acompanhando meus passos.

Grunhi irritada. Seria impossível me esconder desse jeito.

Escondi-me atrás de um pilar, a mão sobre a boca, tentando diminuir o barulho que fazia da respiração alta demais.

– Vai ficar se escondendo como um ratinho foge de um gato? — perguntou rindo.

A água ondulava sob meus pés. Só tinha uma chance antes que o barulho entregasse minha posição

Olhei de relance antes de aparecer rapidamente atrás dela o atingindo duas vezes com frequências, antes de ser lançada contra o pilar novamente, cuspindo sangue. A mesma mão segurou meu pescoço, cortando meu abastecimento de ar.

Comecei a ficar tonta com a falta de ar, segurando seu braço com as duas mãos tentando ao todo não desmaiar.

– Ora, como pensei, desse jeito é fácil demais.

Um cravo pontiagudo surgiu nas mãos da figura, antes de ser cravada de encontro a minha perna.

Gritei em uma dor indescritível.

A figura sorria, deliciada. Minha visão se embaçou.

– Você nem sabe o que está em jogo, não é?

– Quem é você? Do quê e-está falando?

– Ora, quem sou eu? Isso não importa... O que importa é que eu vou tomar seu corpo para mim – sorriu presunçosa.

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Os olhos, antes vermelhos passaram a verdes, antes dela cair desacordada nos braços de seu parceiro segundos depois, ferimentos e machucados aparecendo repentinamente, espalhando-se por todo o corpo da artesã acompanhando de uma grande quantidade de sangue. Com ela desacordada em seus braços, foi com tranquilidade que notou a pele da parceira voltando a ficar quente, e a respiração pesada e mais forte.

– Mas o quê diabos... ? – indagou Soul sem entender, sacudindo-a levemente – Está me ouvin... –

Stein veio caminhando do fim do corredor.

– Me sigam – interrompeu.

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– Soul me disse que sua temperatura corporal diminuiu quase gélido como se você estivesse morrendo, isso talvez prove minha teoria. É como se tivesse sido feito uma brecha. Seu corpo se tornou um invólucro vazio, recipiente perfeito pra outras almas do mundo inferior, quando sua alma por algum motivo foi mandada para lá.

– Sim, isso eu entendi, mas e os machucados?

– Ferimentos infligidos a alma, serão absorvidos pelo corpo também – explicou o Shinigami – Você me disse que lá, as queimaduras ainda estavam em suas mãos, certo? Aquilo foi infligido a sua alma também.

– Isso não vai acontecer com frequência? Vai? – indagou

– Não sabemos.

– Ele foi ferido? Eu... Feri ele? – indagou Maka – Medusa machucou ele?

– Não, Maka-chan – disse Shinigami

– Posso vê-lo? – perguntou.

– Stein já foi buscá-lo.

– Posso te pedir uma coisa?

– Hm?

– Não conte nada. Absolutamente nada sobre isso à ele.

– Tem certeza?

– Tenho.

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– Soul-kun que bom que chegou – disse o diretor, fazendo-o presente.

Soul adentrou a sala, olhando em volta encontrando a parceira sentada em seu leito, olhando pela janela. Seu corpo envoltos em ataduras e curativos.

Caminhando até ela que que levou seu olhar à ele, os habituais olhos na cor verde esmeralda e sorriu-lhe de lado.

Tinha de admitir, ela era uma garota forte.

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– Maka, o jantar está pronto – avisou, sem obter resposta.

Percorreu o corredor até o quarto dela, batendo na porta.

– Maka? – chamou Soul, observando a pequena brecha de luz, saindo pela fresta da porta apenas encostada. Empurrou-a dando com Maka de costas para a porta, sentada do outro lado da cama, costas essas, cobertas apenas pelo sutiã, deixando completamente visivel os hematomas e arranhões que espalhavam-se nas proximidades da coluna e cintura da artesã contrastando com a pele alva.

– Bata na porta antes de entrar – pediu metodicamente, vestindo a habitual camisa que estava pendurada na cabeceira da cama, abotoando-a e se levantou, caminhando até a janela fechando as cortinas.

Soltou o coque que prendia os cabelos úmidos do banho recente, passando os dedos para desfazer os nós.

– Eu bati – justificou, ainda desconcertado.

Indiferente com seu comentário, passou por ele em direção a porta.

Soul segurou seu braço, virando-a para ele, chocado pelo seu ato posteriormente, feito sem pensar.

– Eu... Seus olhos estão inchados... — segurou-a — Estava chorando?

– Não. Claro que não – disse de prontidão desviando o olhar de seu parceiro. Seu perfume sutilmente entrava por suas narinas, deixando sua mente em branco – Não íamos jantar? – indagou tentando mudar o assunto.

– Só tenho que fazer uma coisa antes.

– O quê?

– Isso — sussurrou antes de lábios dele pressionarem os dela, impedindo qualquer protesto, transpassando seu braço na delicada cintura de sua parceira, tomando seus lábios em um beijo quente.

Soul a girou, dando alguns passos a frente, encostando-a na parede, as mãos, espalmadas em suas costas, puxando-a para ele.


To be continued...

Notas finais
Hellooooooo, minna! WHAT's UP? Gostaram? Acharam baes ou benos? Odiaram? Review nimim, gent. Bjbj.