Feelings Insanes
2 Disagreements
Notas iniciais
– Só tenho que fazer uma coisa antes.
– O quê?
– Isso — sussurrou antes de lábios dele pressionarem os dela, impedindo qualquer protesto, transpassando seu braço na delicada cintura de sua parceira, tomando seus lábios em um beijo quente.
Soul a girou, dando alguns passos a frente, encostando-a na parede, as mãos, espalmadas em suas costas, puxando-a para ele.
Feelings Insanes
Apertou ainda mais as mãos entorno da artesã, possessivamente, puxando-a para si, as mãos de Maka, que batia em punhos com uma força oposta fraca demais para realmente convencê-lo a se afastar, em seu peito, foram levadas ao pescoço de Soul, desistindo de resistir a um beijo que ambos sabiam querer, e entrelaçou os dedos em sua nuca, brincando com as madeixas albinas.
Querendo certificar que não era apenas um sonho.
Que podia, e precisava ser real.
Soul desceu as mãos para suas pernas e ergueu-a contra a parede que entrelaçou as pernas em sua cintura, eliminando quaisquer espaços que ainda poderia ter entre eles, prensando-a contra a parede deixando as carícias mais intensas, Maka soltou um suspiro contra os lábios do parceiro, a respiração descompassada.
O albino desceu seus lábios para o pescoço dela, fazendo uma trilha de beijos, mordidas e chupões, marcando-a.
Sem perceber para aonde estavam a caminhar, só teve, ciência deste, quando sentiu-se ser delicadamente deitada na cama do parceiro, e ele deitado sobre ela, segurando o peso sobre os braços. Maka o olhou fixamente antes de se aproximar até tomar seus lábios em um beijo ávido, puxando-o para ela através dos dedos enroscados nos cabelos dele.
– Soul... — murmurou ofegante, quando o parceiro segurara seus pulsos sobre sua cabeça, na cabeceira da cama, beijando seu pescoço e se afastando para olhá-la.
Os cabelos desalinhados espalhavam-se em uma cascata loiro-acinzentada ao seu redor, os lábios entreabertos em sua respiração desordenada com o peito subindo e descendo inconstante, a camiseta desajustada no corpo, subindo até mostrar parte da peça íntima da parceira, e por fim as esmeraldas, como costumava representar seus olhos.
Uma figura extremamente atraente, uma perdição.
Sabia muito bem o que via ali, em sua súplica. Exatamente uma imploração oculta para que continuasse.
Em um momento de sanidade errônea, afastou-se de imediato, sentando-se ofegante.
– Eu... Me desculpe... – disse Soul, um sentimento não bem culpa, obviamente — Caralho.
Se levantou da cama, bagunçando o cabelo em uma tentativa de clarear, mesmo que pouco, seus próprios pensamentos para que ao menos escolhesse as palavras certas para explica-la.
– Desculpa? – repetiu Maka.
– Entenda, não que eu não queira, mas é perigoso nos envolvermos assim... Eu passei dos limites e... – falava, ainda de costas. Sabia que, o mínimo contato visual que fizesse, o faria mudar de ideia instantaneamente.
– Você... Tem mesmo certeza do que diz...?
Respirou fundo, antes de deixar a única palavra sair.
– Sim — murmurou, pensando se aquela era mesmo a resposta certa, se eles poderiam seguir adiante como se nada tivesse acontecido, depois de uma coisa como aquela ter acontecido.
Estava frustrado, esperava realmente uma insistência ou um questionamento sobre sua decisão de alguma forma. Mas ela não o fez. Apenas concordou.
– Tudo bem – lhe deu as costas se retirando.
Soul suspirou realmente frustrado e alterado, deitando-se em sua cama, ainda podendo sentir o calor e o perfume adocicado dela impregnado em seus lençóis, travesseiros e nele mesmo, que não o deixavam raciocinar de forma plena.
Como que apenas com aquilo ela me deixou desse jeito?
Sacudiu a cabeça espantando aquele sentimento moralmente errado que passara a ocupar sua mente novamente.
Arrastou-se até a beira da cama e se levantou em direção a qualquer coisa que pudesse afastá-la de seus pensamentos, uma copo d'água até uma ducha, já que sua fome parecia ter sumido completamente.
Quase se arrependeu no mesmo momento que havia saído do quarto. Procurando retroceder seus passos e voltar ao respectivo cômodo sem ser percebido, sentindo a gata se enroscar em seu pescoço, impedindo-o antes de completar o percurso.
– Soul-kun – disse melosa, o puxando para um abraço sufocante, e tomando-lhe um beijo de forma vulgar.
Inesperadamente, Maka saíra do quarto ao lado.
Dando com aquela desagradável cena, encostou-se na parede, batendo palmas a fim de chamar a atenção dos dois que se afastaram de súbito.
Soul encarou a loira, os olhos arregalados.
– Por que não continuam? — sorriu zombeteira — Era uma cena realmente... De hum... Como poderia descrever... De dar nojo. É, isso deve servir para descrever – disse como se estivesse falando de algo repugnante.
Soul notou a mágoa dos olhos verdes serem substituídos por ódio, o que o quebrou por dentro, não acreditava que justo aqueles olhos, podiam refletir isso dela forma.
– OWn ~ Maka-chan — a voz da gata soou
– Maka não... — tentava se explicar — Não é o que você está pensando. Me solta, Blair.
– Não é? – indagou Maka, ainda zombando – Limpe a porcaria do batom antes de mentir para mim, Soul Eater! Quem sabe eu acredite em você na próxima vez como sempre vim feito?
Soul a olhou, observando os olhos da parceira encherem-se de lágrimas. Seu peito apertou.
– Não se incomodem com a minha presença, estou saindo! — deu um último sorriso maldoso — Quanto a você, Soul... Eu não vou ficar mais no seu caminho. Vou pedir minha transferência amanhã. Para mim já deu o que tinha de dar. Chega — murmurou friamente, batendo a porta com o máximo de força que conseguiu, os deixando para trás. Se encostou olhando para cima afim de evitar as lágrimas. Tentando segurar e reestruturar os cacos de seu coração, ou o que sobrara dele.
Pela milésima vez, permiti que me machucasse. Dizem que amar é sofrer, mas por quanto tempo? Tem um limite, não é?
– Maka? – chamou a voz abafada de Soul, batendo na porta do outro lado.
– Esqueça que eu existo – respondeu sua voz em tom de choro.
– Me deixe explicar...
– Desde quando você é tão intrometido? Me deixe em paz, Eater! — gritou segurando aos soluços que subiram sua garganta, afundando o rosto nas pernas para abafa-los,
As gargalhadas doentias ecoaram em sua cabeça.
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O cheiro de comida adentrava o quarto da arma despertando seu estômago que reclamava de fome, o sol já estava a pino com seu sorriso irônico esquentando toda Death City, retesou-se, afundando o rosto no travesseiro, fugindo da luz.
Resmungando, se levantou tentando tirar os cabelos rebeldes da frente de seus olhos que tornavam na insistência de cair em frente a eles novamente.
Resmungou qualquer coisa, arrastando se para fora da cama e seguindo para o banheiro a procura de uma faixa que pudesse livrá-lo do incomodo, dando com Blair, dentro de uma banheira que já transbordava com apenas espuma cobrindo suas partes íntimas.
Nunca entendera como uma gata podia gostar tanto de banhos.
– Mais que droga, Blair! Já não disse para parar de transbordar o banheiro? – repreendeu Soul, ignorando a inquilina nua na sua frente, abrindo a porta do armário com uma veia pulsando de raiva em sua testa.
Blair resmungou, desinteressadamente, abraçando-o pro trás para chamar atenção da arma.
– Você vai me molhar! – reclamou, desviando-se e entregando-lhe uma toalha mantendo-a afastada.
Abriu o armário a procura de sua faixa, achando apenas alguns poucos grampos de cabelo de Maka ali. Deu de ombros e pegou alguns emprestados tentando manter a franja presa o suficiente para que não o incomodasse.
– Eu sempre me empolgo quando entro na banheira...
– Não importa. Se vira para limpar isso, ou vai levar bronca da Maka quando ela chegar – resmungou Soul.
Não envergonhado como costumava ficar por estar com a inquilina semi-nua em sua frente, e sim ressentido pelo fato dela sempre que a dupla brigava ou se encontrava em momentos potencialmente constrangedores, cerca de 80% dos motivos, tinha Blair no meio.
Soul suspirou. Preferia que Maka o batesse como fazia normalmente ao invés de agir daquela forma. Lembrou-se do ressentimento que vira em seus olhos.
– Você deveria abrir mais os olhos... – comentou distraída – Pum pumpuking –recitou a magia, girando os dedos.
– Como assim? – perguntou sem entender se virando para Blair que já havia assumido sua forma felina, com o banheiro já seco e organizado.
– E enxerga-la verdadeiramente – miou lambendo a pata e saindo do recinto.
Soul passou em frente ao quarto de Maka, empurrando levemente a porta. O recinto, como sempre, permanecia arrumado tirando o fato de ter algumas roupas muito mal dobradas dentro de uma mala, um pequeno livreto preto e um álbum de fotos abertos no criado mudo do lado de sua cama.
Virou-se sobre os calcanhares seguindo para seu quarto e vestiu-se rapidamente seguindo para a cozinha, totalmente organizada, apenas alguns pratos cobertos com pano de prato com o café da manhã e um bilhete na caligrafia caprichada de Maka.
Sai mais cedo hoje, seu café e almoço estão prontos no forno, é só esquentar.
Mais tarde volto para pegar minhas coisas.
– Merda.
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– Atchoo — espirrou Maka, a mão em frente a boca.
– Alguém está falando de você – Tsubaki comentou, sorrindo logo em seguida.
– Espero que seja algo bom – respondeu Maka, forçando um sorriso.
Tsubaki observou a frieza da expressão da amiga, que em nada lembrava, a antiga Maka.
– Você está bem? — perguntou apoiando as mãos na mureta que sua amiga estava sentada.
– Estou. Por quê? — perguntou, desviando o olhar para a cor cinza que reinava em Death City, fechando os olhos em seguida sentindo o vento desalinhar seus cabelos.
– Não... Nada demais.
A loira respirou fundo, tensa pelo silêncio incomodo.
– Shinigami-sama a chamou para fazer alguma coisa? – Maka perguntou tentando mudar o rumo da conversa e se sentou acomodada ao máximo que sua perna imobilizada permitia.
– Não, Black star foi convocado para trabalhos de reforço – suspirou parando ao lado dela — Estou tentando ajuda-lo a estudar.
– Entendo – disse Maka, sorrindo. Sabia da difícil tarefa que era ensinar seu amigo hiperativo e barulhento — Boa sorte.
– E você? O que faz por aqui?
– Eu... Hã, vim conversar com Shinigami-sama sobre... Minha transferência.
– Maka... Vocês brigaram de novo, não é? – constatou a morena, triste pela amiga.
Maka a olhou surpresa, antes de sorrir tristemente resignada.
– É... algo assim – deu de ombros, sentindo os olhos ardiam cada vez mais com as lágrimas que tentava segurar.
– Você sabe que sou sua amiga, pode me contar o que quiser, ok? – disse Tsubaki, tomando suas mãos enfaixadas nas dela tentando passar-lhe um pouco de conforto.
– Tsubaki – Black star a chamava de longe, aquele não havia deixado de gritar, mas estava menos espalhafatoso, menos barulhento, mais maduro.
– Ele está te procurando – disse Maka, descendo do muro que estava sentada, seus lábios moldaram-se em um sorriso, embora que fracamente, um sorriso de verdade.
– Aqui, Black Star – respondeu a morena, correndo e acenando até ele.
– Ohayou, Maka – cumprimentou Black Star, antes de ter Tsubaki ao seu lado colocando seu braço em volta dos ombros dela.
– Ohayou, Black star – cumprimentou em retribuição.
– Tsubaki-chan – chamou Maka, fazendo se virar para ela que atendeu ao chamado de imediato – Obrigada. Mesmo — agradeceu, sorrindo e acenando com a mão até vê-la desaparecer no corredor extenso voltando a assumir a expressão melancólica.
“Sim”
Aquela afirmação havia me despedaçado tanto por dentro como por fora, e para completar... Vira aquilo ainda.
Shinigami-sama não permitiu que eu pedisse transferência. Teria de voltar aquela casa. Ora, estava tudo bem, afinal isso sempre acontecia antes.
Bufou, descendo as escadas, apoiada nas paredes, chegando a ponta do corredor principal, que dava acesso para a saída da escola, saiu por este sem pressa, sentando-se nos pequenos degraus que haviam ali na entrada, notando as lágrimas que escorriam por seus olhos involuntariamente.
A quem queria enganar? Não estava tudo bem.
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Soul olhou para a luz proveniente da cozinha que chegava ao corredor.
Ouvia o tilintar das louças na cozinha, logo seguido dos baques abafados dos armários e gavetas, sendo abertos e fechados.
Em seguida, quando a luz se apagou, Maka apareceu no corredor com uma maçã na boca e a caixa de primeiros socorros na mão, caminhando calmamente até a porta de seu quarto, entrando e encostando a porta atrás de si com o calcanhar sem lhe dirigir o olhar. Como se fossem completos estranhos.
Soul se aproximou da porta ouvindo os pequenos ruídos, abafados pela madeira.
Hesitante, estendeu a mão para bater, recuando instantes depois.
– Eu sei que está ai. O que você quer? – indagou Maka.
Soul empurrou a porta, encontrando a parceira sentada no chão do quarto, notando as roupas incomuns da artesã. Uma camiseta regata branca básica e um shorts jeans.
Olhou a terminando de enfaixar as mãos.
– E então?
– Precisamos conversar – Soul aconselhou fechando a porta do quarto dela atrás de si.
– Sobre o que? Estou ouvindo – respondeu sem lhe dirigir o olhar, guardando os curativos e os colocando em sua escrivaninha, ainda sem olha-lo, largando-se na cama olhando para o teto.
– Me desculpe... – sussurrou, a voz transmitindo a sua dor, esperava que ela lhe dirigisse o olhar, mas ao mesmo tempo desejou que ela não o fizesse. Não aguentaria ver o brilho ressentido, acusatório e frio nos olhos de sua parceira.
– Esse repertório não está repetido? Só sabe falar isso? – perguntou
– Olhe para mim, por favor.
Maka o olhou o mais dura que pôde, olhar que no mesmo momento, congelando Soul.
– Me desculpe – disse novamente, olhando em seus olhos.
– Pelo o quê exatamente? Por ter me beijado? Por ter me iludido? Ah já sei! Por agir como estúpido para fugir de uma situação complicada? Bom, temos uma grande lista aí para... — se interrompera no meio da frase um flash de luz irrompera o céu seguido de do estrondoso trovão, encolhendo-se.
– O que queria que eu fizesse? Quando me toca, me olha, num simples ato de alargar a gravata ou simplesmente se inclinar, já me cobra um esforço imenso para eu não te agarrar ali mesmo, e... – disse, sua voz em um tom várias vezes mais alto. Perdeu a paciência assim que ouviu o tom acusatório.
– E? E o que caralho? – indagou Maka, irritada.
– Você só pode fazer isso por maldade.
Era isso que sempre acontecia. Não conseguiam conversar. Sempre brigávamos.
– Diferente do que você tem pensado, não, eu não faço isso de propósito. Me perdoe por você ser um pervertido!– respondeu em tom de ironia.
– Não importa mais também! Simplesmente pare! Senão é capaz de... – disse Soul, respirando fundo.
– Senão o quê? Por que a culpa tem que ser minha? – exigia sua sinceridade, chateada – Isso é injusto! Tem ideia de como você tem me magoado? – perguntou, perdendo o controle.
– Ah, eu tenho te magoado? Me perdoe por isso então! É que você passa tanto tempo com pessoas que mal conhece, confiando mais nelas do que no seu próprio parceiro que mora sob o mesmo teto que você que eu nem tinha ideia de como você vem estado ressentida! Como eu posso ter a oportunidade? Marcando horário?
– Francamente, Soul. Prefiro estar na companhia de outras pessoas do que ficar em casa escutando os gemidos da Blair quando vocês estão “brincando”. Não sei se você já parou para pensar, tenho quase certeza que não, mas isso é extremamente constrangedor e incomodo para mim. Mas pode ir para lá agarrá-la como fez ontem, ou melhor, que tal ir lá e trepar com ela como dois animais que vocês são? – indagou Maka, sorrindo sarcástica — Sinceramente – murmurou, respirando fundo antes de continuar — Eu cansei de agir como se nada acontecesse, cansei de chorar por você, cansei de fingir não sentir nada, de me deixar ser machucada por você tantas seguidas vezes. Não sei porque eu realmente achei que com você seria diferente. Você é só mais um completo idiota, pervertido e estúpido. Como todos os homens! O que eu sinto por você... É ódio — sorriu amargamente passando por ele, que permanecera estático, mesmo após o alto estrondo da porta batendo.
To be continued...
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