Feelings Insanes
3 Coming home?
Notas iniciais
Feelings Insanes
Maka andava o mais rápido que sua perna permitia, ignorando a dor que ainda residia do ferimento recente de sua perna, seguindo sem rumo pela rua, embaixo de uma forte chuva que começara repentinamente assim que virara a esquina do apartamento no qual havia fugido, chuva essa que impedia a visão plena e que sem dúvida nenhuma, podia muito bem convencer com facilidade as pessoas a permanecerem em casa.
A loira suspirou, massageando as têmporas. Á água da chuva agora confundindo-se com suas lagrimas.
Mas o que diabos eu fiz?
Cruzou os braços em frente ao peito, em uma tentativa de esconder o sutiã rendado que transparecia por baixo da regata branca, agora transparente pela água, o cabelo encharcado da artesã colava no corpo e as gotas d’água permaneciam em um caminho contínuo pelas curvas de seu corpo igualmente molhado.
Um clarão cortou o céu seguido de um estrondoso trovão, iluminando a rua. A loira tremeu.
– Maka – chamou Soul atrás dela, segurando seu braço virando-a para ele, que o empurrou com o máximo de força que tinha se afastando e cobrindo o corpo completamente exposto.
Os olhos de Soul fixaram-se nos seus.
Maka corou com o contato visual, deixando um silvo de desagrado escapar.
– Me deixa em paz — lhe deu as costas e voltando a andar.
– Maka, espera! – gritou em meio a chuva, segurando seu braço, para que pudesse ser ouvido. Maka virou-se de frente para ele, esperando – Se você tivesse me esperado explicar, saberia que eu estava tentando a afastar – disse Soul, irritado.
– O que importa se você foi ou não agarrado? – perguntou em plenos pulmões. Estava com os nervos a flor da pele — Uma pessoa que é agarrada se afasta com as mãos, e não apertando o traseiro da pessoa em questão! E por que diabos você está tentando se justificar? Nós não somos nada! Você não me deve nenhuma explicação! Agora me solte! — puxou seu braço lhe dando as costas.
– Mas porque diabos você tem que ser tão cabeça dura e irritante? – disse Soul, interrompendo seu caminho.
– Por que eu não quero ouvir nada, eu já entendi! – gritou em resposta — A blair está te esperando, agora, com sua licença! — o empurrou sentindo ser puxada pela cintura, de volta a ele, virando-a de frente. Maka tornou a cruzar os braços.
– Eu já disse que eu não tenho e nunca vou ter nada com a Blair! A pessoa mais importante para mim... É outra! — disse a virando para ele a espera da resposta – Por que você está agindo assim? Você sente algo por mim? É isso? — perguntou novamente.
Maka corou instantaneamente.
– Do que diabos você está falando?! Me solte — o empurrou sem forças.
– Só me responda, Maka.
Passos ecoaram atrás de ambos, Maka virou-se para olhar, uma sombra tomando forma.
Maka indicou para ficar em silêncio, com o dedo sobre os lábios, a outra mão sobre sua boca.
A rua ficara mais sombria que costumava ser, uma rajada de vento passou por eles, parando na mesma hora que veio.
Tem algo errado.
Maka olhou para o beco ali ao lado, virando-se com a nítida impressão de alguém os observando mesmo sem ver nem sinal de alguma alma.
Deu alguns passos mancos para frente, olhando em volta, desconfiada.
Algo está muito errado.
– Merda! – xingou Maka e virou-se para Soul, enfim notando seu erro.
Acelerou o passo, até estar em frente a ele e protegeu-o com seu próprio corpo, tendo uma espada atravessada em seu estômago.
– Tch!
– Maka! – disse Soul, a voz exasperada do parceiro atrás dela.
Fuja, idiota.
Agarrou a lâmina desta tentando evitar que a espada atravessasse ambos, sentindo os cortes cada vez mais fundos adentrando suas entranhas. Empurrou Soul para longe do alcance dela, o sangue escorrendo de suas mãos.
A lâmina se retirou lentamente. Maka olhou para o monstro a sua frente que lambia o que restara de sangue na lâmina. Dor, tontura, náuseas, foi o que ela sentiu segundos depois, olhando a blusa ensanguentada e o sangue escorrendo pelo seu corpo criando uma trilha vermelha na rua lavada pela chuva.
No mesmo momento, o tempo pareceu ter desacelerado, Maka piscou lentamente, quando a criatura foi cortada ao meio, deixando o olhar sanguinário de Soul aparecer antes de sua existência tornar se pó.
Acumulou o máximo de força possível, mantendo-se de pé, a mão sobre o ferimento, ofegou, tossindo sangue. Sua visão já estava turva demais para que distinguisse as formas e sua audição, ficando defasada, tombou para o lado, fraca.
– Idiota! Por que você fez isso? — perguntou desesperado. Maka sentia o calor dele em sua pele, mas já não conseguia mais se mexer, seu corpo não obedecia mais aos seus comandos.
Com o máximo de força que pode reunir para o momento, abriu a boca para falar.
– Por que você fez o mesmo por mim... Estamos quites agora... Certo? — riu com os olhos pesados, sentindo as gotas geladas baterem em seu rosto.
Soul podia notar o ressonar pesado dela, a ponto de dormir, apertou a mão que segurava seu braço, a fim de mantê-la acordada.
– Maka... Me perdoe — disse melancólico, Maka o olhou, sorrindo cansada.
– Não se preocupe – sussurrou, cedendo aos olhos pesados – Não consigo ficar brava com idiotas, Idiota.
Observou o falar alguma coisa, mas já não ouvia mais. Estava distante, mergulhando no breu desconhecido.
Queria responder, mas já estava longe.
Suspirou a espera da morte.
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A luz ofuscante que lhe incomodava vinha do teto branco.
Havia mesmo sobrevivido no fim das contas?
Mexeu o corpo, sentindo um desconforto instantâneo, dolorido provavelmente dos dias imóveis em conjunto dos ferimentos.
É... A pós-morte não deveria ser dolorosa.
Notou o pequeno fiozinho em seu nariz, ajudando-a a respirar, além do aparelhinho preso em seu indicador, monitorando seu coração que apitava no monitor ao seu lado.
Piscou lentamente cansada dos poucos movimentos que fizera, sentindo sua mão mais aquecida que o restante de seu corpo, encontrando Soul ao seu lado, cochilando com a cabeça entre os braços, segurando-na.
Sorriu levemente, pousando a outra mão no topo da cabeça do parceiro, acariciando as madeixas mais macias do que imaginava.
Suspirou preocupada.
As olheiras fundas e escuras visíveis sob seus olhos.
– Idiota – brigou, sorrindo em seguida dando leves tapinhas no topo de sua cabeça, descansando sua mão ali – Quanto tempo você não volta? Você nem deve ter saído daqui pelo visto... – murmurou consigo mesma, fechando os olhos.
Esticou a mão sobre ela em frente a lâmpada do teto, olhando as bandagens que envolviam suas mãos como luvas que a impediam de mexer os dedos com exatidão.
– Há algum tempo – respondeu Soul, a voz rouca de sono.
Maka virou-se lentamente, lhe dirigindo o olhar, assustada por ele estar acordado.
– Quanto tempo? – perguntou Maka.
Soul desviou os olhos para a janela do lado de fora, bocejando em seguida.
– Um tempo.
– Hã... Faz quanto tempo que estou aqui?
– Você estava coma à, mais ou menos, um mês e meio – respondeu se voltando para ela — Entubada inclusive.
Maka lhe dirigiu o olhar novamente. Um rosado anormal no rosto de seu parceiro e os olhos nublados. Fez força para se erguer um pouco do leito pegando seu colarinho e puxando-o para tocarem as testas e medir a temperatura.
– Você está com febre – exclamou Maka, seu rosto foi tomado pela preocupação, se sentando rápido demais fez a vertigem retornar, a desequilibrando.
Soul a apoiou gentilmente, colocando-a deitada na cama novamente.
– Agradeceria se não se movesse tão bruscamente – disse apontando para os curativos na barriga dela fazendo-a suspirar vencida voltando a se deitar.
– Eu fiquei tempo demais deitada, preciso me levantar e você está doente – bufou cruzando os braços emburrada.
– Ficou tempo demais deitada, suas pernas estão fracas, então permanecerá sentada e quieta para se curar mais. É só uma febre. Você teve uma lâmina atravessada no seu estômago. É evidente a diferença de risco.
Não adiantaria insistir.
– Hai — revirou os olhos, rindo com a demasiada preocupação dele – O que aconteceu depois que eu apaguei? – perguntou Maka, interessada.
– O ovo de Kishin que te atacou era uma ex-arma que cedeu a insanidade. Eu te levei pra casa do Shinigami-sama. Você teve uma hemorragia, não era algo muito preocupante já que o sangue negro reagiu de forma estranha com o ovo de kishin, mas sua alma instabilizou-se, deixando-a debilitada. Preferiram induzir seu coma. Seria menos doloroso, e aceleraria a recuperação...
– E você ficou aqui esse tempo todo?
– Não importa — respondeu monossilábico.
– Tecnicamente? — o olhou interrogativa, esperando uma justificativa.
A porta rangeu indicando a entrada de alguém, chamando a atenção da dupla que se viraram para olha-la.
Tsubaki e seu parceiro adentraram silenciosos na sala, Black star carregando uma bolsa que provavelmente deveria pertencer a morena e esta, com as mãos ocupadas pelo buque de flores.
Levando o olhar para o leito onde a amiga se encontrava, melancolicamente, preparada para vê-la em coma como a semanas atrás, paralisou deixou o buque cair de suas mãos e correu para ela com lágrimas nos olhos.
– O que hou...? — foi interrompida ao notar a amiga se debulhando em lágrimas ao seu lado, abraçada a sua cintura.
– Parece que a bela adormecida acordou — sorriu Black Star.
– E-ei, Tsubaki-chan, o que houve? – indagou nervosamente, exasperada com a reação da amiga que soluçava, acariciou o topo de sua cabeça, tentando acalma-la.
– Que ótimo... Graças a Kami-sama... — sussurrava aliviada, secando as lágrimas com as costas das mãos enquanto Maka lhe entregava um lencinho que estava ali próximo, sorrindo gentilmente, acariciando o topo da cabeça da amiga.
Soul pegara o buque do chão, colocando-o no vasinho ao lado do leito, tirando as flores murchas que estavam ali antes.
– Que flores lindas – estendeu a mão, acariciando as pétalas sentindo o cheiro suave ser exalado delas.
– Tsubaki que escolheu — comentou Black star, sorrindo para a loira, uma mão sobre o ombro da parceira, sentada ao lado dos pés de Maka.
– Você nos deixou bem preocupados – disse a morena, o rosto ainda rosado pelo choro.
– Desculpe por isso – sorriu.
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– Eu vou ficar bem sozinha, não acredito que alguém vá arriscar a vida entrando aqui, só para me matar, por isso, não se preocupe comigo, se preocupe com você, ok?
– Eu estou bem – insistiu Soul, sentado ao lado do leito, segurando sua mão.
– Não está! — retrucou irritada, chutando as cobertas — Tenho artesãos e armas bem experientes para me proteger, eles darão conta enquanto está fora. Mas já que está tão preocupado...
– O que pensa que vai fazer? — perguntou a olhando atônito, enquanto ela soltava sua mão da dele, fazendo força para se sentar no leito.
– Se você não for pra casa sozinho, nós vamos juntos – disse fazendo força para mexer as pernas que há um bom tempo não usava, e sentando-se rápido demais — Nem que eu tenha que te arrast...- cambaleou sendo amparada pelos braços dele que a seguraram.
– Tinhosa — resmungou a colocando de volta deitada na maca.
– Você não sabe o quanto — lhe deu um sorriso impetuoso voltando a falar — Ah sim, se você voltar aqui com febre e sem dormir... — ameaçou sendo calada.
– Sim, senhora — revirou os olhos, ao bater em continência, bagunçando seus cabelos próprios cabelos em seguida – Quer alguma coisa além de uma muda de roupas? Acho que usar esse tipo de roupa – indiciou o robe de hospital – Não deve ser muito confortável — coçou a cabeça desviando os olhos das pernas dela.
– Não é tão ruim — respondeu Maka simplesmente.
– Quer beber alguma coisa? — mudou de assunto.
– Não se preocupe... Não me sinto muito confortável pra levantar pra ir no banheiro ainda.
– Tudo bem então — respondeu monossilábico – Até mais tarde.
– Até.
Levou as mãos até a cabeça da artesã, bagunçando seus cabelos.
Maka continuou olhando para a porta recém fechada. Enfim voltando a olhar para cima. Contando os bips do monitor ao seu lado, distraidamente.
Suspirou afundando o rosto no travesseiro fofo, cedendo ao cansaço da tarde agitada por muitas visitas.
Muitas perguntas surgiram em busca dos motivos de tantos problemas e a estranha “fome” que sentia ao ter almas por perto, mas sem dúvidas, o sono era mais forte que a vontade de ficar pensando em explicações.
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– Eu sei que é chato, mais preciso te lembrar, sem movimentos bruscos — repetiu o médico passando os olhos no prontuário da loira.
– Sim senhor — respondeu monossilábica.
– Você poderá ter alucinações, enjoos, febre, desmaios ou qualquer tipo de mal estar pela dor — lembrou pegando um potinho de comprimidos do bolso e jogando para ela.
– Tome-os caso sentir que uma dor muito aguda, e em uma frequência mínima de 6 horas — anotou no prontuário.
– Os curativos devem ser refeitos duas vezes por dia — pausou para suspirar — O que fez com sua perna? — perguntou finalmente tirando a atenção do prontuário, as caindo na jovem a sua frente.
– Um acidente — mencionou Maka, simplesmente.
– Seja o que for, continue usando aquelas tiras de sustentação, vão evitar que você pegue o vício de mancar. É só isso.
Maka se levantou com dificuldade, e virou-se fazendo uma pequena reverência caminhando-se para a porta do consultório.
– Ah, mais uma coisa — chamou a atenção da artesã que se apoiou na parede para encará-lo — Tome cuidado, você escapou da morte mais de uma vez, pode ser que na próxima, isso não aconteça.
Maka meneou com a cabeça concordando – Sim, senhor. Obrigada.
Pegou dois comprimidos, engolindo-os e saindo da sala.
O rosto do médico distorceu-se em um sorriso feio os olhos revirando agora que uma cobra passava a sair pela boca do médico cujo o corpo agora jazia morto no chão desintegrando-se em cinzas.
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Distraída com as palavras do médico, se assustou assim que sentiu uma mão segurar seu braço a puxando para o lado de fora da escola.
– Você me assustou! – exclamou Maka, colocando a mão sobre o peito se apoiando na parede acalmando seu coração.
Soul a olhou por um momento.
Rindo levemente, encostando-se na parede e lhe estendendo a mão, que a segurou e foi puxada suavemente para o seu lado sentando-se nos degraus da entrada.
– Como foi? – perguntou com curiosidade contida.
– Nada de mais — mentiu de olhos fechados, encostando a cabeça em seu ombro. A curiosa “fome” surgindo novamente.
– Hum... – disse Soul. Sabia que estava mentindo, mas se deu ao trabalho de prolongar o assunto, afundou o rosto nas cascatas loiras sentindo o perfume adocicado lhe invadir as narinas.
–Vamos? – disse ele, se levantando e a ajudando a se levantar, servindo de apoio em sua cintura.
– Não precisa — teimou em andar sozinha, mancava bastante ainda e não andava tão rápido como antes.
– Está bem então – disse ele, bocejando.
Maka observou sua silhueta, atrás dele, os cabelos braços balançando levemente com o vento. Acelerou o passo, arrependendo-se assim que o fez.
– Ite... — gemeu quase inaudivelmente esperando que este não ouvisse.
– Tudo bem? – perguntou Soul, a voz terna e suave.
– Só o ferimento que me incomoda um pouco — mentiu Maka, mordendo os lábios inferiores pela dor que agitara seu estômago desagradavelmente.
Quanto tempo o maldito remédio demora pra fazer efeito?
A arma parou, a fazendo parar também consequentemente.
– Algum problema? – perguntou a loira, sem entender a atitude repentina do parceiro, ajoelhando-se de costas para ela.
– Suba — pediu de costas pra ela.
– Como? — perguntou tentando se certificar que escutara certo.
– Suba nas minhas costas.
– Mas eu...
– Apenas suba.
Maka o olhou sem saber bem o que fazer. Teimar que estava bem e continuar andando ou aceitar seu pedido, que, tirando o exagero, parecia ser bem tentadora?
Atendeu ao pedido dele, abraçando seu pescoço, sentindo suas mãos servirem como base a parte inferior de suas coxas, se levantando e voltando a caminhar.
Maka apoiou o queixo sobre o ombro do parceiro, o perfume cítrico e masculino lhe preencheu as narinas a envolvendo em topor deixando suas pálpebras pesadas. Fechou os olhos lentamente, sonolenta.
Permitiu-se olhá-la de relance enfim percebendo que ela pegara no sono. A franja caia em moldura ao rosto, as bochechas rosadas, respiração calma batendo contra seu pescoço e o corpo impressionantemente leve.
Sorriu, ao notar como uma imagem tão indefesa, podia e era tão forte.
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– Chegamos – alertou Soul, fazendo-a abrir os olhos que nem havia visto o trajeto até ali. Piscou os olhos mais algumas vezes para se acostumar com a luz.
– Ah, obrigada, pode me descer — murmurou descendo das costas dele se espreguiçando e bocejando enquanto Soul abria a porta do apartamento, o breu dominando todo o ambiente até Soul acender a luz e entrar.
Maka olhou em volta notando o apartamento visivelmente arrumado. Entrou estranhando o ambiente, enquanto Soul trancava a porta atrás dela.
– Algo errado? – perguntou, sentando-se no sofá.
– Nada de mais — fechou os olhos negando com a cabeça.
– A Tsubaki veio aqui pegar algumas coisas, deve ter deixado um pouco mais arrumado — comentou observando a parceira fechar a porta um pouco aérea.
– Não podemos esquecer-nos de agradecê-la então — respondeu suspirando pesadamente.
Olhou para o corredor, a memória do beijo e as lembranças ruins retornando nítidas demais em sua mente nublada.
Claro que se aquilo não tivesse acontecido... Talvez... Só talvez, fazer tudo voltar a ser o que era antes, seria fácil, simples. Mas parecia ser um pouco mais complicado agora...
– Eu... Eu vou tomar um banho... — disse, indo em direção ao seu quarto espiando a fresta antes de fechar a porta, respirando fundo, encostou-se na parede, um flash de memória atravessando sua mente. As mãos fortes de Soul envolvendo sua cintura, seu corpo prensando o dela e os lábios dele contra a pele de seu pescoço...
Maka corou, deitando na cama, puxando um travesseiro para a frente de seu rosto.
Por que me lembrei disso?
Maka resmungou no travesseiro se levantando. Pegou uma toalha dentro do armário, indo até o banheiro e abriu os registros do chuveiro, se despiu com cuidado, observando a água cair, e adentrou debaixo do chuveiro sentindo um ligeiro desconforto quando a água bateu em seu ferimento.
Fechou os olhos esperando que a água desfizesse os nós de seus músculos e levasse embora todas aquelas memórias, preocupações e aquele desejo insensato.
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Se enrolou na toalha, olhando no espelho, seu cabelo pingando.
– Vou precisar de outra toalha... – comentou consigo mesma, caminhando em direção ao seu armário.
– Maka?... — bateu na porta a abrindo como costume — Você tem que seguir alguma espécie de um guia de alimentação? – indagou Soul, a atenção toda voltada a um caderno azul, a espera da resposta dela que não veio.
Levantou os olhos esperando resposta dando com sua parceira apenas enrolada a apenas uma toalha colada em seu corpo molhado, Maka o olhou, corando instantaneamente.
– Ah! Eu... Vou... Hã... Desculpe – Soul se enrolou nas palavras, fechando a porta.
Maka continuou parada segurando a toalha contra o corpo, sem saber direito o que havia acontecido.
Riu levemente, curvando em reflexo, as pontadas no seu ferimento fazendo-a esquecer o acontecido totalmente. Voltou ao banheiro, a procura das capsulas e lançou duas na boca, pegando o copo ali do lado, enchendo-o de água e bebendo-a em uma tentativa de ajuda-los a desce-los por sua garganta.
Respirou fundo apoiando-se na pia, torcendo o pescoço de um lado para o outro, tensa. Abrindo os olhos para se encarar no espelho, assustou-se ao notar seus olhos brilhando vermelhos injetados. Exasperada, apertou os olho tornando a abri-los, enfim vendo os normalmente verdes.
Coisa da minha cabeça.
Suspirou, retornando ao quarto para terminar de se arrumar.
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Saiu quarto afora, fechando a porta atrás de si, dando com seu parceiro que saiu do corredor que dava em direção a cozinha passando as mãos pelo cabelo, um pequeno papel na mão.
– Ah...– murmurou Soul, sem graça.
– Oi – respondeu Maka, caminhando lentamente pela perna ainda debilitada, em direção à poltrona no canto da sala – Não, não tenho nenhum tipo de guia nutricional – completou, ligando a televisão.
– Tudo bem então...
Ambos se calaram, evitando o olhar um do outro.
– Hã... M-me desculpe por aquilo, é que como você demorou pra responder... Eu fiquei preocupado que talvez você tivesse desmaiado ou... – argumentou Soul, tentando achar as palavras certas.
– Sem problemas! – disse rapidamente, sorrindo sem graça.
– Eu... Hã... Vou comprar algumas coisas, descanse um pouco.
Esticou-se para pegar as chaves e a carteira em uma mesa atrás dela, aproximando os rostos de maneira perigosa, e se afastando antes que fizesse algo que se arrependesse depois.
Maka segurou seu braço, corando em seguida.
– Hã... Tome cuidado – pediu Maka, na primeira desculpa que viera à sua mente, pela atitude impensada.
– Você também – murmurou em resposta, sorrindo de lado para tranquiliza-la antes de sair do apartamento.
Maka suspirou, largando-se na poltrona.
Quando foi que ficamos tão tensos um com o outro?
Maka levou sua atenção para o céu ônix do lado de fora da janela onde o vento balançava seus cabelos, seu coração palpitando. Encostou-se nas costas da poltrona, abraçando as pernas fechando os olhos.
– Estou com sede – disse a si mesma, aproveitando a brisa morna que adentrava pela janela, sentindo uma ligeira sonolência a levando a adormecer ali mesmo.
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Soul adentrou apartamento com algumas sacolas, fechando a porta com o calcanhar, olhou em volta encontrando a figura de sua parceira cochilando no sofá com as cascatas loiras caindo graciosamente em torno do rosto, os braços em volta das pernas, encolhida.
Com cuidado para não fazer barulho demais, levou as compras até a cozinha, deixando-as para arrumar depois e retornou à sala, pegando a em seus braços com todo o cuidado que pôde para não acordá-la e a levou para o quarto, pousando-a na cama dela, ajeitando o travesseiro e a cobrindo com a manta que pegara no baú ao pé da cama dela.
Observou o peito subir e descer lentamente, a expressão casta e calma, o tranquilizavam de forma natural. Soul sorriu involuntariamente, dando-lhe um beijo na testa.
Era como um anjo. Podia me levar ao céu, ou me arrastar ao inferno que eu iria. Com todo o prazer.
To be continued...
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