Notas iniciais
Olááá pessoas! Senti falta de comentários... Não me abandonem, por favor! :(

Eu estava extremamente confortável, isso era fato. Não fazia ideia de onde estava, mas não havia vozes, passos ou qualquer outro som. Absolutamente nada.

Com muito custo, abri meus olhos e deparei com o teto de meu quarto. A luz estava apagada e a única iluminação vinha de uma fresta da cortina que deixava o quarto em um tom alaranjado. Desviei meu olhar para o lado, vendo Giu jogada e com a boca aberta, roncando.

- Addie! – Heidi exclamou. Ela se levantou de uma poltrona e sorrindo para mim. – Como se sente?

- Minhas costas estão doendo um pouco, mas estou bem – sussurrei. Assustei-me ao perceber que não consegui forçar minha voz. – O que aconteceu?

- Você não se lembra? – ela indagou preocupada.

- Eu deveria me lembrar de alguma coisa? – perguntei e ela suspirou, me olhando com pena. Eu me sentia mal, mas não precisava receber aquele olhar.

- Você está dormindo a dois dias, desde que voltamos dos Estados Unidos – ela disse e então, eu lembrei. Automaticamente, coloquei a mão em minha cabeça, sentindo alguns pontos.

- O que aconteceu? – perguntei novamente e ela deu a volta, sentando ao meu lado.

- Quando Santiago decidiu levar você, dois vampiros aproveitaram para atacar... – ela disse calmamente, prestando atenção em minha reação. – Eles pretendiam matá-la, com a intenção de irritar Aro. Santiago e Afton te salvaram.

Haviam tentado me matar. Não é algo que eu esteja acostumada, ou que aconteça todos os dias. E eu nem sequer podia me defender! Por mais que eu fosse eternamente grata à Santiago e Afton, saber que você depende tanto de outras pessoas para sobreviver era horrível. Certas coisas eu gostaria de fazer sozinha, como lutar pela minha própria vida.

- Esses vampiros... Estão mortos? – perguntei.

- Aro ficou furioso e antes que pudesse mandar alguém ir atrás deles, Demetri e Felix os seguiram. Chegaram até a Rússia, mas eles desapareceram – ela disse. Ótimo, nada como saber que havia vampiros malucos atrás de mim; tantas informações e eu estava acordada há apenas dois minutos.

- Vocês podem calar a boca, por favor? Estou tentando dormir aqui – Giu disse sonolenta e olhando para nós, arregalou os olhos e pulou em cima de mim. – VOCÊ ACORDOU!

- Eu sei que você não consegue se controlar em expressar seu amor por mim – murmurei, fazendo-a bufar. – Mas minhas costas estão doendo.

- Eu juro que se você me assustar desse jeito novamente, eu arranco seu braço – ela disse se levantando. – Pensei que você fosse morrer...

- Eu ia, mas você não conseguiria viver sem mim – eu disse sorrindo e ela rolou os olhos, voltando a se deitar.

- Cara, que sono.

- Sono? Você dormiu mais que a Addie nesses últimos dias – Heidi exclamou indignada. Só de ouvir que havia ficado dois dias apagada, sentia arrepios. Eu precisava me mexer!

- Me ajude a levantar – eu disse tentando me levantar da cama. Heidi me puxou devagar, e minha vista escureceu por alguns segundos.

- Devagar, Addie – ela me avisou.

- Vocês podiam ter trocado minha roupa, né? Cruzes – sibilei ao ver que usava a mesma roupa de dias atrás. – Preciso de um banho!

- Cuidado com os pontos – Giu gritou enquanto eu entrava no banheiro. Acho que não comentei que Giu era um tipo de enfermeira antes de trabalhar no castelo. Eu não fazia ideia de como haviam encontrado-a, e também não fazia muita questão de saber, me pouparia do discurso sobre o abandono da família. Gianna já havia me traumatizado o suficiente ao dizer que estaria disposta a matar os próprios pais para continuar ali. As pessoas tendem a ficar estranhas ali, e eu era a prova viva daquilo.

Olhei-me no espelho e cara, eu estava horrível! Eu parecia um cadáver: pálida, com olheiras, me sentia podre. Sem contar que havia uma mancha enorme de sangue em meu pescoço! E ninguém havia se preocupado com aquilo... Como eu disse, pessoas estranhas por toda parte.

A água que escorria por meu corpo estava morna, levando consigo o sangue preso em meu cabelo. A sensação de tranquilidade que me inundou era melhor do que eu imaginava, de repente, a única coisa com a qual eu me preocupava era em prolongar aquela sensação. Por mais que eu tivesse que pensar – e muito – sobre tudo. Afinal, era a minha vida que estava em jogo. Não que eu pudesse fazer muita coisa, mas...

Mas é claro! Como eu não havia pensado naquilo? Aro iria me transformar mais cedo ou mais tarde, certo? Porque não adiantar isso? Eu seria capaz de me defender sem precisar de escolta o tempo inteiro, poderia me virar sozinha. Era aquilo! Aro não poderia negar, ele queria descobrir o motivo de minhas dores repentinas, me queria na guarda. Poderia resolver dois problemas com apenas uma solução! Enquanto saia do banho e colocava uma calça jeans e uma camiseta preta, fui organizando o que eu diria a ele. Não poderia dizer logo de cara, mas ficar enrolando o deixaria irritado.

Por mais que o motivo fosse bem obvio, eu não daria motivos a ele para dizer não.

- Eu tive uma ideia – eu disse animada, saindo do banheiro e tentando secar meu cabelo delicadamente.

- Ideia para quê? – ouvi Felix perguntar e olhei para ele, que sorria para mim. Ao seu lado, Demetri me encarava sério. Eu não estava pronta para conversar com ele ainda, não depois das coisas que eu havia dito. – Como você está?

- Viva – eu disse dando de ombros e pegando um casaco em meu armário. – Vou conversar com Aro.

- Sobre? – Giu indagou ainda jogada em minha cama.

- Vou pedir para que ele me transforme.

Ninguém ali reagiu como eu esperava, principalmente Giu. Ela ficou me encarando como se eu tivesse contado que era de outro planeta!

- Está falando sério? – Felix indagou.

- Por que eu brincaria com algo assim? – perguntei retoricamente. – Eu não quero mais depender dos outros para sobreviver.

- Você vai me abandonar? – Giu perguntou me encarando.

- Eu não vou embora – eu disse confusa.

- Aro vai me matar assim que você for transformada! – ela exclamou.

- Giu, não exagera – Heidi disse rolando os olhos.

- Ele não vai fazer nada – falei em um tom mais alto que o dela.

- Isso é o que você diz – Giu disse entredentes, levantando-se de minha cama e abrindo a porta. Antes de sair, ela me olhou com desprezo. – Vadia egoísta!

Ela bateu a porta, me fazendo ter um leve sobressalto. Eu realmente não via como ela podia ver as coisas daquela maneira. Ela conseguiu me irritar.

Abri a porta e corri atrás dela pelo corredor.

- Como você pode falar isso para mim? Justo para mim? – indaguei furiosa, ela se virou lentamente e arqueou uma sobrancelha.

- Eu não sabia que devia respeito absoluto a você – ela disse sarcástica.

- Se não fosse por mim, você já estaria morta há muito tempo!

- Não me lembro de ter pedido nada.

- Não há nada te prendendo aqui, certo? Sinta-se a vontade para ir embora...

- Como se você não soubesse que eu não posso!

- Pois bem, pare de ser tão patética e torça para que Aro tenha compaixão de você.

- Não sou como você! – ela gritava e o resto da minha paciência estava se esvaindo com rapidez. – Pelo menos eu tenho uma família de verdade, não preciso da caridade de ninguém!

Aquela foi a gota d’água. Quando percebi, já havia acertado meu punho em sua mandíbula e ela caiu no chão.

- Addie, se acalma – ouvi Demetri dizer ao meu lado e me puxar pela cintura. Heidi já estava ajudando Giuliana a se levantar e perguntava se ela estava bem. Em resposta, ela grunhiu e levantou sozinha, vindo na minha direção.

- Vou te matar! – ela gritou e esticou os braços, tentando agarrar meu pescoço, mas Felix a segurou.

- Já chega Giuliana! – Heidi esbravejou.

- Vem, Addie – Demm disse, me puxando novamente. Continuei fuzilando Giuliana com os olhos, enquanto era arrastada pelo corredor. Assim que ela saiu de meu campo de visão, rosnei de raiva, tentando não voltar lá e quebrar a cara dela! — Belo soco.

Fiquei encarando-o incrédula e ele respirou fundo.

- Não me obrigue a te socar também – ameacei e ele bufou.

- Você precisa me tratar desse jeito mesmo? – ele indagou, me fazendo rir.

- Não acredito que você esteja me perguntando isso...

- Addison, pare! – ele exclamou me encarando. – Eu estou arrependido pelo o que aconteceu naquele dia.

- Eu realmente gostaria de te perdoar, mas eu não consigo – murmurei. Céus, como eu queria perdoá-lo! Mas havia feito aquilo tantas outras vezes, sempre relevando o fato dele fugir de mim o tempo todo, que chegava a ser uma falta de respeito comigo mesma.

Continuei andando pelo corredor, indo até o Salão Principal. Tinha que me recompor da briga antes de falar com Aro, assim como precisava organizar minha cabeça. Gianna passou por mim acenando com toda a felicidade do mundo, mas eu mal prestei atenção nela, como sempre. Eu sempre a ignorava, em parte por ela ser extremamente mesquinha, e o maior motivo, ela tinha uma obsessão por Demetri que me irritava profundamente. Otária.

Parei na frente do Salão e respirei fundo, querendo ou não, eu estava ansiosa por saber o que Aro iria pensar.

- Entre – o ouvi dizer do lado de dentro. Abri as portas lentamente, olhando para meus pés para depois fitar os três homens que estavam na minha frente. Marcus olhava pela janela, como na maioria das vezes que eu ia lá, enquanto Caius estava sentado em sua cadeira parecendo entediado. Aro se aproximava e sorria da maneira sinistra de sempre. – Addison! Vejo que se recuperou do acidente.

- Sim, eu acordei há pouco tempo – eu disse ficando cada vez mais nervosa. – Eu queria conversar sobre... – ele estendeu as mãos para mim, em um convite, o qual eu não hesitei em aceitar. Assim que envolveu minha mão direita entre as suas, ele fechou os olhos, arqueando uma sobrancelha. Não demorou muito para que ele voltasse a me olhar e podia jurar que havia um brilho ali.

- Tem certeza sobre esta decisão? – ele perguntou. Aquilo significava um “sim”?

- Sim – afirmei convicta. Ele sorriu abertamente e riu como se fosse o acontecimento mais feliz de todos os tempos.

- Não sabe o quanto estou feliz por isso! – Aro afagou minha mão e vi Caius se aproximando pelo canto do olho.

- Poderia compartilhar sua felicidade, irmão? – ele indagou curioso.

- Nossa querida Addison decidiu juntar-se à parte imortal de nossa família – Aro respondeu.

- Ora, veja só! Nossa criança cresceu – Caius murmurou sombriamente, mas aparentava estar feliz. Eu acho.

- Estamos muito felizes com esta noticia, Addison – Marcus disse, confirmando minhas expectativas.

- E quanto a esta viagem... – Aro começou a dizer.

- Ah, não se preocupe – me apressei em dizer, não podia forçar a barra. – Apenas um pensamento vago.

- É o que você diz, mas não é o que você pensa – ele me encarou. – Suíça é realmente um lindo lugar...

- Eu sei que não deixaria-

- É dessa maneira que pensa? Você é uma adulta e logo será uma vampira, sei que cuidará bem de si mesma! – Por um momento, pensei que estivesse ficando louca. Se pudesse, meu queixo estaria no chão, mas eu não consegui me mexer.

- Sério? – indaguei incrédula.

- Ah querida, veja isso como um presente meu – ele sorriu de lado e soltou minha mão.

- Se não for pedir muito também – eu disse, chamando sua atenção novamente. Eu tinha plena noção de que estava abusando da boa vontade momentânea de Aro, mas eu tinha que aproveitar enquanto tinha a chance, certo? – Eu gostaria de sair hoje também...

- Mas é claro – ele exclamou. Acho que alguém enlouqueceu. – Creio que Felix, Heidi e Demetri estão incluídos nisso.

- Eu vou entender se não quiser dei-

- Uma forma de comemorar, imagino – ele me interrompeu e eu assenti. – Bom saber que se sente feliz com a transformação... Podem ir.

- Obrigada! – eu disse feliz e ele levantou uma mão.

- Quanto a sua viagem... Tenho apenas uma condição, na verdade, uma exigência – ele falou pensativo. – Terá que ser transformada antes.

- Claro! Mas antes do meu aniversário, certo? É em uma semana e eu não quero passar esse tempo com dor.

- Que assim seja – ele sorriu novamente e sentou-se em sua cadeira. – Esteja aqui amanhã para a transformação.

- Eu estarei – sorri e sai do salão quase saltitando. Ignorei completamente algo idiota que Alec disse sobre meu cabelo, o que deixou ele confuso, mas... Quem liga?! Cheguei ao meu quarto onde Heidi e Felix esperavam. Felix se levantou da poltrona e me olhou com expectativa.

- Então? – ele indagou.

- Arrumem as malas, porque vamos para a Suíça! – exclamei e ele começou a comemorar. – Minha transformação começara amanhã – mais comemorações – e vamos sair hoje!

Felix me pegou no colo e me girou no ar, fazendo-me rir.

- Vou ter companhia agora! – Heidi disse, me abraçando.

- E vamos poder treinar de verdade – Felix disse sorrindo e assentindo para si mesmo, cruzando os braços. Olhei para o relógio sobre a mesa de cabeceira, que marcava sete e quarenta e três da noite.

- Vão se arrumar! Sairemos às oito e meia! – gritei, abrindo a porta e os colocando para fora. No sentido literal, claro. – Não se atrasem!

- Demetri está incluído, né? – Felix indagou e eu rolei os olhos.

- Para mim, tanto faz – murmurei e fechei a porta, me encostando nela e encarando o chão. Eu quase não acreditava na maneira em como minha vida mudaria em tão pouco tempo. Sentia que aquele era meu lugar, afinal, eu não tinha para onde ir. A partir do momento em que eles me encontraram, aquele se tornara meu destino. Então por que eu sentia um medo crescer dentro de mim quando tudo parecia estar dando certo?

Notas finais
Comentários, críticas, sugestões? Beijos!