Notas iniciais
Dá até vergonha de postar um capítulo depois de tanto tempo! Tive que pular a parte da bebedeira por falta de imaginação depois de perder o capítulo todo ): Espero que gostem, bem curtinho mas espero que o outro compense!

Morrendo. Era como eu estava me sentindo naquele momento. Tentei forçar meus olhos a se abrirem, mas ao realizar este pequeno movimento, minha cabeça latejou de forma perturbadora. Alguns lampejos da noite passada passaram por minha cabeça. Eu bebia, bebia, bebia, caia e bebia mais um pouco. A última lembrança que eu tinha, era de Demetri me carregando pelo castelo. Senti um pouco de conforto, pelo menos eu estava em casa.

Abri meus olhos lentamente, acostumando-me a pouca claridade que tomava conta de meu quarto. Estava em minha cama, virada para a janela e senti meu corpo todo protestar quando tentei tirar os cobertores de cima de mim.

- Addie?

“Você é uma fraca, Addison! Não pode tomar algumas doses de vodka que já vai correndo para o colo dele!”

Eu não me perdoaria tão cedo, mas não tinha muita coisa que eu pudesse fazer...

Levantei-me com cuidado, sentindo minhas costelas doerem e minhas pernas também. Sentada na cama, constatei o que já era óbvio. Minhas roupas estavam no chão, despedaçadas e meu corpo doía com poucos movimentos. Eu realmente estava morrendo.

Demetri saiu do banheiro, apenas com uma calça preta e ficou me encarando. Eu não sabia exatamente o que falar, já que não me lembrava de nada.

- Posso me arrepender de alguma coisa? – perguntei. Ele respirou fundo e sentou ao meu lado.

- Você disse que me amava de novo – contou e eu apenas assenti. Era de se esperar. – E eu disse pela primeira vez.

Isso eu não esperava.

Fiquei encarando seus olhos vermelhos, tentando captar algum sinal de que ele estava mentindo, mas não consegui. Não sei se por ele ser um bom mentiroso, ou se era verdade. Mas de que importava?

- Você o quê? – perguntei debilmente. Eu tinha escutado muito bem, mas precisava ter certeza.

- É tão difícil assim acreditar que eu te amo?

- Na verdade, é sim...

- Não posso fazer você mudar de ideia?

- Talvez, mas isso iria exigir muito de você. – Me levantei da cama e fui direto para o banheiro. Tomei um banho quente que durou, no mínimo, uma hora. Assim que sai do chuveiro, parei na frente do espelho, tomado pelo vapor e limpei uma parte. Eu estava péssima. De ressaca e parecia um péssimo dia para levantar, diria até para viver. Meu cabelo estava cheio de pontas duplas e ressecado, só para ajudar no meu humor.

Sai bufando do banheiro, encontrando meu quarto vazio. Ótimo, menos uma coisa para me preocupar. Coloquei uma roupa quente, uma blusa preta de mangas compridas e uma calça legging preta também. Sequei meu cabelo, tentando deixá-lo bonitinho, mas não pareceu funcionar já que ele ficou escorrido. Ouvi batidas na porta e fui até lá, vendo Felix todo arrumado com uma roupa brega e sorrindo para mim.

- Algumas pessoas do século XVIII ligaram... Querem as roupas de volta – alfinetei, vendo seu sorriso desaparecer.

- Desde quando você sabe fazer piadas? – ele perguntou sério, balançando a cabeça em seguida. – Já está pronta?

- Para o quê? – indaguei confusa.

- A transformação, Addie... – ele falou e eu arquejei. Como eu podia ter me esquecido? A ressaca estava tão forte assim? Corri para dentro do quarto e calcei um par de botas que estavam debaixo de minha cama. Sai atrás de Felix que já estava no meio do corredor.

- Espera! – berrei e ele parou. Comecei a acompanhá-lo, ficando inquieta.

- O que foi? – ele perguntou olhando para mim.

- Nada! Acho que estou nervosa – comentei e ele sorriu, passando um braço pelos meus ombros.

- Não se preocupe, vou estar lá o tempo todo.

- Obrigada...

Chegamos ao Salão e Felix abriu a porta. Quando entrei, lembrei-me daquelas reuniões macabras de filmes de terror onde fazem um sacrifício humano para satisfazer seus deuses. Havia um tipo de maca de metal em um canto que estava rodeada por Santiago, Afton, Alec e Enzo. Aro logo veio ao meu encontro e Felix se afastou, juntando-se aos outros.

- Querida, devemos começar? – Aro indagou sorrindo, colocou as mãos em meus ombros, guiando-me até a maca.

- Claro, mas eu precis-

Não pude terminar aquela frase. Um grito saiu pela minha boca assim que senti seus dentes perfurarem meu ombro, próximo ao pescoço. Minhas pernas fraquejaram e alguém me segurou, colocando-me na maca. Eu não conseguia parar de gritar, principalmente quando a dor começou a se espalhar. Era mil vezes pior que qualquer crise. Parecia que meu corpo decidira entrar em combustão e eu não podia fazer nada a respeito.

Olhei de relance para o lado direito, tentando pedir ajuda. Afton segurava meu braço, Alec me segurava contra a mesa, forçando minha barriga para baixo e Santiago mantinha minha perna imóvel. Do outro lado, a mesma coisa, só que Demetri, Enzo e Felix estavam ali.

Queimava, ardia, doía.

Sentia como se estivessem esmagando, pisoteando, chutando e queimando meu corpo ao mesmo tempo, mas as únicas mãos que estavam em mim, apenas me restringiam e não me deixavam sair do lugar. Eu não conseguia pensar em outra coisa além daquela dor. E eu queria que ela parasse.

Implorei para que me matassem, fizessem aquela sensação parar e me deixassem em paz, mas sequer ouvi uma resposta. Uma pontada em minhas costas fez que eu jogasse minha cabeça para trás e ouvi o barulho metálico ecoar pelo salão. Dentre meus gritos e as batidas sobre a mesa, pude distinguir um trincar de dentes.

- Addie, você precisa aguentar – Afton murmurou. Lágrimas escorriam pelo meu rosto e eu olhei para ele, apavorada.

- Eu não consigo – sussurrei, me contorcendo pela milésima vez, mas dessa vez, consegui soltar uma perna. A que Felix segurava. Alec e Enzo fizeram com que eu me deitasse novamente.

- Respire, Addie – Demetri falou.

- Eu não quero! Acabem com isso! – berrei. A morte parecia ser uma ótima ideia.

- Calma, está tudo bem

- Ela está... Ficando quente? – Afton estava chocado. Aro já estava ao meu lado, tocando meu braço. Ele abriu um sorriso e balançou a cabeça.

- Fascinante – ele murmurou.

Não consegui prestar atenção na conversa que seguia, apenas notei um comentário que coincidiu com a aceleração de meu coração.

- Está quase terminando – Marcus informou. Acabando? Fora mais rápido do que eu pensava. Pelo o que havia me dito, a transformação costumava durar dois ou três dias. Era impossível que eu estivesse ali há tanto tempo...

E foi ao pensar na vontade de acabar com aquilo que eu comecei a sentir um alívio. Era como se meu coração puxasse todo o calor para si, aumentando meus batimentos.

Depois de uma batida falha, parou.