Feel The Love
3 Storm.
Notas iniciais
CAPÍTULO 2.
POV Parrish.
Após olhar novamente as câmeras de segurança da casa de Lydia, fui notificado pelo diretor da escola que um alarme de incêndio havia sido ativado. No mesmo instante, larguei tudo o que estava fazendo para ir atrás de Lydia.
No meio do caminho, pude vê-la voltando da escola calmamente, com os fones pendurados no ouvido, distraída. Revirei os olhos. Por que ela nunca se preocupava? Enfim. Decidi dar um susto nela e comecei a segui-la lentamente com a moto. Mas, ao mesmo tempo, passei a aproveitar esse momento para encará-la, coisa que eu havia tentado a algum tempo, desde que a vi.
Lydia era – logicamente – mais baixa que eu, mas seus cabelos ruivos eram completamente longos, descendo em cascatas por suas costas. Tinha uma voz suave que passava a ser irritante no instante em que ela insistia em teimar comigo, desde o pouco tempo que tivemos juntos, e os olhos eram grandes e graciosos. Eu me forçava diversas vezes a conter vários pensamentos quando estávamos próximos um do outro.
Pude perceber que ela sentiu que alguém a estava seguindo no instante em que apressei um pouco a moto, conforme seus passos se apressavam, mas estacionei e desci no instante em que a vi entrando em um beco. Andei lentamente e, assim que estava prestes a assustá-la, fui surpreso com um chute entre minhas pernas e caí no chão, gemendo de dor.
Porra!
– Parrish! – ouvi Lydia me chamar, alarmada, mas só pude gemer novamente de dor.
Lydia se ajoelhou próxima a mim e pude percebê-la me encarando, com verdadeiro espanto. E, ao notar a tal expressão dela, surpreendi a ela e a mim mesmo soltando um riso baixo. Ela fez uma expressão confusa e eu expliquei, em um sussurro:
– Você é boa em se defender – expliquei, soltando um suspiro conforme a dor aliviava.
Lydia sorriu graciosamente.
– Fico feliz que saiba disso, policial. – murmurou. Nos observamos por segundos, entre sorrisos retribuídos e olhares trocados.
E, aos poucos, minha dor se fez ausente sem que eu ao menos percebesse.
***
Assim que chegamos à casa de Lydia, terminei de avaliar as câmeras de segurança. Quando estava prestes a sair da casa, vi Lydia saindo do banheiro, enrolada em uma toalha branca.
Engoli em seco.
– Parrish, se quiser, pode ficar aqui... Eu vou comprar uma pizza e podemos almoçar. – ela disse em um tom calmo, aproximando-se de mim.
Dei um passo quase imperceptível para trás.
– Você almoça pizza? – perguntei, franzindo o cenho.
Ela se aproximou novamente e eu tive que me forçar a desviar os olhos dela, mas era praticamente impossível controlar tal coisa. Respirei fundo para tentar me acalmar e evitar tais pensamentos sórdidos que invadiam minha mente com a visão dela ali, à minha frente.
– Não sei cozinhar bem. – explicou, ruborizando logo em seguida. Chacoalhei a cabeça, como se isso pudesse me conter.
– Você tem sorte que eu sei. Te faço algo pra comer.
– Mesmo? – perguntou, sorrindo.
E, pela segunda vez naquele dia, sorrisos foram trocados depois das brigas de mais cedo, e eu me senti completamente satisfeito, mesmo que estivesse tentando conter meus desejos.
– Com certeza.
POV Stiles.
– “Don’t make me sad...” – cantei, enquanto terminava de fazer as anotações no quadro de vidro, em meu quarto.
– Para. – Derek resmungou.
Arqueei uma de minhas sobrancelhas quando o olhei.
– O quê? – perguntei, embasbacado.
– Para.
– Meu Deus! – exclamei, revirando os olhos.
Fiz o resto de meu trabalho em silêncio e, assim que terminei, virei-me para Derek, Scott, Isaac e Allison, que me fitavam em um misto de confusão.
– Por que todas essas cores? – Scott perguntou.
Chacoalhei a cabeça e respondi, com impaciência:
– O vermelho é para as coisas que eu não sei. O amarelo, é para as coisas que eu quase sei e o verde, é para o que eu sei. Entenderam? Eu sei que a Lydia recebeu um bilhete ameaçador, que indicava o quê?, a morte dela. Mas não sei quem escreveu tal bilhete, existem pessoas demais nessa cidade! Mas olha o que sabemos: essa pessoa não gosta da Lydia. Precisamos achar pessoas que não gostam da Lydia!
Pude ver Allison com uma expressão confusa.
– Hmm... Stiles, quem não gosta da Lydia? – perguntou, e agora o ponto de interrogação passava de face a face em todos ali.
– É... Eu não sei. Tenho poucas teorias até agora, por isso toda a ajuda é bem-vinda. Se vocês tiverem alguma teoria ou tal que queiram me falar...
– Eu tenho uma pergunta! – disse Isaac, que até agora havia estado em silêncio. Suspirei, em alívio.
– O quê?
– Por que você estava cantando Lana Del Rey?
Todos os olhares bateram em Isaac naquele exato momento, inclusive o meu. Ele fez uma careta e um aceno com a cabeça, como se pudesse espantar a pergunta que fizera.
– Tudo bem, falamos disso depois. – murmurou, dando de ombros.
Ignorei o que ele dissera, dando de ombros.
– É isso, pessoal.
– Por que a Lydia não pode estar aqui? – Derek perguntou, insatisfeito.
– Talvez por que ela não gostaria disso? – perguntei retoricamente, com certa irritação.
Derek levantou, olhando para todos com uma irritação explícita.
– Minha irmã mais nova chega hoje na cidade. Vou embora.
E, como se não bastasse tanta ignorância, ele saiu sem dizer mais nada. Todos ficamos quietos por um momento, sem saber o que dizer. Ou o que expressar.
– Ele tem estilo. – disse Scott, com certo descaso.
Bufei.
Scott era meu amigo desde que me lembro. Esteve ao meu lado sempre, coisa que eu nunca esqueceria. Quando minha mãe morreu, ele estava lá. Quando alguém tentava mexer comigo na escola ou algo do tipo, ele me protegia e vice-versa. Mas eu realmente sentia vontade de mata-lo. Diversas vezes. Todos os dias.
– Para de ser idiota. – resmunguei.
– Eu? – indagou, surpreso.
E lá vamos nós...
POV Lydia.
Já era noite quando começou a chover, e eu só conseguia pensar naquele dia que fora repleto de surpresas.
Parrish havia feito o almoço e comemos juntos. Ele cozinhava excepcionalmente bem – melhor que a minha própria mãe – e, durante aquele momento, conversamos sobre coisas completamente bobas. Ele me perguntou como eu me sentia na escola e eu perguntei como era o trabalho dele, e me surpreendi novamente com as histórias que ele contava. Pelo o que ele me contara, pude perceber que era o tipo de herói que as pessoas precisavam. E que ele também sofria, devido às coisas que precisava presenciar, como encontrar pessoas mortas em acidentes, ou assassinatos...
E naquele instante, mesmo que eu pudesse evitar, não poderia. Havíamos nos aproximado mais naquele dia. E, mesmo que isso tivesse acontecido, não poderia colocar um pé para trás no meu plano.
Estava lendo um livro clássico que pegara na biblioteca próxima de casa quando um trovão alto irrompeu naquela noite. Senti meu coração acelerar e não pude conter um grito alto, largando o meu livro antes mesmo de colocar o marcador aonde havia parado.
– Merda! – berrei, pegando o livro e procurando a página que havia parado. Optei por deixa-lo de lado e, antes que pudesse fazer qualquer coisa, um relâmpago clareou tudo e escureceu ao mesmo tempo.
A luz acabara naquele momento.
Saí de cima da minha cama aos tropeços.
– Policial Parrish! – gritei, tentando achar a maçaneta do meu quarto. Bati meu joelho em algum lugar pontiagudo, que deduzi ser uma das pernas da minha cama, e xinguei alto.
– JORDAN!
Dito isso, não demorou 5 segundos para ele aparecer em meu quarto com uma lanterna.
– Lydia? Está tudo bem? – perguntou, parecendo preocupado.
Idiota.
– Seu infantil!
– O quê?
– Acha que é legal isso? Estou sofrendo aqui e você aparece só quando eu digo o seu nome? E se alguém estivesse aqui me matando? – perguntei, com o desespero inundando a minha voz.
Parrish se aproximou de mim e, num gesto estranho, ajoelhou-se a minha frente, mirando a luz da lanterna para as minhas pernas. Ergui uma de minhas mãos para lhe transferir um tapa na face, mas me interrompi, ao ouvi-lo:
– Seu joelho está sangrando. O que houve? – perguntou, em um tom baixo e indecifrável.
– Acho que machuquei na cama. – respondi, após um breve momento em silêncio.
Ele me empurrou carinhosamente para sentar na cama e eu sentei, olhando-o pela pouca luz da lanterna dele.
– Me espera um pouco. Eu já venho. – murmurou, levantando-se e saindo do quarto, me deixando no escuro novamente.
Respirei fundo, tentando me acalmar e contar lentamente, me concentrando nos sons abaixo de mim que Parrish fazia no andar de baixo da casa. Outro trovão soou e eu fechei meus olhos com força, sentindo minhas mãos tremerem.
– Lydia? – Parrish sussurrou. Abri meus olhos e vi o seu rosto próximo ao meu.
– Tenho Astrofobia. – expliquei, em um sussurro.
Parrish abriu um pequeno sorriso.
– Todo mundo tem medo de alguma coisa. – explicou, com um sorriso carinhoso.
Olhei em volta assim que me dei de conta que havia algum brilho no quarto e vi um pequeno lampião, que eu brincava quando era criança. Soltei um riso baixinho e ele retribui apenas com um sorriso. Agachou-se novamente e senti algo refrescante em meu joelho, onde ele passava um algodão.
– O que está fazendo? – indaguei, curiosa.
Ele pareceu confuso.
– Esqueceu que estou aqui para cuidar de você? – perguntou, e eu me mantive calada, tentando conter um dos diversos sorrisos que ele me provocava.
Ficamos quietos por um longo momento enquanto ele cuidava do machucado do meu joelho, e o meu subconsciente agradeceu silenciosamente a Parrish por ter tomado conta da noite e me feito esquecer dos trovões.
– Está pronto. – avisou, dando uma piscadela para mim.
– Obrigada – murmurei, enquanto ele se levantava.
– Tudo bem. Vou para o meu quarto...
– Fica aqui comigo! – pedi, e me arrependi no mesmo instante, temendo a reação dele.
Mas ele pareceu apenas surpreso.
– Você quer que eu fique?
– Quero. Não sinto medo com você aqui, eu acho. – sussurrei, fixando meus olhos nos dele. Um brilho intenso tomou teus olhos verdes com esse gesto, e eu senti algo estranho em meu estômago, mas ignorei.
Deitei-me na cama e o chamei silenciosamente. Ele se aproximou com algo contido e eu, como sempre, não pude decifrar. Peguei meu celular com os fones de ouvido e entreguei um a ele enquanto ele se aconchegava na cama, próximo a mim.
– Isso é... Certo? – perguntou, timidamente.
Fechei meus olhos por um momento, me concentrando em sua respiração próxima a minha pele.
– Sim. Você está aqui para cuidar de mim, Parrish.
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