Feel The Love
4 Stiles... Stilinski? I liked.
Notas iniciais
POV Lydia.
Assim que terminei de me vestir naquela manhã, me olhei no espelho, ajeitando os meus cachos. Parei alguns segundos para me observar. Algo parecia diferente... Em mim, talvez. Algo parecia estar mudado, de alguma forma totalmente desconhecida.
Acordei mais cedo que o normal e pude ter o prazer de ver Parrish dormindo. Ele se comparava a um anjo, mesmo eu nunca tendo visto um. Mas imaginara que um anjo teria aquela aparência. Em poucos minutos, ele também acordou e disse que me levaria para a escola, e o seu cabelo...
Chacoalhei a cabeça, decidida a esquecer tais pensamentos. Parrish ainda era o cara que eu desejava infernizar a vida para desistir de me proteger de um suposto assassino e colocar algum juízo na minha adorável mãe, que estava à milhas de distância de mim.
Brick By Brick — Arctic Monkeys.
Peguei minha mochila e a pendurei em um dos meus ombros, saindo de casa silenciosamente na tentativa de não chamar a atenção de Parrish – ele não me levaria para a escola naquele dia.
Assim que passei pela porta, o ouvi atrás de mim:
– Já está saindo? Eu já arranjei um capacete para você... Lydia! – ele gritou quando saí correndo.
Virei uma esquina qualquer aos tropeços; nunca fui boa em correr. Peguei meu celular com tal desespero que quase o fiz cair no chão, e pressionei o número dois com força. Logo, a chamada direcionou para Stiles e ele atendeu no primeiro toque... E pela primeira vez, fiquei feliz pela paixão platônica dele por mim.
– Ei, Lydia! – cumprimentou, animado.
– Venha para a minha casa. Agora! – gritei. – Estou a algumas ruas perto dela. Venha com o Jipe!
– Eu já estou a caminho!
Desliguei o celular e me escondi em uma árvore, observando a rua à espera do Stiles. Para minha sorte, Parrish ainda não havia passado por ali, ou seja... Eu estava livre. Por enquanto.
Fui interrompida de meus curtos devaneios ao ouvir o berro de Stiles:
– LYDIA!
Saí correndo de meu esconderijo – não tão secreto, visto que ele havia me encontrado – e segui para o Jipe bizarro de Stiles em completo desespero. No mesmo instante, pude ouvir um som de moto e parei por um meio segundo, para olhar. Era Parrish. Merda!
– Stiles, abre a porra dessa porta! – gritei, quando não consegui abrir a porta do Jipe.
Stiles ficou sem expressão por um momento.
– Porra? – perguntou, e naquele desespero pude perceber a mágoa na voz dele.
– STILES!
Ele pareceu acordar e abriu a porta para mim, visivelmente assustado com a minha histeria. Ouvi frases ininteligíveis vindas de Parrish conforme se aproximava e me joguei no Jipe, fechando a porta com força. Olhei para Stiles, apavorada. Parrish era um policial, certo? Ele poderia dar uma multa em Stiles se o pegasse, e me levar para a escola. Apesar disso...
– Vai, Stiles. O mais rápido que puder! – gritei, em seu ouvido.
– Estou sendo rápido, ok? Nem todo mundo consegue ser, tipo, o Flash, tá?! – Stiles gritou e eu me encolhi quando ele fez uma curva perigosa.
– QUEM DIABOS É FLASH?!
– VOCÊ NÃO SABE QUEM É O FLASH?
POV Stiles.
Assim que chegamos da escola, Lydia correu para Allison assim que a viu e eu só pude admirá-la... De longe.
Fechei o Jipe e me encaminhei para dentro da escola, pensativo. Meus pensamentos flutuavam em Lydia, e no dia que ela chegara e naquele tempo desde então. A maneira como ela começou a me soprar o resultado das malditas equações nas aulas de matemática e como ela se aproximou rapidamente de nós, visto que havia tantas outras pessoas na escola.
Alguns dizem que o amor é cego, e talvez ele seja, porque eu vejo a Lydia perfeitamente. Lembrei do que Allison havia dito no dia anterior enquanto fitava o chão do corredor da escola, distraidamente. Quem não gosta da Lydia?
– Deus! – murmurei assustado, enquanto tropeçava em alguém e caía parcialmente sobre a pessoa, atordoado.
– Você é louco?! – uma voz desconhecida gritou próximo ao meu ouvido, e eu me afastei com um empurrão. Finalmente olhei para tal pessoa, e engoli em seco.
Ela me parecia familiar, de alguma forma totalmente desconhecida. A raiva em sua voz também, mas pude perceber que suas feições amenizaram por um milésimo de segundo. Desviei o olhar rapidamente e meus olhos fitaram em algo brilhante que havia caído no chão.
Voltei a observá-la e ela me encarava, em um misto de confusão.
– Você gosta de Star Wars? – perguntei, em um tom baixo.
– Eu amo. – ela sussurrou, e vislumbrei um brilho em seus olhos.
– Porra! – berrei, e comecei a comemorar com uma dança da vitória ali mesmo, no chão.
Soltei uma risada quando a vi tampando os olhos e as outras pessoas nos encarando, mas não pude evitar. Isso era o máximo. Era incrível. Eu esbarrei em uma garota que gosta de Star Wars!
Após alguns segundos de comemoração, comecei a juntar as coisas dela e me levantei no mesmo instante que ela, entregando suas coisas.
– Tirei a sorte grande, certo? No meu primeiro dia aqui, encontrei um fã de Star Wars – ela comentou enquanto ajeitava suas coisas no colo, com um sorriso.
– Teve, e logicamente eu também tive! – comentei, com um sorriso. – Já encontrou seu armário?
– Não, estava agora mesmo procurando. Sabe onde é? – perguntou, me mostrando o número.
– É no mesmo corredor que o meu. – respondi, tentando conter minha animação.
Ela me devolveu um sorriso em agradecimento enquanto começava a mostrar o caminho do armário dela.
– Qual é o seu nome? – perguntou, quebrando o pequeno silêncio entre nós.
– Stiles Stilinski. E o seu?
Ela parou no meio do corredor e me encarou. Revirei os olhos, esperando a mesma pergunta de sempre.
– Stiles... Stilinski? Eu gostei. É diferente. – deu de ombros, com um sorriso torto, me surpreendendo. Ela percebeu minha reação e riu baixo.
– Você é a primeira a me dizer isso. – comentei, com um sorriso tímido.
– Sério?
– Sério. Qual é o seu nome?
– Malia. Malia Hale.
Dessa vez, foi a minha vez de parar. Mas era em choque.
– Hale? Você é a irmã do Derek?!
Malia pareceu confusa.
– Você conhece o meu irmão?
***
– Estou falando Scott. Dá para prestar atenção? – perguntei, irritado.
Scott estava com um sorriso idiota naquela manhã inteira, e no intervalo, isso não mudou. Falei algumas milhares de vezes sobre Malia, e ele não dizia nada, simplesmente nada.
– Hm?
– Scott! – gritei, dando um tapa na sua cabeça. Ele pareceu acordar daquele transe estranho.
– O quê? – resmungou, esfregando o lugar onde eu havia batido nele.
– Você ouviu algo do que eu falei? – perguntei, desanimado.
– Sim. E estou feliz. Talvez algum dia você e Lydia...
– O quê? – perguntei, interrompendo-o. – Eu estava falando da Malia!
– Quem é Malia? – perguntou, confuso.
– A garota que jogou uma bola de papel na sua cabeça na aula do pai da Kira. Lembra?
O sorriso voltou aos lábios de Scott e eu o encarei, inexpressivo.
– Ah, sim. A Kira...
Revirei os olhos e saí da mesa.
– Idiota.
POV Allison.
– É cosseno, Isaac. – respondi a pergunta que ele me fizera.
– Co o quê? – perguntou, inexpressivo.
– Cosseno. Com “ss”.
Revirei os olhos e me voltei para a garota que estava sentada atrás de mim. Não sabia exatamente como olhá-la agora.
– Eu vou contar a ele, só não sei a hora certa. Entende? – perguntei em um sussurro, impedindo que o professor nos atrapalhasse.
– Posso dar uma opinião, Allison? – Kira perguntou, apoiando o queixo sobre as mãos. Assenti com a cabeça, apreensiva. – Isaac precisa contar a ele, visto que mora na mesma casa que ele.
Isaac parou o que estava fazendo e olhou para Kira, com os olhos arregalados em pavor. Eu teria rido disso em outra situação, mas...
– O quê?!
– É. E Allison... Seria melhor contar logo a Lydia, ela é sua melhor amiga e precisa saber, certo? É melhor saber por vocês do que saber por outras pessoas. Eu prometo que não vou contar nada... Não tenho que fazer isso. – explicou, olhando-nos.
E, naquele exato momento, dei a ela o primeiro sorriso, inevitavelmente. Kira era meiga o bastante e parecia um tipo de psicóloga, nada que eu sequer fosse imaginar. Ela sorriu de volta e eu disse, timidamente:
– Fiz conclusões erradas sobre você, desculpe.
Ela deu de ombros, jogando a franja para o lado.
– Não tem problema e... Hmm. Isaac, você escreveu cosseno errado. – ela disse, se inclinando para ver o caderno dele. Ele nos fitou por um momento e fechou o caderno com força.
– Isso é completamente sem sentido! – ele disse, irritado.
– Sr. Lahey, não me incomodo se resolver sair dessa aula. Enfim, me desculpe, Malia. – o professor disse à garota que estava próxima a ele, olhando para todos com uma expressão entediada. Fiquei confusa no instante em que a vi, notando algo familiar em seu olhar.
– Tudo bem. – Malia disse, visivelmente desanimada.
– Esta é Malia Hale, pessoal. Ela chegou a cidade ontem e hoje já está aqui na escola. Um bom exemplo para certas pessoas...
– Ah, o quê?! – Isaac resmungou, revoltado ao ver o olhar do professor pairando sobre ele.
Me aproximei de seu ouvido e sussurrei:
– Isaac, é a irmã do Derek!
Isaac pareceu surpreso por um momento e ficou em silêncio, encarando-a. Pude perceber que Malia ficou desconfortável assim que desviou o olhar, e suas faces coraram por um breve momento. Mas não parecia da maneira que todas as garotas faziam quando viam Isaac... Era diferente. Era raiva.
Era a raiva de Derek.
– Meu Deus, você é a irmã do Derek? – Isaac exclamou, e todos os olhares naquela sala se viraram para nós.
Me encolhi na cadeira, como se isso de alguma forma me fizesse sumir dali. Kira fez o mesmo que eu, e Isaac olhou para todos com uma expressão desafiadora.
Deus, como eu posso aguentar isso?
POV Parrish.
Cheguei à escola um pouco antes da última aula acabar, a espera de Lydia.
A corrida de hoje cedo foi inesperada e eu a esperava em frente à entrada da escola nesse momento, prestes encurralá-la. Simplesmente não estava conseguindo entender, Lydia conseguia ser um mistério quando queria. Como quando me pediu para ficar em seu quarto ontem... E, desde então, virou um mistério. E eu não conseguia parar de pensar nela.
Ouvi o sinal da escola e respirei, aliviado. Havia algumas pessoas na rua e estranhei um homem em especial. Ele estava parado do outro lado com o celular na mão, mas seu olhar parecia se aprofundar em mim. Eu sentia um peso em meu corpo e era como se ele analisasse todas as minhas ações.
Ele estava me analisando.
No instante em que voltei o olhar para a escola, desconfortável, Lydia estava saindo do colégio conversando com uma de suas amigas – Allison, eu acho – e, antes que eu pudesse fazer algo, seus olhos me encontraram.
Lydia parecia indiferente à loucura de hoje cedo ao me dar um sorriso sarcástico e se despediu rapidamente de Allison e de algumas pessoas – que eu julguei serem seus amigos – antes de se encaminhar para minha direção. Á medida em que se aproximava, seu sorriso alargava e eu quase perdi o fio da meada, como sempre.
– Polic... – tampei a boca de Lydia com uma de minhas mãos antes mesmo que ela pudesse completar a palavra. Ela me olhou, arregalando os olhos e eu a puxei rapidamente em direção à moto.
– Não podemos falar aqui. Vamos para casa.
***
Ao chegarmos a casa, Lydia jogou sua mochila no chão e ajeitou os cabelos. Abri um sorriso involuntário e desviei o olhar, para que ela não notasse. Passei alguns segundos tentando me focar no assunto anterior e não demorou para o clima voltar a tensão.
– Lydia, não pode me chamar de policial por aí. – comecei, sentando-me em uma poltrona mais próxima dela.
Lydia arqueou as sobrancelhas, confusa.
– Por quê?
Suspirei, afundando meu rosto em minhas mãos. Sentia uma forte enxaqueca desde aquele momento, e isso só deixava a situação mais difícil de controlar.
– Não quero te assustar. Mas acho que tem alguém te seguindo, e se essa pessoa descobrir que eu sou um policial e estou aqui...
– Jordan. Ei. – Ergui meu olhar e pude ter o prazer de ver Lydia se aproximando. Senti minhas feições se amenizarem minimamente. – Parrish. – murmurou, dando um sorriso sem graça. – Eu fui... Infantil? Provavelmente fui, nessa manhã. Me desculpe. Farei o possível para colaborar com você, apenas... Relaxe, tudo bem?
Afirmei com a cabeça, em silêncio. Ela continuou:
– Meus amigos virão aqui hoje, mas não vamos atrapalhar você. Tudo bem? E você... Pode dormir comigo essa noite. Fica mais fácil para me proteger, não é? Posso até fazer um café para você amanhã!
Soltei uma risada baixa.
– Café? Sério? – perguntei, repentinamente melhor.
Ela revirou os olhos.
– Claro. Eu prometo. As coisas vão dar certo e eu vou colaborar.
Dito isso, abaixou-se um pouco para depositar um beijo em meu rosto, no qual me fez paralisar. Seu cheiro era inebriante e estava em minhas narinas novamente. Deu-me um último sorriso e subiu as escadas em direção ao seu quarto e eu só pude acompanha-la com o olhar quando a queria acompanhar de todas as formas. Mais uma vez, tentei controlar os pensamentos sórdidos, mas parecia impossível naquele momento.
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