Feel The Love
2 Fire.
Notas iniciais
Acompanhei minha mãe até a saída de casa, me encolhendo assim que uma brisa fria passou por nós duas — e o tal do Parrinton... Páris... enfim, não é importante. Ele vinha atrás de nós, sem tirar a carranca no rosto.
Deus, ele podia ficar com rugas na testa se a mantivesse franzida o tempo inteiro.
Ajeitei meus cachos ruivos em meus ombros, distraidamente enquanto me despedia de minha mãe.
– Lydia, comporte-se, tudo bem? Ligarei para você todas as semanas. Mantenha-me atualizada de tudo o que acontecer. O policial Parrish vai estar aqui sempre que precisar. – ela me avisou, com um sorriso gentil. Dei uma olhadela para trás, onde ele estava, e pude notar algo se suavizar na expressão dele.
– Tudo bem. Mãe, ainda acho que isso não é necessário. Deve ser apenas uma brincadeira boba! Porque, pensa bem na hipótese: ele poderia ter me matado, certo? Pra quê deixar um bilhete? – perguntei, revirando os olhos.
Pude perceber ela estremecer.
– Lydia, você nunca ouviu falar em psicopatas?! Você mora sozinha, mas ainda é a minha responsabilidade. Eu quero, em primeiro lugar, a sua proteção. – murmurou, dando-me um beijo na testa. – Eu te amo.
Suspirei, quase imperceptivelmente.
– Vou me cuidar. Eu te amo.
Dei um último abraço nela antes que ela entrasse no táxi, reprimindo as lágrimas que permaneciam em meus olhos desde aquele maldito bilhete.
E ela foi embora.
Respirei fundo, tentando me controlar. Uma imensa sensação de solidão tomou conta de todos os meus sentidos enquanto o táxi ia embora pela rua escura.
– Lydia?
Quase tive um sobressalto, mas lembrei-me de que estava ali, com o policial. De qualquer forma, meu coração pulsava, e eu temia que fosse o medo e a sensação de estar sozinha novamente.
Mas, apesar de tudo, me recompus rapidamente e me virei, olhando-o. Como naquele momento em que nos vimos pela primeira vez, quase perdi o fio da meada.
Jordan Parrish era um dos policiais mais jovens de Beacon Hills. Trabalha com o Xerife Stilinski, pai de Stiles, um dos meus melhores amigos – e que possui uma paixão nada secreta por mim. Mas Beacon Hills era uma cidade pequena, e eu já sabia quem era Jordan Parrish devido a isso. Mas nunca tinha o visto.
Ele era alto, quase uma cabeça e meia mais alto que eu. Os cabelos eram louros escuros, e seus olhos verdes brilharam no instante em que me vira pela primeira vez. Talvez com raiva reprimida, devido ao meu comentário. Ou algo desconhecido. Eu, Lydia Martin, era a melhor interpretadora de olhares dirigidos a mim. Mas isso não se aplicava ao Parrish, naquele momento.
E nem agora, enquanto nos encarávamos naquela noite fria.
– Policial Parrish. – murmurei, constrangida por tê-lo encarado durante aquele tempo anterior.
– Jordan. Jordan Parrish. – corrigiu, visivelmente desconfortável.
– Policial. – murmurei, com certo divertimento.
Parrish suspirou, ignorando-me.
– Então, policial. Como pretende fazer isso? – perguntei ainda com divertimento, animada com a questão de irritá-lo mas, no mesmo momento, curiosa.
Ele deu um sorriso torto e pude notar a zombaria em seus olhos.
– “Isso” quer dizer cuidar de uma adolescente de 17 anos obcecada em arrumar o cabelo a cada cinco minutos? – indagou, e pude sentir a desconhecida ironia presente agora, em sua voz.
Engoli em seco, e as palavras se perderam em minha mente. Pude sentir um forte calor percorrer o meu corpo.
– Policial – enfatizei, sabendo que ele odiaria. Deu certo assim que notei a dureza em seus olhos. – Não me lembro de minha mãe ter mencionado que você deveria me incomodar. Não está no seu contrato isso, certo?
A ameaça funcionou apenas para inundar a noite com as gargalhadas dele.
– Não, Lydia. Mas você é a minha responsabilidade agora. E cabe a eu ser sincero contigo. – disse, enquanto tentava cessar os risos – Aliás, não vejo como isso pode me tirar do emprego.
Bufei, percebendo que estava prestes a ter um surto de histeria.
Mas, como naqueles desenhos do Looney Tunes que eu assistia até hoje – um dos meus segredos mais secretos. Allison sequer sonhava com isso – pude ouvir uma lâmpada acender no alto de minha cabeça.
ERA ISSO.
Aproximei-me de Parrish o bastante para que ele fosse para trás, como qualquer outro faria. Mas, como não o fez, deduzi que isso não cabia a policiais. Dei de ombros mentalmente. Ao perceber que ele se retraiu quando parei à sua frente, lhe esbocei um sorriso vitorioso. Vi-o engolir em seco, mesmo quando tentou disfarçar, e o riso já foi completamente esquecido enquanto os teus olhos verdes me encaravam, engolindo-me em tuas órbitas.
– Parrish – balbuciei, acompanhando o rosto dele com o meu olhar.
– Hm? – murmurou, visivelmente desconfortável.
Abaixei o olhar por um momento, sem conseguir conter o sorriso torto que viera.
– Boa sorte em me proteger.
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– Eu odeio, odeio os homens! – disse Allison, batendo a porta do armário com tal força que dei um leve pulo, involuntariamente. – Você viu? Scott anda como o Lobo atrás da Chapeuzinho quando vê aquela... Kira? É isso? Isso me lembra Death Note...
– O que é Death Note? – perguntei, interrompendo-a.
Allison arregalou os olhos e bufou, desviando o olhar.
– Não importa. Além do Scott, o Isaac começou a fazer comentários dela pra mim. Eu... Eu não entendo. – disse, em meio a um suspiro.
Arqueei as sobrancelhas, fitando a minha melhor amiga minuciosamente. Allison era baixinha, tinha apenas 1,58 de altura. Os olhos eram castanhos e as feições meigas. Chegamos praticamente na mesma época na escola, e arrumamos os mesmos amigos. Ela namorou há uns tempos atrás Scott McCall, um garoto gentil que sentava quase no fundo da sala. Era meio burro, pra ser sincera, mas... Até hoje não entendo o porquê de Allison e ele terem terminado.
Entretanto, havia algo, além disso, que ela estava me escondendo.
– Allison?
– Oi?
– Você está afim do Isaac? – indaguei, sem conseguir conter a curiosidade.
Um curto período de silêncio passou por nós e, enquanto a analisava, pude perceber um leve rubor percorrer as bochechas dela.
– É óbvio que não. – suspirou, findando o assunto. – Você está estranha, Lydia. Aconteceu alguma coisa?
Olhei em volta enquanto todos os adolescentes passavam pelo corredor, ora apressados, ora conversando e – logicamente – fofocando, ora se “pegando” e segurei Allison pelo braço.
– Preciso te contar uma coisa. – sussurrei.
Antes que ela pudesse protestar, a puxei para o pátio do colégio a procura de algum lugar isolado. O colégio de Beacon Hills era enorme, e a quantidade de alunos também. Mas, milagrosamente, o primeiro sinal tocou e todos correram para dentro, exatamente o oposto de nós duas.
– Lydia. Lydia, temos que entrar! – Allison gritou.
Revirei os olhos.
– Matar aula por apenas um dia não vai nos levar para a cadeira, Allison. – murmurei, parando embaixo de uma árvore, um pouco escondida. Allison veio junto a mim.
– Nunca pensei que ouviria você dizendo isso. – ela disse, pensativamente.
Balancei a cabeça e desatei a lhe contar tudo o que houvera acontecido na noite anterior. Allison me fitava, os olhos se arregalando conforme eu descrevia tudo o que acontecera. Quando terminei, pude notar o olhar de descrença que ela dirigia a mim.
– O que foi? – perguntei, franzindo o cenho.
– Você recebeu um bilhete que sugeria o seu assassinato, sua mãe foi embora para outro lugar, você fica sozinha em casa o tempo inteiro e está apenas preocupada em como fazer um inferno na vida do Parrish? LYDIA! – gritou, apoiando as mãos em meus ombros. – Você é louca!?
Respirei fundo, contando mentalmente até dez.
– Você precisa ver como ele é. Allison, ele...
– Não importa! Ele está te protegendo. Você não vai se colocar em perigo algum. Certo? – pediu dessa vez, com a voz baixa.
Mordi meu lábio inferior antes de dizer, em um fio de voz:
– Claro.
Não sei se Allison engoliu essa, mas assentiu com a cabeça. E o segundo sinal soou, nos alarmando.
Antes que Allison desse um passo sequer, segurei seu braço novamente.
– Lydia! – reclamou. – Não é todo mundo que consegue ser inteligente como você, ok? Preciso estudar...
Balancei a cabeça, em negativa.
– Não é isso. Allison, promete que não vai contar isso a ninguém? — sussurrei, constrangida pela primeira vez naquele dia.
Allison me lançou um sorriso amável.
– Eu prometo.
Ao bater o sinal para o último horário, fui a primeira a entrar na aula de Química, a última daquele dia. Sentei-me na primeira carteira, como de costume. Ajeitei minhas coisas e, quando olhei para frente, pude vislumbrar Scott e Stiles entrando na sala aos tropeços. E, logo em seguida, o professor entrou.
Pude sentir Stiles e Scott me encarando enquanto passavam por minha carteira, mas lancei apenas um sorriso aos dois e abaixei minha cabeça para o caderno a minha frente, desenhando pequenas borboletas no canto da folha enquanto o professor arrumava os materiais.
Tive um sobressalto ao sentir uma bola de papel atingir minha cabeça e olhei para trás, arregalando os olhos. Stiles e Scott fizeram sinais exagerados para demonstrar que foram era para eu pegar o papel. E estava claro que foram os dois que me jogaram.
Quem mais poderia ser?
Bufei ao pegar o papel e, assim que desenrolei, minhas mãos paralisaram.
“Você já descobriu quem é o assassino?”
“Stiles, como ela iria saber quem é???”
“Por diversas maneiras, Scott! Agora cala a boca e passa logo o papel pra ela, você está mais perto. Idiota!”
“Idiota é você. Lydia?”
Bati minha cabeça contra a carteira, desanimada.
EU ODEIO A ALLISON.
Escrevi rapidamente no papel amassado, tentando me arrepender no mesmo momento por fazê-lo.
“Quantos anos vocês tem? Cinco?”
Joguei para Scott, mas Stiles foi mais rápido e pegou. Revirei os olhos. Pude ouvir risadinhas dos dois e comecei a copiar a matéria que o professor passava, tentando ignorá-los.
Outra vez a bola de papel foi jogada em mim. Respirei fundo, controlando a raiva que insistia em permanecer.
“Eu tenho 16.”
“E eu tenho 17. Stiles que é a criança daqui. Diga, Lydia.”
Escrevi:
“Vocês realmente querem que eu escreva em detalhes que me mandaram um aviso de que vou ser morta num papel amassado com desenhos de Star Wars?”
POV Allison.
Percorri os corredores vazios da escola com a cabeça abaixada. Acabara de terminar uma prova de Inglês da qual eu tinha certeza de que havia me dado mal.
Passei o dia inteiro vagando, pensando no que Lydia havia me dito. Quis olhar o bilhete, mas estava sendo analisado pela polícia a procura de algo a mais: ameaça ou brincadeira? Lydia achava que era brincadeira. Não queria que ninguém dissesse o contrário e ainda por cima, desejava se meter em perigo por pirraça. Revirei os olhos. Dava para alguém ser mais irresponsável?
Ouvi uma voz conhecida atrás de mim:
– Allison?
Engoli em seco, apressando meus passos. Antes que eu pudesse chegar até a saída, fui prensada contra um armário próximo ao alarme de incêndio.
– Me solta. – pedi, tentando evitar olhá-lo.
– O que foi? – Isaac perguntou, com um tom de preocupação em sua voz.
– Nada.
– Fala.
– Não é nada! – exclamei, irritada.
– Conheço o seu nada. E ele...
– Por favor, não diga essa frase clichê.
– Então fala!
– Me solta, Isaac!
– Não!
– Você é um idiota. Por que não vai morrer?
– Não estou afim. – murmurou, dando de ombros.
– Vai estar, quando seu nome for adicionado em Death Note... – bufei, tentando me soltar novamente.
Isaac ficou alguns instantes em silêncio e temi por ele ter descoberto, enquanto suas feições mudavam para um sorriso sarcástico.
– Você está com ciúmes da Kira? – perguntou, e eu pude perceber que ele tentava conter uma risada.
Funguei, desviando o olhar novamente.
– Não. Estou apenas irritada com a sua falta de respeito com as mulheres. Acha que toda mulher gosta de ser chamada de gostosa!?
– Não. – disse, e fez uma curta pausa. – Mas você gosta.
E, dito isso, pressionou os lábios contra os meus em um beijo, antes que eu sequer pudesse protestar. Fui inundada pela forma intensa com que sua língua invadia a minha boca e suas mãos me tocavam e retribuí o beijo, da mesma forma. Meus dedos entrelaçaram os fios louros e levemente ondulados de Isaac, sabendo que isso o enlouquecia. Suas mãos passaram a trilhar minha pele, por baixo da blusa que eu usava, e me arrepiei de imediato. Ele se pressionou mais a mim e pude sentir sua ereção contra o meu colo. Soltei um gemido que foi abafado por teus lábios e, antes que pudéssemos fazer algo a mais, encostei-me involuntariamente no alarme de incêndio.
Levamos um susto com o som alto que tomou a escola, e Isaac me soltou, atordoado.
– Scott sabe? – perguntei, com a respiração ofegante.
– Não! Vamos embora. – murmurou, me pegando pela mão direita e me puxando em meio aos estudantes que saíam da sala.
POV Lydia.
Após o “suposto” incêndio, todos foram liberados para a casa e eu já estava a algumas quadras próximas a minha. Andava distraída, cantarolando a música alta que tocava em meu fone quando uma sensação estranha passou por mim. Olhei de relance para trás, temendo estar sendo seguida.
E estava.
Uma moto vinha lentamente, próxima a mim. Apressei o passo e a moto aumentou de velocidade no mesmo momento. Engoli em seco e, sem pensar, corri para o beco mais próximo que encontrei.
– Ai meu Deus. – sussurrei, tentando acalmar a respiração.
Tirei os fones de ouvido e os deixei pendurados ao redor do meu pescoço enquanto a minha pele esquentava e uma onda de adrenalina me invadia. Respirei fundo e me lembrei de vários golpes que aprendera quando era criança, com um dos ajudantes de minha mãe. Como desarmar alguém. Como se defender. Um soco entre os olhos e um chute entre as pernas, um soco entre os olhos e um chute...
– Lydia?
Antes que eu sequer pudesse me controlar, chutei o meio das pernas do homem que me seguida. Ele se encolheu e gemeu de dor, caindo no chão. Quando me preparei para o soco entre os olhos, vi um brilho dos olhos verdes e a boca que sempre carregava uma expressão leve.
Parrish.
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