Feel The Love
9 Feel the love - Part 2.
Notas iniciais
POV Parrish.
De uns dias para cá, Lydia tem se tornado uma pessoa completamente estranha para mim, e eu não tinha ideia de como isso havia começado.
Eu havia começado a ir à escola desde o incidente da última vez, e vigiara Lydia o máximo que poderia. Comecei a ter um pressentimento ruim, embora ela tenha se comportado bem. Mas era inevitável. Todas as vezes que ela me olhava, parecia estar escondendo algo, e eu não sabia bem o quê. Evitava olhá-la demais também, apenas quando era necessário, e de forma profissional, embora a corrente elétrica que percorria meu corpo não fosse nada profissional.
– Parrish. – Lydia disse, chamando-me na soleira da porta.
– O quê?
– Preciso de um favor. Eu estou... Naqueles dias. E eu preciso que você compre umas coisas pra mim. Não vou aguentar sair daqui. – choramingou, e eu contorci o rosto, agradecendo secretamente por ter nascido homem.
Levantei rapidamente do sofá e ela me entregou uma lista que havia feito, das coisas que precisava. Disse em qual mercado geralmente comprava essas coisas e, depois de verificar se toda a casa estava trancada e se ela ficaria bem, saí com o meu carro e dirigi até o mercado, que ficava diversas quadras longe dali.
***
Assim que cheguei ao mercado, quase quis dar meia volta. Estava repleto de gente! Bufei e pensei em mostrar meu distintivo para passar mais rápido naquela fila, mas não daria certo, de qualquer forma. Eu devia manter em segredo que fazia parte da polícia. Respirei fundo e comecei a pegar as coisas e colocar em um carrinho, distraidamente.
– Ei... Parrish! – ouvi uma voz conhecida me chamar e franzi o cenho. Quando olhei, dei um meio sorriso.
– E aí, Stiles.
– Fazendo compras pra casa? – perguntou, fazendo uma careta diante uma caixa de absorventes que eu pegava.
Repeti a expressão dele.
– É. O que está fazendo aqui?
Em um meio segundo, pude visualizar um sorriso malicioso vindo de Stiles antes que ele se recompôs-se, e novamente senti o pressentimento de que algo iria acontecer.
– Comprando umas coisas para ajudar a pessoa da festa que vou hoje. Scott e Isaac estão no outro corredor!
– Ah. E o que veio fazer nesse corredor?
– Pegar pasta de dente. – ele disse, repentinamente.
Ficamos quietos por um momento e eu tentei assimilar aquilo.
– É...
– Para esconder o hálito da bebida! – Stiles se apressou em se explicar, visivelmente constrangido.
Afirmei com a cabeça, desviando o olhar dele.
– Então... Eu vou para a fil...
– NÃO! – ele berrou. – Tenho que te mostrar uma coisa! Olha, olha esse vídeo. Você gosta de Lana Del Rey, não é?
Encolhi os ombros, tentando arrumar uma forma de sair dali.
– Eu...
– Você precisa ouvir Born To Die! É o hino da sexta-feira! – ele berrou.
No que eu fui me meter?
POV Lydia.
Me joguei de costas no sofá, sem conseguir impedir as imensas gargalhadas de saírem ao receber a mensagem que Isaac havia mandado em meu celular.
– O que ele disse? – Allison perguntou, confusa.
– Stiles está falando de Lana Del Rey com ele. – disse eu, entre risos.
Voltei a dar os últimos toques na decoração da festa enquanto ria junto com as meninas e com Liam – que se dispôs a ajudar – e seu amigo, Mason – o intenso. Depois de alguns minutos acabamos por terminar e, exaustos, demos um tempo para descansar.
– Vamos pra casa e voltamos à noite. Pode ser? – Liam perguntou, se levantando do sofá ao lado de Mason.
Kira franziu a testa.
– Vocês são menores de idade... Isso pode dar problema.
Liam revirou os olhos.
– Eu sou o melhor DJ.
– É verdade. – Mason concordou.
– E conheço as melhores músicas.
– É verdade.
– Scott sabe disso.
– É verdade.
– Já entendemos. – falei, revirando os olhos. Dei um olhar para Kira, indicando que ficasse quieta e me levantei.
– Bem, vejo vocês mais tarde. Vou começar a me arrumar.
Saí da sala olhando para baixo, tentando reprimir a animação que tomava conta de meu corpo, como se fosse um líquido que estivesse sendo passado por minhas veias. Como se fosse um daqueles energéticos que Stiles tomava às vezes. Era uma sensação boa – embora eu soubesse que podia acabar mal. Eu sabia dos riscos que correria, da irritação que provocaria em Parrish. Talvez boa parte se devia ao fato de que queria deixa-lo puto comigo, e era uma sensação boa demais. Mais forte que a ideia de que o meu possível assassino podia estar aos arredores e entrar no meio dos alunos.
***
– Preciso que você respire fundo para aguentar a próxima notícia.
Respirei fundo, tentando colocar os pensamentos em ordem enquanto andava de um lado para o outro no quarto, tentando me concentrar na voz de Stiles enquanto a música alta que
– Pode falar.
– Parrish nos despistou e eu estou em frente à porta da sua casa agora. Ele acabou de entrar.
Arregalei os olhos e senti o celular escorregar de minha mão. Eu estava confiante, até aquele momento. Até saber que ele estava aqui. Não podia se revelar como policial na frente de todos, mas devia estar em uma busca dolorosa por mim naquele momento. Talvez com preocupação, talvez com raiva. Me abaixei e desliguei o celular, e logo, ajustando meus cabelos para trás dos ombros, saí do quarto com a postura ereta.
Desci as escadas rapidamente e dei uma olhada em volta enquanto caminhava entre as pessoas, cumprimentando-as com um sorriso cada vez que se dirigiam a mim. Tinha muita gente, era impossível fazer uma contagem de quantas, e a sala estava abarrotada. No entanto, senti uma mão apertando o redor de meu braço com força e arregalei os olhos, surpresa. Quando olhei, Parrish me encarava, furioso.
– Parrish! – gritei, enquanto ele me puxava para a cozinha, esbarrando em todos que se encontravam ao nosso redor. Infelizmente, ninguém ali percebeu.
Tentei aplicar um de meus golpes nele, mas ele foi mais rápido e se desviou, e eu quase caí. E ninguém nos percebia!
Enquanto ele me puxava, vi Liam tocando a música e conversando animadamente com Kira. Franzi o cenho e quando desviei o olhar, vi Malia e Allison em uma dança esquisita. Tentei chamá-las, mas foi em vão. Ninguém me escutaria ali.
Finalmente, Parrish entrou na cozinha e, depois de avaliar em todos os cantos se havia alguém ali, trancou a porta e me soltou.
– O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? – berrou, próximo a mim.
O mundo pareceu ficar em silêncio naquele momento e eu não conseguia me concentrar em uma resposta. Parrish deu um passo em minha direção e eu dei um passo para trás, como se pudesse me afastar dessa forma.
– Estou dando uma festa. – murmurei, lançando um olhar irritado para ele.
– Eu percebi. – disse ele, aproximando-se mais de mim enquanto eu me afastava dele. – E tenho certeza de que não estava se sentindo mal, certo?
– Certo.
– Você tem noção de que o suspeito pode estar aqui?
– Foda-se ele. – disse, baixinho.
– E nós? – Parrish perguntou, em um tom baixo. Senti minhas costas se esbarrarem em algo e só então notei que estava prensada contra uma parede, sem escapatória dos olhares de Parrish.
– O que tem “nós”? – perguntei, sentindo os nervos na flor da pele.
Pude perceber Parrish engolir em seco enquanto se aproximava mais de mim, detendo minhas chances de se desviar, mesmo eu sabendo que não desviaria. Ele parecia travar uma luta consigo mesmo enquanto me olhava, e uma onda de calor percorreu todo o meu corpo. Mordi meu lábio inferior disfarçadamente enquanto o encarava e ele pareceu, enfim, decidir. Aproximando-se mais de mim. Fechei meus olhos após vê-lo fechar os dele...
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