Fechado Para Reforma!

24 Zumbis e Twister.


Notas iniciais
Eu sei que eu demorei muito, muito mesmo. Me desculpem. A segunda fase do vestibular é esse fim de semana e eu vou perder o restinho de sanidade. Prometo que amanhã posto o próximo capítulo que já está escrito. Capítulo dedicado especialmente à Erla Salvatore Cullen pela recomendação perfeita! Obrigada mesmo. Boa leitura.

CAPÍTULO 24: Inglaterra – Zumbis e Twister.

Quarto Dia– Parte 6.

Atena comentava distraidamente o filme com Poseidon enquanto entravam no Porsche para ir embora. No fim das contas, ficar na biblioteca com ele se tornara uma missão impossível e ela concordara em ir ao cinema assistir qualquer baboseira que estivesse passando. A deusa havia suposto que escolher o filme seria a parte mais difícil, no entanto ela e Poseidon optaram pelo primeiro de suspense que encontraram. O que foi um alívio para os dois.

—Aquele zumbi jorrando sangue a doze metros de distância foi ridículo.

—Zumbis nem deveriam ter sangue.

—Você está concordando comigo? – Ele arqueou uma sobrancelha e sorriu de canto fechando a porta do carro.

—Bem, parece que pela primeira vez na vida você disse algo válido, Poseidon.

—Eu sou um gênio.

Atena rolou os olhos e pôs a chave na ignição.

—Na verdade o filme todo era ridículo. – Ela declarou, analisando o deus de cima a baixo. – Ponha o cinto de segurança.

—Foi você quem escolheu o que íamos assistir. Eu não preciso de cinto. Existe uma coisa que se chama imortalidade e me garante total segurança. Mesmo que você seja a pior motorista de todos os tempos.

—Eu não vou pedir para você colocar o cinto outra vez. – Ela suspirou e saiu com o carro para as ruas de Londres. Poseidon abriu o vidro e deixou que o vento bagunçasse ainda mais seu cabelo, fechando os olhos e se recostando confortavelmente no banco. – Você também ajudou a escolher o filme, a culpa não é só minha.

—Eu tive que concordar com o primeiro filme aceitável que você sugeriu. – Ele deu de ombros e um sorriso maldoso se instalou nos lábios do deus. – Ou você me obrigaria a assistir algum romance estúpido.

—E por que diabos eu escolheria um romance? Isso não faz o menor sentido.

—Porque você está apaixonada pelo meu divino ser.

—Argh! Só nos seus sonhos. – Atena fez uma careta enjoada.

—Então diga que não está apaixonada. – Ele desafiou, roçando propositalmente os dedos na mão dela que estava na marcha. O próprio deus teve que se controlar quando o pequeno choque elétrico percorreu seu corpo. A máscara de indiferença de Atena ficou ligeiramente alterada quando ela corou.

—Isso é ridículo, Poseidon – Ela disse, prestando mais atenção no trânsito do que o necessário. Evitando a todo o custo olhar para ele. – Você quer mesmo que eu diga que te odeio e acabe com seu ego pela segunda vez no dia?

O deus não respondeu e Atena sorriu satisfeita ao observá-lo rolar os olhos, pelo retrovisor.

—Suspense era o melhor gênero, considerando que não tinha nenhuma aventura e nós dois já vimos o de ação que estava em cartaz. E terror seria completamente desastroso.

—Completamente desastroso? – Ele perguntou, a curiosidade notável no tom de voz. Atena desviou outra vez os olhos para o trânsito.

—Terror não é um dos meus gêneros favoritos.

—Você tem medo?

O silêncio por parte da deusa que se seguiu só confirmou a suspeita de Poseidon. Ele sorriu marotamente e se aproveitou perfeitamente da situação para importuná-la.

—Quer dizer que a toda poderosa Deusa da Sabedoria tem medo de alguns monstrinhos e espíritos que se escondem em baixo da cama? Oh, não.

—Não seja estúpido! – Ela resmungou. – Só seria pavoroso assistir um filme de terror se fosse com você.

—Eu duvido. Quando foi a última vez que você viu um filme assustador?

—Hm. Não tem realmente muito tempo.

—Sozinha? – Ele perguntou, observando pela janela do carro o céu escurecer lentamente enquanto o sol se punha no horizonte.

—Não, Poseidon. Eu nunca vi nenhum filme de terror sozinha. Satisfeito?

O deus remoeu aquilo por breves segundos. Não esperava que Atena admitisse ter medo tão facilmente, mas parecia que nos últimos tempos a deusa estava completamente imprevisível.

—Por quê? – Ele perguntou por pura curiosidade.

Atena sentiu as palavras queimarem na ponta de sua língua. Ela tinha medo de filmes de terror, afinal. E só assistia com Apolo, quando se sentia segura e confortável o suficiente para abraçar o irmão ou apertar a mão dele caso necessário.

—Você poderia deixar de ser chato e insistente só por alguns dias? – A deusa resmungou, desviando o assunto. – Já estamos chegando.

—Eu percebi – Poseidon deu de ombros, apontando a casa dela no fim da rua, quando ele compreendeu. – Você não assiste filme de terror sozinha porque precisa de alguém que te mantenha segura nas partes assustadoras, não é? E suas opções seriam me abraçar ou ficar encolhida na poltrona.

A deusa manobrou o carro para dentro da garagem quando os portões da mansão se abriram magicamente. E ela murmurou algo, sabendo que o deus ao seu lado seria perfeitamente capaz de ouvir.

—Te abraçar em um cinema escuro e completamente indefesa seria pior que qualquer filme.

Poseidon rolou os olhos ignorando solenemente aquela última parte.

–X-

Marie abriu a porta no exato momento em que Atena tocou a campainha. A mortal tinha um sorriso tão simpático – como lhe era característico – que Poseidon permitiu-se sorrir também.

—Senhorita Baker!

A deusa estendeu os braços e as duas se abraçaram como da primeira vez.

—E senhor Seaworth, bem vindo novamente.

—Hey Marie. – O deus fez um ligeiro aceno com a cabeça enquanto entravam na sala.

—Wow, você fez um excelente trabalho aqui! E eu pensei que nunca mais veria essa casa organizada depois que Poseidon devastou tudo. Você é mesmo incrível, Marie.

—Obrigada, senhorita Atena.

—E pare com esse “senhorita”. É só Atena.

Marie riu e deu de ombros. Poseidon analisou brevemente a sala, que parecia mais arrumada do que quando eles chegaram a Londres e se sentou cuidadosamente no sofá, com medo de bagunçar tudo outra vez e Atena arrancar sua cabeça.

A deusa e Marie conversavam a certa distância de onde ele estava, mas Poseidon conseguia ouvir suas palavras entrecortadas. Era algo relacionado a manter a casa sempre limpa, mesmo na ausência da loira.

—Oh, tudo bem. Quem sabe eu posso passar aqui uma vez por semana, já que está sempre limpo.

—Marie, você é um anjo! A propósito, você viu se tem algo para o jantar?

—Então era isso! – A castanha deu um leve tapa na própria testa e murmurou algo que Poseidon não conseguiu ouvir. – Eu iria pedir comida chinesa, que é a sua predileta, mas a vizinha da frente me disse algo sobre o gramado e eu esqueci completamente de te ligar para saber se o Senhor Seaworth gostava também.

—Eu não tenho nenhum problema com arroz e pauzinhos irritantes. – Ele opinou.

As duas se viraram para o deus, percebendo que ele estivera escutando toda a conversa. Marie ergueu as sobrancelhas e pediu licença, andando até o telefone para discar o número do restaurante.

Atena cruzou os braços abaixo dos seios e se sentou na ponta mais distante do sofá, involuntariamente se lembrando de que os dois haviam se beijado ali horas antes.

—Você é incrivelmente intrometido.

—Eu sei.

—Então pare com isso. – Ela resmungou. – E seja discreto perto da Marie, ela não sabe sobre a nossa condição divina.

—Você acredita mesmo nisso? A mortal parece ser esperta o suficiente para desconfiar de alguma coisa.

Atena sorriu e deu de ombros.

—Eu conto com isso para que ela não me faça muitas perguntas quando eu sumo por mais de três anos. De todo modo, Poseidon, se controle. Eu vou tomar banho.

Poseidon observou a loira subir as escadas e ligou distraidamente a televisão quando ouviu os passos de Marie voltando à sala.

—A comida não deve demorar muito, talvez meia hora.

—Meia hora parece muito tempo pra mim. – Ele respondeu, sem a intenção de ser tão rude.

—Se você quiser, Senhor Poseidon, eu posso preparar alguma coisa que tem no armário.

—Não, tudo bem. – Ele deu de ombros. – Atena me mataria se eu te fizesse trabalhar mais um pouco. E eu não estou com tanta fome assim.

Marie riu e se sentou ao lado dele.

—Não acho que Atena mataria uma mosca sequer.

—Aposto que ela abriria uma exceção pra mim.

—Bem, se você está dizendo. – Foi a vez da mortal dar de ombros e se afundar ainda mais no sofá. – Atena é a pessoa mais paciente e incrível que eu conheço.

—Marie, você realmente precisa conhecer mais gente. – Poseidon disse, a ironia pingando de sua voz. – Ela é estranha, convencida, mimada e extremamente irritante.

—Eu não sei se o que vou te contar vai mudar seu conceito em relação à Atena, mas não custa tentar. – Marie suspirou. – Há quase sete anos eu havia acabado de me mudar para Londres, sem emprego, sem casa, sem família e estava realmente complicado me manter aqui. Era o mês de dezembro mais frio da Europa e eu não tinha para onde ir. Estava sentada na praça a duas quadras daqui, completamente bêbada e quase morrendo congelada quando a senhorita Atena se sentou no banco ao meu lado. Ela estava chorando compulsivamente e eu estava tremendo de frio. Pensei em perguntar por que ela estava chorando, mas as palavras estavam muito enroladas. Então eu comecei a cantar uma música romana, sobre os deuses e as estações. Atena se virou, me vendo pela primeira vez. E eu desmaiei.

Poseidon arqueou as sobrancelhas, em um pedido mudo para que Marie continuasse a falar.

—Quando acordei estava no quarto cor-de-rosa. Eu escutava duas vozes, um médico e a senhorita Atena, mas só uma palavra fazia sentido. Hipotermia. Eu não me lembro de mais nada, mas quando abri os olhos pela segunda vez um cara muito loiro estava injetando algum tipo de remédio no meu braço e Atena esperava pacientemente sentada ao lado da cama. Fiquei de cama por mais algum tempo, com Apolo vindo me medicar todos os dias e quando ele finalmente disse que eu estava bem, arrumei os poucos pertences para ir embora. Não tinha como pagar Atena, mas ela não se importou com isso e não deixou que eu partisse. No começo Atena não me deixou trabalhar, mas eu não via problemas em cuidar da casa enquanto ela trabalhava. Então eu fiquei aqui por mais de um ano até que tivesse dinheiro o suficiente para comprar uma casa aqui perto. – Marie limpou o canto dos olhos para evitar que qualquer lágrima fosse derramada. – Eu não sei por que ela fez isso, mas sou eternamente grata. Atena consegue ver o lado bom das pessoas, mesmo quando elas mesmas não enxergam.

Poseidon coçou a nuca. Bem, ele nunca imaginara que a deusa que se achava tão superior pudesse se preocupar com uma simples mortal. Marie estava certa em relação à Atena. Não que ele fosse admitir o fato em voz alta.

—Talvez eu não conheça essa Atena.

—Talvez não conheça ainda.

—Quem sabe ela pare de agir feito uma megera e aí eu veja o lado do bom daquela sabe-tudo. – Ele retrucou, ficando ligeiramente irritado.

Marie ergueu as mãos em rendição, rindo suavemente.

—Eu diria que o senhor está apaixonado. – A castanha sorriu ternamente enquanto Poseidon engolia em seco. – E que talvez implique tanto com a senhorita Atena por não aceitar isso. Mas é só um palpite.

—Sem chance. – Ele resmungou. – Nós brigamos há milênios.

—Milênios?

—Poseidon é tão exagerado.

Os dois se viraram em direção a voz de Atena, que descia as escadas rolando os olhos. Ela lançou um de seus olhares maléficos em direção ao deus, que encolheu levemente os ombros. Marie alargou ainda mais seu sorriso do tipo trinta-e-dois-dentes e se levantou no mesmo momento em que a campainha soou.

—Oh, deve ser a comida. Vou atender a porta, com licença.

—Você realmente não entende o conceito de “discreto”, não é? – Atena murmurou. – Pode ir tomar seu banho enquanto ajudo Marie por a mesa, Poseidon.

O deus olhou para a porta que Atena apontava, do banheiro do primeiro andar. Ele rolou os olhos. Ela ainda não queria deixá-lo ir até a suíte. Não que isso fosse impedi-lo de dormir no mesmo quarto que a deusa, mas Poseidon não discutiu.

—Você nunca me contou sobre a Marie.

—E porque eu faria isso? – Ela perguntou secamente, desaparecendo pela porta da cozinha.

–X-

Atena estava com as pernas cruzadas sobre a cadeira, sentada ao lado de Poseidon, já que Marie havia colocado a mesa antes de ir embora. Um silêncio confortável havia se instalado entre os dois e a deusa já estava remexendo em sua caixinha quando ele falou.

—Hm. O que vamos fazer amanhã?

—Eu não faço ideia.

Poseidon sorriu animado pela primeira vez no dia.

—Podemos ir à praia.

—A praia? – Atena gemeu. – Bem, essa não seria minha primeira opção.

—Por quê? – O deus colocou os pauzinhos na mesa e pegou um talher. – Eu já disse que odeio esses negócios? O garfo é a melhor invenção da humanidade.

A deusa rolou os olhos diante de tanta besteira.

—A praia fica há algumas horas daqui. Você não podia pensar em um lugar mais perto?

—Qual o problema? Você tem um carro e nós podemos nos teletransportar.

—Não. Eu não quero ir. Achei que você pudesse sugerir outra coisa.

—Que tipo de sugestões você esperava?

—Sinceramente? Algo que não envolvesse ‘mar’.

—Está com medo dos meus domínios? – Ele sorriu perigosamente e Atena disfarçou o arrepio que lhe percorreu a espinha.

—Não mesmo. O mar não me assusta.

—Então qual o problema?

Atena mordeu o lábio inferior e colocou um pouco de comida na boca, para ter tempo de pensar enquanto mastigava. Poseidon alargou ainda mais o sorriso sabendo que ela não havia pensado em uma resposta coerente e quando ele ia dizer isso a ela, a deusa deu de ombros e retomou a conversa.

—As criaturas asquerosas que vivem lá são perigosas.

—Você está considerando então que eu sou perigoso?

Atena riu debochada e fez a cara mais inocente do mundo.

—Se você estiver se considerando asqueroso Poseidon, sim.

—Eu não sou asqueroso. – Ele rolou os olhos. Era simplesmente impossível discutir com ela. – Mas eu moro no mar, então você tem medo de mim?

—Você é a pessoa com mais transtornos que eu conheço, tem altos indícios de psicopatia e come tanto açúcar que é capaz de afetar um diabético a quilômetros. É, eu tenho medo de você.

Poseidon se controlou para não rir e colocou as mãos atrás da cabeça.

—Eu posso usar isso contra você em um futuro próximo.

—Suas chances de irmos à praia estão caindo drasticamente.

—Qual é. – Ele rolou os olhos e se ajeitou na cadeira. – Não vou te machucar e vai ser divertido. Eu não vou brigar com você enquanto estivermos lá, nem vou me descontrolar ou fazer você se afogar.

—Você vai continuar me importunando? – Ela perguntou, na defensiva.

—Provavelmente, é tentador demais.

—Sua proposta está começando a ficar interessante. Mas não.
O Deus dos Mares bufou e cruzou os braços como uma criança birrenta.

—Por favor?

—Wow, isso é inusitado. – Atena ergueu as sobrancelhas sarcasticamente. – Poseidon me pedindo por favor.

Ele respondeu com um simples encolher de ombros.

—Eu não posso te arrastar até lá.

—Mas você pode ir sozinho, se quiser.

—Não. Nós estamos juntos nessa.

—Argh, você tem noção do quão dramático isso soou? – Ela torceu levemente o nariz.

—É sério. Eu não quero ficar pensando em Anfitrite ou nos problemas do Olimpo, seria legal se fossemos juntos. Duas coisas que eu gosto ao mesmo tempo: o mar e te encher o saco.

—Poseidon, você é uma praga.

Atena suspirou, recolhendo as caixinhas e se levantando para jogar tudo no lixo. Poseidon a seguiu com o sorriso mais esperançoso do mundo.

—Isso quer dizer que nós vamos?

—Sim.

Ele deu uma piscadinha extremamente sexy para ela em comemoração e Atena revidou com um girar de olhos.

—Mas...

—Estava bom demais para ser verdade.

—Com a condição de que eu faça o almoço amanhã.

Poseidon analisou a proposta por breves segundos.

—Não pode ser tão ruim assim. Você pode ser um desastre na cozinha ou me obrigar a comer aspargo. Não se pode ter tudo. – Ele resmungou, com um tom a mais de drama na voz. – Okay. Nós vamos depois do maldito almoço.

—E voltamos ao pôr do sol.

—Fechado.

Os dois apertaram as mãos formalmente. Atena terminou de tirar a mesa e andou até a sala, com o deus em seus calcanhares. Ela pisou no primeiro degrau da escada, mas a voz dele a impediu de continuar.

—Hey, aonde você vai?

—Dormir.

—Mas não são nem dez horas da noite.

—Não tem mais nada para fazer. – Ela argumentou. – E amanhã nós vamos acordar cedo.

—Você tem certeza que vai me deixar aqui em baixo sozinho com seus preciosos livros? – A voz de Poseidon tornou-se completamente chantagista.

—Não. Você vai até o meu quarto tirar todas suas tralhas de lá. Marie colocou um jogo de cama e travesseiros na poltrona da biblioteca, você pode arrumar tudo no sofá.

—Eu não vou dormir no sofá.

—A cama de Jenny também está disponível. – A deusa se virou, recomeçando a subir.

—Espera! Nós podemos disputar sua cama.

—Poseidon, eu já disse que não vou mais fazer acordos como esse com você.

—Não é um acordo. Nós competimos em algum jogo. Se você ganhar, dorme na sua cama e eu aqui no sofá. Se eu ganhar, você vai ser obrigada a dividir a cama comigo.

Atena sorriu satisfeita. Não tinha como perder algo tão estúpido assim e ela concordou, imaginando o quão confortável seria sua noite sozinha na cama espaçosa.

—Que jogo você quer? War? Batalha naval? Xadrez?

Poseidon passou os dedos pelos cabelos em sua mania incurável.

–X-

A deusa perdeu a voz por alguns segundos.

—Não.

—Por quê? Você me deixou escolher o jogo.

O cérebro dela trabalhou tão rapidamente, que a própria Atena se sentiu surpresa ao ouvir as palavras escapando de seus lábios.

—Não tem ninguém pra girar a roleta.

—Não seja tão ingênua. – Ele sorriu sarcástico, estalando os dedos. Uma caixa apareceu flutuando ao lado do ombro da deusa. – É enfeitiçado para girar sozinho.

Atena pegou o jogo, apertando com mais força que o necessário o pacote. Ela desceu os degraus e andou até a espaçosa sala, estendendo o tapete plástico cheio de bolinhas coloridas.

—Vamos acabar logo com isso.

—Preparada?

A deusa quase pulou ao sentir a respiração de Poseidon na sua nuca. Ela engoliu em seco.

—Sempre.

{...}

—Mão direita no vermelho, Atena.

—Oh, droga, quem inventou essa porcaria?

—Algum contorcionista com problemas mentais. – Resmungou Poseidon, enquanto a loira se contorcia para alcançar o vermelho.

—Pé direito no verde, Poseidon.

—Outch. Acho que vou ficar esticado assim pra sempre.

—Bem feito. – Ela retrucou, sentindo os dedos do pé esquerdo aonde ela apoiava todo o peso do corpo adormecer. – Você não vai cair nunca?

—Espero que não. – Ele respondeu ofegante. – Porque se eu dormir no sofá vou acordar mais dolorido ainda. Ponha a mão esquerda no azul.

Atena rolou os olhos enquanto passava um dos braços por baixo da perna de Poseidon para alcançar a tal bolinha azul. Ele sorriu abertamente ao reconhecer a oportunidade perfeita, só esperava que a roleta apontasse para uma determinada cor.

—Ponha o pé esquerdo no amarelo, Poseidon. Depressa.

O deus quase comemorou quando ouviu a palavra “amarelo” saindo dos lábios da deusa, mas se controlou para não tirar nenhuma mão do tapete e estragar tudo.

—Hey, cuidado! – Ela resmungou, quando Poseidon passou a perna por trás da sua.

—Por quê?

—Pra não cair em cima de mim, seu acéfalo.

—Essa é a intenção. – Ele deu de ombros.

—Oh, cale a boca. E pare de se mexer ou nós dois vamos cair!

—Não se você encostar em mim.

Atena analisou a frase por menos de um segundo antes de sentir as bochechas corarem. E só então ela percebeu a posição em que se encontravam. Poseidon tinha as duas pernas atrás das delas e um de seus braços a forçava a ficar curvada, além de não permitir que ela se movesse sem perder o jogo. A deusa podia sentir a respiração dele em seu pescoço outra vez e fechou os olhos para parar de pensar na situação. Mas tudo foi por água a baixo quando o deus propositalmente roçou seu quadril no dela.

—Seu tarado nojento! – Atena berrou, e foi tudo que Poseidon conseguiu ouvir antes do sonoro tapa que acertou o lado direito da sua bochecha.

O deus cambaleou, se separando dela. Ele pôs a mão no rosto sobre a marca vermelha dos dedos dela, um sorriso maroto se espalhando pelos seus lábios.

—Você perdeu. – Ele acusou. – Você tirou a mão do tapete para me bater.

Atena ficou perplexa demais para dizer qualquer coisa, a boca se escancarando em um perfeito “o”.

—Eu. Te. Odeio. – Ela pontuou, antes de subir as escadas pisando duro.

—E não demore a pôr o pijama, eu não me responsabilizo por entrar no quarto e te ver trocando de roupa. – Ele gritou, com o sorriso bobo ainda estampado no rosto.

–X-

Quando Poseidon chegou ao segundo andar, todas as luzes estavam apagadas e ele já estava como próprio pijama, que consistia apenas em uma calça de moletom e uma camiseta folgada.

Ele andou até a suíte de Atena e entrou sem se preocupar em bater na porta. A deusa estava deitada na cama, com o abajur ligado enquanto lia um livro gigantesco e o cobertor cobrindo todo seu corpo, de modo que Poseidon não saberia dizer se ela estava vestida com uma das roupas infames de Afrodite.

—Hey.

—O que foi? – Ela perguntou, erguendo o olhar até a porta, realmente aborrecida por interromper a leitura.

—É Game of Thrones? – Ele inquiriu, se jogando ao lado dela sem cerimônia e escorregando para baixo dos cobertores.

Atena encolheu um pouco ao sentir o calor emanando do lado dele da cama.

—É. Você já leu?

—Não. Assisti ao seriado.

A deusa desviou os olhos do sorriso sacana dele e rezou para que ele não conseguisse enxergar suas bochechas que pegavam fogo.

—Hm.

—Achei mesmo que falar sobre isso te deixaria constrangida. – Ele riu. – Hey, de que cor é seu pijama?

—Não é da sua conta.

—Qual o problema em me responder? Se você não me disser, posso levantar o cobertor e olhar.

—Branco. Agora cale a droga da boca e durma.

—Branco. – Ele repetiu. – Branco não é nem um pouco excitante.

—Argh, eu não preciso saber disso. – Ela resmungou, pousando o livro na mesa de cabeceira.

—A menos que seja um dos brancos transparentes que Afrodite separou. E eu posso apostar que é, porque você ainda não comprou roupas novas.

—Eu já disse pra você calar a boca, Poseidon!

—Você é completamente previsível, Atena. Poderia ao menos disfarçar e não me dar tantas pistas de que estou certo. Mas não tem problema, você não ficaria atraente em nenhuma hipótese.

Atena estreitou os olhos. Ela detestava ser desafiada e se tivesse pensado mais um pouco não teria feito o que fez. Mas o fato foi que a deusa deslizou para mais perto dele, envolvendo uma de suas pernas na cintura do deus.

—Tem certeza?

Poseidon respirou fundo duas vezes. Bem, talvez ela não fosse tão previsível assim.

—Não. – Ele respondeu com sinceridade, se aproveitando da proximidade para entrelaçar os dedos no cabelo loiro dela e puxá-la mais para perto, depositando um beijo na sua testa e descendo irrefreavelmente até a boca.

Depois de algum tempo, a deusa se afastou com os pensamentos em órbita. Beijá-lo era sempre maravilhoso, mesmo que de formas diferentes a sensação de êxtase era a sempre aquela.

—Por que você fez isso? – A loira perguntou, tentando esclarecer as coisas entre eles.

—Não faço a mínima ideia.

—B-boa noite.

Ela se virou para o outro lado e fechou os olhos, evitando ao máximo pensar que estava dormindo ao lado dele. Evitando ao máximo pensar em todos os sentimentos que pulsavam em suas veias.

—Boa noite, Atena.

–X-

Notas finais
Olá meu leitores perfeitos *-------* Eu ainda estou viva, é. A escola está ficando cada dia mais insuportável e o vestibular quase me mata com tanta pressão. Nenhuma novidade até aí. Sério, me perdoem pela demora irreparável. Ao menos o capítulo foi gigante para compensar. Deuses, esses dois não são simplesmente lindos juntos? Ownt. E eu amo a Marie. Pobrezinha. Acho que todos vocês conhecem o jogo Twister, é bem divertido, qualquer coisa podem pesquisar imagens no google. Há, parece que o Poseidon está cada dia mais fascinado com Atena :3 Reviews? Recomendações? Amo vocês, Mi.