Fechado Para Reforma!
25 Café da manhã sem café
Notas iniciais
CAPÍTULO 25: Inglaterra – Café da Manhã sem café.
Quinto Dia– Parte 1.
Poseidon coçou a nuca e abriu levemente as pálpebras. A claridade que invadia o quarto era realmente escassa e isso fez com que ele abrisse um sorriso lerdo, se virando para voltar a dormir.
As paredes marfim mostravam que algo estava terrivelmente errado, porque aquele não era seu quarto no Olimpo. O deus tentou se lembrar de onde estava. Certamente não era no Acampamento Meio-Sangue, uma vez que as cortinas de lá não serviam para porcaria nenhuma e Atena o obrigava a acordar cedo.
A mente de Poseidon apitou. Provavelmente tinha alguma coisa relacionada à deusa, mas ele não conseguia saber o quê. O deus tentou erguer a cabeça do travesseiro para entender o que diabos estava acontecendo e foi então que sentiu a respiração suave na curva de seu ombro.
Ele baixou os olhos ainda desfocados para o emaranhado loiro que repousava ali. Automaticamente, um sorriso imbecil brotou nos lábios do deus ao perceber que os braços dela o envolviam e que uma das pernas da deusa estava entre as suas.
Poseidon sabia que estaria ferrado quando acordasse, mas a culpa não era somente sua. O deus afastou alguns fios de cabelo dourados do rosto da deusa e afagou a cintura dela, puxando-a mais para perto antes de afundar na inconsciência outra vez.
–X-
Atena espreguiçou-se sentindo cada minúscula partícula de seu corpo. Ela passou a mão pelo cabelo totalmente bagunçado e coçou o olho com o nó do dedo. A deusa tentou se virar na cama e sentiu o cobertor retardando seus movimentos, ao fazer algum tipo – mesmo que mínimo – de pressão. Mas não era só isso que a atrapalhava, havia alguma pressão extra em sua cintura.
Ela abriu os olhos com muita preguiça e quase teve um colapso ao encontrar o nariz de Poseidon a menos de cinco centímetros do seu próprio rosto. O deus dormia serenamente, com um sorriso fofo e a expressão mais ingênua que ela já vira em toda a imortalidade.
A deusa levou mais alguns segundos para entender o que estava acontecendo. Suas pernas estavam entrelaçadas nas do deus e ela estava abraçada a ele, que o perfume inebriante era o perfume dele e que ela estava confortável dormindo com ele.
Primeira reação: Choque. Incredulidade. Paralisia.
Parecia que o corpo de Atena não era capaz de responder aos seus comandos desesperados e ela não fez nada para se soltar dele. Apenas continuou analisando a situação, prestes a ter um surto psicótico. E foi isso o que aconteceu a seguir.
Segunda reação: Raiva.
O travesseiro ao seu lado foi a única arma que Atena achou, então sem esperar mais um segundo sequer, ela começou a dar travesseiradas, socos e pontapés no ser que estava esparramado ao seu lado na cama.
—Seu. Nojento. Estúpido! – Ela pontuava cada palavra com um golpe de travesseiro.
Poseidon abriu os olhos pela segunda vez no dia e sentiu alguma acertar seu tórax. Ele provavelmente teria ficado sem nem uma molécula de ar nos pulmões se não fosse um deus, porque Atena não parava de bater nele.
—Outch!
—Você é um aproveitador barato!
—Mas o que diab... OUTCH!
—E não venha se defender!
—Do que você está falan... Ai, porra!
Poseidon segurou o braço de Atena que já estava pronto para bater nele outra vez.
—Você vai me explicar porque me acordou tão gentilmente?
—Porque você é um idiota!
—O que foi que eu fiz dormindo?
—Me agarrou. E faça a merda do favor de me soltar!
—Eu não te agarrei, Senhorita Dona da Razão. Você me agarrou no meio da noite. Então não venha pôr a porcaria da culpa em mim.
—Eu mandei você me soltar.
—Você vai me bater se eu te deixar livre? – Ele perguntou, sonolento demais para chegar a essa conclusão sozinho.
—Não. – A deusa bufou.
—Ótimo. Não são nem nove e meia da manhã e eu estou com sono, então trate de não fazer barulho também.
O deus colocou as mãos dela lentamente sobre o colchão e puxou o cobertor para cima do corpo quando sentiu Atena socando as suas costas. Ele suspirou pesadamente. Ela era impossível.
—Pare já com isso! – Ele ordenou não como um deus qualquer, mas como um dos Três Grandes. Atena não pode fazer nada além de refrear a vontade de continuar esmurrando um certo deus.
A loira se debateu desconfortável e Poseidon rolou os olhos a deitando no colchão e sentando-se sobre as pernas dela. Ele não forçou a deusa a olhá-lo, mas o contato visual dos
dois era aparentemente inquebrável.
—É sério, eu não te agarrei. – Ele disse e Atena se surpreendeu pela voz calma e paciente dele. – Você pode não acreditar, mas estou dizendo a verdade. Você me abraçou no meio da noite e eu deveria ter impedido, mas eu não o fiz.
Atena engoliu em seco.
—Você sabia que eu surtaria quando acordasse.
—Eu estava com sono demais para pensar qualquer coisa desse tipo. – O deus mentiu.
—Me desculpe por ter te batido.
Poseidon arregalou os olhos, sem acreditar no que estava ouvindo.
—Você acredita em mim?
—Mais ou menos. – Ela suspirou. – Eu costumo fazer coisas improváveis quando estou dormindo. Pode ser que você esteja dizendo a verdade.
Um sorriso de canto se formou no rosto dele e Poseidon passou a mão pelos cabelos desalinhados, saindo de cima de Atena e a libertando.
—Mas... Porque é que você não me soltou quando eu te agarrei? – Ela perguntou completamente confusa.
—O cheiro do seu cabelo é bom. – Ele deu de ombros e Atena rolou os olhos. – Eu vou tomar um banho lá em baixo e preparar o café. Aí você pode chegar a conclusão de que por mais que você negue, eu sou irresistível e que isso é tudo resultado da intensa atração que você sente por mim.
Poseidon piscou um olho e com um de seus sorrisos charmosos saiu do quarto, deixando Atena sozinha com seus pensamentos confusos.
—Idiota.
–X-
O deus não demorou mais do que dez minutos no banho, então antes das nove e quarenta ele estava na cozinha esperando Atena para tomar o café da manhã. Não havia muito o que fazer por ali além de abrir o suco de laranja, pegar o cereal e as tigelas e colocar o pão na torradeira.
O copo de suco dele estava em cima do balcão em que ele estava escorado e Poseidon contava os copos visíveis através do vidro do armário pelo que parecia ser a milésima vez quando Atena apareceu. Ela estava com o cabelo preso em uma trança elaborada e vestia um short jeans desbotada – que não parecia assim tão curto – e uma blusa com estampa de coruja.
—Isso não parece uma daquelas roupas que Afrodite separou pra você.
—E não é. Estava no meu guarda-roupa. – Ela respondeu, puxando uma cadeira para se sentar. Poseidon andou até o outro lado da mesa e serviu sua própria tigela de cereal.
—Então você não vai precisar fazer compras?
—É claro que vou. Não posso usar esse mesmo conjunto por mais dois dias.
—Fazer compras é entediante.
—Eu não demoro doze dias pra escolher se quero um brinco azul-marinho ou azul-turquesa, como Afrodite. É só reservarmos uma tarde.
—Hoje nós vamos à praia. – Ele disse, antes que ela pudesse sugerir alguma mudança na programação.
—Eu sei. – Atena fez uma careta. – Onde está o café?
—Eu não fiz café. Tem suco de laranja na jarra. Eu só disse para o caso de você ter esquecido.
—Que tipo de pessoa vem preparar o café da manhã e não faz café? – A deusa reclamou, indo até a cafeteira e colocando o pó.
—O tipo de pessoa que não é viciado em cafeína.
Atena não retrucou e despejou todo o líquido preto em uma caneca. Poseidon continuou a comer silenciosamente, esperando que ela falasse mais alguma coisa.
—Vamos sair as dez para ir ao supermercado comprar os ingredientes do almoço. Marie só vem aqui à tarde, quando estivermos fora.
—Ok. Esse almoço envolve algum tipo de produto extracalórico ou coisa do tipo?
—Provavelmente não.
—Como você consegue viver assim? Deve ser terrível viver sem as melhores coisas do mundo. Sem comida congelada, bebida alcoólica, carne—
—Eu não sou vegetariana, Poseidon. – Ela rolou os olhos azuis.
—Não estou convencido disso ainda. Sem batata frita todos os dias ou sobremesa antes do almoço. Você é um extraterrestre.
A loira despejou o café na vasilha com cereal e colocou leite. Poseidon arqueou uma sobrancelha para o café da manhã anormal dela. Ele deveria ter pensado mais antes de concordar em almoçar o que ela preparasse.
—Você não pode chegar a essa conclusão imbecil só porque eu sobrevivo sem as coisas que são importantes na sua lista de prioridades.
—Esse seu café da manhã também me ajudou a perceber que você não é normal. Eu não sabia que alguém podia ser tão viciado assim em café.
—Poseidon, você é uma pessoa com sérias disfunções em relação à glicose. Não tem o direito de falar sobre a minha alimentação. Arranje outros argumentos para essa sua teoria da anormalidade.
—Tudo bem. – Ele deu de ombros, coçando a barba por fazer. – Você vive sem sexo. Isso não é normal.
—POSEIDON! – Atena berrou assustada. – Pelos deuses, eu sou uma deusa casta.
—Isso é mais esquisito ainda.
—Oh, cale a porcaria da sua boca.
A loira abaixou a cabeça e quis sumir na tigela de cereal. Ele riu da reação exagerada da deusa. Deixá-la corada e com vergonha nunca perdia a graça. Nem mesmo depois de milênios.
–X-
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