Fechado Para Reforma!
26 Pedido de Casamento.
CAPÍTULO 26: Inglaterra – Pedido de Casamento.
Quinto Dia– Parte 2.
—Poseidon, só vamos precisar de um carrinho de compras.
Ele girou os olhos sem dar atenção para a repreensão de Atena e empurrou dois carrinhos para a entrada do supermercado.
—Heys, eu estou falando sério. – Ela andou até onde ele estava e encostou levemente em seu ombro, fazendo com que o deus parasse.
Poseidon sorriu minimamente com a proximidade dos dois. Sua respiração bagunçava levemente a franja dourada dela. Ao menos a deusa não estava tentando se esquivar dele, como no começo do dia.
Ela olhou para cima e encontrou os olhos esmeralda dele observando cada um de seus movimentos. Involuntariamente Atena mordeu o lábio inferior. Ele se controlou para não ficar imaginando coisas ao vê-la tão perto e pôs as mãos no bolso, antes de sugerir:
—Você empurra um e eu o outro.
—Não.
—Por quê? – Ele gemeu.
—Porque eu estou no comando.
—Quem disse?
—Eu.
—Isso não é justo. Deveríamos fazer uma votação para ver quem fica no comando da missão intergaláctica.
Atena tentou não rir daquela imbecilidade, mas parecia impossível resistir às piadinhas
dele naquela manhã.
—Isso seria completamente lógico. – Ela ironizou. – Você votaria em si e eu em mim, totalizando um empate.
—E com um empate a gente divide o comando, então você empurra um carrinho e eu o outro. – Ele deu de ombros, sorrindo satisfeito.
A deusa achou melhor não responder e apenas suspirou, pegando um dos carrinhos.
—Você me espera aqui.
Poseidon franziu as sobrancelhas e observou a loira andar até uma senhora que estava lendo um panfleto, perto do caixa. A senhora ergueu os olhos para ela e sorriu ao responder alguma coisa que Atena perguntava. A deusa gesticulou apontando para Poseidon e então a senhora sorriu outra vez, concordando com a cabeça e aceitando o carrinho que Atena lhe entregava.
O deus cruzou os braços e esperou impacientemente até que a loira voltasse para perto dele.
—Pronto. – Ela sorriu fofamente para Poseidon ao se postar ao seu lado.
—O que você foi fazer?
—Não te interessa.
—É claro que interessa. Eu vi que você apontou pra mim.
—Eu estava conversando. Só isso.
—Conversando sobre o quê? – Ele estreitou os olhos.
—Eu disse que você era um sequestrador psicopata com sérios distúrbios que queria me colocar dentro do carrinho de compras e empurrar aquela droga por toda a extensão do supermercado, me esmagando com o peso de duzentas porcarias que você compraria. Na tentativa fracassada de me torturar antes de me jogar no porta-malas do seu carro junto com as compras e viajar comigo nessas condições até o Alabama.
Poseidon arqueou as sobrancelhas pretas e passou as mãos pelo cabelo desalinhado. A deusa bufou.
—Eu perguntei a onde ficava a seção de frios. Ela perguntou se eu usaria o carrinho e eu disse que não, porque você já tinha um. É um dos meus direitos como comandante conversar com senhoras indefesas no supermercado.
—Como ex-comandante, você quer dizer. – Ele sorriu de canto quando viu a expressão ligeiramente confusa de Atena – O carrinho simbolizava a sua parte de liderança na missão. E você o abandonou. Estou muito decepcionada com você, patrulheira.
Atena tentou ficar séria, mas riu com tamanha besteira.
—Fui rebaixada para o cargo de uma simples patrulheira?
—Yeap. Uma patrulheira intergaláctica. Na verdade acho que você deveria usar aquelas roupas semitransparentes e grudadas, para dar mais ênfase ao seu cargo, como em Star Wars.
—Não existem patrulheiras com roupas impróprias em Star Wars.
—Tanto faz. – Ele desdenhou. – Nunca tive vocação para ser um nerd que decora todas as partes dos filmes.
Ele mordeu a parte interna da bochecha forçando-se a demonstrar indiferença enquanto ela tentava engolir a provocação.
A deusa da sabedoria rolou os olhos pela milésima vez desde que eles haviam saído de casa. Poseidon estava particularmente contagiante naquele dia e ela suspeitava que era a perspectiva de ir à praia que o deixava tão animado.
—Argh, vamos acabar logo com isso. Às compras. – Ela resmungou.
—E então, o que pegamos primeiro?
—A comida. – Ela deu de ombros. – É a única coisa que viemos pegar aqui.
—Você é tão específica, Ateninha.
—Bem, deixe-me olhar os ingredientes.
A deusa pegou um papel ligeiramente amarrotado no bolso do short e passou os olhos pelos itens escritos. Poseidon espiou por cima do ombro dela e viu algumas coisas que o fizeram torcer o nariz. Só haviam coisas extremamente saudáveis.
—Rúcula?
—Yeap.
—Eca, eu não vou comer isso. – Ele disse, tomando o papel das mãos dela.
—É claro que você vai comer. Você vai comer qualquer coisa que eu preparar. Me devolva a lista.
—Não. Eu vou comer desde que seja comestível. E isso não inclui rúcula, nem aspargo.
—Me devolva a porcaria da lista.
Poseidon ignorou a histeria de Atena continuou a avaliar todos os ingredientes, fazendo uma careta a cada item que lia.
—Eu não vou pedir outra vez, me devolva.
—Nós não vamos levar aveia. Quem em sã consciência come aveia???
—Poseidon, francamente! Eu como aveia. Eu quero levar a droga da aveia. E eu quero minha lista na minha mão em três segundos ou eu vou te espancar até você perder a consciência.
Atena cerrou os punhos quando ouviu a risada melodiosa dele ecoar.
—ME DEVOLVA!
—Vem pegar.
—Eu não vou cair nessa.
—Está com medo?
—ARGH! Seu imbecil!
O deus ergueu a mão com a lista acima da sua cabeça, deixando o papel fora do alcance de Atena que era trinta centímetros mais baixa que ele.A deusa o fuzilou com o olhar e ficou nas pontas dos pés, sem obter resultado algum.
Poseidon alargou ainda mais seu sorriso depois daquilo.
—Eu vou te bater tanto que você vai entrar em combustão espontânea! E isso nem é possível. – Ela ameaçou, suspirando e cruzando os braços enquanto batia o pé no chão.
O deus riu. Era simplesmente adorável vê-la irritada.
—Você desiste? Zeus deveria ter te criado com um pouquinho mais de altura, aposto que ainda tinha espaço pra você crescer na cabeça gigantesca do meu irmão.
—Haha. Muito engraçado, Poseidon.
A deusa se ergueu outra vez, estendendo a mão bem próxima à dele. Poseidon balançou a lista freneticamente de um lado para o outro, fazendo com que Atena grunhisse e o encurralasse contra uma prateleira, subindo nos pés dele – aquilo estava se tornando uma mania – para ficar mais alta.
—Eu sei que você quer me agarrar, mas se controle, Atena, estamos em um local público.
—Idiota! Qual a graça em me irritar?
Atena encarou os olhos verdes e brilhantes do deus, sentindo-se corar logo em seguida. Ela parou de esmurrá-lo por meio segundo para que pudesse sair de cima dos pés dele, mas suas mãos enlaçaram automaticamente o pescoço de Poseidon antes que ela perdesse o equilíbrio. O fluxo cerebral de Poseidon congelou e ele respondeu a primeira frase que conseguiu formular, sem saber ao certo se deveria dizer aquilo. Mas ele não estava exatamente se importando.
—Você fica linda corada.
Involuntariamente a loira fechou os olhos ao sentir a respiração do deus se fundindo com a sua. Ela mordeu o lábio inferior, tentando acalmar as batidas descompassadas do próprio coração, tentando não surtar, tentando não pensar o quanto aquilo era errado. E esperou pelo beijo dele.
Poseidon sorriu de canto ao ver a reação de Atena, ao ver seus olhos cerrados e sua notada insegurança. Ele a puxou para mais perto, a abraçando de encontro ao peito e empurrou alguns fios dourados antes de levar seus lábios até a testa dela.
Ele podia imaginar Atena franzindo as sobrancelhas naquele momento. Porque até ele estava surpreso com suas atitudes.
Nunca, na imortalidade, Poseidon tinha feito algo parecido. Ele não sorria só por ver uma garota sorrindo. Ele não precisava chamar a atenção, era algo tão natural para o deus dos mares. E, no entanto, com Atena era diferente. Porque ele adorava deixá-la furiosa, envergonhada e adorava escutar a risada musical dela. Adorava os cabelos despenteados, os olhos brilhantes e que mudavam de tom. Adorava o modo como os lábios dela se torciam para provocá-lo. Atena era diferente. E ele sentia a necessidade de ser diferente com ela também.
Diferente de um jeito muito, muito bom.
Eles se desvencilharam lentamente e o deus percebeu que ela encarava o chão, sem graça.
—Achei que eu fosse cair, como da ultima vez. – E achei que você fosse me beijar, ela pensou.
—Eu não deixaria. – Poseidon respondeu rápido demais. Porra, eu não posso ter dito isso em voz alta, ele pensou, querendo se bater por dizer coisas tão sentimentais.
—O quê? – Atena perguntou, sem acreditar nos próprios ouvidos.
Mas Poseidon foi poupado de inventar uma desculpa para aquela frase, porque os dois perceberam que alguém estava os observando.
Uma garotinha de aproximadamente três anos os encarava. Ela estava com um vestido vermelho rodado e uma minúscula sapatilha azul-marinho. Seu cabelo preto era extremamente liso e curto, preso com pequenas fivelas coloridas, mas mesmo assim algumas mechas insistiam em cair nos seus olhinhos castanhos. Ela sorriu fofamente ao se aproximar de Atena, enquanto bebia seu suco de caixinha.
—Hey, você está perdida? – Atena perguntou. A garotinha fez que não com a cabeça.
—O que foi, minha linda? – Poseidon se abaixou para ficar na mesma altura que ela.
A menina encostou uma mãozinha no rosto de Poseidon e sorriu. Ela lhe entregou o potinho de suco e apontou para Atena logo em seguida. O deus franziu as sobrancelhas sem saber o que fazer e esperou a garotinha dar alguma outra dica.
—Você quer falar com ela? É isso?
A pequenina fez que sim com a cabeça e estendeu os braços para que Poseidon a pegasse no colo. Ele olhou para Atena receoso e a deusa riu, se abaixando e poupando o trabalho dele.
—Oi. – Atena começou.
A garotinha olhou para Poseidon outra vez, com vergonha da deusa.
—Huh, que legal. Não precisa ter medo da tia Atena, eu te protejo.
—Alice não tem medo. – A garotinha disse, sussurrando para Poseidon. – Ela é uma princesa?
Atena piscou os olhos.
—Eu?
—Aham. Você é igualzinha uma princesa.
—Eu não sei. – Poseidon respondeu. – Talvez ela seja uma princesa.
—Eu acho que ela é sim. Ela é linda. Viu?
O deus riu.
—Então você também é uma princesinha.
—Oba! – Ela concluiu, feliz. – Eu disse pra mamãe que as princesas existiam. Isso é tão legal. Você é o príncipe mais legal que eu conheço. Mais legal do mundo. E a sua princesa é a mais linda.
Poseidon arqueou as sobrancelhas sem saber o que dizer. Ele sorriu marotamente para Atena, que estava encantada com a garota.
—A minha princesa é a mais linda mesmo. Mas ela não quer se casar comigo.
—Porqueeeeeeeee? – Alice perguntou, os olhinhos ficando cheios de água.
—Eu não sei. Pergunta pra ela.
—Você não vai casar com seu príncipe?
A deusa pensou em dizer que ele não era o príncipe dela, mas engoliu as palavras ao ver a expressão triste da menininha. Oh, deuses.
—Ele não me pediu em casamento ainda. – A deusa confidenciou.
—Hey. Você não aceitaria mesmo que eu pedisse. – Poseidon falou, cruzando os braços e fazendo um esforço descomunal para não rir.
—Aceitaria sim! – Alice gritou. – Eu aposto que aceitaria!
O Deus dos Mares passou a mão pelos cabelos e viu que Atena se segurava para não rir também. Ele se ajoelhou lentamente e percebeu o olhar incrédulo da deusa sobre si.
Ela não podia acreditar que o teatro dele iria tão longe. Era insano. Quer dizer, Poseidon nunca faria uma coisa tão ridícula dessas por causa de uma garotinha. Simplesmente impossível.
Mas mesmo com Atena negando a todo custo que aquilo estava acontecendo, Poseidon segurou a sua mão e sorriu safadamente piscando um olho.
—Você aceita se casar comigo, Princesa Atena?
Alice cutucou a perna da deusa e fez que sim freneticamente com a cabeça. Atena sorriu.
—Eu aceito.
—ALICE! – Os três viram uma moça dobrar o corredor. – Oh, você está aí. Eu não acredito que saiu de perto de mim outra vez. Quer me matar de susto, mocinha?
—Mamãe, a princesa vai se casar!
A moça se aproximou e pegou a pequenina no colo.
—Me desculpem. Ela não consegue ficar quieta. Ainda vai me deixar completamente louca. Ela não estava atormentando, não é?
—Nem um pouco. – Atena riu. – Alice é uma gracinha.
—Oh, obrigada por vigiar ela.
—Não tem de quê.
—Heys, só não fuja da sua mãe outra vez, okay, princesinha? – Poseidon disse.
—Aham. – Alice concordou enquanto a mãe a colocava dentro do carrinho – para acabar com as possibilidades de fuga – e as duas sumiram pelo outro corredor.
Atena tomou a lista já esquecida da mão de Poseidon e balançou a cabeça negativamente.
—Eu não acredito que você fez todo esse teatro. Podemos começar as compras pelos temperos, porque é mais fácil.
—Tudo bem. – Ele deu de ombros. – Ela iria chorar se eu não te pedisse em casamento.
Atena começou a empurrar o carrinho e Poseidon a seguiu. Tentando ignorar o fato de que talvez não tivesse feito aquilo só pela garota.
–X-
Os dois viraram no primeiro corredor à direita, entrando em uma área cheia de molhos, potinhos para preparação de comida instantânea e especiarias. O deus dos mares descrevia minuciosamente a restauração no seu Palácio Subaquático e Atena fazia um punhado de perguntas, encantada com a arquitetura de um lugar aparentemente tão incrível.
Era muito estranho pensar que eles não brigavam há quase meia hora. E mais estranho ainda perceber que eles estavam conversando naturalmente, sem ninguém para impor um diálogo entre os deuses.
—E quem foi que escolheu a decoração do Salão de Festas?
—Eu. – Ele respondeu, com falsa modéstia.
—Achei que tivesse sido Anf...— A loira calou-se ao perceber que estava falando demais. – Me desculpe.
Poseidon sorriu compreensivamente.
—Tudo bem. Eu te prometi que contaria todo o resto da “Questão Anfitrite” algum dia, não tem problema mencioná-la. Eu não era casado com ela na época que construí o Palácio. Na verdade eu projetei quase tudo sozinho, apesar de Dolphin ter me ajudado na parte da biblioteca. – Atena encarou-o estupefata e ele riu. – Você achou mesmo que eu fosse analfabeto ou o quê? Acredite, Senhorita Genialidade, tem uma biblioteca em meus domínios e ela é muito maior que a do Olimpo, se você quer saber.
—Oh não, eu não estou surpresa só com isso. Me parece quase impossível que um ser sem um pingo de cultura possa ter bom gosto para construir um reino.
—Eu sou praticamente um engenheiro.
—Oh, claro – Ela concordou com ironia. – “Poseidon: deus dos mares, dos terremotos, das tempestades, engenheiro, arquiteto e designer de interiores no tempo livre.”
—Ugh. Isso soou gay demais.
—Talvez porque você seja gay demais.
—Aham. O gay com quem você se agarrou a noite toda.
Atena desenvolveu um súbito interesse pelas prateleiras e resmungou em um tom que apenas Poseidon seria capaz de escutar:
—Oh, cale a boca. Honestamente, estou começando a achar que você é um desperdício de espaço.
—Começando? – Ele perguntou, desacelerando o passo. – Eu sei que você não pensa isso. Porque eu sou completamente sexy, charmoso, sedutor, lindo, gostoso e você me ama... E porque aceitou se casar comigo, a propósito.
—Com toda a certeza não é isso que eu penso. – Ela parou ao lado dele, com as mãos na cintura.—Era só um teatro. Eu nunca aceitaria casar com você de verdade. Isso é mais do que impossível.
—Eu posso te fazer mudar de ideia quanto a isso.
—Não, obrigada.
—Agora é o momento em que você diz que eu estou certo e que você está louca pelo meu divino ser. Então eu digo algo potencialmente pervertido pra te deixar constrangida ou irritada – Porque você fica realmente linda assim, ele pensou – e você me manda calar a boca outra vez.
—Eu posso concordar com a parte de te mandar calar a boca. – Ela ponderou.
—Eu não te obedeceria mesmo.
—Porque você é um nojento irritante.
—Não. – Ele sorriu, parando o carrinho e indo até o lado de Atena para ajudá-la a escolher um tempero. – Para que te dar a oportunidade de me agarrar e fazer com que você cale a minha boca. Duas coisas que você adoraria.
—Seu ego gigantesco está me esmagando. – Ela respondeu, não dando atenção às babaquices que ele falava. Atena segurou dois potinhos com especiarias, um em cada mão, e os mostrou ao deus. – Qual você prefere?
Poseidon deu de ombros. Ele leu vagamente as embalagens e apontou para o potinho da mão esquerda.
—Esse aí. E não é só meu ego que é gigantesco, se você quer saber.
Atena engoliu em seco e continuou ignorando o melhor que podia aquele sorrisinho provocante que ela tanto odiava. Porque era terrível ter que admitir que Poseidon ficava realmente charmoso sorrindo daquela maneira. Terrível.
—Então vamos levar esse outro.
—Hey, não é justo. Você pede minha opinião para simplesmente ignorá-la?
—Yeap. Seus gostos são péssimos. – Ela deu de ombros.
—Oh, claro, porque sou eu quem gosta de aspargos aqui. – A ironia era evidente na voz dele.
A deusa girou os olhos lentamente.
—Você é tão, tão irritante. Faça algo útil uma vez na vida e vá até a seção de frios pegar comida congelada, queijo e carne. E me encontre na área das hortaliças daqui há dez minutos.
—Nem acredito que vou presenciar o momento único em que você vai comer carne.
—Eu não sou vegetariana! – Ela repetiu pela milésima vez antes de seguir para o outro lado do supermercado e deixar Poseidon responsável por grande parte das compras.
O que obviamente foi um erro.
–X-
Onde foi que aquele Cabeça de Alga Maior se meteu? Oh, céus, eu sabia que não devia tê-lo deixado sozinho.
Atena já tinha pegado tudo que precisava, incluindo os cereais para o café da manhã, as frutas, legumes, verduras, –inclua todas as comidas saudáveis existentes aqui – algumas porcarias industrializadas para que Poseidon não reclamasse de fome o tempo todo que ficassem na praia e um pote de sorvete de cereja.
Ela bufou enquanto lutava para equilibrar tudo aquilo, já que o energúmeno irresponsável havia ficado com o carrinho. E só da deusa lembrar-se disso ficava mais irritada. Porque ela já tinha rodado todo o supermercado procurando pelo deus, mas não conseguia encontrá-lo.
Só falta Poseidon ter evaporado. Sofrido algum tipo de combustão espontânea. Morrido. Perdido a memória. Ter se perdido no caminho. Na verdade, isso seria ótimo! – Atena sorriu brevemente com a perspectiva até que... foi atropelada.
Bem, para ser mais específica ela foi derrubada por uma sem nenhuma coordenação para guiar o carrinho.
—Outch.
—Hey, olha por onde and... Argh – Ela rolou os olhos. – Aí está você.
O deus se estendeu a mão para ajudá-la a se levantar e recolheu as coisas que tinham caído no chão.
—Já terminamos as compras?
—Eu estava só te procurando para irmos até o caixa.
—Espere. – Ele olhou seriamente para Atena. – Você prefere Jonnhy Walker ou Jack Daniels?
—Como é?
—Jonnhy Walker ou Jack Daniels?
A deusa piscou sem realmente entender o que diabos ele estava insinuando com aquilo até que olhou para o carrinho.
—O que é isso? – Ela perguntou, a beira de um ataque histérico.
—Huh. Bebidas?
—Não vamos levar todas essas porcarias!
—Mas é claro que vamos.
—Não vamos não!
—Vai mesmo começar com essa discussão outra vez? – Poseidon coçou a nuca impaciente.
—Nós nem ao menos discutimos sobre a hipótese de levar bebidas com teor alcoólico.
—Porque isso já estava previamente decidido, eu suponho.
—Oh, Poseidon. Você é insuportável! – Ela resmungou. – Tire isso daí.
—Não.
—Qual a sua idéia?! Entrar em coma alcoólica? – Atena se controlou para não gritar, extremamente furiosa enquanto retirava duas garrafas de Red Label do carrinho de compras.
—Você sabe que isso é tecnicamente impossível. – O deus retrucou sem dar muita atenção e colocando outros três tipos de bebida para cada uma que ela tirava.
—Poseidon!
Atena afundou o rosto nas mãos e suspirou.
—Eu não vou tirar isso tudo daí outra vez. Faça o favor de me obedecer.
—Eu não entendo. – Ele bufou, pondo sorrateiramente um Whisky nas compras para então cruzar os braços. – Qual é o problema, afinal?
—O problema é que eu não quero passar os próximos dois dias e meio na companhia de um ninfomaníaco bêbado.
—Eu não fico bêbado... Só nas Festas Olimpianas.
—Eu não ligo. Não vamos levar isso.
—O cartão é meu.
—E você está hospedado na minha casa.
Poseidon suspirou, sabendo que a deusa não cederia.
—E o que eu ganho se não levar as bebidas?
—Pense pelo lado positivo. – Ela sorriu. – Eu não vou te espancar nem nada.
—Me senti realmente ameaçado agora. – Ele riu.
—Machista.
—Eu só estou tentando entrar em um consenso, Ateninha.
—Não me chame assim.
—Tudo bem, Atena. Mas me dê um bom motivo para que eu deixe as bebidas pra trás.
A deusa fechou os olhos para que pudesse pensar em algo que o fizesse mudar de ideia em relação as bebidas. Talvez se ela propusesse uma troca, por algo que ele realmente gostasse... A deusa sorriu ao lembrar que ele era um chocólatra inegável.
—Hm. Que tal trocar toda essa bebida por chocolate?
Ele sorriu, estalando os dedos e fazendo com que muitas – muitas mesmo – caixas, barras, bombons e todo quanto é tipo de chocolate aparecessem no lugar das garrafas.
—Pode ser. Pra começar.
—Argh, Poseidon. – Ela balançou a cabeça negativamente. – O que você quer?
O deus sorriu triunfante antes de dar uma resposta que deixou Atena completamente apavorada.
—Dirigir o seu Porsche.
Oh, céus.
—Tudo bem, você ganhou. Vamos pagar todas essas porcarias.
–X-
Poseidon estampava um sorriso de orelha à orelha enquanto colocava todas as compras no banco de trás do carro. Ele iria a praia, dirigiria o Porsche de Atena, tinha um estoque recém comprado de doces. Em suma, era praticamente impossível não ter um dia incrível, mesmo com a companhia de Atena.
Se bem que nos últimos tempos, ele não estava realmente se incomodando em passar tanto tempo com a deusa.
Atena se postou ao lado dele, pegou alguma coisa de dentro do short jeans e estendeu para Poseidon. Ele sorriu brevemente até ver que ela estava lhe entregando um chiclete.
—Um chiclete?
—Yeap. Pra você não falar que eu não sou legal. – Ela respondeu andando até o outro lado do carro e se sentando no lugar do motorista.
—Heys! Você disse que ia me deixar dirigir. – Ele protestou.
Ela girou as chaves no dedo, sorrindo como uma criança esperta.
—É. Eu só não disse quando.
O deus dos mares bufou e entrou no carro. Tudo bem, ele estava errado, Atena sempre arranjaria um jeito de acabar com sua alegria.
–X-
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