Fechado Para Reforma!
27 Almoço Saudável.
Notas iniciais
CAPÍTULO 27: Inglaterra – Almoço Saudável.
Quinto Dia– Parte 3.
Poseidon se escorou no balcão da cozinha observando Atena guardar e organizar todos os ingredientes que eles tinham comprado minutos mais cedo. É claro que ela poderia poupar muito tempo se apenas estalasse os dedos e fizesse com que tudo aparecesse no devido lugar, mas aparentemente a deusa gostava de arrumar tudo manualmente. Era relaxante. Quer dizer, não para ele.
O deus dos mares se sentou na bancada, que ficava exatamente no meio da cozinha – separando a mesa de jantar da onde se cozinhava efetivamente – e soube que a loira surtaria quando o visse malucando sua cozinha branca e resplandecente. Ele futricava em alguns frasquinhos que estavam dispostos a seu lado, divagando sobre a história de Marie e sobre aquela Atena tão paciente que ele ouvira falar, tentando ao máximo esvaziar a cabeça.
Poseidon estava ansioso para ir à praia, relaxar, entrar no mar e escutar o som acolhedor das ondas quebrando na areia.
—Pronto. – Atena se virou para ele com um sorriso que se desmanchou ao vê-lo sentado sobre o balcão. Ele se preparou para ouvi-la berrar e mandá-lo descer dali, completamente irritada. Mas a deusa o surpreendeu quando disse: – Está tudo bem?
—Hã? Ah, claro.
—Você está quieto demais.
—Não estou bolando nenhum plano maligno dessa vez, não se preocupe.
Atena riu.
—Idiota. Não, é sério. O que houve?
—Eu estava só pensando.
—Deuses! Eu não sabia que você era capaz de fazer isso.
Poseidon rolou os olhos com a ironia da loira, mas sorriu estranhamente ciente do fato dela estar brincando.
—Háhá. Muito engraçada. E então, esse almoço sai ainda hoje ou o quê? – Ele perguntou, pulando de volta para o chão.
—Oh, Poseidon. Eu sei que você está louco para provar a minha comida, mas se controle e venha me ajudar.
—Vai sonhando. Eu só quero que essa tortura acabe logo para podermos ir á praia. O que tenho que fazer?
A deusa passou os olhos brevemente pela cozinha e apontou para o armário atrás do deus.
—Pegue três panelas médias e duas formas para mim, por enquanto. Eu vou pegar os ingredientes na geladeira. – A deusa colocou delicadamente algumas verduras ao lado da pia e abriu os armários em busca das outras coisas (que Poseidon nem ao menos reconhecia) – A praia com você que será uma tortura.
Ele separou o que ela havia pedido e colocou perto dos ingredientes.
—Qual o problema com a praia?
—Nenhum. O problema é você.
—Você já me disse isso quatrocentas vezes desde que estamos juntos.
Atena ficou estática por dois segundos até entender o que ele queria dizer com “estamos juntos”. A convivência forçada, é claro. Ele estava se referindo a ficaram presos por obra de Afrodite. Só isso.
—É porque é verdade. – Ela rolou os olhos.
—Você quase não vai à praia. – Ele falou, disperso.
—Como você sabe disso?
—Bem... er, eu sou o Deus dos Mares, sei quem frequenta meus domínios. E de todo modo você só fica naquela biblioteca no Olimpo. Achei que não gostasse da praia.
—A praia, tecnicamente, não faz parte dos seus domínios, só o mar. Mas eu gosto de lá. É relaxante e bonito. Mas eu não tenho tempo de ir passear.
Ele sorriu involuntariamente ao ouvi-la admitir que gostava de alguma coisa que tivesse a mínima relação com ele.
—Não tem tempo? E o que diabos você faz para ser tão ocupada?
—Eu sou a deusa da sabedoria.
—E...?
—Bem, eu tenho que saber das coisas. Isso consome tempo. Eu leio muito, estudo, planejo. Ajudo a coordenar o Olimpo. E agora em plena revolução na...
—Você não precisa saber de tudo. Existe a Wikipédia.
—Poseidon – Ela suspirou. – sou eu que escrevo a maioria dos arquivos de lá.
Ele rolou os olhos.
—O que eu faço agora?
Atena terminou de enxaguar alguma coisa se lhe entregou, apontando para a pequena tábua de cortar.
—Corte isso enquanto eu preparo o arroz.
Poseidon a encarou por um instante.
—Você sabe cortar couve-flor, certo? – A deusa perguntou. – É só picar em ramos menores, entende?
—Eu sei. – Ele riu. – Mas você é louca.
—Por quê?
—Me dar o total controle das facas, tsc tsc. Quanta irresponsabilidade. Eu poderia ser um maníaco.
—Você é um maníaco. – Ela sorriu. – Mas é bobo demais pra tentar me pegar desprevenida.
—Eu não contaria com isso.
—Oh, Poseidon, fique calado e faça o que te pedi.
O deus lhe lançou um sorrisinho maroto antes de obedecê-la. A loira se concentrou em preparar o arroz e os dois trabalharam em silêncio durante um certo tempo.
—Tudo okay por aqui. O que eu faço com esse brócolis branco?
—É couve-flor, criatura.
—Que seja.
Atena olhou por cima do ombro para se certificar de que ele havia feito tudo certo.
—Coloque em uma das panelas com água e ponha no fogo.
—Só?
—Por enquanto.
O deus fez a tarefa – e quase se queimou ao tentar acender o fósforo até que Atena lhe mostrou o acendimento automático do fogão – e quando acabou foi para a pia lavar as poucas louças que a deusa havia sujado até então.
—Não sabia que você era tão prestativo a ponto de lavar a louça sem ninguém mandar. – Ela comentou, tampando uma das panelas.
—Eu sou um cara pra casar, Ateninha.
—Aham, claro. – A loira riu, sem saber ao certo porque estava corando. – Então estenda a mesa enquanto eu ponho a comida no forno.
O deus lhe lançou um olhar desconfiado.
—O que você vai por no forno?
—Surpresa. – Ela ergueu uma sobrancelha.
—Eu estou mesmo com medo. Você não vai colocar nenhum veneno, não é?
—Pelos deuses, Poseidon. Porque eu tentaria te envenenar se você é imune a veneno?
—Huh, sei lá.
—Ande logo. – Ela rolou os olhos e tacou um pano de prato em sua direção.
–X-
O deus estendeu um forro – adivinhem!—completamente branco na mesa de vidro e colocou os talheres e os pratos. Ele havia ficado em dúvida de como dispor os lugares, mas parecia muito antiquado que cada um se sentasse em uma ponta da mesa e por fim ele colocara os pratos lado-a-lado.
Ele sorriu ao terminar aquela parte do trabalho a observou a deusa pilotar o fogão, mesmo sem conseguir enxergar ao certo o que ela estava fazendo.
–X-
—Hey!
A deusa tinha acabado de fechar a porta do forno quando ele voltou para perto dela.
—Estamos quase acabando. – Ela informou, andando até a pia para lavar as mãos.
Poseidon a seguiu e se aproximou da deusa até que seus dedos encostassem no coque mal feito que ela fizera e puxou o nó, fazendo com que a cascata de cabelos loiros caísse por sobre os ombros dela.
A deusa da sabedoria se virou lentamente, rolando os olhos e pôs as mãos na cintura, esperando uma explicação. Ele pegou um dos cachos soltos e enrolou no dedo, inocentemente.
—O que?
—Porque você desfez meu coque, criança?
—Seu cabelo é mais bonito solto. – Ele respondeu sinceramente.
Atena arregalou os olhos azuis e corou.
—Obrigada. Mas eu não posso cozinhar com ele assim.
—Eu assumo a cozinha então. – Ele deu de ombros, esperando que ela recusasse.
Mas a deusa riu e o fitou.
—Tudo bem, desde que você não exploda nada.
—Heys, eu sei cozinhar!
—Eu espero.
—O que falta fazer?
—Só o molho branco.
—E como se faz isso?
A deusa prendeu os cabelos apesar das objeções do deus dos mares. Ela foi até a bancada e pegou os últimos ingredientes, medindo-os e colocando tudo na panela.
—É só por no fogo e mexer agora. – A deusa pegou uma colher de pau e começou a girar no sentido anti-horário. – Assim.
Ele pegou a colher da mão dela e um leve arrepio os perpassou quando seus dedos se tocaram. O deus ignorou aquilo. Era simplesmente imbecil sentir alguma coisa com um contato tão comum.
Atena observou-o mexer a panela e então ergueu o olhar até as orbes incrivelmente verdes dele.
—Você é canhoto? – Ela inquiriu, prestando atenção na mão com que ele segurava a colher.
—Sim. Por quê? É algo muito sexy pra você resistir? Um charme a mais? Sabe, eu já ouvi coisas do tipo...
A deusa não riu. Ela estava completamente pasma e receosa.
—Só... curiosidade. – Não pode ser, oh deuses, ela pensou.
Poseidon ia falar que não acreditava nela quando ouviu um barulho na sala. O telefone.
—Eu atendo. – Ela disse, antes que o deus pudesses sequer abrir a boca e saiu da cozinha a passos largos.
–X-
—Oh, sim, tudo bem então. Não se preocupe, vai ser ótimo ajudar. Provavelmente estarei disponível daqui há três semanas entro em contato. Obrigada. Tchau.
A deusa colocou o telefone no gancho e andou calmamente até a porta da cozinha, mas no instante em que ela pôs o pé dentro do cômodo Atena quase surtou.
—POSEIDON!
—Cuidado! – Ele gritou do outro lado, se escondendo atrás do balcão.
—O que você fez?
Ele girou os olhos e puxou Atena para baixo também.
—Eu não sei! – O deus respondeu e ela prestou atenção no estado em que ele se encontrava.
Poseidon tinha uma luva térmica toda suja em uma das mãos, para combinar com o avental manchado, e com a outra mão ele empunhava a colher de pau, como uma espada. Atena suspeitou que a bandeja de café que ele carregava era seu escudo improvisado.
—Mas que diabos...?
—Você me deixou sozinho aqui na cozinha pra morrer?
—Você disse que sabia cozinhar!
—E eu sei, mas enquanto fui até o micro-ondas pra...
—Você o quê?
—Fui até o micro-ondas.
—Oh, meus deuses. – Ela enterrou o rosto nas mãos. – Eu disse pra você não parar de mexer a panela!
—Mas eu não sabia que aquela coisa ia espirrar pra todo lado.
—Di Imortalles, você é um desastre Poseidon, um desastre.
Ele riu e balançou a cabeça negativamente.
—Eu não sou tão ruim assim, só não sei fazer essa porcaria de molho.
—E o que você sabe fazer direito? – Ela perguntou, se controlando para não tentar matá-lo ou rir da situação.
—Bem... você sabe. –Ele sorriu e piscou um olho, fazendo com que a deusa ficasse completamente corada. – Se quiser eu posso te mostrar o que faço de melhor, agora que estamos noivos.
—O que eu fiz para merecer isso? Esqueça essa história de noivado de uma vez por todas.
—Mas você aceitou meu pedido. – Ele fez um beicinho muito fofo e a deusa quase bateu com a colher na cabeça dele. Aquilo era um golpe muito baixo.
Atena rolou os olhos e ia responder algo à altura quando eles ouviram um barulho bem estranho vindo do fogão.
—Oh, o forno! – Ela exclamou, se levantando. – Eu havia quase me esquecido e...
Ploct!
O deus se levantou para ver o que era dessa vez.
—Outch. – Foi a única coisa que ele conseguiu falar ao olhar para o estrago e para a loira.
—Eu. Não. Acredito! Você não tampou a panela?
Ele se encolheu com o olhar mortífero que ela lhe lançou.
—Você não tinha que desligar o forno?
A deusa não se moveu um centímetro.
—Hey, Atena?
—Minha cozinha. – Ela gemeu.
Poseidon olhou outra vez para a panela de ebulição e para a loira. Aparentemente, ela estava em estado de choque. O deus suspirou e se preparou psicologicamente para o que ia fazer. E no segundo seguinte ele deixou Atena quieta e saiu correndo para desligar o fogão e o forno, antes que algo explodisse.
Como a panela estava destampada e ele havia feito a idiotice de parar de mexer o molho, milhões de respingos espirravam para todo lado. E aquela porcaria queimava, ele constatou, girando os botões para desligar o fogo.
O deus não conteve um sorriso quando conseguiu tampar a panela e, por precaução, desligou o forno. Ele estava prestes a abri-lo e tirar o que quer que estivesse lá dentro quando ouviu a voz de Atena.
—Não! Não abra isso! – Ela mandou e ele tratou de obedecer.
—Okay. – Ele voltou a sorrir, visivelmente sem graça. – Não está tão ruim assim.
—Eu vou refazer o molho. – A deusa suspirou e foi até onde ele estava, analisando a bagunça.
As paredes, o chão e o fogão estavam completamente sujos de molho branco, que havia espirrado pra todo lado. Algumas louças, antes limpas, estavam empapadas com aquilo também. Farinha cobria toda aquela bagunça, tornando tudo ainda mais nojento. A deusa suspirou. Não era o fim do mundo, propriamente dito.
—Argh. Essa gosma branca nojenta que você fez grudou até no teto.
Poseidon pensou em outra “gosma branca” mas achou melhor ficar de boca fechada.
—Você não pode brigar comigo. – Ele tentou argumentar. – Eu sou o herói! Salvei sua casa de uma possível explosão.
—Você... você... quase pôs fogo em todo o quarteirão!
—Que exagero, Atena. – Ele rolou os olhos.
Atena não discutiu mais. Ela ficou em silêncio por alguns minutos, apenas pensando. E Poseidon ficou substancialmente surpreso ao ver que ela não estava tão brava assim. Bem, ao menos ela não tinha o atacado ainda. A deusa mordeu o lábio inferior antes de falar:
—Pode ir assistir TV, super-herói. – A loira ironizou. – Eu vou consertar a bagunça que você fez e terminar o almoço.
—Você não precisa de ajuda?
—Não. Não mesmo.
—Hey. – O deus sorriu. – Eu sei limpar as paredes.
—Você disse isso da última vez. – Atena cruzou os braços.
—Oh, deuses, você vai se lembrar disso por toda a eternidade?
A deusa riu.
—Muito provavelmente
—Droga. Espere. – O deus sorriu e estalou os dedos, fazendo com que toda a sujeira espalhada pela cozinha sumisse. – Pronto!
—Você sabe que eu sou contra usar magia para fazer coisas que podem ser feitas manualmente. – Ela resmungou, o expulsando para a sala.
—E você sabe que eu adoro te contrariar.
–X-
—Poseidon! – A deusa chamou após colocar as travessas de comida sobre a mesa e ir até a sala. – Hey, Poseidon? Cadê você?
—Aqui em cima. – Ele respondeu do segundo andar. – Já estou indo.
A loira franziu as sobrancelhas e subiu as escadas como se pisasse em ovos. A porta de seu quarto estava entreaberta e por um momento ela ficou com medo de abri-la. Atena rolou os olhos e entrou no quarto.
Ele estava organizando alguma coisa no guarda-roupa e parou subitamente quando ouviu a voz dela.
—O que você está fazendo aí?
—Nada. – Ele respondeu fechando o armário rapidamente. Rápido demais. – Na verdade, só arrumando minhas coisas pra praia.
Ela fitou a cama toda bagunçada com alguns pertences tais como protetor solar, óculos de sol, um chapéu e... hm, uma sunga preta que certamente eram dele. Ao menos ele não estava mentindo, mas a atitude do deus dos mares ainda era tremendamente suspeita.
—Hm. Okay.
Ele relaxou visivelmente, ainda com os braços cruzados atrás do corpo. Atena arqueou uma sobrancelha.
—Eu já vou almoçar, só vou por isso tudo na mochila.
—O que você está escondendo? – Ela perguntou, de uma vez por todas.
—Hã?
—Não se faça de idiota.
—Eu não estou me fazendo de idiota!
—Compreensível. – A deusa riu e ele passou a mão pelos cabelos, sorrindo. E viu o que ele estava segurando com a outra mão.
—Onde você conseguiu isso?
Poseidon a encarou com aquele sorrisinho sacana.
—Afrodite colocou na minha mala.
—Afrodite? – Definitivamente, eu vou matá-la, a deusa pensou.
—Yeap. Acho que ela queria que comemorássemos alguma coisa com isso aqui. – Ele apontou para a garrafa.
—Tentativa frustrada. – A deusa sorriu tentando parecer confiante. – Eu não bebo álcool.
—Você bebe sim. Vinho, socialmente. E Martini, que por sinal é o que temos aqui.
—Como você sabe?
Atena estava seriamente espantada. Ninguém, nem mesmo Afrodite, sabia daquilo. Quer dizer, era comum que ela bebesse vinho no Olimpo e em ocasiões especiais. Mas ninguém deveria saber sobre o Martini, ou sobre os efeitos que aquela bebida em especial tinha sobre ela.
—Nunca ouviu aquele ditado que diz pra saber mais sobre seu inimigo que sobre seus amigos?
A deusa engoliu em seco.
—É claro que ouvi, Poseidon.
Ele sorriu e jogou tudo o que estava na cama na mochila, sem o menor critério de organização. Atena se controlou para não ir lá e arrumar tudo. Ele sorriu ao vê-la o analisando.
—Acho que podemos deixar a bebida para a praia, ou pro jantar, se você quiser.
Atena não respondeu e se virou para descer as escadas, Poseidon a seguiu sem dizer mais nenhuma palavra e eles passaram direto da sala para a cozinha. O deus analisou a comida que estava em cima da mesa e percebeu que não parecia tão ruim assim.
Antes que pudesse se refrear ele puxou uma cadeira para que ela se sentasse. Atena sorriu, parcialmente surpresa, parcialmente agradecida com o gesto dele. Poseidon se sentou ao lado dela e encarou as travessas.
A comida não parecia tão suspeita assim, mas ele ainda teve certo receio ao perguntar:
—E aí, o que temos nesse almoço-saudável-preparado-especialmente-para-o-deus-mais-lindo-do-Olimpo?
—Hmmm. Eu não fiz esse almoço pro Apolo.
Ele girou os olhos.
—Eu sou o deus mais lindo do Olimpo.
—Huh. – Ela deu de ombros. – Achei que Apolo fosse o deus da beleza, não você.
—Isso não quer dizer nada. Eu ainda sou o mais lindo.
—Oh, claro. Isso não quer dizer nada mesmo. Afrodite é a deusa da beleza, mas nem por isso é mais bonita do que eu. E eu sou a pessoa mais egocêntrica do mundo.
Poseidon bufou.
—Okay, talvez Apolo esteja quase no meu nível. E então, o que vamos comer?
Atena resolveu ignorar a teimosia de Poseidon e sorriu.
—Arroz, couve-flor ao molho branco, rocambole de carne e queijo, batatinhas assadas e suco de uva.
—Vinho tinto seria mil vezes melhor, mas acho que está bom.
—Você poderia largar de ser implicante e me entregar o prato para que eu ponha a comida, Poseidon.
—Oh, não. Eu vou servir.
Ele pegou ambos os pratos e colocou um pouco de cada coisa, enquanto Atena despejava suco nos copos. O deus analisou a comida por um milésimo de segundo e passou o prato da deusa para ela.
—A primeira garfada é sua.
—Pela milésima vez: eu não coloquei veneno!
—Eu nem insinuei isso. – Ele riu, observando-a colocar a comida na boca. – Okay. Se eu tiver alguma intoxicação alimentar, a culpa é toda sua.
A deusa cruzou os braços.
—Idiota.
—Eu ainda estou me preparando mentalmente!
—Quanta frescura, deuses!
—Hmmmm. Eu não faço a menor ideia do que seja essa coisa branca, mas não parece tão ruim.
—É a couve-flor, Poseidon. E não é ruim.
Nenhum dos dois falou mais nada até que Poseidon levou o próprio garfo a boca. Ele mastigou lentamente, pensando que se arrependeria logo em seguida. Mas, assustadoramente, a comida era muito, muito boa.
—Você tem certeza que foi você quem cozinhou isso aqui, Atena?
—Yeap. – A loira sorriu. – Eu sei que sou praticamente uma chef, poupe os elogios.
—E como foi que você preparou a carne, que eu não vi?
—Hm. Bem, eu comprei o rocambole na seção de frios.
—Há. Eu sabia que você não poderia cozinhar tão bem assim.
—Huh, não fui eu que quase explodi a casa.
Poseidon não falou nada depois daquilo e resolveu terminar de comer, antes que Atena ficasse realmente frustrada com aquele incidente. A deusa se levantou depois de terminar a comida e foi até a cozinha buscar o pote de sorvete de cereja para sobremesa.
Ele pegou uma das tacinhas e a decorou elegantemente com chocolate – mais chocolate que sorvete, diga-se de passagem – enquanto Atena saboreava sua sobremesa esticada de um jeito preguiçoso na cadeira.
—E então, já decidiu em qual praia nós vamos? – Ela perguntou, depois de um tempo.
—Aham. Bornemouth. Fica a umas duas horas daqui e é a gente pode ir de trem, se você quiser. O que seria uma perda total de tempo, mas mesmo assim.
—Oh, você é ótimo para convencer as pessoas, Poseidon. Mas não, vamos de carro mesmo. Que tal você lavar as louças enquanto eu subo e arrumo as minhas coisa?
—Por que eu? – Ele gemeu.
—Porque sim. Acho que você não pode fazer um grande estrago com a água caso não esteja bêbado. Marie não aguentaria ter que arrumar tanta bagunça que você faz.
Ele rolou os olhos e levou tudo para a pia sem reclamar. Ao menos, eles ainda iriam para a praia. E não corria o risco dele colocar fogo na casa outra vez. Talvez uma inundação, mas não fogo.
–X-
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