Fechado Para Reforma!
3 Treinando Campistas
Notas iniciais
CAPÍTULO 03: Acampamento Meio-Sangue – Treinando Campistas
Primeiro Dia – Parte 2.
Atena, Poseidon e Rachel seguiram para o pavilhão refeitório. Ainda tinham que dar alguns comunicados aos campistas, como o porque de dois olimpianos serem Diretores Substitutos. Que na opinião de Atena, era um motivo totalmente irracional, mas nada surpreendente, vindo de Afrodite.
Eu realmente não acredito que poderia estar supervisionando o Olimpo e estou aqui, presa com essa criatura desprezível, cuidando de crianças. Três dias! Santo Zeus, isso vai demorar mais que milênios! É muita sorte para uma pessoa só. —Pensou a deusa, com sarcasmo evidente – Impressionante. Afrodite devia estar muito entediada, para ter idéias estranhas como essa. Acho melhor arrumar outro casal para que ela possa atormentar. Não que eu e ele formemos um casal! NÃO MESMO, é que... Argh!
O silencio entre os três era evidente e desconfortável. Mas nenhum deles se atreveu a dizer uma palavra durante todo o caminho. Rachel não se importou, ela estava planejando uma nova ação beneficente e nem dava atenção à falta de conversa.
Poseidon, por outro lado, pensava como ele conseguia ser o ser mais azarado de todo Olimpo.
Entre tantos deuses tinha que ser eu a vir para o acampamento! Eu! Um dos Três Grandes! É inacreditável. E ainda com Atena. Não que a visão não valha a pena, porque, bem, ela é até... hm... Aceitável. Oh, droga Poseidon. Ela é sua inimiga irritante. Esqueça isso. Inferno de pensamentos machistas. – Ele bufou. – Ares precisa controlar Afrodite, com certeza ele não a ocupa o suficiente. – Poseidon abafou uma risada, mas ele logo perdeu o riso ao ver a quantidade de semideuses tomando o café da manhã. – Oh, droga! Cada dia esse lugar está mais cheio. Eu não vou aguentar essas pestes por três dias.
Ao menos em algo ele e Atena concordavam.
–X-
O café da manhã estava quase terminando, de modo que Rachel se sentou depressa para comer, enquanto Atena explicava a situação. Os avisos foram rápidos e os horários dos treinos continuaram os mesmos.
Sendo assim, Atena ensinaria arco e flecha durante metade da manhã e no restante do tempo antes do almoço ela coordenaria o anfiteatro. Poseidon supervisionaria o arsenal e das forjas e depois ajudaria no lago de canoagem e Rachel, por fim, ficaria responsável por cuidar das aulas de equitação e das paredes de escalada.
O almoço seria logo em seguida, e eles todos tinham duas horas de descanso antes das próximas atividades. Que para ambos os deuses seria a Aula de Esgrima. Durante toda à tarde.
Como um consolo pouco válido não tinha nenhuma atividade a noite. Sem contar o jantar e a cantoria em volta da fogueira, mas Poseidon concluiu, entrementes, que Atena cuidaria disso, já que era a deusa das Artes e tudo o mais. Ele sorriu, estaria livre de toda a chatice. E dos campistas também.
Atena viu que os semideuses já se levantavam irem treinar e resolveu ir lecionar arco e flecha. Poseidon enrolou o máximo que podia, antes de ir para o arsenal.
O dia seria bem longo.
–X-
Não que treinar os campistas fosse uma coisa muito chata a se fazer, mas Atena tinha que admitir que aquilo era cansativo. Ela não tinha uma mira tão boa quanto à de Artémis ou Apolo e, quando foi acertar um alvo a míseros dez metros errou feio.
A deusa rolou os olhos e bufou, irritada.
Nenhum campista ousou fazer um comentário e ela agradeceu mentalmente pelo ogro do Poseidon não estar ali, ou ela não teria paz nos próximos milênios. Pegou outra flecha na aljava e a posicionou.
É só falta de treino. Eu não sou tão ruim assim. Mesmo que prefira os combates corpo-a-corpo, eu sei atirar flechas.
E realmente podia ser falta de treino. Em três mil anos Atena nunca havia lutado como arqueira. Ela estreitou os olhos e mirou no alvo mais distante, a uns duzentos metros, e se concentrou. Se ela calculasse a força exata que deveria usar e com o vento impulsionando naquela direção... A flecha disparou.
Andou incríveis dois metros e caiu perto de alguns campistas logo a frente.
A deusa piscou incrédula, aquilo não podia estar acontecendo! Ela sabia toda a teoria e também tinha aplicado à força necessária para que a flecha andasse, ao menos, trezentos metros!
Atena virou-se para os semideuses que também a encaravam perplexa. Respirou fundo duas vezes, tentando esconder a notável frustração e abriu um sorriso contrariado.
—Bem, parece que não pegaram a melhor professora do mundo. – Comentou. – De qualquer maneira, vocês devem acertar os arcos da frente e ir passando para os mais distantes gradativamente. Eu... hm, posso ajudar na teoria.
Os alunos concordaram, se posicionaram e começaram a disparar. Os do chalé de Afrodite resmungavam coisas como “isso estraga a unha” ou qualquer baboseira do tipo, os de Hermes eram realmente bons e acertavam a maioria. Mas, de longe, os melhores eram do chalé de Apolo. Pelo que Atena podia perceber nenhum havia errado uma flecha, nas mais de cinquenta lançadas.
A deusa percebeu também que do seu chalé só tinha um campista.
Era uma garotinha pequenina, com seus seis anos, de cabelos tão loiros quanto os da mãe e olhos castanho-chocolate.
Jenny, sua filha mais nova.
Ela não deveria ter esse tipo de preferência, mas não podia negar que, juntamente com Annabeth, era sua filha favorita. A garota era simplesmente genial e adorável.
Atena abriu um sorriso ao vê-la comparada com os outros, era, de fato, muito menor. O arco parecia enorme para uma menininha como ela, que o segurava com certa dificuldade. Jenny fechou os olhos ao atirar. E a deusa não acreditou quando viu que a flecha acertou muito próximo do centro.
—Oh, errei essa. – a garotinha rolou os olhos, inconformada. Gesto muito típico da mãe.
—Na verdade querida, acho que foi muito bom.
—Mamãe! – Jenny sorriu, um pouco constrangida.
—Oi Jenny. É sério. Foi um tiro ótimo para principiantes.
—É... Só que eu já tenho treinado há um tempo. Sabe, só porque não tem mais o que ler no chalé, nem na Casa Grande. Eu estava com tempo.
—Hm. Quer dizer que você já leu tudo que tinha por lá?
Jenny tentou reprimir um sorriso antes de continuar.
—É... E sem a Annabeth aqui pra me ajudar com os desenhos técnicos e construções.
Atena afagou os cabelos da filha, rindo. Ela era uma fofura.
—Ah, querida, arco e flecha é bem legal. Mesmo que eu não consiga acertar nada a mais de um milímetro.
—É porque a senhora está fazendo errado e...
Atena arqueou as sobrancelhas e Jenny percebeu que poderia ter falado algo errado. A pequena tampou a boca com as mãos, como se pudesse engolir o que havia dito. E a deusa não conseguiu manter-se séria.
—E como é que você faz, Jen? É sempre bom aprender com quem é melhor que a gente.
Jenny inflou o peito, se sentindo muito importante. Aquele era um elogio imenso vindo da própria mãe.
—Primeiro mamãe, você prepara seu arco e flecha.
—Tudo bem. – disse Atena, fazendo o que a filha dizia e pensando em como seria humilhante errar outra vez. Mas não importava, ela gostava de dar crédito a pequena Jen.
—E agora você solta.
—Hã... – A deusa franziu a testa. – Aonde eu faço a mira?
—Escolha um alvo. E solte.
—Mas e... o ângulo do alvo não vai me atrapalhar? Se ele estiver mais inclinado pra esquerda, não é melhor que eu aplique mais força de impulsão?
Jenny negou com a cabeça. E repetiu:
—Só solte a flecha, mamãe.
Atena fez o que ela disse. A flecha passou zunindo, a uma velocidade maior que a esperada, pelos outros campistas que treinavam, e acertou o centro do alvo mais distante.
Jenny abriu um sorriso travesso.
—Não falei?
—Mas, eu... Nem calculei a velocidade nem nada, só...
—Só disparou. É, foi difícil me acostumar com a idéia no começo, mas fica mais fácil assim.
Atena parecia perplexa demais para discutir. Não acreditando que ela acertara o alvo sem o mínimo planejamento.
Era algo absurdamente irônico que ela, na função de deusa estrategista e da sabedoria, não precisasse planejar ou calcular. A deusa sorriu relutante, enquanto competia com a filha quem atirava mais longe e com maior precisão.
Mesmo sendo a deusa da guerra e tendo certa vantagem em batalhas, a derrota para a pequena Jenny foi inevitável.
Talvez a prática influenciasse um pouquinho também.
–X-
Poseidon estava a caminho do lago de canoagem. Ele já tinha passado mais de uma hora no arsenal e depois fora dar umas olhadas nas forjas. Ele não entendia como Hefesto conseguia ficar tanto tempo enfurnado em um lugar como aquele.
Ele não podia deixar de admitir que era mesmo muito bacana ver a fabricação das armas e os testes. As modelagens também eram divertidas e era incrível a habilidade que alguns campistas tinham para transformar bronze celestial em coisas afiadas e mortíferas.
Mas aquele lugar era um forno, literalmente!
Pelo amor dos deuses, Poseidon iria desidratar se ficasse mais um segundo por lá, o que era bastante irônico, considerando que ele era o deus dos mares.
Então ele resolveu que estava na hora de enfrentar a multidão de campistas no lago. E algumas náiades também, mas ele não estava exatamente reclamando dessa parte.
Poseidon mal chegou perto do lago e pôde ver que os barcos já estavam preparados e absurdamente cheios. Ele bufou. Alguns campistas se amontoavam no deque e ele gentilmente pediu para que fossem para suas canoas.
Em menos de meia hora todos já estavam treinando e o deus se encontrava sentado próximo a margem, na companhia de um milhão de náiades e ninfas. Todas elas sorriam só de olhar para ele. E isso não ajudou muito para que o ego dele diminuísse.
Poseidon passou a mão pelo cabelo, displicente, e reparou que mais da metade delas suspiraram. Ele se conteve para não rir.
Uma hora depois as coisas não tinham mudado muito. O deus percebeu que aquilo não tinha lá tanta graça. É claro que ele adorava ser o centro das atenções, mas as tudo deu errado quando dois chalés começaram a brigar em plena competição.
Poseidon se levantou, tentando entender exatamente o que estava acontecendo. Foi um tanto difícil conseguir enxergar a margem oposta, mas ele viu nitidamente a bandeira de Ares e Atena no meio do tumulto.
É claro que os filhos daquela sabe-tudo vão se achar com a razão. E os filhos de Ares, pff, não perdem uma oportunidade de arranjar encrenca. – O deus caminhou até a margem oposta, resmungando mentalmente.
Um filho de Atena apontava para o nariz do filho de Ares, que estava pronto para pular no pescoço do outro. Aparentemente, era um empate. Poseidon rolou os olhos, antes de dizer:
—Sem brigas. Acho que podemos considerar como um empate. É só um treino idiota mesmo e...
—Mas o meu chalé chegou primeiro! – protestou o filho de Atena.
—Hahaha, como se algum panaca como você fosse ganhar de mim. Se toca, mané. – retrucou o filho de Ares.
—Mané?
—É, otário. Algum problema?
—Cale a boca.
—Tá com medo de brigar comigo, é, filhinho de Atena retardado?
—Eu não vou discutir com uma pessoa tão burra quanto você. Eu ganhei.
—Eu já disse que é um empate. – Poseidon interviu.
—Vai mais, trouxa! Você não ganhou coisa nenhuma seu loiro esquisito. – O campista de Ares riu.
—Loiro esquisito? Olha, Andrew, você já teve apelidos melhores. E você não ganhou també...
—Ei, ei! – Poseidon tentou puxar o campista de Ares, enquanto ele tentava enforcar o filho de Atena. – Ninguém ganhou. Eu já mandei pararem de brigar!
—Cala a boca! – Os dois semideuses gritaram juntos.
—Como é que é? – O deus estreitou os olhos.
Mas eles nem lhe deram atenção. E antes que Poseidon enforcasse um deles ele mesmo, para que acabassem logo com aquilo, ele ouviu uma concha de caramujo soar.
O almoço, graças aos deuses.
Nem acreditando que ele finalmente teria paz, Poseidon mandou que os campistas fossem para o pavilhão refeitório. E se tele transportou para lá.
Não sem antes dar uma piscadela para a ninfa mais próxima.
–X-
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