Fechado Para Reforma!
4 Almoço Perturbado
Notas iniciais
CAPÍTULO 04: Acampamento Meio-Sangue – Almoço perturbado.
Primeiro dia – Parte 3.
Atena foi se sentar à mesa principal, depois de puxar Poseidon da mesa número 3 pra lá também.
—Não seja estúpido, Poseidon. – Exclamou a deusa. – Ah, me desculpe. Isso seria impossível.
—Qual é o problema de eu me sentar na minha mesa? – ele revirou os olhos para o céu.
—Você está aqui como um diretor substituto, logo se senta à mesa principal.
—Mas aquela é a mesa do meu chalé. – insistiu ele.
—E?
—E eu vou me sentar onde quiser.
—Não vai não.
—Veja.
—Poseidon! Fique onde está.
—Não mesmo.
—Você não veio aqui para fazer uma visitinha ao seu chalé.
—Nem tem campista algum lá! Percy está em missão e...
—Então qual o problema de se sentar aqui? – interrompeu Atena.
—Além de toda essa sua chatice, hm... vejamos. Ah, é. É só sua chatice mesmo.
—Idiota.
—Foi um ótimo argumento. – rebateu Poseidon.
—Ah, sim. – Ela rolou os olhos. – O melhor argumento que já ouvi. Tirando, é claro, aquele em que você disse que deveria ficar com o céu, os mares e o mundo inferior, porque era “o deus mais bonito de todos”.
Poseidon quase corou.
—Ainda acho isso. Ei! Você nem estava lá no dia, como sabe disso?
—Ártemis me contou. E com isso me mostrou o quão presunçoso você é. – Atena deu de ombros.
—E você acredita em tudo que ela diz?
—E porque eu não acreditaria?
—Oras, Ártemis não é normal. Não suporta nem a companhia de Apolo, que é o gêmeo dela! Sempre vai fazer as coisas parecerem piores para os homens. E pra mim. – Explicou Poseidon.
—Hm. Será que essa idéia que ela tem de você, tem alguma coisa a ver com o fato de você ser o deus mais galinha de todos os tempos? – Ironizou ela.
Poseidon rolou os olhos, infeliz que a conversa tivesse tomado aquele rumo e suspirou.
—Humpft.
—Há. – Atena disse, simplesmente.
Os pratos apareceram magicamente sobre a mesa e a maioria dos campistas começou a se sentar. Algumas ninfas e seres da natureza foram observar as labaredas do braseiro de oferendas.
Atena estava imaginado o que Annabeth poderia estar fazendo no Olimpo aquela hora quando Poseidon a chamou:
—Atena?
—Quê foi?
—Não é assim que se responde um dos Três Grandes! – Ele fingiu-se ofendido. – Tente algo como “O que quer, mestre Poseidon, o mais lindo de todos?”
—Quê foi, Poseidon?– Ela rangeu os dentes.
—Bem, hm... Você, hã, concorda com isso?
—Sim. – Respondeu Atena, sem pestanejar.
Poseidon abriu um de seus sorrisos sacanas e arqueou uma sobrancelha.
—Então você me acha mesmo bonito?
—Como é que é? – Ela arregalou os olhos.
—Você acabou de admitir que me acha bonito.
—Poseidon, sua mente distorce a realidade ou o quê? Eu nunca nem pensei nisso!
—Eu perguntei se você concordava comigo que eu era o deus mais bonito e merecia ficar com os três domínios e você disse que sim.
Atena abriu a boca para protestar, mas Poseidon começou a rir freneticamente, o que só ajudou para que a raiva dela triplicasse.
—Não, seu idiota! Não mesmo! Não! – Ela respirou, tentando se acalmar. – Você me perguntou se eu concordava com Ártemis, que você era um presunçoso-machista-estúpido e eu disse que sim.
—Aham. Sei. – Poseidon piscou um olho para provocá-la. – Mas não se preocupe Atena, eu já sabia que você me achava irresistível.
—Nunca.
—Primeiro insiste para que eu me sente com você, depois diz que eu sou incrivelmente lindo e agora nega. Quer mais provas?
—Que tipo de provas são essas? Você tem graves problemas, é sério.
—São as provas de que você me acha fisicamente atraente, oras.
—Eu não insisti para que você se sentasse comigo! – Atena protestou. – Você se sentou aqui porque é o diretor substituto.
—E porque você queria minha maravilhosa companhia.
Atena rolou os olhos. Poseidon riu dela.
—Argh. Não diga besteiras como essa. Sua companhia não tem nada de maravilhosa.
—Tudo que tenha eu é maravilhoso, Atena.
—Nojento.
—Perfeito.
—Um dia esse seu ego te mata por asfixia. – Ela comentou, irritada.
—Olha que gracinha! – Poseidon debochou. – Se preocupa comigo. Mas eu não posso morrer, Atena.
—Infelizmente.
Atena olhou para o outro lado, tentando não discutir coisas imbecis e improváveis com Poseidon, mas ele não iria desistir de envergonhá-la tão facilmente.
—Só porque você me acha sexy não precisa ficar tentando me seduzir.
—Tentando. Te. Seduzir?
Ele segurou uma risada.
—É, usando esses shorts curtos e mordendo o lábio enquanto finge estar pensando em algo importante.
—Eu não estava fazendo isso! – Ela gritou e o refeitório ficou momentaneamente em silêncio.
Mas é claro que Atena estava fazendo aquilo. Ela costumava morder o lábio inferior a cada dois segundos quando pensava em coisas importantes. Mas tentar seduzir Poseidon? Ha há. Poderia até soar engraçado, mas nunca verdadeiro.
—Não precisa gritar. Eu estava só brincando.
—Então não brinque com coisas tão idiotas! – disse Atena estreitando os olhos, que pareciam mais cinza que o normal. Como um céu de tempestade prestes a desabar.
Poseidon irritou-se ao ver os olhos dela faiscando.
—E qual o problema? – Ele gritou de volta.
—Eu não gosto dessas brincadeirinhas sem graça, seu retardado!
—Eu não ligo se você gosta ou não! Você é sem graça.
—Não é por isso que você – Atena apontou um dedo para o peito dele. – tem o direito de fazer piadinhas pra me irritar.
—Olhe aqui sua insolente es—
Mas Atena não deixou que ele continuasse. Ela pegou seu prato de porcelana, pronto para atirá-lo na cabeça dele e se deteve quando viu que todos os semideuses nem piscavam ao ver os dois brigando.
Poseidon também percebeu que eles estavam irradiando uma aura de ira, como se fossem se transformar a qualquer momento e decidiu se acalmar. Ele rolou os olhos e as ninfas começaram a servir o almoço.
Os campistas voltaram a conversar e Atena pôs o prato novamente na mesa.
—Eu te odeio. – Murmurou ela, enquanto se servia de espaguete e molho quatro queijos.
Poseidon pegou um pedaço de pizza de calabresa antes de responder:
—Eu também.
Ela se limitou a rolar os olhos, pela milésima vez naquele dia, e fez com que seu copo se enchesse de suco de maracujá.
Rachel entrou no pavilhão e foi se sentar junto com os dois deuses na mesa principal, o cabelo dela estava sujo de tinta e ela provavelmente tinha acabado de sair do Anfiteatro.
—Oi, Atena. – disse Rachel, amontoando mais panquecas do que cabiam em seu prato. A deusa respondeu com um sorriso. – Ah, Poseidon, fiquei sabendo que você quase afogou os campistas no lago.
Ele soltou um muxoxo.
Eles ficavam brigando o tempo todo. E por uma idiotice de competição.
—Bem, e parece que não são só eles. – Rachel riu e arqueou as sobrancelhas.
Atena relanceou um olhar repreendedor e divertido para Rachel, a deusa realmente gostaria de entender como o Oráculo conseguia ser tão espontâneo, ou talvez ela só fosse desligada demais para se preocupar com o que falava. De qualquer maneira, era impossível não rir de Rachel. Ela era completamente o oposto do esperado para uma herdeira dos Empreendimentos Dare.
Atena enrolou o macarrão no talher, quando viu que todos se levantavam para jogarem suas oferendas no braseiro. A deusa abriu um pequeno sorriso de canto ao ver sua filha Jenny ir até lá com o prato cheio e murmurar um “À mamãe” bem tímido.
Poseidon percebeu que recebia mais preces que o normal e também que algumas filhas de Afrodite não pensavam em coisas muito puras ao jogarem o almoço no fogo. Ele sorriu divertido, antes de dar uma dentada na pizza. A deusa da sabedoria olhou para ele com notado desprezo.
—O que foi? – Perguntou ele, incomodado.
—Não vai fazer as oferendas?
—Não.
—Réia não te deu educação?
Ele deu de ombros.
—Deu, só que não faz sentido queimar parte da minha deliciosa e magnifica comida sendo que eu sou um deus.
—É. Mas não é o único.
—Mas sou egocêntrico o suficiente pra ficar com essa pizza só pra mim.
—Imaginei. – Atena retrucou.
Ela pegou um croissant de frango antes de se levantar e seguir Rachel até o fogaréu. As chamas ficaram azuladas quando ela jogou parte de sua comida no fogo, rezando a Zeus para que aquela semana torturante acabasse o mais rápido possível.
Mesmo ela sabendo que aquilo era impossível.
–X-
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