Fechado Para Reforma!
36 Quando tudo está bem...
Notas iniciais
CAPÍTULO 36: Inglaterra – Quando tudo está bem...
Sétimo dia– Parte 1.
Poseidon passou os dedos pelo cabelo molhado e se enrolou na toalha, abrindo vagarosamente a porta do banheiro sem fazer barulho, para não acordar Atena. Um sorrisinho brincou nos lábios do deus ao observá-la dormindo profundamente. Ele mal acreditava no que tinha acontecido. Era surreal.
O deus abriu a porta do guarda-roupa e pegou uma bermuda branca, até que pensou melhor. Ele não precisava se vestir. Poseidon tentou não rir enquanto andava até a beirada da cama e se deitava, completamente molhado e de toalha, ao lado da deusa.
Ele se ergueu sobre ela e deu um beijo na bochecha dela. A loira resmungou alguma coisa inteligível e se virou, ainda desacordada. O deus dos mares rolou os olhos verdes e se aproximou novamente, espalhando beijos por todo o rosto corado de Atena. Ele não desistia tão fácil assim.
A deusa abriu os olhos ao sentir algumas gotas de água escorrendo por sua bochecha. Ela levou alguns segundos para focalizar o rosto a sua frente.
—Poseidon?
—Bom dia!
Ela riu, ainda sem entender o que estava acontecendo.
—Que bom humor é esse?
—E você ainda pergunta? – O deus arqueou uma sobrancelha e observou Atena corar, se lembrando exatamente o que tinham feito na noite anterior.
—Oh. – Ela murmurou. – Que horas são?
—Oito e meia.
—Não acredito que dormi tanto!
—Tanto?
—Dormi quase dez horas, isso é bem mais do que estou acostumada.
—Dez horas de sono não é nada. Não pra um sono pós-sexo. As pessoas normalmente dormem doze horas ou mais porque estão extremamente cansadas, e considerando que eu causo um efeito de cansaço bem maior que a média masculina... Bem, você realmente não dormiu além da conta.
—Você é ridículo. – A deusa resmungou, com um sorriso bobo.
—Eu sei.
—Por que não me acordou?
—Por que você fica linda dormindo. Ainda mais quando está só com esse lençol.
O deus apontou para o lençol azul em que Atena estava enrolada, com certo tom de malícia que ela fingiu não reparar. Ele colocou a franja dela atrás da orelha e fitou os olhos azuis da deusa antes de beijá-la. A loira colocou dois dedos sobre os lábios dele, o impedindo de chegar mais perto.
—Não! Nada de me beijar agora.
—Mas...
—Não. Só depois que eu tomar banho e me arrumar. – Ela sorriu triunfante. – Hey, por falar nisso, por que você está deitado na minha cama TODO MOLHADO E DE TOALHA?
—Se você quiser, posso tirá-la. – Ele riu maliciosamente e ela rolou os olhos, contendo uma risada.
—Ora seu... depravado! Saia já de cima dessa cama, antes que fique tudo ensopado.
Poseidon não se moveu um milímetro.
—Não.
—Poseidon!
—A não ser...
—Nem comece! – A deusa avisou, incrédula e risonha. – Desça.
—...que você me beije.
—Chantagista.
A loira resmungou mais algumas palavras enquanto tentava empurrá-lo para fora da cama, mas todos os esforços dela foram inúteis. A deusa bufou e deu um selinho nele. Se afastando em seguida.
—Pronto.
—Você é injusta. – Ele reclamou, se levantando. A toalha perigosamente frouxa na cintura.
—E você é terrível.
—É um dom. – O deus deu de ombros e sorriu de canto.
—Hm... Acho que vou tomar banho. Que tal preparar o café? – Atena pediu, com a carinha do gato-de-botas. Poseidon suspirou, se rendendo. Ele a observou se levantar, enrolada nos lençóis . Um sorriso irrefreavelmente sacana surgiu nos lábios dele.
—Não precisa se cobrir, amor. Eu já vi tudo o que está aí embaixo. E acredite, é uma visão extremamente agradável.
—Poseidon! – A deusa resmungou, correndo para o banheiro, antes que ele a convencesse de voltar para a cama.
No fim das contas, ele ainda tinha a incrível capacidade de deixá-la corada sem o mínimo esforço.
–X-
Poseidon estava sentado na Sala de Leitura do primeiro andar, brincando com o pequeno Padfoot no carpete. O café da manhã estava arrumado sobre a mesa da cozinha e era composto, basicamente, por rosquinhas , pães e café forte.
O deus estava esperando por Atena para comer. E, de todo modo, havia um prato de cookies em cima da pilha de livros mais próxima. Ele pegou um cookie e o partiu com os dedos, deixando uma gota de chocolate na palma das mãos para que o filhote comesse, quando ouviu a porta ranger levemente.
Atena entrou trazendo duas canecas cheias de café. Ela estava simplesmente linda, com um short azul marinho e uma regata branca, o cabelo preso em um coque mal-feito.
—Podemos tomar café aqui, desde que você não derrame em nenhum livro. – Ela sorriu e se sentou na única poltrona, observando Poseidon e o cachorrinho no chão. – Hey, o que...? Não! Você não pode dar chocolate pra ele!
O deus rolou os olhos com a reprimenda dela, mas afastou o cookie de Padfoot.
—Pobre filhote. Que vida é essa na qual não se pode comer chocolate?
—Tudo se resume a comida pra você?
—Basicamente. – Ele sorriu, dando de ombros e pegando sua caneca. – Mas também existem outras coisas que me interessam.
—Como o que? – A deusa perguntou, bebericando seu café, uma sobrancelha loira desafiadoramente arqueada.
—Como a mulher que eu amo. E as manias irritantes dela. E o jeito com que ela arruma o cabelo quando está brava, ou como ela olha para os próprios pés quando está sem graça, e o modo como as bochechas dela ficam absurdamente vermelhas quando eu digo algo malicioso. E o olhar dela do tipo “Poseidon-eu-vou-te-matar”, e o jeito que ela espalha os livros pela casa, ou como ela é paciente comigo quando eu preciso conversar com alguém mais sábio, ou o jeito que ela age e me deixa maluco por achar que nunca está errada, o que na maioria das vezes é verdade, a propósito. Tudo nela me interessa, pra ser sincero.
Atena sorriu abertamente. Poseidon podia ver seus olhos azuis claros e límipidos brilhando formidavelmente. Ela colocou a caneca junto com o prato de cookies e se sentou no chão ao lado dele e de Padfoot.
—Quer dizer que eu sou tão importante na sua vida quanto chocolate?
—Não se superestime. – Ele riu.
—Idiota!
—Digamos que você está na minha lista de prioridades.
Ela rolou os olhos, interiormente satisfeita. Não conseguiria arrancar mais nada de Poseidon, mas ouvi-lo dizendo tudo aquilo já era suficiente para se sentir a pessoa mais especial do mundo.
—Eu te amo.
—Já tenho permissão para te beijar?
A deusa riu fofamente com a pergunta dele e acenou com a cabeça.
—Permissão concedida.
Poseidon se aproximou dela e a beijou. Ele deslizou uma das mãos pelos cabelos loiros e macios dela, brincando com os cachos da deusa enquanto ela abraçava seu pescoço para chegar mais perto. E nesse momento não existiam mais problemas, diferenças, ou qualquer outra coisa no mundo. Eram só os dois, em um só.
Bem, isso até o momento em que Padfoot começou a morder a mão de Poseidon que estava apoiada no carpete. Atena se separou dele rindo. Ela pegou o filhote e o colocou no colo, afagando seu pelo claro.
—Viu, Padfoot? Poseidon consegue ser fofo quando quer.
—Eu sou irresistível, admita.
—E muito humilde. – Ela rolou os olhos pela milésima vez.
—Admita logo, Atena. Eu sei que você me venera.
—Aham. – A deusa concordou em sarcasmo.
—Deuses, você ainda vai conseguir massacrar meu ego.
—Eu adoraria. – Ela sorriu e foi a vez dele suspirar dramaticamente. – Vem, vamos tomar café da manhã.
Atena se levantou rapidamente e Poseidon a seguiu, carregando as canecas de volta para a cozinha enquanto a deusa levava Padfoot.
–X-
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