Fechado Para Reforma!
29 O que acontece em Londres fica em Londres.
Notas iniciais
CAPÍTULO 29: Inglaterra – O que acontece em Londres fica em Londres.
Quinto Dia– Parte 5.
Atena não tinha conversado muito durante a viagem de volta. Ela parecia concentrada em dirigir e trocava palavras com Poseidon apenas para pedir favores ou comentar algo muito importante. A deusa normalmente não prestava tanta atenção no transito, então ele supôs que ela estava pensando no que tinha ocorrido enquanto eles estavam na praia.
O fato era que eles haviam se beijado no mar e ela tinha correspondido, sem nem parar para pensar nas consequências. Poseidon obviamente também não tinha pensado naquele âmbito, mas ele tentara conversar com ela depois de algum tempo que eles estavam se agarrando e ela simplesmente se recusara a falar sobre o assunto. E aquilo era muito, muito estranho.
E a parte mais estranha ainda era que, após eles saírem do mar Poseidon tinha começado a arrumar as provisões para que eles fossem embora, antes do por do sol, conforme o combinado. Atena o ajudara pacientemente, sem trocar nenhuma palavra e quando eles perceberam já estavam se beijando outra vez.
Certamente a deusa estava sem graça por aquilo. E, por mais que Poseidon se esforçasse para ver algum problema na atual relação deles, ele não conseguia. Para o Deus dos Mares era algo completamente normal. Não beijar a arqui-inimiga, claro, mas ficar com uma pessoa que ele, inevitavelmente, gostava. E aquilo era uma droga.
Porque por mais que Afrodite já tivesse insistido para que ele “visse os sentimentos explícitos” ou tivesse até mandado aquela maldita carta enquanto ele estava no Acampamento Meio-Sangue deixando claro que ele nutria um tipo de sentimento pela Deusa da Sabedoria (e que por pouco Atena não vira), era difícil e surreal admitir que a Deusa do Amor estivesse certa. Mas era tarde demais para continuar negando.
O deus massageou a têmpora com a ponta dos dedos e imaginou que dentro de poucos segundos sua cabeça ia explodir pelos ares. Ele não tinha ideia do que fazer. Quando eles haviam se beijado no Acampamento, eles fizeram um combinado: esqueceriam o beijo. E aquilo jamais, jamais se repetiria. Mas tinha se repetido. Três vezes. E Poseidon não sabia se Atena reagiria bem ou não.
Ela manobrou o Porsche para dentro da garagem da mansão branca e só então ele percebeu que eles haviam chegado em casa. Ele desceu a pouca bagagem e esperou pacientemente que Atena ficasse ao seu lado. Todo aquele silêncio estava o matando lenta e dolorosamente.
Marie não abriu a porta para que eles entrassem, como ela havia feito no dia anterior. A deusa entrou na sala e descalçou os tênis, colocando o chinelo de dedo outra vez. Poseidon se jogou no sofá, imaginando o que a mortal poderia estar fazendo quando ouviu um barulho vindo da cozinha.
Atena foi até o sofá extremamente grande e se sentou ao lado dele. Bem, na visão de Poseidon, aquilo parecia um progresso. Ela lhe entregou sua mochila surrada e abriu a própria bolsa, tirando de lá as peças molhadas.
Poseidon resolveu fazer o mesmo, por mais que odiasse desfazer bagagens. Ele embolou suas peças de roupas encharcadas e as colocou inocentemente no colo dela.
A loira ergueu uma sobrancelha e o fitou, as bochechas corando fortemente.
—O que é isso? – Foram as primeiras palavras dela após o silêncio quase mortal no carro.
—Roupas que precisam ser secas.
—E porque você está me entregando?
—Para que você as pendure.
—Eu não sou sua empregada, Poseidon.
Ele não conseguiu refrear um sorriso ao vê-la rolar os olhos.
—Mas eu sei que você adoraria fazer esse favorzinho para seu deus favorito.
—É claro que eu adoraria. – Ela sorriu fofamente. – Se fosse um favor para o meu deus favorito que, por sinal, é Zeus. Mas como é pra você, esqueça.
—Tsc. Tsc. Vai dizer que prefere seu papaizinho sem graça e mandão a mim?
—É claro!
—Oh, Atena. Você mente muito mal. Eu não acredito que vou ter que pedir para a Marie pendurar pra mim.
—Você não vai pedir. Marie também não é sua empregada, é minha amiga.
—Então coloque as roupas no varal e acabe logo com isso.
—Não! Coloque você!
A deusa baixou os olhos para o pequeno monte de roupas molhadas sobre seu colo e o pegou sem muito critério, atirando-o em Poseidon. Ela estava prestes a falar algo bem feio quando percebeu que ainda segurava algo.
A expressão assustada e sem graça que estampou o rosto dela nos segundos seguintes era indescritível. Poseidon ria incontrolavelmente.
—O-o q-que é isso?
—Uma sunga de banho, Ateninha. – Ele respondeu, em meio as risadas.
Atena ficou ainda mais vermelha, se é que aquilo era possível.
—ECA! Aaaaaaaargh!
—Hey, porque você está berrando? Não seja escandalosa. É só uma sunga preta que fica malditamente sexy no meu lindo corpo.
—Ah, meus deuses! Meus deuses, meus deuses, meus deuses. O que eu fiz pra merecer tamanho castigo? – Ela resmungou. – Primeiro eu tenho que conviver com Poseidon, depois o vejo só de cueca naquele maldito acampamento e agora... agora isso?
O deus sorriu malicioso.
—Eu não me lembrava de que você tinha me visto só de cueca, mas parece que foi uma imagem inesquecível pra você e seu glorioso cérebro. Eu sei que eu sou maravilhoso, divino e extremamente gostoso, meu bem. E sei que você quer continuar segurando a peça que acomodou o Jerry horas atrás, mas você poderia, por favor, me devolver à sunga?
O cérebro de Atena congelou por alguns segundos, até que ela se lembrou o que diabos era Jerry. E só então ela percebeu que ainda estava segurando aquele traje infame de banho.
É completamente desnecessário dizer que os berros que se seguiram foram os mais histéricos, altos e agudos que Poseidon já ouvira em toda a imortalidade. Ele colocou os dois dedos médios sobre os lábios de Atena delicadamente, para que ela se calasse. A deusa se retesou, odiando cada batida descompassada de seu coração provocada por um contato tão simples.
—Você poderia ser um pouquinho menos histérica e psicótica?
A loira inspirou o ar com dificuldade, enquanto as bochechas coravam. E teve plena consciência de que eles estavam perto demais, de que seus lábios formigavam com o contato de Poseidon, de que os olhos verdes e tão reluzentes do deus pareciam enevoados, de que ela ainda estava segurando aquela maldita sunga. E de que, por alguma razão muito estranha e inadmissível, ela queria beijá-lo outra vez.
Ela abaixou os olhos antes que pudesse demonstrar aqueles sentimentos e ele pegou o traje de banho das mãos dela, sem se preocupar com o contato, sem se preocupar com os arrepios que os deixavam tão sintonizados.
—E você poderia deixar de ser tão... tão Poseidon?
—Essa foi a melhor definição que você conseguiu? Quer que eu deixe de ser eu?
A deusa engoliu em seco.
—Foi. Você é uma praga mesmo! E tudo, absolutamente tudo em você me irrita! – Ela bufou e empurrou o ombro do deus, furiosa.
—Hey! O que foi que eu fiz agora? – Ele perguntou, estreitando os olhos.
—Você... Argh! Você nasceu, Poseidon. Você nasceu.
—Oh, é por isso que te chamam de Deusa da Sabedoria? – Ele rolou os olhos, com descaso. – Você só me disse o óbvio até agora.
A deusa cruzou os braços sob o peito e bateu o pé no chão.
—É isso o que você faz, Poseidon! Exatamente isso! Você provoca.
—Eu tenho outra ideia a respeito de provocar uma pessoa.
O tom de malícia presente na voz dele só contribuiu para que ela ficasse ainda mais alterada.
—Estava bom demais para ser verdade que estivéssemos há tanto tempo sem brigar! – Ela resmungou.
—E porque estamos brigando, exatamente? Por causa de uma porcaria de roupa?
—Não! – Ela afundou o rosto nas mãos. – Quer dizer, não só por isso! Aaaaaaaaargh! Será que você não entende? Nós não devíamos passar tanto tempo juntos! As coisas estão saindo do controle, Poseidon.
—Você está brigando comigo porque está brava com o fato de termos parado de brigar? – Ele questionou, estupefato. – Ou está brava porque está gostando de passar o tempo comigo?
Ela o encarou abertamente novamente. E esse foi o maior erro de Atena, porque Poseidon conseguiu ler exatamente o motivo de tanta loucura.
—Você está brava porque eu te beijei outra vez. Hey, mas você também me beijou hoje! Não é como se a culpa fosse só minha.
—Você... Você não entende. – Ela virou o rosto para que Poseidon não enxergasse as pequenas lágrimas se formando em seus olhos. – Nós fizemos um acordo. Isso não deveria ter acontecido. Nunca.
—E quando foi que nós cumprimos um acordo?— O deus estava prestes a reclamar que ela estava sendo injusta quando percebeu. – Atena, você está chorando?
Involuntariamente ele estendeu a mão para secar a lágrima que deslizava pela bochecha dela.
—É claro que não. – A deusa mentiu, secando a pequena lágrima. – Eu só acho que isso deveria ficar bem claro, Poseidon. Porque não faz sentido nenhum nós nos beijarmos. Ainda somos arqui inimigos e nenhuma semana maquiavélicamente planejada por Afrodite vai mudar isso. Vou ver o que a Marie está preparando para o jantar. – Ela disse, antes de se levantar e ir até a cozinha.
E aquela era uma péssima hora para avisar Poseidon que eles ainda eram arqui inimigos. Porque a semana planejada por Afrodite já tinha mudado absolutamente tudo entre eles.
–X-
O deus mal pôs os pés na cozinha e sentiu o delicioso cheiro da comida de Marie vindo do forno. Atena estava colocando a mesa e a mortal conversava animadamente com a deusa.
—Lasanha?
—Sim, Senhor Seaworth. É uma das comidas favoritas da sua prima Atena. – Marie sorriu.
—Mesmo? – Ele arqueou uma sobrancelha irônica. – Então porque ela me fez comer um almoço saudável? Podia ter preparado uma comida gostosa.
Atena rolou os olhos.
—Se o almoço não estava bom, Poseidon, porque é que você comeu tudo o que tinha no prato?
—Huh. É. Não estava tãããão ruim assim. Mas parecia intragável.
Marie rolou os olhos castanhos diante da discussão boba. Aparentemente, Atena não tinha comentado nada da pequena briga que eles haviam tido minutos antes. Poseidon resolveu não falar nada na frente da mortal, uma vez que a deusa não o tinha feito.
—A comida de Atena é muito gostosa. Nada comparado a minha, eu sei. – Marie disse, com falso descaso. – Mas tudo bem.
—Hey! – Atena cruzou os braços, fingindo-se ofendida. – Olha que eu não deixo você ir embora mais cedo.
—Uoops. O que eu estava dizendo mesmo? Atena, sua comida é divina!
—Marie, você não presta, sua manipuladora. – A deusa riu.
—Marie, depois você precisa me ensinar como manipular Atena. – Poseidon deu de ombros. – Está cada dia mais difícil.
—Oh, mas é claro! – A castanha riu. – Mas agora eu tenho que ir. Vai precisar de mais alguma coisa, Atena?
—Não, Marie. Está tudo ótimo.
—E amanhã?
—Oh, quanto a isso. Nós vamos embora daqui a dois dias, acho que Poseidon não vai conseguir destruir a casa até lá. Então, acho que você só vai precisar voltar daqui a um mês.
—Eu não acredito que vocês já estão indo!
—Não se preocupe. – Poseidon sorriu. – Eu consigo destruir tudo aqui antes de irmos, então Atena vai ser obrigada a te convocar pra nos ver partir.
Atena rolou os olhos.
—É claro que Marie vai nos ver partir, Poseidon, não seja dramático.
—Bem, já que é isso, estou indo! Até mais Senhor Seaworth. E você, Atena, me ligue assim que pôr os pés em Londres, da próxima vez.
A mortal deu um longo abraço na loira e em Poseidon antes de sair. Assim que ouviram o barulho da porta da frente de fechando, o deus se sentou à mesa ao lado de Atena e os serviu, como havia feito no almoço.
O silêncio que se seguiu não foi tão constrangedor quanto aquele no carro, porque a comida estava realmente boa e Atena se concentrava em cada garfada.
E porque Poseidon, pela primeira vez na vida, não estava tramando um plano para conquistar os três domínios. Mas para conquistar algo muito, muito mais valioso.
–X-
—Poseidon! Você pode usar o outro banheiro!
—E porque eu faria isso se tem um banheiro no meu quarto?
—Esse não é seu quarto! E você só está aqui por causa de um jogo idiota. O banheiro não estava incluso na disputa.
—Então você quer jogar Twister para disputar o banheiro? Se você ganhar, é todinho seu. Se eu ganhar você toma banho comigo.
—Oh! Cale essa porcaria que você chama de boca!
A deusa cruzou os braços frustrada e desistiu de discutir com ele. Poseidon sorriu vitorioso e pegou sua toalha dentro do guarda-roupas.
—Se você quiser, a proposta do banho ainda está de pé e—
—Cala a boca! – Ela remungou, atirando os chinelos na direção dele.
Poseidon riu daquela reação exagerada. Ao menos, ela não tinha ficado realmente furiosa como mais cedo. O deus entrou para o banheiro e não se incomodou em fechar a porta. Atena rolou os olhos e com um movimento da mão, fez com que a porta batesse magicamente. Já bastava vê-lo só de sunga. Porque, sim, era incrivelmente tentador ficar observando o corpo esculpido do deus. Mesmo que Atena jamais fosse admitir o fato.
A deusa se sentou na cama, ao lado da mesinha de cabeceira e pegou um livro que estava ali perto para ler. Era um misério da Agatha Cristhie e, em questão de segundos, ela já estava completamente absorta na história.
Tudo bem que ela não se lembrava de ter comprado aquele livro, nem se lembrava daquela pequena assinatura na folha de rosto. Ter falhas de memória – mesmo se tratando de Atena – era uma coisa razoavelmente normal. Agora, ouvir alguém chamando seu nome quando você está completamente sozinha em uma mansão,lendo um mistério, com um energúmeno cantando no banheiro não é a coisa mais normal do mundo, definitivamente.
A deusa tentou ignorar os dois primeiros sussurros. Mas depois de alguns segundos, teve que se levantar e ir até a porta do banheiro ver o que diabos Poseidon queria.
Toc. Toc. Toc.
—Poseidon?
—Pode entrar. – Ela ouviu a voz abafada dele juntamente com o barulho do chuveiro.
A loira rolou os olhos.
—Você me chamou?
—Sim. – Ele respondeu e ela suspirou aliviada. – Eu te chamei para tomar banho há alguns minutos, mas você ainda pode vir se quiser.
—Oh, seu idota. – Ela resmungou, ficando tolamente corada. – É sério. Você me chamou agora?
—Não. Porque?
—Nada.
A deusa voltou a se sentar na cama e abriu o livro outar vez, aquilo devia ser coisa da sua cabeça. E então, mais um sussurro. Atena engoliu em seco.
Se não é Poseidon, Marie já foi embora e não há mais ninguém aqui, acho que finalmente peguei o distúrbio mental daquele Cérebro de Atum. Oh, ótimo. Realmente ótimo.
—ATENA!
—AAAAH! Mas o que... – A deusa arregalou os olhos ao ver uma Névoa tremeluzindo a poucos centímetros da onde ela estava. – Apolo?
—Hey, maninha! Porque você não me respondeu antes?
—Eu não estava te vendo.
—Sério, vou reclamar com a Íris. Essas Mensagens estão horríveis.
A deusa riu e balançou a cabeça incrédula.
—E então. Porque você está me mandando uma Mensagem de Íris?
—Oras, eu não tenho o direito de saber como minha irmã predileta está? Não tenho mais o direito de saber se você já matou Poseidon? E nem posso saber se você tem alguma novidade? – O deus do sol colocou a mão dramaticamente sobre o coração. – Agora você feriu meus sentimentos.
—Oh, claro, estou vendo o quanto você se preocupa comigo e com Poseidon. – Ela rolou os olhos. – Não, não há nenhuma novidade. Mas aposto que você tem algo pra me contar, porque não para de falar.
—Wow, você poderia ser o Oráculo. – Ele sorriu ofuscantemente. – Enfim, eu deveria estar ligando para Afrodite ou para alguém mais... hm... experiente. Em todo caso, você é a pessoa em que eu mais confio, então não me despreze depois que eu terminar de falar.
—Vou tentar. – Ela brincou.
—Okay. Então, você lembra o que conversamos no Acampamento? Sabe, quando a Rachel me fez contar sobre a Ártemis.
—Aham.
—Bem... Então. Eu meio que a beijei hoje.
—COMO ASSIM? Você meio que a beijou?
—Tudo bem, eu a beijei por inteiro. – Ele suspirou. – Não! Não do jeito que você está pensando... quero dizer, eu a beijei, mas só na boca.
Atena fez uma careta, dividida entre rir do que estava ouvindo ou ficar constrangida com o assunto.
—E então, o que aconteceu?
—Ela me bateu, primeiro. E então ela me beijou de volta.
Apolo bagunçou o cabelo como Poseidon usualmente fazia.
—E o que você acha que isso quer dizer? – A deusa perguntou temendo a resposta. De certo modo, aquilo lembrava o que tinha acontecido entre ela e Poseidon.
—Eu não sei. É por isso que eu estou ligando. Se um cara que você odeia te beijasse, te beijasse extremamente bem a propósito, o que você faria para mostrar que gostou?
A deusa mordeu o lábio inferior.
—Eu corresponderia, eu acho, mas...
—E você falaria que está apaixonada pra ele?
—Não, mas eu não esto...
—E se ele dissesse que está apaixonado por você?
—Se ele o quê? – O queixo de Atena despencou alguns centímetros.
—Hipoteticamente, maninha. Eu não estou pensando em me declarar.
—Oh, claro. – Ela anuiu. Aliviada por Apolo estar falando de si mesmo. – Eu não sei. Eu acho que ficaria confusa.
—Hey, eu tenho que ir. Ela está voltando pra perto da onde eu estou. Me deseje sorte pra não apanhar outra vez. Obrigada pelas respostas.
—Apolo! Espera! Você vai beijá-la outra vez?
O deus do Sol sorriu e suas bochechas coraram levemente.
—Eu não perderia essa oportunidade por nada.
A névoa se dissolveu e Atena encarou o quarto perplexa. Deuses. Apolo deveria estar errado. Quer dizer, as situações não eram nem um pouco parecidas. Nem um poquinho. Dois casos completamente diferentes.
Ela ouviu a porta do banheiro bater e viu Poseidon sair de lá, secando o cabelo com uma toalha felpuda. Graças aos deuses ele estava decentemente vestido. A deusa não queria outro motivo para interpretar tudo aquilo que estava acontecendo errado.
—Heys, já pode ir tomar banho. Eu não vou invadir o banheiro nem nada desse tipo.
—Okay. Obrigada, eu acho.
O deus sorriu de canto e Atena teve que ignorar a sensação de seres flutuantes no estômago.
–X-
As reflexões de Atena durante o banho não surtiram efeito algum. Ela não conseguia chegar a uma conclusão sensata, então a deusa apenas terminou de enxaguar o cabelo e saiu do chuveiro para por a camisola antes de ir para o quarto.
A parte boa: Ela tinha uma camisola para vestir.
A parte ruim: A roupa fora especialmente selecionada por Afrodite.
Atena teve que engolir todos os resmungos por vestir uma peça tão... hm... inapropriada. Era melhor não dar muita atenção aquilo. Talvez assim Poseidon também não percebesse as rendinhas vermelhas no decote.
Deuses, e essa era uma das camisolas “Razoáveis”. Atena tinha até medo das outras.
O deus estava sentado na cama, escorado nas almofadas ao lado da mesinha de cabeceira lendo um livro. A deusa reparou que ela estivera lendo o mesmo livro minutos antes e era por isso que ela não o reconhecera.
Poseidon parecia realmente concentrado na história. Ele franzia as sobrancelhas as vezes e passava as páginas com cuidado. E com a mão esquerda. Atena baçançou a cabeça pra se desapegar daqueles detalhes. E daí se ele era canhoto, afinal de contas?
Ele ergueu o olhar para a deusa assim que percebeu que ela estava o observando. E, inevitavelmente, ele passou a observar a roupa que ele estava vestindo. Poseidon quase fez um comentário que a deixaria muito, muito sem graça. Quase.
—Esse livro é seu?
—Sim, um dos melhores que tenho.
—Parece ser bom.
A deusa andou até a cama e olhou o relógio que ficava ao lado. Já eram quase onze da noite.
—E então, o que vamos fazer amanhã?
—Compras. Eu não aguento mais essas roupas.
—Não vejo problema nenhum com elas. – Ele deu de ombros.
—Porque não é você quem tem que vesti-las.
—Felizmente. Atena?
A deusa se sentou do outro lado da cama e se cobriu com o lençol, antes que ficasse demasiadamente constrangida pela proximidade, pela briga de antes do jantar, pelos beijos e por toda a história que estava liquefazendo o cérebro dela.
—Hm.
—Você já vai dormir?
—Oh, não, vou esquiar. – Ela respondeu, antes que pudesse se conter.
Poseidon riu.
—Seja sincera, se não fosse eu que estivesse aqui, você teria ficado tão irritada por ter que conviver com outra pessoa por uma semana?
—Provavelmente não.
—Oh, ótimo. Isso se encaixa perfeitamente na teoria que eu criei enquanto você estava no banho.
A deusa arqueou uma sobrancelha loira.
—Que teoria?
—Tem uma analogia esquisita com seriados. E uma com desenhos.
A deusa se escorou na cama e sorriu de canto.
—Porque será que eu não estou surpresa?
—Bem, em todo caso. Eu sei que você não quer falar sobre o que aconteceu, e que provavelmente vai tentar me bater pelo que estou prestes a dizer. Mas não importa.
—Oh, uma ótima forma de começar um diálogo civilizado.
Se o quarto não estivesse tão escuro, Atena poderia jurar que Poseidon estava corando.
—Eu não deveria ter te beijado depois do acordo, mas não vou pedir desculpas pelo beijo no Acampamento.
—Tudo bem... Eu não deveria ter correspondido.
—Pode corresponder sempre que quiser. – Ele sorriu de lado. – Mas não deveria ter fugido depois.
—Poseidon!
Ele deu de ombros.
—É sério, você sempre foge quando precisa resolver assuntos importantes.
—Eu não fujo sempre. Nunca fugi do Olimpo e –
—Nossos assuntos. – Ele se aproximou. – Minha teoria diz que o que acontece em Londres, fica em Londres.
Atena sorriu.
—Você não vai contar isso pra ninguém?
—Não sem a sua permissão.
Sem preceber ao certo o que estava fazendo a deusa deslizou a mão pelo cabelo dele.
—Fica mesmo em Londres?
—Foi o que eu acabei de dizer. – Poseidon respondeu.
A deusa se aproximou dele, um tanto cautelosa, observando os olhos verdes de Poseidon num misto de incredulidade e confusão. E então, delicadamente, ela depositou um selinho nos lábios dele.
—Você não está fazendo as coisas fáceis. – Ele disse. – Sabe, sobre honrar o acordo de não te beijar mais.
Ela deu de ombros.
—Pode corresponder sempre que quiser. – A deusa repetiu antes de Poseidon aprofundar o beijo.
–X-
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