Fechado Para Reforma!
30 Piquenique.
Notas iniciais
CAPÍTULO 30: Inglaterra – Piquenique.
Sexto dia– Parte 1.
Atena abriu os olhos e bocejou. Ela observou as cortinas por um momento, se perguntando porque elas estavam fechadas, já que a deusa normalmente acordava cedo e não se importava com a claridade.
Até que se lembrou o porquê. Poseidon estava ali. No mesmo quarto que ela. Na mesma cama que a deusa puritana. Deuses, isso era muito estranho.
Ela não ousou olhar para ele, ligeiramente assustada com a possibilidade dele estar acordado. Tentando não fazer muito barulho, ela se virou na cama até obter uma visão parcial do relógio sobre a mesa de cabeceira. Sete e dezoito, ela sorriu. Poseidon jamais acordaria tão cedo. Ele dormia até as duas da tarde quando passava a noite no Olimpo. Sem contar que era um custo acordá-lo para supervisionar o Acampamento.
A loira se desvencilhou das cobertas e antes que pudesse se conter pousou os olhos nele. Ela não estava propriamente o observando dormir. A questão era só que ele ficava... diferente.
Poseidon parecia quase inocente, com o cabelo extremamente preto espalhado pelo travesseiro, o corpo relaxado e a boca levemente entreaberta. Ele também baba, ela pensou, tentando não rir ao se lembrar de Annabeth lhe contando que Percy babava.
A deusa se levantou com cuidado para não acordá-lo e calçou as pantufas, indo até o guarda-roupa. Aquela era a parte mais difícil do dia. Escolher o que vestir. Suas opções estavam bem limitadas, uma vez que a maioria das roupas que ela separara estava no cesto de roupa suja e as outras não eram tão recatadas assim. Graças aos deuses fariam compras naquele mesmo dia.
Ela acabou por pegar uma calça jeans preta justa (Afrodite pagaria por isso mais tarde) e uma blusa branca que era extremamente decotada, mas era soltinha da cintura para baixo. Para esconder o decote da blusa, Atena separou uma jaqueta de couro marrom e escolheu um par de botas da mesma cor, pois mesmo sendo verão sempre ventava em Londres.
–X-
A casa estava silenciosa, Poseidon notou, ao descer as escadas. Quando ele acordara, Atena não estava mais no quarto, nem em nenhum cômodo do segundo andar. Sem ter mais o que fazer e ainda morrendo de sono, o deus tinha tomado um banho e colocado uma roupa qualquer com seu inseparável All Star preto.
Antes de sair do quarto, é claro, ele pegou a carteira e um casaco. Já estava até imaginando o rio de dinheiro que gastariam para comprar roupas. Felizmente tinha o Cartão Lótus, porque nem mesmo Zeus conseguiria bancar todas as Olimpianas sem ajuda de crédito ilimitado.
O deus chegou até o primeiro andar e viu que estava tudo em perfeita ordem. Atena devia estar lendo. Ou tomando banho no banheiro ao lado da sala de leitura. Esse pensamento fez com que ele rolasse os olhos.
Poseidon andou até a cozinha, com a clara intenção de atacar o estoque de chocolates e balas que Atena tinha guardado no armário ao lado da geladeira. Quem, em sã consciência, não faria o mesmo se tivesse o caminho livre e estivesse morrendo de fome?
O problema era que o caminho não estava livre. A deusa estava de costas para a porta, arrumando alguma coisa sobre o balcão branco. Um sorriso involuntário brotou nos lábios de Poseidon ao perceber quão linda ela estava. O cabelo loiro caindo em ondas até a metade das costas, com um laço preso na parte de cima, como se usava nos filmes antigos.
Ele andou sorrateiramente até ela, controlando até a própria respiração. O plano inicial de Poseidon era assustá-la ou qualquer coisa do tipo, mas o deus foi incapaz de fazer isso quando viu que ela preparava uma cesta de café da manhã. O sorriso dele se alargou. E sem se conter, ele a abraçou carinhosamente pelas costas, aspirando o perfume floral da deusa.
Atena quase teve um ataque cardíaco.
Seu coração martelava tão freneticamente contra suas costelas que ela se perguntou se Poseidon conseguia ouvir. Um arrepio lhe percorreu a espinha quando sentiu a respiração dele na curva de seu pescoço. Ela já estava se recuperando do susto quando sentiu os lábios macios do deus depositando um beijo ali, o que desencadeou inúmeras reações no corpo dela.
A deusa teve a súbita consciência dos braços tonificados do deus ao redor de sua cintura, e do cabelo dele lhe fazendo cócegas na sua orelha. Percebeu também que seu estômago se contorcia incontrolavelmente e que a circulação de seu cérebro deveria ter congelado.
Ela poderia dizer que ficara assustada demais com a atitude dele, ou surpresa, ou confusa, ou estática. A loira poderia inventar qualquer uma dessas desculpas para não ter se desvencilhado do Deus dos Mares. Mas a simples verdade era que ela se sentira tão absurdamente confortável e acolhida, aninhada nos braços de Poseidon, que sequer pensara em se soltar dele.
E, pra piorar um pouquinho as coisas, um sorriso fofo de canto se instalou sorrateiramente nos lábios da deusa.
Sério. O que estava acontecendo com ela?
Aquilo não era normal.
Se eles voltassem no tempo uma semana, ela provavelmente esfolaria Poseidon no asfalto quente caso ele ousasse abraçá-la por trás. E se ele aproximasse aquela maldita boca do precioso e puro pescoço da deusa, Atena criaria um método de assassinar um deus, para depois picá-lo em pedacinhos minúsculos e queimar cada parte, dançando em volta da fogueira. No entanto, depois de cinco dias de convivência forçada com o Deus dos Mares, muitas brigas, implicâncias e alguns beijos, ali estava Atena. Permitindo que ele a abraçasse. Gostando do abraço dele.
O deus se separou dela após alguns segundos de pleno silêncio. Ele estava intimamente satisfeito por ela não tê-lo rejeitado ou qualquer coisa parecia. O deus abriu um sorriso esfuziante do tipo acabei-de-fazer-clareamento-dental ao ficar de frente para a loira e perceber que Atena não estava brava, apesar de muito vermelha.
—O que foi isso?
Ela esperava que sua voz não soasse tão insegura quanto seus pensamentos. Poseidon colocou uma mecha loira atrás da orelha dela e piscou um olho antes de responder.
—Eu posso corresponder sempre que quiser, lembra?
A loira ficou ligeiramente pálida quando entendeu que realmente tinha dito aquela frase para ele na noite anterior. Então não fora apenas um sonho, ou uma alucinação. Que era tudo real. Que ela tinha dito para Poseidon beijá-la.
Ah, meus deuses. Ah, meus deuses...
Atena engoliu em seco, sem saber o que fazer.
—Mas eu não te beijei. Não há o que corresponder.
—Então podemos mudar isso agora. – Ele sorriu e a beijou superficialmente nos lábios, fazendo com que a deusa se arrepiasse.
—Você me beijou, Poseidon. Então você continua sem ter a que corresponder.
—Eu estou esperando que você tome a atitude, meu bem. Mas parece que a deusa da Sabedoria é lenta pra entender as indiretas do cara mais gostoso do Olimpo. – O deus retrucou e recebeu um rolar de olhos como resposta. Ele se escorou no balcão branco e ficou encarando Atena, até que ela desviasse o olhar do que estava fazendo para ele. – Hey, o que você está arrumando?
—Uma... uma cesta de café da manhã.
Poseidon arqueou uma sobrancelha negra.
—Eu pensei em tomar café da manhã no parque. – A deusa se justificou. – Mas se você não quiser nós–
—Tipo um piquenique? – Ele perguntou, a interrompendo, com um sorrisinho nas esquinas de seus lábios.
A deusa analisou a situação por um momento. Ela estava evitando pensar na ocasião como um piquenique, pra falar a verdade, porque isso implicava em um momento descontraído ou familiar. E tremendamente clichê também. A loira mordeu o lábio inferior enquanto ponderava.
—É, praticamente isso. Um café da manhã ao ar livre.
—Tudo bem. – Poseidon deu de ombros.
—Mesmo? – Ela perguntou quase saltitando de felicidade, como se fosse uma criancinha na Poneilândia.
—É claro. – Foi a vez dele rolar os olhos, sorrindo maroto. – Se você quiser me recompensar por ser tão legal podemos dar uns amassos no sofá mais tarde.
—Honestamente, Poseidon! Cale a boca antes que eu desista de sair de casa com você. Pode esperar eu pegar minha bolsa lá em cima?
—Okay, mas não demore.
A deusa sorriu muito contente e foi até ele, ficando na ponta dos pés para que conseguisse depositar o selinho mais suave nos lábios do deus, antes de sair correndo pela porta da cozinha. Ao menos daquela vez Poseidon sabia que ela não estava fugindo.
–X-
Os dois deuses caminhavam lado a lado na calçada, conversando sobre algumas expectativas que tinham sobre a Festa de Reinauguração do Olimpo. Poseidon já tinha mencionado strippers três vezes e Atena tinha rolado os olhos todas as três.
O parque ficava á dois quarteirões da casa de Atena e eles decidiram por ir andando até lá (tudo bem, ela decidiu, porque ele queria muito dirigir o Porsche). Subitamente, a deusa parou na frente de uma padaria da onde vinha um cheiro delicioso de pão quentinho.
—Hmmmm. Que tal pegarmos o que falta para o café aqui?
—Tudo bem, o que você vai querer? – Ele perguntou, entrando na pequena padaria.
—Pães. Brownies. Donuts. Rosquinhas açucaradas e...
—Panquecas?
A deusa franziu o nariz.
—Não.
—Achei que você gostasse.
—Eu gosto, mas não no café da manhã. Somente nos Estados Unidos as pessoas comem panquecas doce pela manhã. Na Grécia é um prato salgado de almoço. Ainda não me acostumei com isso.
Ele riu.
—Que coisa mais esquisita. Achei que o mundo inteiro comesse panquecas doce no desjejum.
—Tudo bem. – Ela suspirou, depois de fazer o pedido para o moço do balcão. – O mundo inteiro come. Exceto eu.
—E os gregos.
—Hm... Na verdade eu não estou completamente certa a respeito dessa informação, porque eu fazia panquecas para o almoço, mas não quer dizer que é realmente um prato típico da Grécia.
—Eu sabia! – O deus acusou. – Se você esqueceu, Ateninha eu sou um deus grego.
O balconista entregou os pedidos para Atena e fitou Poseidon confuso com a afirmação dele. Aparentemente, o deus tinha falado sobre a sua condição divina em um tom de voz realmente alto. A loira engoliu em seco e piscou para ele.
—Querido, você é lindo. E incrivelmente convencido. – Ela riu e o abraçou de lado. – Um deus grego? Que idéia!
Poseidon deu de ombros e o cara do balcão voltou a atender os outros clientes. O Deus dos Mares pagou a conta e Atena colocou a comida recém comprada na cesta, antes de sairem para a rua outra vez. Ela bufou devido a falta de discrição dele.
—Poseidon! Como você consegue ser tão desligado?
—É um dom. – Ele voltou a dar de ombros e passou o braço pela cintura da deusa, a puxando para um abraço enquanto caminhavam.
—Hey, me solte.
—Não. Você me abraçou na padaria, estou só retribuindo.
A deusa o socou levemente no braço e sentiu-se enrusbecer.
—Eu não tinha nenhuma intenção de me aproveitar de você, Poseidon.
—Eu duvido. De todo modo, eu tenho todas as intenções.
—Idiota! – Ela resmungou, contendo uma risada.
Eles andaram mais um quarteirão até chegarem ao parque. Atena sorriu ao avistá-lo e os guiou até umas mesinhas que ficavam próximas das árvores mais antigas e ao lado de uma fonte. Poseidon pegou uma toalha de mesa impecavelmente branca na cesta e apontou para Atena.
—Você não faz muitos piqueniques, não é? Atena, pelos deuses, como é que vamos por isso no chão? Aonde está a toalha xadrez?
—Poseidon. – Ela rolou os olhos azuis pela milionésima vez. – Nós não vamos por isso no chão. Podemos nos sentar na mesa.
—E qual é a graça?
—Argh, você implica com tudo!
—É o meu talento.
A deusa riu e organizou tudo minuciosamente sobre uma das mesinhas, dispondo os pãezinhos e as rosquinhas. Poseidon roubou um donut antes que ela pudesse abrir a boca para protestar e o mordeu, oferecendo-o a ela logo em seguida. A deusa enrusbeceu e mordeu a rosquinha mesmo assim, com Poseidon alargando o sorriso a cada segundo.
Ela foi se sentar ao lado dele, ainda vermelha, mas Poseidon se espalhou no banquinho, sem deixar espaço para a deusa. Ela cruzou o braço abaixo dos seios e o fitou.
—Hum hum. Poseidon. O que foi agora?
—Você estava planejando se sentar ao meu lado? – Ele questionou, absurdamente irônico.
—Oh, não. Eu pretendo ficar de pé. – A deusa respondeu, no mesmo nível.
Poseidon passou a mão pelo cabelo e piscou pra ela.
—Pois eu tenho outras idéias.
O deus se levantou e enlaçou a deusa pela cintura, antes que ela tivesse tempo de correr. Ela tentou gritar, mas ele balançou negativamente a cabeça a advertindo para que não o fizesse. Ele a ergueu no ar e a colocou sentada sobre a mesa, se sentando no banquinho de frente para ela logo em seguida.
—Bem melhor.
—Você é impossível! – Ela reclamou.
—Eu sei.
Eles comeram em silêncio por um tempo, com Atena bebericando seu suco de maracujá e Poseidon devorando tudo o que tivesse açúcar. Quando a deusa acabou, ela esperou até que ele terminasse com os brownies.
—Hey.
—Sim? – Ele perguntou, erguendo o olhar para ela.
—Tem chantily aqui. – A deusa levou o indicador até o canto dos lábios dele e limpou. – Deve ser do donut.
Poseidon beijou levemente a ponta do dedo dela e só então a loira percebeu que ainda o mantinha sobre os lábios dele. Ele sorriu daquela maneira cafajeste e Atana mordeu os lábios.
—Tem algum problema se...
—Você me beijar? – Ele completou, maliciosamente.
A deusa rolou os olhos diante de tamanha auto-confiança.
—Eu ia perguntar se tem algum problema se eu ficar com o último suco de caixinha. – Ela deu de ombros, com um sorrisinho mínimo. Poseidon suspirou. – Mas te beijar me parece igualmente bom.
Ela se aproximou dele e selou seus lábios de vez, aprofundando o beijo quase instantaneamente. Se Poseidon não estivesse com a boca tão ocupada provavelmente estaria sorrindo feito um lesado. A deusa pediu passagem com a lingua e ele passeou com as mãos pelas costas dela, mordendo o lábio inferior de Atena logo em seguida. O beijo dele era simplesmente irresistível, ainda mais com sabor de chantilly.
Eles se separaram após um tempo e Poseidon beijou o pescoço dela, fazendo com que Atena arfasse.
—Poseidon...
—Hm.
—Acho que podemos parar por aqui.
—Na melhor parte? – Ele resmungou.
—É sério. Isso não vai funcionar.
—Huh, então vamos precisar de um pouco de água fria por aqui.
Atena ficou incrivelmente vermelha e ele piscou, olhando para a fonte a poucos metros.
—Oh, não. Não. Poseidon, nem pense nisso...
Mas ela não terminou de falar, porque ele estalou os dedos e fez com que um esguicho de água gelada acertasse os dois, os deixando com os cabelos encharcados e as roupas parcialmente secas. Atena estava dividida entre rir e bater nele, então a deusa acabou fazendo ambas as coisas. Poseidon ria incontrolavelmente enquanto tentava conter os socos e tapas.
—Porque é que você adora me deixar molhada? – Ela reclamou.
O deus a encarou safadamente e sussurrou:
—Essa frase soou extremamente... hm, ambígua. Se é que você me entende.
A loira arregalou os olhos ao perceber a malícia implícita.
—Poseidon! Pelos deuses... eu... eu não quis dizer isso! Eu sou uma deusa casta, caso você não se lembre.
Ele concordou com a cabeça e se levantou, sorridente. Você ainda é uma deusa casta, Atena. Ainda. Mas não por muito tempo. O deus quase se bateu ao perceber o rumo que seus pensamentos estavam tomando. Ele não podia pensar assim. Não com Atena. Ela era diferente.
—Vamos às compras?
Atena aceitou a mão estendida dele e sorriu, aliviada.
—Yeap.
–X-
P.S.: A linda da Bia Rabelo me indicou essa fanart perfeita da Burdge Bug como inspiração pro capítulo, então aí está ;)

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