Fechado Para Reforma!

38 O Palácio Subaquático.


Notas iniciais
Dedicado especialmente a linda da thirlwall, pela recomendação mais fofaaaaa *---* Thanks, sweetheart. Enjoy ♥

CAPÍTULO 38: Inglaterra – O Palácio Subaquático.

Sétimo Dia– Parte 3.

—Poseidon, você sabe por que ela está te chamando?

O deus fez um sinal negativo com a cabeça e engoliu em seco. Aquilo não podia ser bom.

—E então... – Atena o forçou a continuar, um pouco impaciente. Algo dentro dela se contorcia e isso não a deixava confortável.

—Eu tenho uma idéia geral do que pode ser. – Ele disse finalmente. – Quando nos separamos, ficou implícito que não procuraríamos um ao outro, a não ser que algo realmente grave ocorresse. Afinal de contas, não é como se tivéssemos terminado tranquilamente... Anfitrite declarou guerra abertamente pelos sete mares. É claro que eu venci, e é por isso que o meu Palácio Subaquático estava em reforma, mas ela ainda tinha um trunfo.

A deusa estreitou os olhos e tentou se lembrar da conversa que tivera há muito tempo com Poseidon, quando eles ainda estavam no Acampamento Meio Sangue, mais especificamente na Praia dos Fogos. Fora a primeira vez que ele contara a ela algo grave, que se sentira confortável o suficiente para dividir com a deusa uma história que o atormentava.

Atena mudou drasticamente de expressão ao se lembrar de tudo que Poseidon lhe contara naquele dia.

—Você acha que ela vai declarar guerra outra vez?

Ele coçou a nuca, em um gesto claro de nervosismo.

—Ela tem o direito. Na verdade, o herdeiro que ela carrega tem o direito à metade do reino. Então é provável que sim. Anfitrite é ambiciosa e sabe o que pode fazer para obter poder.

—Mas... – A loira se levantou e começou a andar em círculos pelo gramado. Era quase possível ver as engrenagens trabalhando no cérebro dela. – Isso seria tão... Errado. Não só pelas questões óbvias, porque é ridículo o fato dela tentar tomar seu trono outra vez, mas também pelo sofrimento que uma nova guerra traria aos seus súditos e toda a população marinha. Ela é tão hipócrita assim por olhar apenas o que a favorece?

—Eu não sei. – Ele admitiu. – Anfitrite é imprevisível.

—Isso seria terrível. – A deusa fitou o céu por alguns segundos, tentando encontrar uma linha concreta de raciocínio, sem muito sucesso.

—Mas nem sabemos se é por isso que ela me chamou. Tudo o que dizia na mensagem era “Venha Imediatamente”. Pode ser apenas uma questão diplomática.

—Você realmente acredita nisso?

Poseidon se levantou e segurou as mãos de Atena, buscando algum tipo de conforto. Ela ficou na ponta dos pés e o abraçou, afundando o rosto na curva do pescoço dele. O deus aspirou o familiar shampoo de maçã da deusa antes de responder:

—Não.

—E o que você pretende fazer?

—Ir até lá e descobrir o que ela quer. E na pior das hipóteses, impedir que ela conquiste o reino.

–X-

O deus sabia que estava se precipitando. Anfitrite não era nenhum tipo de monstro para que ele se preocupasse tanto com uma simples mensagem, ela apenas estava fragilizada pela morte recente de Tritão e pelo fato de estar grávida de outro herdeiro. Tudo bem que ela também era um pouco perturbada mentalmente, e que tinha tentado tomar o poder após se separar de Poseidon, mas ele realmente esperava por essas reações depois de assinarem o divórcio.

Ainda sim, ele não conseguia tirar da cabeça a idéia de que algo muito ruim podia acontecer naquele encontro repentino. Não era apenas um pensamento, na verdade era uma sensação, um pressentimento ou qualquer baboseira do tipo, que simplesmente não o deixava pensar com clareza.

Ele se sentou na enorme poltrona do gabinete privado de Atena, que ficava no segundo andar, e afundou o rosto nas mãos. Não era possível que tudo mudasse tão rapidamente. Há alguns dias atrás ele era inimigo da Deusa da Sabedoria e seria capaz de rir se alguém dissesse que eles ficariam juntos, então depois, ele percebeu que estava apaixonado por ela e, bem, não tivera a melhor das reações. Por fim, ele entendeu que não conseguia mais ficar longe da deusa, e pela primeira vez na vida ele se sentiu completo. Eles brigaram. Eles se acertaram. Eles estavam namorando. Ele a amava. E tudo parecia tão bem. Até agora, pelo menos.

Inferno sangrento. Será que não pode haver um equilíbrio? Porque é que as coisas não ficam bem de uma vez por todas? – O deus bufou. – Não posso lutar em uma outra guerra, não agora quando tudo estava indo tão bem, com o reino se reconstruindo. Mas não posso esperar que Anfitrite esteja me chamando pra tomar um chá da tarde. O que diabos ela quer?

Poseidon sentia a cabeça latejar e massageou as têmporas com as pontas dos dedos. Ele não era bom em estratégia, nem conseguia raciocinar rápido como Atena (fato que ela adorava enfatizar, por sinal), e parecia prestes a explodir devido à quantidade de pensamentos que atravessavam a mente dele.

Deuses, como é que Atena consegue ordenar essa bagunça de idéias e lidar com tanta pressão? Ela é mesmo um gênio. Não que eu vá admitir isso em voz alta. – Ele rolou os olhos com o próprio pensamento idiota, era difícil se acostumar a não implicar com a loira, como quando eles eram rivais.

O deus dos mares fechou os livros que estavam sobre a escrivaninha de mogno e consultou pela última vez o planisfério em que estivera estudando os oceanos, antes de se levantar e guardar tudo nas estantes e sair do pequeno escritório. Ele desceu a escadaria pensando em como explicar para a Deusa da Sabedoria todas as estratégias que tinha brevemente planejado, e por isso ficou muito surpreso ao encontrá-la no pé da escada, cercada por malas e com os braços cruzados.

—Finalmente. Onde é que você estava?

—No seu gabinete, consultando alguns mapas só por precaução. – Poseidon deu de ombros. – Hã... Atena, querida, o que tem nessas malas?

A loira mordeu o lábio inferior e desviou os olhos dos dele antes de responder.

—Roupas. Sapatos. Itens de higiene. Produtos pra cabelo, pele, dentes, essas coisas. Um punhado de maquiagens, saltos e peças íntimas, hã, ínfimas que Afrodite tinha colocado na minha mala originalmente. Ah, e também todos os pertences que trouxemos para Londres. Eu não mexi na sua mala – A deusa apontou para a enorme mala preta de Poseidon, corando absurdamente antes de continuar a falar. – Só adicionei um... hã, kit de primeiros socorros.

Ele arqueou uma sobrancelha negra e abriu um sorriso de canto, divertido com a situação.

—Um kit de primeiros socorros?

—Bem, só por precaução. – Ela respondeu dando de ombros, como ele havia feito alguns segundos antes.

O sorriso dele foi desaparecendo gradualmente, conforme ele compreendia o que ela estava planejando. Ele limpou a garganta desconfortável, antes de perguntar:

—Atena, porque, exatamente, você fez as malas?

Ela passou um dedo pelo cabelo cacheado com certo descaso e rolou os olhos em sua mania incurável.

—Não é óbvio? Para irmos ao seu Palácio Subaquático. Marie está no jardim nesse segundo, regando as orquídeas.

—Marie?

—É, Poseidon. – Atena rolou os olhos azuis pela milésima vez. – Marie Winewaller, minha amiga.

—Eu sei. Mas o que ela faz aqui?

—Eu a chamei pra cuidar da casa e de Padfoot enquanto estivermos fora.

—Hã, er... – O deus coçou a nuca notadamente sem jeito. – Você não pode ir.

—O que você exatamente você quer dizer com ‘não posso ir’, Poseidon? – A deusa retrucou, batendo o pé impacientemente. – É algum tipo de proibição para que eu não entre nos seus domínios, enquanto você está lá, conversando amigavelmente com sua ex-mulher?

A expressão de Poseidon foi de incredulidade, ao ouvir o tom de voz da deusa. Ele realmente não acreditava no que ouvia. O deus tentou se conter, mas após alguns segundos, um novo sorriso cafajeste surgiu nos lábios dele.

—Oh, não. Não me diga que você está com ciúme, Atena.

—Ciúme? Ah, claro. De você. Aham.

—Atena... Por favor. – Ele riu e a abraçou pela cintura. – Isso que você está dizendo é absurdo. Eu nem ao menos queria me encontrar com Anfitrite. Mas eu preciso ir.

—Então eu vou com você. – A loira se rendeu ao abraço e sorriu timidamente, depositando um selinho no canto dos lábios do deus. – Está decidido.

Foi a vez de Poseidon rolar os olhos. Deuses, como ela era insistente. E persuasiva, a propósito.

—Não, Atena! Você não vai. Anfitrite é instável e ninguém sabe o que ela está tramando, é um risco desnecessário. Além do mais, ela vai ficar furiosa de ver que você está comigo, e aí as coisas podem ficar realmente perigosas.

—Na verdade, ela vai pensar que você me seqüestrou e está me levando para o fundo do mar a força. É o que qualquer ser normal pensaria. Não que estamos namorando.

—Anfitrite não é um ser normal, acredite. – O deus baixou os olhos e segurou uma das mãos de Atena. – Por favor. Eu não quero que nada de mal aconteça com você.

Atena suspirou baixinho. Ela entendia o ponto de vista dele, até achava extremamente fofo ver o deus tão protetor. Mas será que ele não a compreendia? Como ele podia acreditar que seria mais fácil e melhor para a deusa ficar em Londres, sem nenhuma notícia do que estava acontecendo, enquanto ele ia se encontrar com a ex mulher que havia declarado guerra ao seu reino? Será que ele não entendia o quão angustiante seria para ela, o quão ruim seria ficar sentada esperando que ele voltasse, sem poder fazer nada para ajudá-lo?

—Poseidon, eu não vou deixar você ir sozinho.

—Mas...

—Não me interrompa. – Ela pediu sutilmente, colocando um dedo sobre os lábios dele. – Eu sei os riscos que estarei correndo se for com você, sei das prováveis conseqüências. Mas não me importo com isso. Eu quebrei meu voto de castidade, revi alguns princípios que eu tinha, aceitei meus sentimentos, tudo isso pra ficar com você, Poseidon. Porque eu te amo, porque eu quero passar toda a imortalidade ao seu lado, e isso implica te apoiar nos momentos difíceis.

O deus gemeu, ligeiramente frustrado. Atena jogou os braços ao redor do pescoço dele, fazendo a carinha do Gato de Botas e um beicinho inocente.

—Você sabe que eu vou de todo jeito.

—Isso é chantagem. – Ele reclamou.

—Aprendi com o melhor. – Ela deu de ombros. Poseidon bufou e a deusa sorriu de canto. – Por favor.

—Tudo bem! Eu devo estar louco por concordar com isso, Atena. Mas só porque você é irresistível, apesar da recente irresponsabilidade.

—Eu sei.

Poseidon rolou os olhos, tentando não rir, e a puxou para um beijo, momentaneamente esquecendo todos os problemas que estava prestes a enfrentar.

—Agora então você é chantagista e convencida, Ateninha?

—É a convivência. – A loira piscou inocentemente e estendeu a mão para Poseidon.

O deus segurou a mão dela e as malas, e no segundo seguinte eles se teletransportaram.

–X-

Antes mesmo de abrir os olhos, Atena já sabia que estava no fundo do mar. A temperatura tinha caído alguns graus, por causa da água gelada, mas não chegava a ser desconfortável, e a atmosfera era diferente, sendo possível de se respirar, mas o ar era rarefeito. Ela tinha a sensação de estar em uma enorme bolha do meio do oceano.

Poseidon apertou sua mão levemente, esperando pela reação da deusa. E então ela abriu os olhos. E não conseguiu dizer nada.

Era lindo.

Absurdamente perfeito.

Eles estavam parados na escadaria do Palácio, em frente a uma pesada porta de um material semelhante a madeira, incrustada de pérolas e com arabescos entalhados. As paredes e as torres do palácio eram cheias de conchinhas encaixadas perfeitamente, e as cúpulas eram feitas de vidro.

Atena ficou extremamente encantada com o palácio, com a vista que tinha do reino, com a arquitetura, com a paisagem, com as pessoas que estavam ao longe e com tudo que conseguiu captar visualmente.

—Wow.

—Imaginei que você gostaria. – Ele sorriu ternamente. – Mas não pensei que te traria aqui nessas condições.

—Tudo bem, terei a eternidade toda pra conhecer cada centímetro dos seus domínios. Pronto?

—Yeap. – O deus entrelaçou seus dedos novamente e empurrou na porta com a mão livre.

Imediatamente, as portas duplas se abriram magicamente e Atena mal teve tempo para absorver a grandiosidade e a beleza do interior do Palácio, pois um criado, impecavelmente vestido, apareceu na frente deles, parecendo ao mesmo tempo assustado e aliviado de vê-los ali.

—Graças aos deuses o senhor chegou, Lorde Poseidon.

–X-