Notas iniciais
Oi? Ainda existe alguém aqui? *limpa as teias de aranha dos cantos da história* Primeiramente queria pedir perdão aos meus leitores, que são os melhores e mais maravilhosos do mundo. Me perdoem por não conseguir ser boa o suficiente para vocês e por não postar por TANTO tempo. Eu sei que não existe nenhuma desculpa para eu ter abandonado a fanfic e vocês do jeito que eu fiz, então não vou me estender aqui. Sinceramente, me desculpem. Bem, se alguém ainda quiser ler, aqui está o capítulo! Espero que gostem :)

CAPÍTULO 39: Palácio Subaquático – Anfitrite.

Sétimo Dia– Parte 4.

—Leuron – Poseidon disse ao criado. – O que está acontecendo?

—Dolphin pediu-me para que levasse Vossa Alteza diretamente até a Sala de Reuniões assim que vocês chegassem. Sozinho.

—Vocês sabiam que eu viria com Poseidon? – Atena questionou, incapaz de se refrear.

Leuron fez um sinal rápido de cabeça para a deusa e se virou para mostrar o caminho. Poseidon não se mexeu.

—Leuron. O que houve? Me explique tudo o que você sabe. – O deus soava preocupado.

—Infelizmente eu não sei de nada, Lorde Poseidon. E as ordens superiores de Dolphin são para que eu fique calado, mesmo que saiba o que está acontecendo, o que não é o caso.

O deus dos mares fitou o pobre Leuron com uma máscara de frieza e seriedade bem esculpida, e Atena ficou um pouco surpresa ao reconhecer uma pouco de impaciência na voz do deus.

—As ordens superiores são as que eu estabelecer. Não estou pedindo pra que você me conte. Estou mandando.

—Mas...

—O que está acontecendo nesse palácio? Pelo Olimpo! – O deus apertou a ponte entre o nariz e suspirou. Atena podia ver o quão tenso ele estava e por causa disso segurou sua outra mão levemente.

—Poseidon, é melhor você se encontrar com Dolphin. Só... Fique calmo, por favor. – Ela pediu, mesmo que estivesse se sentindo uma pilha de nervos. – Ele provavelmente sabe tudo que está acontecendo e pode te dar informações mais precisas, já que é seu oficial de confiança.

Ele franziu as sobrancelhas, ainda incomodado, mas concordou.

—Você quer—

—Não. – Ela o cortou. – Ele pediu que você fosse sozinho. Vou ficar aqui, te esperando.

Aparentemente, o sorriso que Atena lhe lançou para passar um pouco de segurança funcionou. Ele deu um beijo rápido na testa dela.

—Vai ficar tudo bem. – Sussurrou.

—Eu sei.

—Leuron, por favor, cuide de Lady Atena. Mostre a ela o Palácio Subaquático, fale da arquitetura e da história, ela gosta de coisas assim.

Atena teria rido fofamente do cuidado que ele demonstrava ter por ela, se a situação não fosse tão tensa. Ela apenas anuiu.

O deus lhe lançou um olhar significativo antes de se virar e atravessar o cômodo, sumindo por uma porta de mogno lateral. A deusa involuntariamente observou o lugar onde estava.

O Palácio era incrível, ela já havia percebido antes mesmo de entrar. O teto era, na verdade, uma cúpula de vidro pela qual ela podia observar o oceano. As paredes eram feitas de uma pedra polida ligeiramente azulada e estavam repletas de quadros, tapeçarias e artes. Aparentemente, aquele era o Hall de entrada, pois possuía duas portas de mogno e um corredor.

—A senhorita tem um talento incrível para lidar com Poseidon. –Leuron disse, tirando a deusa do transe.

—Acredite, Leuron, eu levei mais de três mil anos para aprender.

—Formidável! Desculpe-me não ter me apresentando como manda a etiqueta. São as circunstâncias. Leuron Withes, a seu dispor. – Por favor, milady, me acompanhe.

–X-

Leuron fez exatamente o que Poseidon havia mandado e guiou Atena por algumas partes do palácio, tentando deixa-la o mais confortável possível. A deusa, no entanto, não conseguia prestar muita atenção no que ele falava sobre história ou arquitetura, apesar de tudo ser muito fascinante, ela não estava no clima.

Quando chegaram ao segundo salão de jantar a deusa pediu gentilmente ao mordomo para descansar e ele a acomodou em um quarto espaçoso do terceiro andar, com uma cama grandiosa de dossel e uma colcha em tom de verde claro. O quarto tinha ainda um guarda-roupa, uma estante repleta de livros antigos, uma escrivaninha e uma lareira com duas cadeiras dispostas perto dela (o que Atena achou meio bizarro. Não estava acostumada a projetar quartos com lareira).

A deusa se sentou em uma das poltronas confortáveis de couro e observou pequenas fagulhas na lareira. Ela concluiu que provavelmente era encantada para acender de acordo com o clima. Atena suspirou. Ela estava com os nervos à flor da pele. Não queria admitir isso, mas era a verdade.

Ela deixou sua mente vagar, ora observando as chamas que cresciam, ora pensando em folhear os livros, ora completamente perdida. A deusa da sabedoria tentava juntar todas as peças e entender sozinha o que estava acontecendo. Tentava entender o motivo pelo qual Anfitrite chamara Poseidon, o motivo de Dolphin chamá-lo sozinho e quais seriam as repercussões disso. Pela primeira vez em anos a deusa não tinha uma resposta para suas perguntas.

Ela não sabia quanto tempo havia passado perdida em pensamentos e quando olhou o relógio percebeu que já eram mais de seis horas da tarde. Eles haviam chegado ao Palácio por volta do meio dia. Seis horas sem nenhuma notícia de Poseidon.

A deusa se afundou ainda mais na poltrona em que estava sentada e massageou as têmporas. Ela estava prestes a se levantar e andar em círculos quando ouviu batidas na porta. Atena respirou fundo e tentou parecer o mais calma possível antes de abrir a porta e ver duas criaturinhas de cabelos extremamente pretos, aparentando no máximo quinze anos, encostadas no batente.

—Lady Atena? – Uma delas deu um passo à frente e Atena deu espaço para que ambas entrassem no quarto. – Com licença. Nós sabemos que a senhorita pediu para não ser incomodada, no entanto Lord Poseidon pediu para que ficássemos com você até ele vir ao seu quarto. Não deve demorar mais que meia hora.

—Ao menos foi isso que ele falou, mas Poseidon é o ser mais lerdo do planeta, então nunca se sabe. – A outra garota retorquiu e estendeu a mão para cumprimentar Atena. – Eu sou Tiffanny. E essa é minha irmã Cassie.

—Tiffanny! Que falta de educação. – Cassie a interrompeu e fez uma reverência formal para a deusa. – Não ligue para ela, Lady Atena. Poseidon não deve demorar.

As duas eram idênticas. Cabelos pretos e lisos até a cintura, olhos cor de mel, estatura mediana e esbeltas. Elas eram muito bonitas e tinham a pele muito clara e levemente perolada. A deusa percebeu que elas emitiam certa áurea mágica. Ela se sentou na cama e cruzou os tornozelos, enquanto as gêmeas se sentavam nas duas poltronas.

—Olá. Tudo bem então. Ele mandou vocês virem aqui pessoalmente? – A deusa perguntou, numa tentativa de soar casual.

—Yeap. Encontramos ele há uns cinco minutos no corredor da ala oeste. Ele parecia meio desesperado então nó... Ouch! – Tiffanny parou de falar quando a irmã deu uma cotovelada nas costelas dela. – Pelos deuses! Quanta agressividade Cass.

—Não fale besteira. – Cassie rolou os olhos mel. – A intenção é não assustarmos a Lady Atena, mas aí você fala essas coisas sem noção. Não dê ouvidos a ela. Poseidon só estava pensativo.

Atena fitou as duas, ponderando qual parecia mais sensata. Definitivamente Cassie. Ela relaxou um pouquinho ao perceber isso. Ao menos Poseidon estava bem e não parecia que uma nova guerra tinha sido declarada.

—Ele ainda está conversando com Dolphin? – Atena perguntou, por que não sabia exatamente o que falar.

—Não, Lord Poseidon provavelmente está no quarto dele, em frente a este aqui.

Atena tentou sorrir de canto e enrolou um cacho no dedo. Tudo estava relativamente bem. Ela conteve o impulso de erguer uma sobrancelha com a notícia de que o quarto do deus era em frente ao seu. Atena tinha imaginado aquele esse tipo de informação seria a primeira que ela receberia se Poseidon um dia a provocasse chamando-a para conhecer o Palácio Subaquático.

—Poseidon é um pervertido, não sei como ele ainda não te chamou para conhecer o quarto dele. – Tiffanny sorriu de canto e Atena sentiu suas bochechas esquentarem.

—Não que ele convide todas as mulheres para lá. – Cassie se apressou em dizer e Atena riu.

—Ah, isso é uma coisa da qual eu duvido. Poseidon é o ser mais sem vergonha que eu tive a infe– A loira parou no meio da frase quando quase disse “infelicidade de conhecer”. Seria muito, muito difícil mudar os hábitos antigos. – Hã... a oportunidade de conhecer. Ele definitivamente chamaria qualquer ser do sexo feminino pro quarto.

Tiffanny riu e Cassie pareceu meio desesperada. Atena suspeitava que Cassie tivesse um certo cuidado em relação a imagem de Poseidon, talvez por que ela não queria que a deusa tivesse um conceito errado sobre ele, ou talvez porque ela tivesse uma grande admiração pelo deus.

Atena se surpreendeu ao pensar nisso e achou ao mesmo tempo engraçado e estranho considerar a possibilidade de que alguém gostasse de Poseidon e não apenas o suportasse. Pelo menos uma semana antes essa ideia seria inconcebível a ela.

—Você conhece Lord Poseidon melhor do que eu imaginei. – Tiffanny disse com um sorriso. – As mulheres de todo o reino querem acreditar que ele é O Todo Poderoso Poseidon, Deus dos Mares, o exemplo perfeito de gentleman.

—Poseidon não é tão deturpado assim, apenas é criança demais na maioria do tempo! Ele pode não ser o mais santo de todos os deuses, mas ainda é um ótimo exemplo de pessoa. – Cassie disse, perdendo um pouco da formalidade.

—Hey, calma! Eu estava brincando. Sei que você não o idolatra nem nada disso. Você nem tem um altar pra ele no seu quarto. – Tiffanny deu um meio sorriso debochado. – E olha que isso seria completamente normal.

Atena abriu a boca, mas sem saber exatamente o que falar fechou-a. Ela estava curiosa a respeito das meninas que tinham personalidades opostas e que pareciam muito próximas de Poseidon.

—O que você disse? – As duas perguntaram ao mesmo tempo e se viraram para Atena, como se ela de fato tivesse falado.

—Eu não disse nada. – Ela fitou as gêmeas e foi como se uma luz tivesse acendido em sua mente. – Você está lendo meus pensamentos?

—Achei que você entenderia mais rápido, sendo a Deusa da Sabedoria e tudo mais.

—Não seja rude, Tiff! Quer dizer ainda mais rude. – Atena olhou para Cassie, que claramente tentava se desculpar. – Não é educado ler os pensamentos de ninguém sem permissão.

—Mas também não é ilegal a não ser que a pessoa proíba expressamente.

Cassie estava prestes a replicar quando a porta se abriu. Poseidon colocou a cabeça no vão e deu seu sorriso de canto para as três. Apesar de parecer bem, Atena podia ver que ele continuava apreensivo em seus olhos verde-escuros e pelo estado da camiseta amarrotada.

—Oi? – Poseidon disse, timidamente. – Vocês não estão torturando Atena nem nada do tipo, né?

A deusa da sabedoria riu fofamente e fez que não com a cabeça. Ele mal entrou no quarto e Tiffanny saiu correndo até onde o deus estava e literalmente se jogou em cima dele.

Poseidon riu e a abraçou pela cintura.

—Poseidon!

—Hey Tiff. – Ele a cutucou com a ponta dos dedos, fazendo a garota rir. – Você está me sufocando.

—Eu sei. – Tiffanny deu de ombros com descaso, mas o soltou. – Estávamos apenas conversando com Atena.

—Eu posso confiar nisso? – O deus lançou um olhar rápido para a loira e se virou para Cassie.

— Cass. Por que você ainda não me cumprimentou?

Ele ergueu uma sobrancelha em sarcasmo e Cassie corou imediatamente.

—Hey Lord Poseidon.

—Esqueça esse lord. E não ouse fazer uma reverência. – Ele se aproximou da outra garota e a abraçou depositando um beijo no topo da cabeça dela. – Você está se tornando formal demais para o meu gosto.

—Alguém aqui tem que ser responsável, já que vocês dois se comportam como crianças de três anos que querem fazer o maior sanduíche de pasta de amendoim da história e acabam com as três cozinhas do palácio destruídas.

Tiffanny rolou os olhos e respondeu:

—Bem, acho que isso não vem ao caso já que foi um acidente.

—Vocês acidentalmente compraram dois mil e oitocentos potes de pasta de amendoim?

—Era pra ser o maior sanduíche da história! – Poseidon se defendeu.

Atena observava a cena com as sobrancelhas franzidas. O deus parou de falar assim que viu a expressão dela.

—Hã... Okay. Acho que podemos deixar essa discussão pra depois. Realmente preciso falar com Atena agora, e da última vez que eu ouvi notícias a mãe de vocês estava procurando por duas leitoras de mentes irritantes para terminar a aula de Grego Antigo.

—Oh não! – Cassie murmurou. Tiffanny se limitou a suspirar.

—Lady Atena, foi um prazer conhece-la. Me desculpe pela minha irmã. Você não sabe como é difícil aguentar esses dois juntos!

—Posso imaginar. – Atena replicou, com um sorrisinho de canto. – Foi um prazer conhecer vocês também.

—Hey! Elas estão se unindo contra nós, Tiff! – Poseidon reclamou e deu um beijo na bochecha de cada uma antes delas se retirarem.

Quando a porta se fechou ele andou até a poltrona mais próxima da cama e se sentou, correndo a mão pelo cabelo. Ele fechou os olhos e, por milagre, ficou quieto. Atena que quebrou o silêncio.

—Wow. Não sabia que você levava uma vida tão... – Atena fez uma pausa, procurando a palavra mais adequada.

—Doméstica? – Poseidon chutou com o vestígio de um sorriso no canto dos lábios.

—Eu ia dizer paternal. –Ela colocou um dedo no queixo para parecer pensativa. – Não me diga que você é pai delas e eu não sabia.

Ele lançou um olhar divertido para ela e riu.

—Não. Talvez padrinho seja a palavra mais adequada. Elas moram no palácio desde que tinham uns cinco anos. A mãe delas trabalha aqui como governanta e chefe responsável pelos criados. As duas são ótimas, apesar de completamente diferentes.

—Eu vi isso. Mas admito que fiquei com medo de você e da Tiffanny bolarem um plano para dominar o mundo.

—Oh, não se preocupe. Já superamos fase de Pink e Cérebro. Cass impediu que colocássemos o plano em prática assim que ficou sabendo dele.

Ambos ficaram em um silêncio que fez Atena se controlar para não roer as unhas.

—Desculpe não ter falado das meninas antes – Ele começou – Elas são uma parte da minha vida e acho que mesmo assim nunca as mencionei pra você.

—Oh, imagine. Nós éramos arqui-inimigos há uma semana, não teria porque contar algo tão pessoal.

O deus segurou uma mão de Atena.

—É que nesse meio tempo eu só conseguia pensar em você. Me esqueci quase que completamente do Palácio, do reino e até de—

—Anfitrite. – Atena completou.

—É.

Ela ajeitou os dedos para que ficassem entrelaçados com os de Poseidon, dando um tempo para ele pensar. A tensão se tornou praticamente palpável no quarto.

—Eu quase posso ouvir as engrenagens do seu cérebro trabalhando. Pode me perguntar o que quiser, Atena.

—Está tudo bem?

—Não.

—Você quer falar sobre isso agora?

—Não.

Atena mordeu o lábio inferior. Ela não esperava aquela resposta.

—Eu quero ir pra praia observar o cair da noite e dar uns amassos com você. – Ele abriu um olho para observar a reação de Atena, que rolava os olhos. – Mas temos assuntos bem mais sérios e urgentes para discutir. Então vamos lá.

—Como você consegue ser tão imbecil até nos momentos de crise?

—Anos de prática.

O deus se levantou e puxou Atena para a sacada. A atmosfera estava bem gelada e a deusa percebeu que já estava quase anoitecendo, porque as águas estavam escurecendo. O fundo do mar era um lugar encantador e ela nunca imaginara que poderia haver diferença na tonalidade da água de acordo com os horários do dia. A vista era linda e tudo era muito pacífico ali. Aquele poderia ter sido um momento romântico. Mas não era.

Poseidon se escorou na beirada da grade e começou a falar, olhando para o mar, e não para a deusa. Ela já havia percebido que isso o acalmava.

—Eu não sei exatamente por onde começar. Passei a tarde toda conversando com Dolphin, mas meus pensamentos ainda estão meio nebulosos no que diz respeito a tudo que está acontecendo. Se você está preocupada com a guerra, não fique. Não vai acontecer guerra nenhuma. Não foi por isso que Anfitrite me chamou.

Atena quase suspirou de alívio.

—Mas eu não sei se a situação que temos em mãos é melhor do que a guerra. Eu honestamente não sei.

—O que poderia ser tão terrível?

—É uma catástrofe pessoal, com proporções gigantescas. Não temos certeza que vai atingir o reino, e caso venha a atingir, isso ainda demoraria anos pra acontecer. – Ele franziu as sobrancelhas e engoliu em seco, antes de continuar. – Anfitrite e o herdeiro não estão bem.

A deusa percebeu que ele usou a palavra “bem” como uma forma de eufemismo. Ele não queria dizer aquilo de maneira superficial. Poseidon estava escondendo em alguma coisa.

—Ela... Hm... Está enfrentando problemas na gravidez?

O deus dos mares abriu o sorriso de canto mais triste que Atena já vira e concordou com um aceno de cabeça. Ele ainda não olhava para ela, mas fitava a vastidão que era o fundo do oceano.

—Acho que posso dizer isso. Na verdade, tem muito mais. É uma história muito complicada e longa.

—Tudo bem, Poseidon. Eu estou aqui com você. Vamos resolver isso juntos.

—Talvez não seja possível. – O tom do deus estava carregado de melancolia, e Atena quis abraça-lo, mas apenas esperou que ele limpasse a garganta e começasse. – Após o divórcio, Anfitrite se mudou do Palácio. Ela obviamente não queria mais ficar aqui sabendo que todas as pessoas eram meus servos, e que muito provavelmente ficariam do meu lado caso houvesse algum conflito.

“Quando ela saiu do Palácio estava grávida de pouco mais de um mês. Eu preferi não insistir para que ela ficasse aqui, e sequer pensei na criança. Eu tinha um milhão de motivos para querer que ela ficasse longe e não me importei em acompanhar a gravidez, nem nada do tipo. Afinal de contas, eu não imaginava que nada de ruim pudesse acontecer.

“Preciso esclarecer um ponto antes de continuar. Anfitrite não é uma deusa propriamente dita. Ela se tornou uma deusa menor depois que nos casamos, e isso quer dizer que ela teria poderes e imortalidade pelo período de tempo que estivéssemos juntos. Antes de nos casarmos ela era uma nereida praticamente comum, exceto pelo fato de que possuía alguns parentes com um pouco mais de magia no sangue. A mãe de Anfitrite, por exemplo, era uma das feiticeiras mais antigas do reino. A partir do nosso casamento, Anfitrite era livre para agir como qualquer deus menor do Olimpo, e após nosso divórcio a maioria desses benefícios sumiram.

“Ela não ficou totalmente sem poderes, obviamente. O motivo disso é a gravidez. A criança é divina, e provavelmente será um deus menor também. Mas quando Anfitrite saiu de casa, ela não era poderosa o suficiente para agir como uma deusa no mundo mortal, e por isso ficou aqui no oceano.

“Anfitrite sempre foi ambiciosa, e isso não era necessariamente um problema. Mas após o divórcio ela ficou brava e ressentida demais, então ameaçou tomar o reino. Ela já estava carregando o bebê que tem direito a metade do reino, enquanto herdeiro, e tudo que ela precisava para sua vingança era de poder. E Anfitrite buscou conquistar esse poder da forma mais errada e tenebrosa possível.

“Ela estava confinada ao oceano, mas isso não era uma desvantagem. A maioria dos meus inimigos também vivem aqui. Inúmeras magias antigas tem origem na imensidão que é o mar e muitas dessas magias não são para o bem. Anfitrite recorreu à magia negra. Ela foi atrás de vários feiticeiros, de espíritos antigos do oceano, de pessoas que podiam dar à ela esse poder para tomar o reino quando o herdeiro tivesse idade para reivindicá-lo.

“Não tinha como rastreá-la, uma vez que ela estava envolta em magia negra, então nesses últimos meses eu fiquei no escuro, sem saber o que ela estava fazendo. O que Anfitrite não se deu conta, é que a magia negra cobra seu preço, e normalmente é um preço muito caro. Ela... Bem, ela voltou a sua condição de mortal. E a magia agora está a consumindo. Ela está extremamente fraca e não há nada que possamos fazer. Dolphin já chamou inúmeros feiticeiros, mas parece que a condição de Anfitrite é irreversível. Ela provavelmente não aguentará mais que três dias antes de definhar.

“Nesse exato momento, no entanto, ela está na ala noroeste do Palácio, sob cuidados médicos, porque está tendo contrações.”

Atena piscou os olhos repetidas vezes tentando entender todas aquelas informações. A deusa não conseguia processar os fatos, não entendia como Anfitrite tinha feito aquilo. Não entendia como se sentia em relação às atitudes de Anfitrite, e não sabia se estava assustada, triste, inconformada ou desesperada. Era uma mistura.

Ela abriu a boca duas vezes até que conseguiu falar.

—Eu... E-e-eu... Meus deuses, Poseidon! – Ela o puxou para perto e o abraçou de uma forma protetora. Poseidon estava tremendo ligeiramente e quando a deusa o olhou, percebeu que ele tinha algumas lágrimas escorrendo pelo rosto. – Isso é... Eu não sei o que falar. É horrível.

—Sim. É horrível. É deplorável e triste. E ao mesmo tempo é angustiante. – Ele apertou Atena mais forte contra si. – Mas não é tudo.

Atena ergueu o olhar até encontrar as duas esmeraldas que eram os olhos de Poseidon. Ela podia ver o desespero neles. A deusa não sabia se aguentaria mais daquilo. Ela queria se encolher e chorar e esquecer aquela história, queria acreditar que aquilo era um pesadelo. Mas precisava ser forte. Por ele. Precisava manter o controle.

Poseidon respirou bem fundo e engoliu em seco, aproveitando para limpar as lágrimas que teimavam em escorrer.

—Anfitrite não fez isso só consigo mesma. Isso pode ter afetado o bebê também. – Ele olhou firme nos olhos de Atena. – A criança parece forte, segundo os médicos que estão acompanhando o caso. Mas ainda não sabemos que consequências isso trará para ela. Não sabemos se o bebê vai crescer como um deus menor normal, ou se vai ser essencialmente ruim ou amaldiçoado por ser submetido à magia negra. Ninguém sabe. E eu não sei o que fazer.

–X-

Notas finais
Então, o que acharam? Vocês já tinham imaginado algo assim? Oh, sim, eu estou realmente curiosa. Acho que amaria se alguma alma bondosa me deixasse um comentário. *pisca* Mil beijos da Mirtle :*