Fechado Para Reforma!
41 Juntos.
Notas iniciais
CAPÍTULO 41: Palácio Subaquático – Juntos.
Atena abriu os olhos, assustada, e levou alguns segundos para reconhecer onde estava. Ela pegara no sono após confortar Poseidon na noite anterior, mesmo que dormir estivesse completamente fora dos seus planos. A deusa tinha muito o quê analisar e esperava que pudesse colocar os pensamentos em ordem durante a madrugada, horário no qual suas ideias fluíam melhor. No entanto, ela estava exausta e o sono levara a melhor.
Antes mesmo de ela estar completamente desperta seu subconsciente apitou. “Poseidon” foi o primeiro pensamento concreto dela. Atena se virou, estendendo a mão para o lado da cama em que ele havia dormido, mas tudo o que ela encontrou ali foi um amontoado de lençóis frios.
Sua primeira reação foi ficar alarmada e em pânico. Ela se acalmou logo em seguida, se lembrando de que o perigo já havia passado. Provavelmente.
O feiticeiro não havia dado nenhum veredito final sobre o bebê, mas ela não podia deixar de ter esperanças que estava tudo bem. Ela quase podia sentir isso. Aquela criaturinha absurdamente fofa e tão parecida com o deus dos mares era extremamente pura para ter algum resquício de maldade.
Ela se levantou ao perceber que já tinha enrolado uns dez minutos na cama e encontrou um pequeno recado na mesa de cabeceira. Era de Poseidon.
“Não quis te acordar, você parecia muito serena enquanto dormia. Fui ver como o bebê está. Que tal tomar café-da-manhã comigo assim que levantar?
Amor, P.”
A deusa conteve um suspiro de alívio ao ler, porque ele parecia estar bem e recuperado da crise de culpa repentina da noite anterior. Ela foi até sua mala que estava ao lado da escrivaninha e separou uma calça preta, uma camiseta de botão em um tom escuro de cinza e uma sapatilha discreta antes de entrar para o banho.
–X-
Já tinha se passado cerca de cinco minutos que Atena estava andando pelos corredores do Palácio tentando encontrar o caminho para uma das salas de jantar ou para a cozinha. Ela se lembrava vagamente de alguns trajetos que fizera no dia anterior.
Atena dobrou a direita no corredor e parou abruptamente para não atropelar a pessoa de cabelos completamente brancos que vinha no sentido oposto. Ela sorriu ao ver Leuron.
—Graças aos deuses encontrei alguém aqui, Leuron!
—Bom dia, Lady Atena. Está tudo bem?
—Na medida do possível, sim. Mas no momento eu estou completamente perdida. Já andei um bom tempo, mas o Palácio é enorme e eu não consigo encontrar a cozinha.
—Eu te acompanho até lá. – O criado sorriu gentilmente.
—Obrigada. E você, como está?
—Ué... – Ele suspirou e pareceu uns ter uns cem anos a mais. – Um pouco triste pelo que houve com Anfitrite. Não havia como ser diferente.
—Eu entendo.
—Acho que todos nós estamos. Anfitrite nem sempre foi uma megera, então por séculos a servi e tive a oportunidade de ver o lado bom dela. É claro que quando ela mudou de lado e ficou obcecada por poder e ameaçou a todos nós, meu apreço por ela diminuiu e chegou praticamente a ser inexistente. Mas, infelizmente, às vezes as pessoas tomam as decisões erradas sem perceber.
—Imagino como deve ser difícil. – Atena disse, solidária. Ela não conhecia muito bem o lado bom de Anfitrite e mal conversara com ela nos raros momentos que tivera oportunidade, mas acreditava no que Poseidon e Leuron falavam dela. Ninguém podia ser completamente mau, afinal de contas.
—Bem, é aqui.
O criado fez uma mesura para Atena indicando a cozinha. A deusa agradeceu e entrou lá, procurando por Poseidon.
O que ela encontrou, no entanto, foi uma mulher de meia idade que tinha a pele perolada e cabelos castanhos rodeada pelas gêmeas.
—Atena! – Uma das garotas gritou. Atena imaginou que fosse Tiffanny.
—Comporte-se, Tiffy. – Por incrível que pareça não foi Cassie que repreendeu, mas a mãe delas.
—Olá, Tiffanny, Cassie e Lanie.
—Tudo bem, Lady Atena? – Cassie perguntou.
A deusa deu de ombros sem saber o que responder. Lanie sorriu como se entendesse.
—A senhorita quer tomar café conosco? Eu vou pegar mais uma caneca, só um minuto.
—Não precisa! – A loira respondeu rápido demais e sentiu as bochechas corarem. – Obrigada pelo convite, mas estou procurando Poseidon. Vocês sabem cadê ele?
—Deixei ele e o bebê na sala de estar do quarto andar. – Lanie respondeu.
—Poseidon é muito babão. Ele não desgruda do bebê nem por um segundo.
—Tiffy! – Cassie rolou os olhos. – Você também não queria sair de perto dele. E mal deixava a criança dormir, de tanto ficar em cima.
—Nós estávamos contando uma história para ele. – Tiffanny deu de ombros e Atena e Cassie ergueram a sobrancelha ao mesmo tempo. – De todas as coisas legais que eu e Poseidon fazemos quando você e a mamãe não implicam.
—Meus deuses. É isso que dá deixar uma criança na mão de outras duas. Daqui a pouco vocês querem levar o bebê pra deslizar de meia pelos corredores.
—Nah. Ele ainda é muito pequeno.
Atena quase riu, balançando a cabeça em negação.
—Vocês duas, parem de discutir. – A mãe delas disse. – Está na hora de estudarem francês.
—Mas mãe! Não é justo. Nós estamos tristes demais para estudar.
—Triste? Diga por você mesma, Cass. Eu não fiquei contente com a morte de Anfitrite, mas não fiquei deprimida também não. Ela não era a pessoa mais amável do mundo e teve que arcar com as consequências.
—Tiffanny! Não seja tão rude e maldosa.
—É só a verdade. – Ela deu de ombros.
Atena sentiu que era hora de se retirar, pois podia prever o início de uma discussão.
—Com licença, vou encontrar Poseidon.
As três assentiram e explicaram brevemente o caminho para a deusa.
{...}
A sala de estar era muito bonita, decorada com móveis antigos e obras de artes maravilhosas. Mas o que de fato chamou a atenção de Atena foi a cena que ela viu ali.
O deus dos mares estava sentado no maior sofá segurando uma porção de cobertores no qual o bebê estava aninhado. Ele tinha uma expressão confusa e pensativa, e murmurava algumas coisas incompreensíveis à distância.
Ela se aproximou como se pisasse em ovos e Poseidon não a percebeu até que ela estivesse praticamente do seu lado.
—Emmet... Hm. Não. Noah? Não, bíblico demais. Er, Alexander?
—Hey, o que você está fazendo?
O deus ergueu o olhar e a fitou, abrindo um sorriso completamente bobo.
—Hey. Estou tentando encontrar um nome. – Ele apontou para o lugar ao seu lado e ela sentou-se lá. – O que você acha de Jaime?
—Não. Muito Lannister.
Ele riu, lembrando que ela era fanática com Game of Thrones.
—Então suponho que Joffrey está totalmente fora de cogitação?
—Absolutamente! Argh. Que nome horrível. – A deusa olhou para o bebê adormecido nos braços de Poseidon e deu um beijo na testa do pequenino. – Ele é tão lindo. Vamos encontrar um nome à altura.
—Yeap. E temos que fazer isso logo. Não aguento mais todo mundo se referindo à ele como “o bebê”.
Atena rolou os olhos e conteve uma risada.
—Depois podemos dar uma olhada nos nomes gregos mais antigos, os que não são tão comuns como Hércules ou Perseus.
Ela provocou o deus dos mares com um sorrisinho travesso.
—Está me chamando de sem criatividade por escolher o nome de Percy?
—Basicamente. – A loira deu de ombros.
—Eu gosto de nomes comuns. – Ele se defendeu.
—Tudo bem. Vou trabalhar em cima disso quando pesquisarmos nomes legais.
—Okay. – O deus se levantou e colocou o bebê (ainda sem nome) em um berço que tinha aparecido na sala de estar magicamente.
Atena esperou pacientemente até que ele voltasse para o lado dela.
—Tudo bem com você?
—Sim. – Era possível notar a sinceridade na voz dele. – Estou bem melhor. O feiticeiro deu uma constatação final.
Atena arqueou as sobrancelhas, num pedido mudo para que ele continuasse.
—Perfeitamente normal, como ele já tinha dito. Não há nenhuma sequela. Eu não sei porque ainda estava me preocupando com isso!
—Porque você é bobo. – Ela concluiu, rindo. – Eu já sabia. Não tinha como ele ter nenhum resquício de magia.
—Oh, Senhora Sabe Tudo, desculpe se sou um pai muito preocupado. – Ele usou a voz teatral. – Ainda vou observá-lo pelos próximos anos, de todo jeito. Eu não sei se conseguiria ficar longe. Foi quase impossível quando Percy nasceu. Eu queria visita-lo todo dia.
—Imagino. Você é grudento.
—Sou?
—Completamente.
Ele sorriu sedutor e convencido antes de puxá-la para um beijo tímido. A deusa correspondeu, apreciando aquele momento tão simples.
—Estou com fome. – Foi a primeira coisa que ele disse quando se separaram. Atena deu um leve tapa na cabeça dele.
—Você tem que começar a se alimentar direito, Poseidon.
—Hey! Eu estava te esperando pra tomar café da manhã!
Como que para comprovar isso, ele estalou os dedos e uma bandeja cheia de comida apareceu na mesinha de centro. Atena pegou algumas bolachas e assoprou seu cappuccino. Poseidon comeu a maioria das coisas que tinha açúcar, como de costume.
—Você está quieta. O que foi?
Ela mordeu o lábio inferior.
—Estou pensando.
—Em...?
—Em tudo. Tem muita coisa acontecendo. – Ela parou de comer por um minuto para explicar. – Eu e você. Anfitrite. O bebê. E como se não fosse o suficiente hoje é o dia da Reinauguração do Olimpo.
Ele mordeu um pedaço de chocolate e arqueou as duas sobrancelhas.
—Wow. Não estava me lembrando. Já tem uma semana que saímos de lá?
—Só tem uma semana. E parece que mil coisas mudaram. Seja sincero comigo – A loira pediu, olhando-o nos olhos. – Você está muito abalado pelo que aconteceu a Anfitrite?
Poseidon coçou a nuca em seu típico gesto de nervosismo e suspirou antes de responder. Atena aguardou pacientemente.
—Sim e não. Não posso dizer que estou indiferente, porque não é verdade. É uma coisa que me afeta, afinal de contas nós fomos casados por milênios. Mas não me deprime tanto quanto o esperado porque nos últimos séculos Anfitrite se transformou em outra pessoa que eu não conhecia. E eu não amava essa pessoa. Poderia até dizer que não gostava da nova Anfitrite e afirmar que tinha alguns ressentimentos. – Ele passou a mão pelo cabelo negro, fazendo com que os fios se rebelassem. – Noite passada eu tive um momento em que fiquei realmente triste e culpado com o que aconteceu à ela, mas acho que essa crise será a única dos próximos anos. Eu estou bem agora. Contente com o fato de ter um herdeiro extremamente charmoso como o pai e a mulher que eu amo do meu lado.
Atena suspirou aliviada. Ele perguntou:
—Você achou que a morte de Anfitrite poderia de algum modo abalar o que eu sinto por você?
—Talvez. – A loira respondeu, falhando miseravelmente em soar segura.
—Isso jamais aconteceria. Nada nem ninguém pode mudar os meus sentimentos por você, Atena. Porque eu te amo mais do que eu imaginei ser possível.
—Eu te amo mais. – Ela sussurrou.
O deus a puxou para mais perto e Atena encostou a cabeça no peito dele. Poseidon passou um dos braços sobre os ombros dela e começou a brincar distraidamente com os cachos dela. Ele adorava fazer aquilo. Era fascinante.
—Bem, e quanto a Reinauguração do Olimpo, o que te preocupa?
—Hm... Uma série de coisas. Eu não sei como faremos pra resolver as coisas com meu pai, pra começar. O juramento que eu fiz quando decidi ser uma deusa casta foi feito perante à ele. E eu estou apaixonada por você, o que já infringe meu juramento e vai ser um escândalo quando Zeus souber. Não acho que ele vá aceitar bem essa história de ver você ‘se aproveitando de mim’. Você é meu tio, afinal de contas.
Poseidon ponderou por um instante.
—Hera é irmã de Zeus. Deméter é irmã de Zeus. E ele tem filhos com as duas. Além do mais, incesto é a base do Olimpo. Ele não pode realmente ficar bravo por essa questão de parentesco. Quanto ao seu juramento, você pode retirá-lo, eu acho. Zeus também já quebrou um punhado de juramentos, como o de não ter mais filhos semideuses.
—Você também quebrou esse. – Ela meio que acusou.
—Não defenda seu pai! – Ele riu. – Eu estou tentando ajudar, lembra?
—Força do hábito. Me desculpe. – A deusa fez um trejeito fofinho antes de continuar. – Okay. Você teve ótimos argumentos e soluções até agora, há uma semana atrás eu não imaginaria isso. Mas enfim, também há o fato de que vamos pro Olimpo como namorados e carregando um bebê. Isso não soa um pouco demais?
Ele não conseguiu se controlar e riu, apertando ainda mais a deusa.
—Soa. Mas não tem problema, desde que nós dois estejamos bem com isso. E tenho certeza de que Afrodite vai nos apoiar como casal.
—Estou contando com isso.
Atena passou a mão pelo cabelo incrivelmente sedoso dele e o beijou mais uma vez, satisfeita por saber que tudo ficaria bem. De um jeito ou de outro.
Eles ficaram algum tempo abraçados e conversando coisas desconexas e sem muita importância. Poseidon fazia questão de aspirar o perfume de Atena sempre que possível e de brincar com os cachinhos dela, além, é claro de eventualmente passear com os dedos na cintura dela, por baixo da blusa, enquanto se beijavam. Ele ainda era aquele pervertido de sempre, afinal de contas.
A deusa fechou os olhos por uns segundos, tranquila. E quando os abriu de novo teve uma surpresa. Um envelope branco e lacrado com o símbolo de um caduceu flutuava a poucos centímetros do rosto dela. Atena pegou a carta e a abriu.
“Atena (deusa da sabedoria, da guerra justa, da estratégia e das artes),
Enquanto Mensageiro Oficial dos Deuses tenho a honra de convidá-la para a Festa de Reinauguração que acontecerá hoje às 19h no monte Olimpo. Todos os deuses estão convidados para retornarem ao monte nesse horário para celebrar a grandiosidade da reforma coordenada pela meio-sangue Annabeth Chase.
O evento será uma festa Olimpiana, como é de se esperar. Os trajes sociais são obrigatórios.
OBS.: Até o horário nesse convite estabelecido (19h) o Monte Olimpo estará fechado, sendo que Zeus é o único que estará lá. Caso precise conversar com o Deus dos Deuses favor mandar uma Mensagem de Íris (palavras do próprio Zeus).
Atenciosamente, Hermes (deus mensageiro, dos ladrões e dos viajantes).”
Poseidon acabara de ler uma carta idêntica a aquela. A deusa se levantou depressa, como se tivesse tomado um choque. Poseidon observou a reação enérgica da deusa sem saber muito bem o que esperar daquilo.
—Bem, acho que tenho que mandar uma Mensagem de Iris para Zeus então.
—Você quer ir para o Olimpo antes da festa?
—Acho que é o mais sensato a se fazer. Assim já posso falar com meu pai sobre nós e sobre o juramento antes que ele acabe descobrindo de outro jeito. E, sim, quando digo de ‘outro jeito’ quero dizer ‘pelos gritos escandalosos de Afrodite’. Ela certamente não vai se conter quando nos ver na Reinauguração.
Poseidon concordou com a cabeça em meio a risadas.
—Yeap. Não espere nada menos que uma tonelada de purpurina rosa caindo na sua cabeça quando anunciarmos que estamos namorando.
—Ah, não me faça pensar nisso. – Ela bufou. – Mas que seja. Vou mandar a Mensagem para Zeus.
—E eu vou conversar com Dolphin e com os criados para cuidarem do Palácio enquanto eu estiver fora. Te vejo daqui a pouco?
—Tudo bem. – Ela deu um selinho nele e se afastou depressa, indo para o próprio quarto.
–X-
Atena já tinha ligado para Marie, em Londres, e pedido para que ela ficasse na sua casa cuidando de Padfoot por mais um ou dois dias. Ela estava se contorcendo de saudades da sua melhor amiga mortal e do cachorrinho, e certamente iria para Londres assim que tivesse passado a Reinauguração, mas agora tinha coisas mais urgentes para fazer.
Ela mandou a Mensagem de Iris para Zeus (que pareceu muito feliz em vê-la, diga-se de passagem) e combinou que iria para o Monte Olimpo para o almoço. A deusa não mencionou que levaria também Poseidon e um bebê. Seria melhor resolver isso na hora.
Fechando a sua mala a loira abriu um sorriso antes de descer para se encontrar com o deus dos mares.
–X-
Poseidon já tinha passado todas as instruções a Dolphin e aos outros criados de como eles deveriam cuidar do Palácio e do reino enquanto ele não estivesse lá. Por isso todos esperavam pacientemente por Atena no hall de entrada.
As gêmeas e Lanie estavam praticamente babando em cima do bebê enquanto Leuron e Dolphin conversavam sobre qualquer outra coisa que não era relacionada ao domínio marinho. Poseidon alternava entre esses dois grupos, hora abraçando as meninas, hora dando opiniões sobre os melhores carros do ano. Ele sorriu satisfeito.
Atena apareceu poucos segundos depois, carregando sua mala com dificuldade. Poseidon rolou os olhos. Ela ainda insistia em não usar os poderes para fazer coisas que podiam ser feitas manualmente.
—Pronto, Atena?
—Sim!
Os dois se despediram de todos. Atena riu quando Tiffanny lhe deu um beijo no rosto e Cassie brigou com a irmã, falando que faltava etiqueta. Por fim, a própria deusa deu um beijo de despedida no rsoto de Cassie. Ela agradeceu a atenção de Leuron e o suporte de Dolphin e acenou um tchau coletivo.
Poseidon prometeu as gêmeas que traria pelo menos alguns bolos da Festa de Reinauguração (não é como se os deuses conseguissem comer todos os que teriam lá, de todo modo). Ele pegou o bebê no colo e deu a mão para Atena antes de desaparecerem.
–X-
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