Fechado Para Reforma!
7 Irresponsáveis
Notas iniciais
CAPÍTULO 07: Acampamento Meio-Sangue – Irresponsáveis.
Primeiro Dia – Parte6.
Com certeza Atena precisaria de outro banho. Ela estava completamente suja de terra, seu cabelo parecia mais um ninho de rato e seu rosto estava pegajoso por causa do machucado. Já devia ser por volta das seis horas da tarde e ela tinha que se arrumar a tempo para o jantar. Mas foi ignorando tudo isso que a deusa seguiu até o prédio prateado e simples que era o chalé seis.
Atena bateu na porta e aguardou pacientemente até um garoto de cabelo loiro encaracolado e olhos pretos abrir a porta. Ela abriu um pequeno sorriso ao ver que o filho mais velho ficou meio sem jeito com sua visita repentina.
—Mãe?
—Olá, Malcolm. Não te vi na aula de esgrima.
—Ah, é. Eu não fui.
Atena arqueou uma sobrancelha, ligeiramente surpresa.
—Me desculpe por isso. – Ele murmurou baixinho.
—Sem problemas, querido. Só pensei que tinha acontecido alguma coisa.
Malcolm pareceu surpreso e Atena culpou-se por isso. Ela não dedicava muito tempo aos filhos e deveria mesmo parecer estranho àquela preocupação desnecessária.
—Tem mais alguém aí? – A deusa perguntou, tentando mudar de assunto. Malcolm ficou imensuravelmente vermelho e abriu mais a porta, para que ela entrasse.
—Jenny acabou de ir jogar EspiroBall com o Lean. – Dizia ele, enquanto andavam para a o quarto. – E acho que a Claire foi procurar o Blaise e a Lily para arrumarem o chalé, já que amanhã tem inspeção e a Annie pediu para que organizássemos os livros por temas antes que ela voltasse do Olimpo.
Atena analisou as prateleiras atravancadas de livros e concluiu que poderia passar o restante da semana ali, relendo algumas de suas obras favoritas. Mesmo que só a idéia de ficar presa àquele acampamento por mais tempo que o necessário provocasse calafrios na deusa. Bem, era uma possibilidade, afinal de contas ela estava praticamente desabrigada.
—Oh, sim. Mas eu gosto quando estão separados por ordem alfabética. – Ela apontou a prateleira mais próxima. – E o que você está fazendo, filho?
—Bem, hm... Er... – Ele ficou tão vermelho quanto antes e arrumou a camiseta que estava meio torta. – E-eu tô trabalhando em um projeto para nova biga e – Atena não deixou que ele terminasse e abriu um enorme sorriso. Os olhos ficaram de um azul mais nítido e praticamente brilhavam quando ela se dispôs a ajuda-lo:
—Eu posso dar uma olhada?
—Hã, é claro, mas se—
E novamente Atena não deixou ele concluir. Bagunçou levemente o cabelo dele antes de entrar no quarto e se deparar com um punhado de papéis espalhados e lápis de trabalho sobre a escrivaninha mais próxima.
E pela segunda vez naquele dia a situação saiu do controle e se tornou imensamente constrangedora.
Ela mal teve tempo de olhar para os desenhos direito quando ouviu uma voz estridente gritar do banheiro.
—Maaaalc, você tá demorando! – A garota do banheiro bufou, para depois dar uma risada um tanto quanto maliciosa. – Qual é, amor, vai me deixar aqui esperando? Sabe, eu não sou muito paciente. E não é qualquer hora que o chalé fica vazio pra gente tran...— Ela apareceu na porta e perdeu a voz ao ver Atena a encarando incrédula.
A garota tinha o cabelo castanho claro completamente desalinhado e suas roupas estavam tão amarrotadas que poderiam ter sido mastigadas por cem cães infernais.
—La-lady A-a-atena. – Ela fez uma reverência desajeitada e puxou a saia para baixo.
Atena não respondeu.
As bochechas vermelhas da deusa certamente estavam afetando sua capacidade de fala. E seu cérebro devia ter sofrido um bloqueio também, porque ela só conseguia pensar em sair dali o mais depressa possível.
O que era totalmente irresponsável, já que dois campistas que não fossem irmãos não podiam ficar sozinhos no mesmo chalé. E parecia que essa regra era totalmente inválida já que os dois estavam quase fazendo vocês-sabem-o-quê.
Di Imortalles. Eles iam... Porque mesmo eu resolvi vir aqui? Tártaro. Droga, droga, droga. Se eu não estivesse aparecido eles estariam fazendo aquilo. Ah. Meus. Deuses. – Atena tentou afastar esses pensamentos nojentos e dignos de Poseidon de sua mente e virou-se para o filho.
Era realmente difícil saber qual dos dois loiros estava mais envergonhado.
Malcolm mexia o pé de um lado ao outro do carpete e mantinha os braços cruzados atrás do corpo, com a cabeça levemente abaixada. E era visível que as roupas dele não estavam em melhor estado que as da garota.
E Atena, bem... Atena não sabia o que fazer! Ela era só uma virgem de três mil anos, pura e inocente que tinha o azar de passar por situações embaraçosas a cada dois segundos.
—Eu, hm, depois vejo seus desenhos.
Malcolm ergueu uma sobrancelha e anuiu com a cabeça.
—Tudo bem. Er, mãe?
—Hm.
—A Leane é minha namorada. – Ele segurou ternamente na mão da garota. – De qualquer maneira, me desculpe por... isso.
—O Malc estava me ajudando com o projeto da biga. – Completou a garota.
Atena encarou os dois e percebeu que talvez eles já fossem grandes o suficiente. Ela suspirou sabendo que não podia fazer nada aquele respeito.
—Só tranquem a porta da próxima vez. – Ela surpreendeu-se com as próprias palavras e então foi para a Casa Grande.
Com certeza ela não jantaria depois de uma cenas daquelas.
–X-
Poseidon vestiu o único pijama que não era de linho que ele conseguiu encontrar em sua mala enquanto secava o cabelo. Já devia ser mais de sete da noite e ele não tinha intenção alguma de supervisionar aquelas pestes por mais tempo.
Ele jogou a toalha sobre a cama e viu que o quarto estava uma bagunça completa. Sem dar nenhuma importância ao fato ele resolveu ir pra sala ver TV ou jogar video-game. Poseidon desceu as escadas e ligou o PS3.
O deus seguiu então até a cozinha procurando alguma coisa pra comer. Mas ele não esperava encontra-la lá.
—O que é que você tá fazendo?
—Cappuccino. – Respondeu Atena, apontando para um bule no fogão.
—Não.
—Claro que é!
Poseidon rolou os olhos e encostou-se à bancada.
—Não. O que é que você tá fazendo aqui. Hein?
—Eu. Estou. Aqui. Fazendo. Cappuccino. – Ela disse pausadamente como se estivesse falando com uma pessoa muuuito lerda.
—E porque é que você não está jantando com os campistas? – Ele continuou como se não tivesse notado a irritação aparente dela.
—Porque eu não quero.
Atena deu as costas a ele e pegou uma caneca no armário. Tirou o bule do fogo e despejou o líquido nela. Poseidon desistiu de manter algum tipo de conversa e abriu a geladeira pra pegar uma latinha de Coca-Cola.
—Isso vai destruir sua estrutura óssea em no máximo cinquenta anos. – Ela disse com desdém, analisando Poseidon tomar o refrigerante enquanto bebericava o seu cappuccino. – E porque você não está coordenando o jantar?
—Eu não ligo pra minha estrutura óssea já que ela é perfeitamente indestrutível. Eu achei que você fosse pra lá.
—E resolveu me deixar com toda a responsabilidade?
—Mais ou menos isso. E agora é a Rachel que deve estar cuidando de tudo.
—Deve? Você nem foi ver se ela está lá?
—Não. E aposto que a Senhorita Responsabilidade também não foi.
Atena deu de ombros e levou a caneca aos lábios, sem se dignar a responder. Ele arremessou a lata de Coca no cesto de lixo. Ela olhou da latinha que quicou e caiu no chão para Poseidon, como se só com aquele olhar maquiavélico o fizesse catar e jogá-la no lixo. Mas Atena não disse nada novamente.
Poseidon a encarou, esperando ela mandá-lo para o Tártaro por estar poluindo o planeta. A deusa olhou para ele, mas não o repreendeu. Pelo menos não verbalmente.
Suspirando ele foi até a latinha e a colocou dentro da lixeira.
—O que é que você tem? – Ele questionou, visivelmente desconfiado.
Atena desviou o olhar para algum ponto no chão e soprou a bebida para esfriá-la.
—Hey, eu estou falando com você! – Ele se irritou e continuou a olhá-la frustrado. – Sabe, não é educado não responder as pessoas quando elas te perguntam alguma coisa. – Continuou ele no tom mais irônico e ácido que conseguiu. – Principalmente quando essa pessoa é um dos Três Grandes.
—Como se você soubesse alguma coisa de educação. – Ela resmungou e rolou os olhos. – Nada.
—Nada o quê?
—Você está fazendo isso só pra me irritar?
—Isso o quê?
Atena bufou e colocou a caneca em cima do balcão com uma força desnecessária, que fez com que o líquido espirrasse nela.
—Ai! Droga, isso tá quente!
—E depois eu que sou retardado. – Poseidon comentou.
Atena foi até a pia e lavou as mãos e limpou a testa.
—Sua bochecha ainda está suja.
—É do machucado que você me fez essa tarde.
—Você ainda não tomou banho?
—Oh, Parabéns Senhor Óbvio!
Poseidon ignorou o evidente sarcasmo dela.
—O que diabos é nada? – Ele perguntou ainda sem entender.
—Você é imbecil assim o tempo todo ou só perto de mim, Poseidon? Francamente! Você me perguntou o que eu tinha. Nada.
—Ah, é claro. – Poseidon disse em sarcasmo enquanto sentava-se à mesa e cruzava os braços. – É completamente normal você não me mandar pro Tártaro em dez minutos de conversa, deixar as responsabilidades e os campistas de lado pra ficar em casa e não tomar banho.
—E o que meu banho tem a ver com isso?
—Você não parece ser o tipo de pessoa que gosta de ficar suja de terra. – Ele disse.
Atena analisou as próprias roupas e franziu o nariz.
—Não pode ser nada. – Ele concluiu.
—Eu só estava pensando! Coisa que você não deve sabe fazer, por sinal.
—Pensando em quê?
—Não é da sua conta.
—E depois eu que sou o mal educado. Humpft.
—Poseidon, o que você quer?
—Eu? Só estou tentando ser legal. A gente está em uma trégua, lembra?
—Legal, aham... Sei. – Ela rolou os olhos azuis pela milésima vez.
—Tudo bem. – Ele forçou um suspiro e escondeu um sorriso. – Bem, eu queria jogar Playstation.
Atena deu de ombros enquanto respondia:
—E o que eu tenho com isso?
—Eu ia te convidar gentilmente pra jogar comigo.
—E eu ia gentilmente recusar.
—Tá com medo de perder pra mim de novo?
Atena colocou a caneca na pia e olhou para ele como se não se importasse com o fato dele tê-la desafiado.
— Eu não perdi pra você.
—Ah, não? Mas parece que fui eu quem pegou a espada na aula de esgrima.
A deusa estreitou os olhos e andou até ele.
—Eu jogo.
—Ótimo. – Ele sorriu convencido.
—Se eu ganhar você assume um horário meu amanhã. – Atena sorriu de canto.
—É uma aposta então?
—Exatamente.
—Ok. Mas se eu ganhar quero saber no que você estava pensando aquela hora.
Atena arregalou os olhos. Aquilo era golpe baixo!
—Fechado. – Ela murmurou.
Eles apertaram as mãos selando um acordo pela segunda vez naquele dia.
Poseidon foi até a sala e ela o seguiu, ainda temerosa
Atena não podia perder.
–X-
Poseidon estava esparramado no sofá apertando todos os botões que conseguia. E Atena tinha que concordar que ele jogava muito bem, mesmo ela acreditando que ele nem ao menos sabia o que estava fazendo enquanto apertava os botões de comando aleatoriamente.
Mas como a deusa da estratégia, era bem óbvio que ela estava ganhando. O jogo consistia basicamente em não ser morto pela equipe inimiga. E para isso você precisava criar armadilhas e surpreender os oponentes. Extremamente fácil.
Atena abriu um sorriso e se ajeitou melhor na poltrona ao ver o bonequinho de Poseidon ir com sua tropa direto para a base dela. Ela posicionou seus guardas e os bonequinhos começaram a duelar.
Poseidon viu que ele estaria perdido se continuasse onde estava. E foi por isso mesmo que se levantou e parou na frente de Atena, tapando a visão dela da TV.
—Ei! Saia já daí, Poseidon! – Ela reclamou, o empurrando para o lado.
—Não mesmo. – Ele voltou para onde estava e seus bonequinhos atacaram novamente.
Não tinha como Atena defender sua tropa já que ela não enxergava nada, mesmo tentando se esquivar dele. Poseidon sorriu de lado ao ver metade da outra equipe desaparecer em nuvenzinhas negras.
—Eu mandei você sair da frente!
—Você não me manda! – Ele retrucou como uma criança birrenta.
Atena se levantou de sua poltrona também e chutou a canela dele.
—Ai! Porque você fez isso?
—Porque eu não vou perder pra você. – Ela deu de ombros e continuou em pé ao lado dele. – Há! Matei seu general!
Poseidon puxou o joystick da mão dela e fez com que os bonequinhos dela se rendessem.
—E EU CONQUISTEI A BASE INIMIGA! – Ele sorriu vitorioso para Atena que estava, hm... Vermelha?
Na verdade, ela estava mais vermelha do que já estivera em toda a vida.
COMO AQUELE IMBECIL OUSA SER TÃO DESONESTO? ELE VAI PAGAR POR ISSO. AH. VAI. TÃO, ARGH... TÃO IRRITANTE! – Atena respirou fundo duas vezes para pôr os pensamentos em ordem. – Desprezível. Onde é que eu estava com a cabeça quando apostei com ele? É claro que ele não ia jogar limpo. Argh.
—Quero revanche. – Foi a única coisa que ela disse ao se afundar no sofá e trincar os dentes.
Meia Hora Depois...
Rachel entrou e bateu a porta. Ela cantarolava uma música baixinho e tinha um sorriso imenso no rosto.
—Hey! – Ela berrou ao vê-los jogando. – Adoro esse jogo! Quem está ganhando?
—Eu! – Gritaram os dois juntos.
A ruiva riu e sentou-se ao chão, com as pernas cruzadas como se fosse meditar, e continuou a cantarolar sua música animadamente.
—E é por isso que não foram jantar?
—Basicamente. – Respondeu Atena sem tirar o olho da tela.
—Ah! Foi tão divertido. O Andrew do chalé de Ares ficou furioso da Caça à Bandeira ter sido adiada para quarta-feira. – Ela começou a tagarelar, sem se importar deles estarem absortos demais no jogo para darem atenção. – E a Katie discutiu com a Leane do chalé de Deméter, e o Kurt quase começou uma guerra de comida...
—Há! Eu ganhei! Yeeeeeeeeeeeah! – Atena se levantou do sofá e começou algum tipo de comemoração estranha.
Rachel começou a rir e se levantou também.
—Wooow! Parabéns!
—Eu quero revanche!
—Nada de revanche, Poseidon.
—Você trapaceou! – Poseidon acusou inutilmente, enquanto gemia baixinho por ter perdido.
—Claro que não. Eu sou uma pessoa honesta.
—É tão engraçado ver vocês dois discutindo. – Rach comentou.
Os dois olharam para ela como se ela estivesse maluca. Engraçado? Aquela garota gostava de ver tentativas de homicídio?
—Honesta? – Poseidon insistiu em sua teoria furada. – Nada disso. Você tem os dedos pequenos e só por isso ganhou.
—Ah, claro! Meus dedos. – Ela concordou em sarcasmo. — Ares é que inventa essas coisas de “dedos menores” pra não admitir que perdeu. Aceite, Poseidon.
—Mas eu ganhei a primeira partida.
—Roubando. – Ela deu de ombros.
—Então eu tenho meu prêmio.
—Não! Eu também ganhei, sua anta.
—Isso não faz eu não ter o meu prêmio. – Ele sorriu afetadamente.
Atena olhou de soslaio para Rachel, como se pedisse a opinião dela.
—Os dois ficam com os prêmios, oras. – A ruiva deu de ombros. – Posso jogar?
—Claro. – Atena bufou. Ela não ia contar pra ele. – Eu vou tomar banho. E controle seus instintos pervertidos perto de pessoas puras e ingênuas, Poseidon. – Ela indicou Rachel com a cabeça antes de subir as escadas e Poseidon rolou os olhos. Ela ainda estava achando que ele tinha agarrado Rach pela manhã?
—O que ela tem?
Poseidon riu antes de responder:
—Ciúmes.
—Eu ouvi isso, seu imbecil! – Ela gritou do segundo andar. – Não acredite em uma palavra dele, Rachel. Aquele estúpido nojento... – E bateu a porta.
–X-
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