Fechado Para Reforma!
33 Indeciso.
Notas iniciais
CAPÍTULO 33: Inglaterra – Indeciso.
Sexto dia– Parte 4.
Poseidon andava a esmo pelo centro de Londres.
Seus pensamentos vagavam a quilômetros de distância dali. Agora tudo fazia sentido. Quer dizer, o motivo pelo qual Atena se escondia atrás de suas barreiras, o porquê dela ser tão fria e distante. O fato dela nunca falar sobre sua vida em Roma e de ter se mudado de lá para Londres.
Tudo se encaixava perfeitamente. Mas a mente do deus ainda estava uma bagunça.
Ele entendia o juramento, entendia Atena. Só não conseguia aceitar muito bem.
Todos esses anos ela o desprezara apenas por medo. Medo de se machucar outra vez, medo de que ele realmente se parecesse com Heráclito, medo de ser enganada. Poseidon provavelmente faria o mesmo se fosse com ele. A questão é que ele nunca havia sido rejeitado, quem dirá iludido. Então ele não sabia como agir.
Não sabia se deveria voltar e dizer a Atena com todas as letras tudo o que sentia por ela, se devia dar um tempo para que ambos pensassem, se devia simplesmente ir embora como a deusa havia pedido. Poseidon estava perdido.
Naquele momento os conselhos de Afrodite seriam muito bem vindos, mas a Deusa do Amor não parecia muito disposta a ajudar já que não tinha se manifestado nem nada disso. É claro que Afrodite pretendia que ele tomasse suas decisões sozinho, mas bem que ela podia dar uma força...
Afinal, Poseidon ainda estava um tanto triste por perceber que Atena tinha o julgado durante três mil anos por causa de um cara que destruíra boa parte da vida dela. Era mesquinharia do Deus dos Mares, ele sabia, mas não tinha como parar de pensar desse jeito.
E era verdade que ele também não facilitara a vida da deusa loira, fazendo com que ela sempre se irritasse com ele, ou a colocando em situações embaraçosas. Mas essas eram obviamente formas desesperadas que Poseidon encontrara de chamar a atenção da deusa. Era infinitamente melhor conversar com ela, mesmo que para uma discussão patética do que ser ignorado. Ele não suportava ser indiferente, ainda mais para ela.
E só percebia isso nitidamente agora. Só conseguia aceitar os próprios sentimentos em relação à Deusa da Sabedoria depois de tantas brigas e confusões. E não conseguia ver um futuro em que ela não estivesse presente. Mas, meus deuses, o que ele faria?
Não é possível que você seja assim mesmo tão burro como ela diz. Pense em algo. – Ele ouviu a voz da sua consciência ecoar no fundo da cabeça.
O que eu vou fazer? – Ele rebateu os próprios pensamentos.
Dê um jeito. Deixá-la ir embora não é uma opção.
Eu sei. – Poseidon retrucou para si mesmo. Estava ficando decididamente louco. – Mas eu acabei de magoá-la. Atena está chorando e a culpa é toda minha. Como lidar com isso?
Não seja idiota! – A voz de sua cabeça voltou a falar. – Não adianta adiar e você sabe muito bem disso. Tem que pedir desculpas. Tem que confortá-la e tem que mostrar para Atena que você é diferente desse cara, que você não está a usando, que você a ama.
Poseidon sabia que essas seriam atitudes corretas. Ele tinha plena consciência da necessidade de se declarar, de provar que seus sentimentos eram verdadeiros. Mas como EXATAMENTE fazê-la acreditar que ele a amava, sendo que o próprio deus demorara quase três mil anos pra aceitar esse amor?
Ele caminhou por mais algum tempo, observando as pessoas em suas vidas rotineiras e um tanto quanto monótonas, imaginando o quão mais fácil seria se ele fosse um mero mortal. O deus parou em uma lojinha pequenina e bem arrumada de doces. Altos níveis de glicose no sangue sempre o deixavam melhor.
O deus dos Mares sorriu vagamente, se lembrando de que quando estava em New York, antes de ficar sabendo que passaria uma semana com Atena ele tinha feito exatamente a mesma coisa. Fora até uma loja de doces e comprara um milhão de chocolates pra comer no parque. Parecia uma lembrança tão distante quanto a de ser engolido por Cronos.
E agora tudo havia mudado, porque ele estava apaixonado por Atena. Porque ele a amava.
Ele pegou alguns doces e um chocolate quente e voltou para as movimentadas ruas Londrinas. Era sempre melhor se cercar de mortais, porque isso o impedia de fazer besteiras muito grandes. E sua cota de besteiras já estava no limite.
O deus bebeu um gole de seu chocolate e se sentiu instantaneamente melhor, apesar dos pensamentos continuarem bagunçados. Ao menos ele já sabia que tinha que pedir desculpas para Atena. Só estava tentando entender COMO faria isso.
Seus olhos passaram rapidamente por algumas crianças correndo atrás de pássaros e atrapalhando a multidão da calçada. Ele sorriu divertido e acenou para elas. Poucos segundos depois um casal de velinhos passou por ali também. A senhora carregava uma flor vermelha e sorria como se tivesse acabado de ganhar na loteria, apenas por caminhar de mãos dadas com o seu marido.
Ele suspirou.
Por que não tinha nenhuma inspiração divina para fazer um pedido de desculpas decente?
Não era pedir demais.
O deus dos mares já estava quase desistindo e se teletransportando para o Tártaro quando percebeu que estava parado em frente a um Pet Shop. Ele deu de ombros e se aproximou da vitrine, observando alguns animais que dormiam ou saltitavam de um lado para o outro.
Um cachorrinho rolou de um lado para o outro e parou subitamente, ao perceber a presença de Poseidon. Ele andou até o vidro e encostou o focinho ali, observando o deus com seus olhinhos cinzentos.
E então tudo fez sentido.
Poseidon definitivamente já sabia o que tinha que fazer.
–X-
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