Notas iniciais
Meus leitores liiiiindos eu gostaria de avisar que daqui pra frente o ritmo das postagens vai ficar mais rápido, hihi. Espero que gostem desse capítulo, é um dos meus favoritos (:

CAPÍTULO 21: Inglaterra – F.R.I.E.N.D.S

Quarto Dia– Parte 3.

Poseidon olhou tudo ao seu redor realmente confuso. Atena só podia ter algum problema psicótico e ficava falando que ele sofria de distúrbios múltiplos para esconder as próprias deficiências mentais. Quer dizer, era a única explicação lógica em que ele conseguia pensar.
Poucos segundos antes eles estavam em Atenas e agora...

—Londres?

—Sim. – Atena confirmou, examinando feliz a cidade e suas cabines telefônicas vermelhas.

—Achei que sua casa ficasse na Grécia.

—Oh, era lá. Até uns dez anos atrás.

—Nós realmente fomos até Atenas por mero capricho seu?

—Eu não diria capricho. – Retrucou ela, pensativa, enquanto andava até a plaquinha com o nome da rua. – Gosto de ir até o Café conversar com Richard.

—Depois eu que tenho graves problemas neurológicos. – Ele resmungou. – Sempre achei que você fosse esquisita, mas não a esse ponto.

—Eu não sou esquisita. – Ela rolou os olhos conferindo o endereço. – Talvez um pouco fora do comum, mas isso não chega nem aos pés do seu nível de autismo.

—Ah, é claro. – Ele concordou em sarcasmo esperando pacientemente até que Atena e virasse, com os braços cruzados para poder provocá-la mais. – Uma pessoa misteriosa, que não gosta de falar sobre seu próprio passado, que faz coisas estranhas frequentemente, que se esconde atrás de muralhas de cinismo e que ama seu arqui-inimigo em segredo é mesmo completamente normal. – Ele concluiu, com acidez no tom de voz.

—Vamos, temos que pegar um taxi. – Ela respondeu, começado a andar. – Você tem que ser sempre tão irritante?

Poseidon sorriu internamente por Atena não ter encerrado o assunto. Ele prontamente a seguiu, abrindo caminho entre os pedestres.

—Não. Eu posso ser um perfeito cavalheiro, mas isso tem um preço.

—Tenho até medo de perguntar que preço é esse, Poseidon.

Ele riu e passou a mão pelos cabelos sedosos.

—Nada muito caro. Dependendo do ponto de vista.

—Oh, continue sendo um machista estúpido. – Ela deu de ombros, dobrado a primeira esquina. – Eu não vou arriscar. Já basta de acordos com você, Poseidon.

—Tem certeza?

—Não, imagine. Estou morrendo de vontade de ser enganada outra vez. – Atena ironizou, erguendo a mão para chamar um taxi.

Poseidon se postou propositalmente ao lado dela e resmungou em um tom baixo o suficiente para que apenas a deusa ouvisse:

—Princesa de gelo.

—Como é?

—É isso que você é, Atena. Eu diria “rainha” porque você merece o título de garota que mais se esconde atrás de muros gelados e palavras ásperas, que se fecha e não deixa ninguém transpor essas barreiras. Mas Hera provavelmente ficaria ofendida.

O taxi que Atena havia chamado passou direto por eles, deixando os dois parados na calçada em um confronto nítido. A deusa não teve outra escolha a não ser encarar a máscara de frieza que Poseidon usava.

—Qual o problema com esses taxistas? – Ela suspirou, ignorando o lançar que ele lhe lançava e voltando a acenar freneticamente.

Poseidon passou a mão pelo cabelo novamente quase derrotado.

—Você não vai me responder outra vez, não é? Isso só comprova minha teoria, se você quer saber.

—Eu não quero saber porcaria nenhuma, criatura marinha desprovida de massa cinzenta! – Atena quase gritou respirando muito forte para voltar a se controlar. – Droga. Eu não escondo meu passado, nem crio barreiras impenetráveis, ou qualquer baboseira que citou, se você quer saber. Basta você me perguntar e eu vou responder o mais sinceramente possível.

Poseidon podia sentir o desafio que ela lhe propunha só de olhar para a expressão de superioridade que ela ostentava, pelo modo como ela contraia os lábios em uma linha fina de repreensão e do jeito que ela cruzava os braços sob os seios, involuntariamente tentando se defender, por mais que ela negasse o fato.

—Porque você tem tanto medo que te machuquem, Atena? – A voz dele soou pesada e triste, como se ambos estivessem em uma bolha invisível e tensa e não existissem todos aqueles mortais em volta.

—Isso... não é da sua conta.

Poseidon suspirou, sabendo que não arrancaria mais nada dela. Ele ergueu a mão e um taxi finalmente parou. O silêncio entre os dois podia muito bem ter causado alguma alteração no campo gravitacional do Reino Unido.

–X-

O taxista cantarolava uma música que tocava no rádio enquanto Poseidon batucava os dedos no banco gasto – por falta do que fazer – e Atena olhava além da janela.

Havia menos de cinco minutos que eles estavam dentro do carro, mas o deus já percebia as alterações na paisagem. Os prédios diminuíam e tornavam-se menos frequentes, mais árvores e parques apareciam à medida que eles seguiam o percurso indicado por Atena, alguns momentos antes.

O bairro pelo qual passavam agora era calmo e cheio de casas vitorianas, com seus imensos jardins e balanças penduradas na varanda da frente. Agora que o deus pensava no assunto, parecia o lugar ideal para Atena morar. Certamente a Deusa da Sabedoria não gostava do barulho da movimentada Londres, e preferia uma casa mais espaçosa, mesmo que ele tivesse pensado em um apartamento minuciosamente organizado, no começo.

Eles passaram por uma construção muito antiga e imensa, a qual Poseidon não sabia definir que cor era, mas ficava entre o bege e o camurça, cheio de janelinhas e com um enorme quadro indicativo cheio de avisos sobre uma exposição literária. Ele podia imaginar perfeitamente os olhinhos de Atena brilhando ao ver a fachada onde estava escrito “Biblioteca St. Euxp De Geller”.

O deus não ficou nem um pouquinho surpreso quando o carro parou, pouco mais de uma quadra de distância da biblioteca, em uma rua cheia de mansões que pareciam ter saído de um filme da década de cinquenta. Eram ilustres e ainda sim aconchegantes.

—É aqui, certo? São trinta e três libras.

—Exatamente. – Atena deu um sorrisinho sem muito ânimo. – Espere só um minuto que eu vou lá dentro pegar minha bolsa e –

—Não precisa, eu tenho o dinheiro aqui.

Poseidon apressou-se para pagar estendendo o Cartão Lótus, mesmo com Atena revirando os olhos ao sair relutante do taxi. O motorista quase teve um colapso ao ver o símbolo do infinito na maquininha para cartões, mas teve a decência de agradecer polidamente e ir embora sem fazer nenhum comentário.

Atena já estava em frente à um portão branco e imponente, com suas grades cheias de arabescos que mostravam uma das casas mais bonitas da rua. O canto dos lábios dela se torciam levemente para cima em um sorriso contido e fofo, enquanto ela admirava a arquitetura.

Era perfeita, Poseidon pôde constatar. Não era uma das maiores casas, por ter apenas dois andares, mas ainda sim tinha certa elegância. As paredes eram completamente brancas e as portas também. As janelas estavam fechadas, mas o deus podia apostar que cortinas brancas e cerradas estavam por trás delas também. Apesar de ser verão, a grama do jardim estava verde e bem cuidada, com várias cadeiras espalhadas por lá e algumas árvores pequenas deixavam tudo ainda mais bonito.

Atena fechou os olhos por um breve momento e os portões se abriram, com um rangido suave e encantador.

—Seja bem vindo, Poseidon. – Ela murmurou, ao adentrar a imensidão de gramado verde.

–X-

A porta não fez nenhum barulho ao ser aberta e quando Poseidon pôs os olhos na sala completamente branca ficou imaginando se ele sempre teria essa impressão de que estava entrando em algum lugar celestial, devido a tanta claridade.

A sala de entrada era duas vezes maior que a da Casa Grande no Acampamento Meio Sangue e não tinha nem a metade dos móveis da outra. Poseidon se surpreendeu por não ver nada além de um sofá para umas dez pessoas (completamente exagerado) em um tom pálido de pérola, uma estante tão cheia e grande que ocupava sozinha uma parede (equiparável a sua em seu palácio subaquático) contendo mais de quinhentos filmes e seriados e uma TV de Led gigantesca no outro lado do cômodo.

Alguns quadros bonitos enfeitavam as paredes e muitas pilhas de livros estavam espalhadas no chão. O que era muito estranho, uma vez que ele imaginava que Atena deveria guardar todos os livros com o maior cuidado possível, mesmo que aqueles não estivessem exatamente jogados pela sala.

O deus se jogou no sofá e esperou até que Atena se sentasse na outra ponta, parecendo desconfortável.

—Chegamos.

—Eu percebi. – Ele desconversou, passando os olhos novamente pelo cômodo muito claro.

—Nenhum comentário sarcástico?

—Vou pensar em algum. Mas porque nós não aparatamos direto aqui?

—Hm. – Atena segurou uma almofada, passando os dedos pelo bordado delicado da capa. – Eu queria ver se a cidade ainda é tão incrível como eu me lembrava.

—Você é tão à toa.

—Deve ser porque estou presa com um cérebro de gelatina sem ter o que fazer. – Ela deu de ombros.

—Há quanto tempo você não vem aqui?

Atena franziu as sobrancelhas, em um gesto muito típico dela.

—Por quê? Os móveis estão tão empoeirados assim? – Ela estalou os dedos, fazendo com que a leve e imperceptível película de poeira sumisse. – Porque se for preciso refazer os feitiços de autolimpeza.

Poseidon rolou os olhos e espreguiçou-se.

—Não. A casa é legal. Só estava tentando puxar algum assunto que não fizesse você se irritar outra vez.

Atena sorriu abertamente com a resposta dele.

—A última vez que passei por Londres foi a negócios. Talvez uns três anos.

—E porque você não mora aqui?

—É mais prático ficar no Olimpo.

—Quem liga?

—Eu ligo.

—Você é tão complexa. – Ele comentou. – E porque se mudou de Atenas?

—Eu vivo mudando minha casa de lugar.

—E onde você morou antes?

—Roma, Atenas e agora aqui.

—E porque se mudou de lá?

—Você é tão malditamente curioso. Não te interessa. – Os olhos da deusa se escureceram um tom, mas ela respondeu calmamente, se pondo de pé e arrumando o vestido que subira poucos milímetros (e que Poseidon involuntariamente reparara). – Quer beber alguma coisa?

—Um Martini duplo seco, por favor.

—Água, chá ou café?

—Pode ser um copo de água, então. – Ele resmungou, se escorando ainda mais nas almofadas.

—Venha buscar, seu folgado! Só porque sou sua anfitriã não quer dizer que sou sua empregada.

—Você nunca vai mudar, não é?

—Não mesmo. – Ela concordou, o guiando para a primeira porta antes da escada.

Poseidon percebeu que a cozinha era pouco maior que a sala e também reluzia em tons claros. Era perfeitamente organizada e cheia de utensílios que ele não fazia ideia do para que serviam.

As únicas coisas reconhecíveis para o deus eram uma enorme mesa de vidro, que acomodaria no mínimo quinze pessoas, o fogão que milagrosamente não era branco, mas sim prateado, a geladeira e dentre tantas coisas sobre o balcão uma cafeteira multifuncional. Atena devia ser viciada em café, porque ela estava apertando uma sequência de botões enquanto despejava água lá dentro.

Poseidon também identificou um purificador de água no outro canto da cozinha e andou até lá enchendo um copo que aparecera magicamente. Ele bebeu um gole, antes de falar.

—E então, o que vamos fazer?

—Posso te mostrar o resto da casa, se você quiser.

—Tudo bem. – Ele concordou colocando o copo dentro da pia. – Só espero que não tenha que dormir no sofá.

Atena pegou uma caneca e encheu de café, controlando a vontade absurda de rir.

—Não se preocupe, tem um quarto de hóspedes.

A deusa voltou para a sala, bebericando vez ou outra sua caneca e Poseidon a seguiu sem dizer nada.

—Este – Ela apontou a segunda porta antes da escada. – é o banheiro.

Poseidon abriu uma fresta e viu uma enorme banheira de hidromassagem, um chuveiro, uma pia de mármore e todas aquelas coisas de banheiro. Ele deu de ombros e andou até a próxima porta.

Era um cômodo bege, com um enorme tapete felpudo e bilhões de livros espalhados por entre as almofadas. Nenhuma mesa ou escrivaninha. Apenas pilhas e pilhas de livros e travesseiros com duas poltronas ao fundo e uma janela de vidro que iluminava muito bem o ambiente.

—Sala de leitura. – Ele concluiu e Atena assentiu com a cabeça, subindo o primeiro degrau das escadas.

—Tem uma pequena biblioteca ao lado da sala de leitura. – Ela comentou e Poseidon não voltou lá para ver.

O segundo andar era exatamente igual ao primeiro, com uma sala de entrada. Mas essa estava cheia de mesas e papéis, canetas, abajures, flores sobre mesinhas de centro e poltronas marfim.

Atena foi até o primeiro cômodo e mostrou-o a Poseidon.

—Outro banheiro, exatamente igual ao lá de baixo.

—Ok.

—E aqui – Ela andou mais um pouco e abriu outra porta. – Meu quarto.

Poseidon quase não acreditou ao ver um lugar que não fosse branco naquela casa, mas as paredes do quarto de Atena estavam pintadas de um marfim muito clarinho. Uma cama de casal King Size estava na parede oposta à do guarda roupas e ele também não viu nenhum livro ali, apenas alguns pufes e móveis antigos que combinavam perfeitamente com os modernos.

Atena fechou a porta antes que ele pudesse pôr o pé pra dentro e Poseidon riu daquela infantilidade.

—Eu não ia me apossar da sua cama.

—Fico agradecida. – Ela comentou em sarcasmo, abrindo um sorriso do tipo tenho-trinta-e-dois-dentes ao indicar a última porta. – Seu quarto.

E Poseidon quase teve um AVC ao abri-la.

–X-

—Eu não vou dormir aqui.

—O sofá também está disponível.

—Eu também não vou dormir lá.

—Hm. Então vá para algum hotel.

—Você é um ser maligno, Atena.

Atena deu um sorrisinho fofo e nada inocente.

—Jura?

—Tem razão ser filha daquele psicopata mandão e chato do meu irmão. Vocês são iguaizinhos.

—Oh, não comece com essa história outra vez. – Ela resmungou.

—Então me arrume um quarto decente.

—Qual o problema com esse quarto, Poseidon?

O deus bufou, reconhecendo sua mala preta ao lado da escrivaninha cor-de-rosa. E rolou os olhos, irritado com as paredes cor-de-rosa e o papel das princesas da Disney. Ele passou os olhos infeliz pela pequena cama cor-de-rosa, cheia de almofadas cor-de-rosa e enfeitadas com flores pequeninas e rosas.

—Qual será o problema com esse quarto, hein? – Ele respondeu, com a voz pingando sarcasmo, enquanto apontava para a mesa cheia de desenhos, porta retratos, jogos de tabuleiros e lápis de cor perfeitamente organizados.

Tudo naquele lugar era infantil e rosa. Tudo.

Deuses, se ele soubesse disso antes teria ficado eternamente grato pelo resto da casa ser branco.

—Não acredito que você deixou seu lado criança falar mais alto quando você montou esse quarto, Atena.

—Não seja tão estúpido. – Ela rolou os olhos. – Quando eu construí era para que Annabeth pudesse passar mais tempo comigo, seu energúmeno. Mas acho que agora só a Jenny vai poder aproveitá-lo. E você, é claro.

—Como você adivinhou que essa era minha cor favorita? – Ele voltou a ironizar, andando até sua mala. – E que eu preferia a Cinderela à Branca de Neve?

—Eu não sei, mas acho que combina com você.

—Muito engraçada.

—Hey, aonde você pensa que vai com isso? – A deusa apontou a mala que ele arrastava para fora do quarto.

—Para o meu quarto.

Atena o seguiu até que Poseidon parou na frente do quarto dela e entrou, carregando suas coisas. Ele foi até o guarda roupas e estalou os dedos, fazendo com que suas roupas ficassem arrumadas lá dentro.

—Você não ousari—

—Oh, eu ousaria sim.

—Esse é o meu quarto, Poseidon! Saia já daqui!

—Se está tão incomodada pode dormir no sofá.

–X-

—Vá tirar suas coisas do meu quarto agora.

Poseidon ignorou a histeria de Atena e continuou a mexer na estante atulhada de DVDs que ela tinha na sala do primeiro andar. Ele estava repassando alguns clássicos mentalmente e viu que ela tinha a maioria deles ali, quando uma coleção em particular chamou sua atenção na ala dos seriados.

—Friends? – Ele questionou, apontando para as dez temporadas completas.

—Vai me roubá-las também? – Ela estreitou os olhos faiscantes.

Poseidon riu.

—Eu pensei que poderíamos assistir.

—Você gosta de Friends?

—Achei que você fosse mais esperta, Atena.

Ela fez uma careta e fitou as caixinhas, indecisa entre qual temporada escolher.

—Põe essa. – Ele pegou a Segunda Temporada e entregou para ela. Atena tentou manter a expressão neutra porque essa era exatamente a que estava pensando em pegar.

—Algum episódio em especial?

—Huh, acho que não. Talvez o disco 2.

Atena foi até o aparelho de DVD e ligou a televisão, esperando pacientemente que carregasse. Ela pegou o controle remoto selecionou “Aquele em que Ross Descobre” e se sentou com as pernas cruzadas no sofá, mais perto de Poseidon do que normalmente sentaria. Mas eles só iam assistir um seriado, não podia ter nada demais nisso.

–X-

Atena estava se sentindo completamente idiota.

Como ela podia esquecer o efeito que aquele episódio causava? Seus olhos estavam mais úmidos do que o aceitável e ela se contorcia no cantinho do sofá limpando as pequenas lágrimas que ameaçavam a se formar com a ponta dos dedos. Rezando para todos os deuses para que Poseidon não a visse naquele estado lamentável.

O deus riu de algo potencialmente pervertido que Joey citou e ela relaxou sob as almofadas. Agora ela só tinha que aguentar mais alguns minutos sem chorar e eles passariam para um episódio em que não houvesse tanto conflito emocional e então...

E então Rachel expulsou Ross do Central Perk, fazendo com que as lágrimas de Atena também fossem expulsas de seus olhos e ela soluçasse baixinho.

Poseidon virou-se para ela, com uma expressão decididamente incrédula.

—Hey, Atena. Você está chorando?

Droga, droga, droga.

—Não. – Ela negou com o fio de voz que lhe restava.

—Você sabe que eles vão ficar juntos e está chorando?

—Eu não estou chorando, Poseidon. Me deixe em paz e volte a assistir a merda do seriado.

—Oh, é claro que você não está chorando. – Ele se aproximou dela, fazendo com que Atena recuasse alguns milímetros, e passou um dedo pela bochecha da deusa limpando as lágrimas. – E toda essa água no seu rosto é porque você está se liquefazendo. – Ele ironizou.

—Saia de perto de mim. – Ela alertou ficando absurdamente corada.

—Por quê? – Ele provocou, com uma voz rouca e, Atena teve que admitir, extremamente sexy.

—Agora.

—Ou você vai chorar?

Atena respirou fundo duas vezes e Poseidon custou conter um sorriso debochado.

—Eu vou te matar, seu imbecil. E olha que isso nem é possível. – Ela ameaçou, socando cada milímetro exposto do corpo do deus.

Poseidon riu quando ela tentou acertá-lo no nariz e foi parada pela mão dele. A deusa estreitou os olhos faiscantes e isso só contribuiu para que a raiva dela aumentasse.

—Eu não estava chorando, estúpido! Você é um machista idiota e egocêntrico e eu não sei onde estava com a cabeça quando aceitei te trazer para cá!

—Eu sei. Nas nuvens, sonhando com meu lindo ser na sua companhia por mais quatro dias. Pode admitir, Atena. Eu sou irresistível.

—Você é um grande hipócrita e eu vou picar seu lindo corpo em milhões de pedacinhos e queimá-los para só então jogar no Tártaro, infeliz.

—Você vai ter que me pegar então.

Poseidon se levantou e saiu correndo loucamente pela enorme sala, e Atena não hesitou antes de ir atrás dele. O deus derrubou uma dezena de pilhas de livros e deixou-os completamente bagunçados pelo chão, fazendo o ódio de Atena crescer a cada milésimo de segundo.

Ela tropeçou em três livros jogados e ouviu a gargalhada de Poseidon.

—Volte já aqui!

—Eu já disse, Ateninha, você vai ter que me pegar.

—AAARGH, paciência Zeus. Dê-me paciência com esse ser!

Poseidon sorriu de canto e desviou de Atena no minuto em que ela ia agarrar sua camiseta. Ele chegou muito mais perto dela do que o aconselhável e a deixou de costas para a estante de DVDs, colocando ambas as mãos ao lado do corpo da deusa, deixando-a encurralada.

—Ou eu posso te pegar.

Atena desviou os olhos do rosto dele, completamente sem graça. Ela havia entendido perfeitamente o duplo sentido da frase. Poseidon segurou o queixo da deusa entre o polegar e o indicador e aproximou aqueles olhos verdes que mais pareciam duas esmeraldas dos dela, entreabrindo levemente os lábios para beijá-la.

Poseidon fechou os olhos quando... Ela ergueu a mão para a estante e fez com que uma prateleira de DVDs despencasse sobre a cabeça dele.

—Mas que porra...? – Ele perguntou desnorteado, ao abrir os olhos e constatar que ela já estava fugindo para outro lado da sala e sorria vitoriosa.

O deus rolou os olhos e correu atrás dela, tentando prendê-la novamente.

—Então a presa virou o caçador?

—Com um caçador tão ruim quanto você não é de se surpreender. – Atena respondeu, rindo e derrubando propositalmente alguns livros para tentar atrasá-lo. Só que fazer isso era muito mais demorado, uma vez que ela tomava cuidado em excesso para não estragar suas preciosidades.

—Quer dizer que eu sou ruim?

Atena não respondeu, sentindo o rosto esquentar.

Ela tentou desviar para a esquerda, sem perceber que era isso que Poseidon queria que ela fizesse e ele conseguiu capturá-la pela segunda vez. O deus a segurou como um bebê de colo e Atena quase teve um colapso ao pensar que seu vestido podia ter subido alguns centímetros. Ela tentou ajeitar a roupa, mas Poseidon não estava disposto a deixar que ela fugisse.

—Quietinha, senhorita.

—ME PÕE NO CHÃO! ME. PÕE. NO CHÃO.

—Hey, não grite no meu ouvido. – Ele resmungou, sem dar atenção a ela e andando calmamente até o sofá.

Ele a colocou sentada de um jeito gentil e foi para o lado dela, ficando apoiado nos joelhos. Atena tentou se afastar, mas o braço do sofá a impedia de chegar mais para trás e Poseidon teve que rir do desespero dela. Ele sorriu debochado e se aproximou.

—Hey, não tem como fugir de mim.

Foi como se o cérebro de Atena tivesse paralisado. E no segundo seguinte ela estava se contorcendo de cosquinhas. Poseidon fazia cócegas na cintura dela e por mais que a deusa arfasse e tentasse se soltar não tinha forças para resistir.

—Eu me rendo! Por... favor... eu... eu me rendo! EU ME RENDO. – Ela conseguiu berrar em meio às risadas.

Poseidon parou com as cócegas, mas não tirou as mãos da cintura dela.

—Eu não aceito. Quero meu prêmio.

Atena conseguia enxergar a malícia descabida com que ele pronunciara aquelas palavras e ela não conseguiu desviar os olhos daquelas lindas esmeraldas.

—O-o q-que você vai fazer?

—Se você pedir, eu paro.

Atena esbugalhou os olhos e sentiu as mãos tremendo. Sentiu o toque das mãos macias dele no seu corpo e sentiu o hálito de menta dele soprando na sua bochecha. Mas nenhuma palavra saiu de sua boca. Poseidon abriu os sorriso mais bonito e satisfeito do mundo.

E a beijou.

A deusa não sabia quanto tempo havia se passado, mas percebeu estar correspondendo ao beijo. E ela sabia que não era por mero impulso. Os lábios dele tão perfeitos contra os seus eram incríveis demais para que ela se controlasse.

Ele aprofundou o contato, deslizando suas mãos para uma das coxas dela e Atena se retesou de inicio. Mesmo assim, ele continuou a beijá-la e brincou com um dos cachos que caiam por sobre o ombro dela.

Algum tempo depois, nenhum dos dois saberia dizer quanto, eles se separaram. Atena estava ofegante e corada e Poseidon não podia imaginá-la mais linda que naquele momento. Ele sorriu de canto ao ver a confusão passando por aqueles olhos azuis que ele tanto gostava.

—E-eu preciso ligar para alguém vir arrumar essa bagunça. – Ela declarou, sem encará-lo e se levantou desaparecendo na cozinha.

Poseidon suspirou ao perceber que ela ainda podia fugir dele, afinal de contas.

–X-

Notas finais
Adoro brigas que acabam em beijos *suspira*. O que acharam desse capítulo enorme? Reviews? Mil beijos da Mirtle :*