Fechado Para Reforma!
15 Eu não gosto dela!
Notas iniciais
CAPÍTULO 15: Acampamento Meio-Sangue – Eu não gosto dela!
Terceiro Dia– Parte 2.
Atena olhou do papel para Poseidon mais uma vez, ainda com aquele estranho brilho no olhar. Ele parecia um tanto desconfortável e confuso. A deusa engoliu em seco.
—O que é isso?
A luta interna de Poseidon era tão grande que ele não respondeu, na verdade pareceu nem escutar. Jenny aproveitou para olhar por sobre o ombro da mãe e sorriu aliviada ao pegar o papel rosa choque.
—Eu fiz para o tio Poseidon. Não foi, Popo?
—Hã? – Por um momento ele saiu do transe e encarou as duas loiras, por algum motivo muito estúpido corando ao parar o olhar no pequeno sorriso de Atena.
Pelos deuses, ele não corava! NUNCA! Porra.
—O desenho! – Jenny alargou o sorriso travesso e apontou para a folha – Eu e você passeando no deque.
A garotinha desceu do colo da mãe e correu até o deus, estendendo o bilhete rosa. Um desenho infantil mostrava dois bonecos palitos irregulares, com sorrisos saindo do rosto, de mãos dadas. A garotinha do desenho era duas vezes mais baixa que o cara de cabelos pretos, que Poseidon percebeu ser ele, e ela apontava alguma coisa no rio.
Involuntariamente o deus relaxou.
Ao menos não era o bilhete de Afrodite.
Enquanto ele observava, a letra floreada da Deusa do Amor foi aparecendo gradualmente no céu desenhado. Poseidon estreitou os olhos para conseguir ler.
“Não se preocupe, não vou dizer nada à Atena. Vou esperar que você conte para ela, quando se sentir preparado. Hihi. Só não demore demais, titio.
Ou vou ter que agilizar as coisas.
Amor, Afrodite”
Poseidon bufou e resolveu que tinha que sair dali o quanto antes, para deixar de lado aquelas bobagens de sentimentos. Qual é, será que Afrodite não sabia o que significava “inimigos eternos”? Não é porque eles estavam convivendo socialmente que ele sentia alguma droga de coisa.
O deus despenteou o cabelo da garotinha loira à sua frente e sorriu.
—Obrigada, Jen.
Nem sonhando ele iria agradecer à Afrodite. A culpa era toda dela, então era bom mesmo que ela tivesse colocado algum tipo de magia estranha no papel.
—Não foi nada. O que acha de treinar comigo hoje, hein?
—Eu não posso, pequena. Tenho que dar aula.
Jenny o enlaçou pelo pescoço e o deus depositou um pequeno beijo na ponta do nariz dela, que sorriu feliz. A garotinha pegou seu arco juntamente com as fechas e acenou um tchau meio desajeitado.
O Deus dos Mares se virou, desesperado para que Atena estivesse ajudando um campista ou simplesmente não estivesse perto dele, de forma que ele conseguisse um tempo extra para pensar. Oh, sim, agora Poseidon entendia porque ela precisava fazer aquilo com tanta freqüência. A cabeça dele explodiria se continuasse aquele caos – considerando que a cabeça de um deus grego não tinha essa capacidade de se desintegrar.
Mas a verdade é que Atena estava o analisando, com os braços cruzados, parecendo um pouco inquieta e estranhamente calma, mesmo ele estando atrasado.
—Poseidon eu...
—Eu preciso ir. – Ele a cortou, desviando os próprios olhos das orbes tão incrivelmente azuis da deusa. – Até mais, Atena.
—Tudo bem.
O deus ouviu uma pontinha de desapontamento e concluiu que aquilo era apenas coisa do seu cérebro. Porque, nem em zilhões de anos, Atena ficaria desapontada por ficar longe dele. Nunca.
Poseidon suspirou enquanto passava pelos campistas que treinavam por ali. Ele precisava de ar. Precisava ficar longe daquelas pestes. Precisava resolver sérios problemas no seu reino subaquático. Precisava parar de pensar em Atena. Ou no que fariam juntos, por mais quatro dias. Precisava tirar as besteiras de Afrodite da cabeça. Precisava de uma boa dose de Martini.
Era tanta coisa que ele estava se sentindo sufocado.
Antes que pudesse perceber, já havia chegado ao lago de canoagem que estava lotado de semideuses, ninfas, e uma porção de gente que Poseidon ignorou ao tirar a camiseta – e ser quase atacado por aquelas garotas psicóticas – e se jogar na água.
–X-
A primeira aula de Atena havia acabado há tempos e ela supervisionava monotonamente as paredes de escalada. Bem, tão monotonamente quanto era capaz, ao observar uma quinzena de campistas saírem chamuscados e ter que mandá-los para a enfermaria.
A deusa teve que se controlar para não gritar com aqueles duendes-malignos-disfarçados-de-crianças (porque é claro que não podiam ser apenas filhos de Hermes com sete anos) enquanto tentava pensar na proposta da Criatura Marinha. Oh, sim, Atena era extremamente criativa com apelidos.
Havia muito a se considerar naquele inocente pedido. Mas Atena, decididamente, não era tão inocente quanto aparentava – ao menos, ela queria acreditar que não era. Porque era muito, muito estranho que eles passassem por mais quatro dias de torturas mútuas.
Masoquismo. Era a única palavra que ela conseguia extrair disso.
De qualquer maneira, ela precisava mesmo de comida. E de roupas. Porque nem por decreto continuaria usando aquelas peças infames que Afrodite escolhera. A deusa corou só de lembrar o modelo de seu lingerie.
E ela tinha para onde ir.
Só não estava muito animada com a perspectiva de levar Poseidon para lá. Seria, com toda certeza, um tanto assustador.
Mas as coisas tinham saído do planejamento desde o segundo em que ela fora para o Acampamento com ele. Então, não podia ser tão ruim assim, certo?
Atena ouviu a concha de caramujo soar, e sem esperar muito se tele transportou para lá.
–X-
Os semideuses estavam causando alguma confusão quando Poseidon chegou para o almoço. Pelo menos, não era guerra de comida nem nada do tipo (porque isso acontecia quando Rachel estava ocupada demais falando de seus projetos), mas ele ficou um pouco tenso ao perceber que Atena devia estar ali resolvendo o que quer que fosse.
E ele teve que se repreender mentalmente por ser tão estúpido.
Poseidon viu uma cabelo alaranjado e se arrastou para junto de Rach, que exibia o sorriso mais simpático que ele já tinha visto.
—Wow, quanta felicidade, Rach. O que aconteceu?
A ruiva deu de ombros.
—Falei com o Apolito por Mensagem de Íris hoje.
—Huh, legal. – Ele serviu um pouco de torta de frango e ordenou que seu copo se enchesse de Pepsi, sem dar muita atenção para o que ela falava.
—Foi engraçado. E ele me beijou, ontem.
Poseidon parou o garfo a meio caminho da boca.
—Sério? Tipo, você não parou ele nem nada?
Pelo que o deus havia visto no dia anterior, sempre que Apolo tentava agarrar Rachel ela desviava ou dava um grande fora nele. Rachel se limitou a acenar com a cabeça, até que cruzou as mãos sobre a mesa e suspirou.
—Eu acho que cansei me esquivar de Apolo. Ele é incrível. Talvez ele esteja precisando de alguém e eu não me importo de ajudá-lo por enquanto. – A ruiva deu uma piscadinha e Poseidon riu. – E fica bem difícil resistir, por que ele é gato pra caramba.
—Oh, não. Eu não preciso ouvir nem concordar com isso. – O deus fez uma careta e Rach rolou os olhos verdes. – Mas... ahn, eu achei que ele estivesse gostando da irmã gêmea.
—É claro que ele está. Apolo é sincero demais pra inventar que gosta de Ártemis.
—Ele te beijou mesmo assim. – Poseidon acusou.
O Deus dos Mares não costumava julgar as pessoas. Mas aquilo lhe parecia errado. Talvez porque Ártemis era pura demais, ou porque realmente não era certo um cara beijar uma garota quando se dizia apaixonado por outra.
—Achei que você fosse entendê-lo, Poseidon. – Rach franziu as sobrancelhas para ele. – Você também estava agarrando a Miller ontem, mesmo gostando de outra pessoa.
Poseidon olhou para a ruiva e bufou.
—Mas que porra! – Por um motivo muito estranho (ou por uma simples armação de Afrodite) ele disse antes que pudesse se conter. – Eu não to sentindo nada por aquela sabe-tudo irritante!
—Eu não disse que era Atena.
—Droga, você também não Rachel! Não me venha com essas idiotices de que “você pode sentir e mimimimi” – Ele imitou da pior maneira possível a voz da ruiva, que começou a rir descontroladamente.
—Okay. Mas eu sei das coisas, dã. É muito útil ser o Oráculo nesses casos. – Ela desdenhou.
—Há, tirando o fato de que você não pode namorar? – Ele ergueu uma sobrancelha provocando.
—Eu não estou namorando mesmo.
Rach se levantou da mesa dos diretores com um falso olhar de superior e Poseidon mostrou a língua pra ela, como um completo infantil. Ela disse alguma coisa sobre não agir como um ser estúpido – que ele fez questão de ignorar – e tentar não arrumar mais brigas com Atena antes de sair correndo para a Casa Grande.
Poseidon continuou comendo até que percebeu que os campistas estavam se acalmando. Aparentemente, Atena tinha conseguido controlar a situação. Alguma coisa desconfortável se remexeu dentro dele e o deus ordenou ao seu subconsciente que largasse de ser tão retardado. Ele não ficaria se sentindo tão idiota sempre que pensasse nela, ainda mais influenciado por aquelas babaquices de Afrodite. Pff.
E ainda sim ele se sentiu estúpido ao vê-la se sentar ao seu lado.
–X-
—Eu não gosto de quando você fica tão calado, Poseidon. Parece que está criando um plano mirabolante e maligno para dominar o mundo.
—Eu só não tenho nada para dizer.
—Você é chato e implicante. Sempre tem alguma coisa pra dizer. – Ela replicou, voltando a beber de seu suco de uva.
—Não se pode nem mais pensar em um plano maníaco em paz! – Poseidon jogou as mãos para o alto teatralmente.
Finalmente, depois de muito considerar a questão, ele havia decidido. Não iria se importar com o que Afrodite dizia, se isso não era aquilo que ele estava sentindo. Se ele dizia que não estava apaixonado por Atena, é porque não estava – ou porque queria muito acreditar naquilo. Não era tão complicado, afinal de contas. Ele era Poseidon, o deus mais pegador e gato de todo Olimpo. E não se apaixonava. Simples assim.
Ele conviveria por mais quatro dias civilizadamente com sua arquiinimiga e depois da reabertura do Olimpo as coisas provavelmente voltariam a ser como eram. Porque Afrodite não estava certa.
Não poderia estar.
—Eu sabia! – Atena rolou os olhos azuis entrando a brincadeira e deu uma breve olhada nos semideuses que ainda estavam ali para ver se estava tudo em ordem. – Você é um psicopata que quer tomar os domínios do meu querido pai.
—Ah, é claro que você tinha que apelar para o maravilhoso papai! Porque seria muito injusto ele perder o céu para o irmão mais lindo e irresistível.
—Huh, eu acho que essa descrição não se encaixa em você, Poseidon. Mas se por um absurdo você se referir a seu próprio ser, saiba que é injusto mesmo. Você mal consegue controlar os mares!
Poseidon abriu um sorriso um pouco sem graça, que não era a reação esperada de Atena. E suspirou, por fim.
—Droga, porque é que você tem que ser a Deusa da Razão?
Atena o encarou por um segundo, sem entender sobre o que ele estava falando, até que o pager de Poseidon apitou. E então a deusa compreendeu.
—Está falando sério? Há algo errado com seu reino?
Poseidon retirou o aparelho do bolso, sentindo o clima descontraído se dissolver ao ler a mensagem.
—Pode-se dizer que sim, Atena. Dolphin está me mantendo informado, mas parece que não está tudo como deixei.
—Depois da separação com sua esposa?
Poseidon suspirou.
—Ex–esposa.
Atena o encarou, se lembrando da primeira noite, quando Poseidon invadiu seu quarto e a forçou a contar sobre Malcolm. Naquela noite, ele havia recebido uma mensagem e dissera algo sobre Anfitrite.
—É sobre Anfitrite? – A loira viu ele concordar pesadamente com a cabeça, e sem entender o motivo, acabou completando. – Se você quiser me contar, tudo bem.
—É um pouco longo.
Atena deu de ombros, se levantando da mesa com um sorriso de lado.
—Ah, tudo bem. Parece-me que temos duas horas livres agora, antes da aula de esgrima. E mais quatro dias pela frente.
Poseidon arqueou as sobrancelhas, incrédulo.
—Então você aceitou minha proposta?
—Você é mesmo muito lerdo, Poseidon. – Ela rolou os olhos. – Então, sim. Eu aceitei. Mas não é como se eu tivesse outra opção, okay?
—Há, vou fingir que acredito que você não está louquinha pela minha companhia. – Ele sorriu de uma maneira pervertida, que fez com que Atena ficasse vermelha e acabasse murmurando, só de provocação:
—Vai sonhando, tio.
–X-
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